Questões de Concurso
Sobre gêneros literários em literatura
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Leia o trecho do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna:
“Chicó: — Só sei que foi assim.”
A repetição dessa fala, recurso cômico recorrente, revela a valorização da oralidade popular e a inserção da cultura sertaneja no texto dramático. Considerando o papel da literatura regional nordestina no currículo e em diálogo com a BNCC, assinale a alternativa correta:
( ) A literatura infantil contemporânea busca a autonomia da obra literária, com ênfase em sua especificidade estética, e não mais no caráter pedagógico, como ocorria no passado.
( ) As obras literárias da passagem do século XIX para o século XX eram produzidas, sobretudo, com finalidade pedagógica.
( ) Até a década de 1920, a maior parte da literatura infantil pouco considerava os interesses da criança, sendo produzida do ponto de vista adulto e não da infância.
( ) No final do século XIX e início do século XX, os livros para crianças no Brasil eram, em sua maioria, traduções e adaptações de clássicos europeus.
( ) Os primeiros livros de literatura infantojuvenil voltavam-se à formação da criança, pautando-se em conceitos firmes sobre família, moral, patriotismo e civismo.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Analise o poema reproduzido a seguir.
Rondó dos cavalinhos
(Manuel Bandeira)
Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
Tua beleza, Esmeralda,
Acabou me enlouquecendo.
Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
O sol tão claro lá fora,
E em minh’alma - anoitecendo!
Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
Alfonso Reyes partindo,
E tanta gente ficando...
Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
A Itália falando grosso,
A Europa se avacalhando...
Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
O Brasil politicando,
Nossa! A poesia morrendo...
O sol tão claro lá fora,
O sol tão claro, Esmeralda,
E em minh’alma - anoitecendo!
BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Record, s. d. (Mestres da literatura brasileira e portuguesa). (p. 161-162).
( ) Podemos considerar Memorial de Aires um romance porque não são narrados só os pensamentos do autor do diário, nem casos meramente episódicos, circunstanciais, há uma unidade narrativa, um enredo coerente que se desenvolve no tempo, num espaço determinado, com personagens definidas.
( ) O tipo de narração que se verifica no Memorial de Aires é a objetiva.
( ) No nível de ação do romance há uma vitória da vida, visto que as personagens jovens Fidélia e Tristão, desprendem-se do mundo dos velhos para realizarem a sua própria vida.
( ) No nível das personagens, há uma vitória da morte, visto que a maioria dos velhos, domina esmagadoramente. É assim que se explica a ausência de nascimentos e de crianças no Memorial.
( ) Com relação ao ponto de vista, há uma vitória da morte, visto que todo romance é contado segundo a perspectiva do Conselheiro Aires, que, como ele próprio confessa, está mais próximo da morte. No nível da temática domina a morte, visto que os motivos relacionados a ela, são mais constantes.
Considere o texto abaixo:
Os bons vi sempre passar
No mundo, que os não estima;
E os maus sempre a prosperar,
Na sua má usança, sublima.
Assim que o mundo é tal,
Que premeia a quem não deve,
E castiga o leal;
E, se por bom se houve,
Não há prêmio nem favor,
Que lhe faça melhor
Luís Vaz de Camões
O poema camoniano em evidência, pela forma e pelo conteúdo que apresenta, trata-se de um(a)
Durante uma oficina literária com foco em narrativa, cinco participantes apresentaram suas produções. A organizadora, professora Simone, destacou alguns aspectos técnicos de cada texto:
I. O texto de Marcelo apresenta um narrador que relata os fatos apenas com base naquilo que observa, sem acesso aos sentimentos ou pensamentos das personagens.
II. No texto de Renata, o tempo da narrativa é fluido, subjetivo, marcado mais pelas emoções do protagonista do que por uma cronologia linear.
III. Gustavo estruturou sua história com cortes temporais abruptos, alternando entre passado e presente, desafiando a linha tradicional dos acontecimentos.
IV. A narrativa de Paula se passa dentro de um trem em movimento, mas o foco do espaço narrativo está na representação do isolamento e da estagnação emocional da personagem.
V. Já Tatiane criou personagens cujas ações movem a trama, mas cuja construção psicológica é rasa e pouco aprofundada.
Com base nas observações acima, identifique a alternativa que associa corretamente os elementos narrativos em destaque:
Durante uma aula de Literatura, a professora Helena propôs aos alunos que criassem textos inspirados em diferentes gêneros literários.
Carlos escreveu um poema em que expressava suas angústias amorosas por meio de metáforas, rimas e musicalidade.
Mariana, por sua vez, redigiu uma história em versos, narrando as façanhas de uma heroína que salva sua cidade de uma grande ameaça.
Já Lucas elaborou um texto em que dois personagens discutem, em forma de diálogo, sobre um conflito familiar, sem a intervenção de um narrador.
Com base nas características gerais dos gêneros literários, associe corretamente os textos dos alunos aos gêneros correspondentes:
Leia o poema a seguir:
As Sem-razões do Amor
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Corpo. Rio de Janeiro: Record, 2002.)
Nesse poema, é possível identificar:
I - A presença de rimas nos versos 18 e 19.
II - A partir de uma análise acerca do título, nota-se que há um jogo de palavras entre “sem” e “cem” que se relaciona com o significado do restante do poema. Além disso, pode ser vista uma dicotomia existente: mesmo que alguém tente explicar o amor, é impossível enumerá-lo.
III - O eu-lírico expressando a sua perspetiva acerca do amor.
Após analisar as alternativas, indique a opção correta:
(EM13LP49) Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes gêneros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crônicas, a manifestação livre e subjetiva do eu lírico diante do mundo nos poemas, a múltipla perspectiva da vida humana e social dos romances, a dimensão política e social de textos da literatura marginal e da periferia etc.) para experimentar os diferentes ângulos de apreensão do indivíduo e do mundo pela literatura.
(SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo paulista: etapa ensino médio. São Paulo: SEDUC, 2020.)
A habilidade transcrita permite entender que o ensino de literatura
( ) Narrador onisciente: quando conhece e revela o interior das personagens, seus pensamentos e emoções.
( ) Na obra lírica um sujeito que chamamos eu-lírico, sujeito lírico, voz lírica, voz poética, exprime suas emoções. (Por emoções entendemos todas as experiências psíquicas: sejam os mais profundos sentimentos e sensações, sejam ainda as mais variadas reflexões e concepções de mundo).
( ) Na obra dramática os fatos são apresentados diretamente ao espectador, sem intermediários. Não é necessária a voz de um narrador como na obra narrativa. Pertencem ao gênero dramático as obras escritas em versos ou em prosa para a representação teatral. Assim, embora o texto possa ser objeto de leitura, sua realização plena como obra de arte só pode ocorrer no palco, onde cada personagem é representada por um ator, que (re)vive o papel em cada novo espetáculo.
( ) Enquanto o tempo próprio da narrativa é o passado, o tempo da obra dramática é o presente. O discurso direto, (fala da personagem sem intermediação de narrador) e o diálogo, são as formas básicas da linguagem dramática. É através do diálogo que ocorre o entrechoque das personagens, realizando-se a característica essencial do gênero, que é o conflito.
Enchente
Chama o Alexandre!
Chama!
Olha a chuva que chega!
É a enchente.
Olha o chão que foge com a chuva...
Olha a chuva que encharca a gente.
Põe a chave na fechadura.
Fecha a porta por causa da chuva...
olha a rua como se enche!
Enquanto chove, bota a chaleira
no fogo: olha a chama! olha a chispa!
Olha a chuva nos feixes de lenha!
Vamos tomar chá, pois a chuva
é tanta que nem de galocha
se pode andar na rua cheia!
Chama o Alexandre!
Chama!
(Cecília Meireles. Ou isto ou aquilo.
Em: Angela Kleiman. Oficina de leitura: teoria & prática. 2017)
Considere as seguintes obras representativas da prosa literária potiguar:
I Opúsculo Humanitário, de Nísia Floresta.
II A Princesa de Bambuluá, de Câmara Cascudo.
III Rua da Estrela, de Nei Leandro de Castro.
IV Francisca, de Ana Cláudia Trigueiro.
Analise as afirmativas, relacionando obras e autores indicados em cada item, e assinale a opção correta.
Associando isso à inclusão da Literatura Potiguar na sala de aula, determinada pela Lei Nº 11.231, de 4 de agosto de 2022, são obras, respectivamente, representativas dessa curadoria:
Texto 2
Na hora do lobo
Quando um homem consome a madrugada
rabiscando umas folhas de papel
e ele sabe que a vida é tonelada
oscilando na ponta de um cordel;
ele sabe que o fim de toda estrada
não desagua no inferno nem no céu,
e ele pensa na feira, na empregada,
água e luz, condomínio e aluguel;
Quando um homem fatiga a voz cansada
com palavras da Torre de Babel
e ele entende que a coisa mais amada
se transmuda na coisa mais cruel;
Quando a taça em que bebe está quebrada,
tanto vidro a boiar em tanto fel
e no peito uma dor desatinada
essa dor que é tão nítida e fiel;
Quando um homem de boca tão calada
sente a mente girar num carrossel,
ele escreve através da madrugada
com cuidados de abelha que faz mel:
sua vida, talvez, foi destinada
a salvar estas folhas de papel.
Braulio Tavares, O homem artificial
