Questões de Concurso Sobre gêneros literários em literatura

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Q3686420 Literatura

Leia o trecho do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna:


“Chicó: — Só sei que foi assim.”


A repetição dessa fala, recurso cômico recorrente, revela a valorização da oralidade popular e a inserção da cultura sertaneja no texto dramático. Considerando o papel da literatura regional nordestina no currículo e em diálogo com a BNCC, assinale a alternativa correta:

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Q3680264 Literatura
A literatura de cordel, típica do Nordeste brasileiro, constitui manifestação cultural de caráter popular, difundida em feiras e mercados, frequentemente acompanhada da xilogravura. Sobre esse gênero literário, assinale a alternativa correta.
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Q3679496 Literatura
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) sobre a literatura infantil no Brasil.

( ) A literatura infantil contemporânea busca a autonomia da obra literária, com ênfase em sua especificidade estética, e não mais no caráter pedagógico, como ocorria no passado.
( ) As obras literárias da passagem do século XIX para o século XX eram produzidas, sobretudo, com finalidade pedagógica.
( ) Até a década de 1920, a maior parte da literatura infantil pouco considerava os interesses da criança, sendo produzida do ponto de vista adulto e não da infância.
( ) No final do século XIX e início do século XX, os livros para crianças no Brasil eram, em sua maioria, traduções e adaptações de clássicos europeus.
( ) Os primeiros livros de literatura infantojuvenil voltavam-se à formação da criança, pautando-se em conceitos firmes sobre família, moral, patriotismo e civismo.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q3678357 Literatura
Ela

(Machado de Assis.)

Seus olhos que brilham tanto,
Que prendem tão doce encanto,
Que prendem um casto amor
Onde com rara beleza,
Se esmerou a natureza
Com meiguice e com primor.
Suas faces purpurinas
De rubras cores divinas
De mago brilho e condão;
Meigas faces que harmonia
Inspira em doce poesia
Ao meu terno coração!
Sua boca meiga e breve,
Onde um sorriso de leve
Com doçura se desliza,
Ornando purpúrea cor,
Celestes lábios de amor
Que com neve se harmoniza.
Com sua boca mimosa
Solta voz harmoniosa
Que inspira ardente paixão,
Dos lábios de Querubim
Eu quisera ouvir um -sim
P’ra alívio do coração!
Vem, ó anjo de candura,
Fazer a dita, a ventura
De minh’alma, sem vigor;
Donzela, vem dar-lhe alento,
“Dá-lhe um suspiro de amor!” 
O poema apresenta sequências de versos rimados e métricas regulares, como em “Seus olhos que brilham tanto / Que prendem tão doce encanto”. Essa organização formal caracteriza principalmente:
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Q3677357 Literatura

Analise o poema reproduzido a seguir.




Rondó dos cavalinhos 


(Manuel Bandeira)


Os cavalinhos correndo,

E nós, cavalões, comendo...

Tua beleza, Esmeralda,

Acabou me enlouquecendo.  


Os cavalinhos correndo,

E nós, cavalões, comendo...

O sol tão claro lá fora,

E em minh’alma - anoitecendo! 


Os cavalinhos correndo,

E nós, cavalões, comendo...

Alfonso Reyes partindo,

E tanta gente ficando... 


Os cavalinhos correndo,

E nós, cavalões, comendo...

A Itália falando grosso,

A Europa se avacalhando... 


Os cavalinhos correndo,

E nós, cavalões, comendo...

O Brasil politicando,

Nossa! A poesia morrendo...

O sol tão claro lá fora,

O sol tão claro, Esmeralda,

E em minh’alma - anoitecendo! 



     BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Record, s. d. (Mestres da literatura brasileira e portuguesa). (p. 161-162).

O poema “Rondó dos cavalinhos” faz parte da obra Estrela da manhã, publicada por Manuel Bandeira, em 1936. Nesse poema, observa-se   
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Q3654727 Literatura
Sobre Memorial de Aires, último romance escrito por Machado de Assis, publicado em 1908, ano de sua morte, leia as afirmações, indique se elas são (F) falsas ou (V) verdadeiras e marque a alternativa propícia.

( ) Podemos considerar Memorial de Aires um romance porque não são narrados só os pensamentos do autor do diário, nem casos meramente episódicos, circunstanciais, há uma unidade narrativa, um enredo coerente que se desenvolve no tempo, num espaço determinado, com personagens definidas.
( ) O tipo de narração que se verifica no Memorial de Aires é a objetiva.
( ) No nível de ação do romance há uma vitória da vida, visto que as personagens jovens Fidélia e Tristão, desprendem-se do mundo dos velhos para realizarem a sua própria vida.
( ) No nível das personagens, há uma vitória da morte, visto que a maioria dos velhos, domina esmagadoramente. É assim que se explica a ausência de nascimentos e de crianças no Memorial.
( ) Com relação ao ponto de vista, há uma vitória da morte, visto que todo romance é contado segundo a perspectiva do Conselheiro Aires, que, como ele próprio confessa, está mais próximo da morte. No nível da temática domina a morte, visto que os motivos relacionados a ela, são mais constantes. 
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Q3648769 Literatura

Considere o texto abaixo:



Os bons vi sempre passar


No mundo, que os não estima;


E os maus sempre a prosperar,


Na sua má usança, sublima.


Assim que o mundo é tal,


Que premeia a quem não deve,


E castiga o leal;


E, se por bom se houve,


Não há prêmio nem favor,


Que lhe faça melhor



Luís Vaz de Camões



O poema camoniano em evidência, pela forma e pelo conteúdo que apresenta, trata-se de um(a) 

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Q3628759 Literatura

Durante uma oficina literária com foco em narrativa, cinco participantes apresentaram suas produções. A organizadora, professora Simone, destacou alguns aspectos técnicos de cada texto:



I. O texto de Marcelo apresenta um narrador que relata os fatos apenas com base naquilo que observa, sem acesso aos sentimentos ou pensamentos das personagens.


II. No texto de Renata, o tempo da narrativa é fluido, subjetivo, marcado mais pelas emoções do protagonista do que por uma cronologia linear.


III. Gustavo estruturou sua história com cortes temporais abruptos, alternando entre passado e presente, desafiando a linha tradicional dos acontecimentos.


IV. A narrativa de Paula se passa dentro de um trem em movimento, mas o foco do espaço narrativo está na representação do isolamento e da estagnação emocional da personagem. 


V. Já Tatiane criou personagens cujas ações movem a trama, mas cuja construção psicológica é rasa e pouco aprofundada.



Com base nas observações acima, identifique a alternativa que associa corretamente os elementos narrativos em destaque:

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Q3628750 Literatura

Durante uma aula de Literatura, a professora Helena propôs aos alunos que criassem textos inspirados em diferentes gêneros literários.



Carlos escreveu um poema em que expressava suas angústias amorosas por meio de metáforas, rimas e musicalidade.


Mariana, por sua vez, redigiu uma história em versos, narrando as façanhas de uma heroína que salva sua cidade de uma grande ameaça.


Já Lucas elaborou um texto em que dois personagens discutem, em forma de diálogo, sobre um conflito familiar, sem a intervenção de um narrador.



Com base nas características gerais dos gêneros literários, associe corretamente os textos dos alunos aos gêneros correspondentes:

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Q3628191 Literatura
Leia o poema a seguir, de Cruz e Souza:

Escárnio Perfumado

Quando no enleio
De receber umas notícias tuas,
Vou-me ao correio,
Que é lá no fi m da mais cruel das ruas,

Vendo tão fartas,
D’uma fartura que ninguém colige,
As mãos dos outros, de jornais e cartas
E as minhas, nuas – isso dói, me afl ige…

E em tom de mofa,
Julgo que tudo me escarnece, apoda,
Ri, me apostrofa,

Pois fi co só e cabisbaixo, inerme,
A noite andar-me na cabeça, em roda,
Mais humilhado que um mendigo, um verme…

Disponível em https://poemassemerros.wordpress.com/cruz-e-sousa-poemas/. Acesso em 28/08/2025
No poema, o eu lírico expressa principalmente: 
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Q3591163 Literatura
Um professor apresentou um poema regionalista do modernismo brasileiro, no qual o eu lírico narra lembranças da infância no sertão, usando vocabulário e construções frasais próprias da fala sertaneja. Em seguida, pediu que os alunos identificassem: (I) o gênero literário, (II) o recurso expressivo predominante e (III) a função da variação linguística no texto. Assinale a alternativa que apresenta, na ordem correta, as respostas para I, II e III.
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Q3570590 Literatura

Leia o poema a seguir:


As Sem-razões do Amor

Eu te amo porque te amo.

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo

bastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,

não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Corpo. Rio de Janeiro: Record, 2002.)

Nesse poema, é possível identificar:


I - A presença de rimas nos versos 18 e 19.


II - A partir de uma análise acerca do título, nota-se que há um jogo de palavras entre “sem” e “cem” que se relaciona com o significado do restante do poema. Além disso, pode ser vista uma dicotomia existente: mesmo que alguém tente explicar o amor, é impossível enumerá-lo.


III - O eu-lírico expressando a sua perspetiva acerca do amor.


Após analisar as alternativas, indique a opção correta:

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Q3567660 Literatura

(EM13LP49) Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes gêneros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crônicas, a manifestação livre e subjetiva do eu lírico diante do mundo nos poemas, a múltipla perspectiva da vida humana e social dos romances, a dimensão política e social de textos da literatura marginal e da periferia etc.) para experimentar os diferentes ângulos de apreensão do indivíduo e do mundo pela literatura.


(SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo paulista: etapa ensino médio. São Paulo: SEDUC, 2020.)


A habilidade transcrita permite entender que o ensino de literatura

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Q3535322 Literatura
Retratando-se aos gêneros literários, marque (V) verdadeiro ou (F) falso e assinale a alternativa correta.

( ) Narrador onisciente: quando conhece e revela o interior das personagens, seus pensamentos e emoções.
( ) Na obra lírica um sujeito que chamamos eu-lírico, sujeito lírico, voz lírica, voz poética, exprime suas emoções. (Por emoções entendemos todas as experiências psíquicas: sejam os mais profundos sentimentos e sensações, sejam ainda as mais variadas reflexões e concepções de mundo).
( ) Na obra dramática os fatos são apresentados diretamente ao espectador, sem intermediários. Não é necessária a voz de um narrador como na obra narrativa. Pertencem ao gênero dramático as obras escritas em versos ou em prosa para a representação teatral. Assim, embora o texto possa ser objeto de leitura, sua realização plena como obra de arte só pode ocorrer no palco, onde cada personagem é representada por um ator, que (re)vive o papel em cada novo espetáculo.
( ) Enquanto o tempo próprio da narrativa é o passado, o tempo da obra dramática é o presente. O discurso direto, (fala da personagem sem intermediação de narrador) e o diálogo, são as formas básicas da linguagem dramática. É através do diálogo que ocorre o entrechoque das personagens, realizando-se a característica essencial do gênero, que é o conflito. 
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Q3524955 Literatura

Enchente


Chama o Alexandre!

Chama!

Olha a chuva que chega!

É a enchente.

Olha o chão que foge com a chuva...

Olha a chuva que encharca a gente.

Põe a chave na fechadura.

Fecha a porta por causa da chuva...

olha a rua como se enche!

Enquanto chove, bota a chaleira

no fogo: olha a chama! olha a chispa!

Olha a chuva nos feixes de lenha!

Vamos tomar chá, pois a chuva

é tanta que nem de galocha

se pode andar na rua cheia!

Chama o Alexandre!

Chama!



(Cecília Meireles. Ou isto ou aquilo.

Em: Angela Kleiman. Oficina de leitura: teoria & prática. 2017)

De acordo com Angela Kleiman, muitas práticas com o texto em sala de aula banalizam-no. Porém, uma atividade significativa para engajar os alunos no trabalho com o poema de Cecília Meireles seria 
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Q3503729 Literatura

Considere as seguintes obras representativas da prosa literária potiguar:



I Opúsculo Humanitário, de Nísia Floresta.


II A Princesa de Bambuluá, de Câmara Cascudo.


III Rua da Estrela, de Nei Leandro de Castro.


IV Francisca, de Ana Cláudia Trigueiro. 



Analise as afirmativas, relacionando obras e autores indicados em cada item, e assinale a opção correta.

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Q3503713 Literatura
TEXTO 1


Educação Integral e ensino de Língua Portuguesa: diálogos necessários

Por Gina Vieira Ponte


A função social da escola é garantir a todas(os) que passam pelos seus portões o acesso ao conhecimento científico poderoso que nos conecta com o que a humanidade foi construindo como saber, como experiência, como conhecimento, como marco civilizatório, ao longo do seu processo evolutivo. Falar de uma educação que se comprometa em olhar para todas as dimensões que constituem as(os) estudantes, falar de uma educação que se ocupe de educá-las(os) para que construam o pensamento crítico e incidam na sociedade buscando transformá-la é, portanto, falar de uma educação que as(os) olhe por inteiro, as(os) perceba em sua inteireza, como sujeitos sócio-históricos que são.

Entendendo que a concepção de Educação Integral deve orientar a organização do trabalho pedagógico em todas as etapas e modalidades e no ensino de todos os componentes curriculares, como incorporar às aulas de Língua Portuguesa os princípios, os pressupostos teóricos e as concepções da Educação Integral? Antes de tudo, é necessário destacar que a base histórica do ensino de Língua Portuguesa no Brasil apoia-se na ideia de transformar as diferenças em deficiências. Por muitos anos, o país construiu uma proposta pedagógica de ensino de Língua Portuguesa muito mais sustentada na ideia de confirmar às(aos) estudantes das camadas populares a sua suposta incompetência em relação a falar e utilizar a própria língua de forma escrita do que para fortalecer, de fato, os seus saberes e conhecimentos sobre ela (Soares, 2002).

A concepção de sociedade, a partir da qual esse ensino de língua foi proposto, anunciava a condição de subordinação das classes populares às classes dominantes. Parte desta proposta pedagógica envolvia estigmatizar as(os) estudantes das camadas mais populares, desqualificando os seus dialetos, os seus registros linguísticos, e apresentando o Português como uma língua dominada apenas por um grupo seleto. Também é importante relacionar essa concepção de ensino de língua com a nossa herança colonial. Sendo o Brasil um país de base histórica escravocrata e racista, muitas das teorias produzidas para pensar a educação brasileira, bem como o ensino de línguas, eram reproduções de ideias europeias que partiam da compreensão de que os grupos sociais miscigenados eram considerados incapazes (Patto, 2015).

A nossa riqueza cultural, a nossa diversidade como país está, em grande medida, materializada na diversidade linguística que nos constitui. Uma vez que a linguagem é o principal produto da cultura e o principal elemento para a sua transmissão, ignorar a diversidade linguística que nos constitui é restringir e aligeirar o trabalho realizado no ensino de línguas [...].

Uma postura de genuíno respeito ao saber linguístico da(o) aluna(o) deve estar intrinsecamente ligada ao compromisso ético de garantir que a(o) estudante compreenda a diversidade linguística que nos constitui, e tenha a oportunidade de ter um ensino de língua de qualidade teórica, pedagógica e humana. Isso significa criar as condições adequadas para que ela(ele) possa pensar, de forma sistematizada, a gramática da própria língua, os gêneros textuais/discursivos, as suas convenções e regras de funcionamento, e possa conhecer, apropriar-se e fazer uso do que alguns autores convencionaram chamar de dialeto-padrão, não como um dialeto superior ao seu, mas como o dialeto necessário ao exercício da cidadania, necessário para que essa(esse) estudante conquiste melhores e mais amplas condições de participação social, política e cultural. Este é um imperativo ético de uma Educação Integral que estabelece um compromisso inegociável com a garantia das aprendizagens (Guedes, 1997; Soares, 2002).

Para garantir esse direito, as(os) profissionais da educação precisam ainda se compreender como intelectuais orgânicas(os) (Giroux, 1997), precisam ter a sua autoria e autonomia respeitadas, devem ter, como elemento norteador do seu fazer pedagógico, a premissa de que “a aula de Português não faz sentido se não for dada para leitoras(es). Só a(o) leitora(or) pode ser chamada(o) a ler melhor o que leu e a escrever melhor o que escreveu” (Guedes, 1997, p.7). O sentido de ler, aqui, precisa também ser reconfigurado, porque não se restringe à concepção de leitura muitas vezes cristalizada na escola, em que se espera que a(o) aluna(o) leia apenas para aceitar ou descobrir os sentidos já constituídos como tradicionais nos textos. O que se deve buscar nessa leitura, como nos adverte o grande mestre Paulo Freire, é “uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo” (Freire, 1989, p. 23).

Quanto à leitura, merece destaque também o trabalho com a literatura, a literatura brasileira como este “esforço histórico que construiu uma cultura de resistência ao colonialismo” (Guedes, 1997, p.11), a literatura como espaço de reflexão crítica sobre a realidade, sobre nós mesmos, a literatura como alimento para a imaginação. Em uma escola que se ocupa da Educação Integral, o trabalho com a literatura tem centralidade, porque ela é um dos elementos culturais mais importantes para a formação humana, ética, artística e para o desenvolvimento da capacidade de pensar de forma inteligente e profunda a realidade [...].

Na tarefa de construir a(o) leitora(or), nós, professoras e professores, precisamos estar atentas(os) também ao fato de que a curadoria que fazemos dos textos que trabalhamos em nossas aulas, no nosso compromisso de promover uma Educação Integral, não pode repercutir as exclusões históricas que deixaram fora do currículo oficial as produções de mulheres, de escritoras e escritores negras(os), indígenas, quilombolas, bem como das(os) escritoras(es) locais, aquelas(es) que escrevem sobre a realidade daquele território e daquela comunidade onde a escola está inserida [...].

Falar da interface entre ensino de Língua Portuguesa e Educação Integral é falar da promoção de uma educação genuinamente transformadora. Se a língua é o nosso instrumento mais importante de significação, representação e relação com o mundo, a forma como a escola ensina essa língua será decisiva, não só quanto a garantir ou não o direito de a(o) estudante aprender, mas ela será decisiva na maneira como essa(esse) estudante construirá relações consigo, com a sua comunidade e com o seu país [...].


PONTE, Gina Vieira. Educação Integral e ensino de Língua Portuguesa: diálogos necessários. Na Ponta do Lápis, São Paulo, ed. 41, p. 7-15, set. 2024. Disponível em: https://www.cenpec.org.br/pesquisa/na-ponta-do-lapis/. Acesso em: 28 mai. 2025. [Texto adaptado]
Do TEXTO 1, infere-se uma proposta para o ensino de literatura embasada no contato com diferentes manifestações artísticas e literárias, contemplando tanto a produção erudita quanto a popular. Considerando a curadoria correspondente a essa proposta, é relevante lembrar a importância de trazer o teatro e o cordel ao chão da escola.

Associando isso à inclusão da Literatura Potiguar na sala de aula, determinada pela Lei Nº 11.231, de 4 de agosto de 2022, são obras, respectivamente, representativas dessa curadoria:
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Q3492718 Literatura
O texto 2 é um poema da escritora mineira Conceição Evaristo. Nele se reflete uma visão de mundo da autora segundo a qual 
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Q3480008 Literatura

Texto 2


Na hora do lobo


Quando um homem consome a madrugada

rabiscando umas folhas de papel

e ele sabe que a vida é tonelada

oscilando na ponta de um cordel;

ele sabe que o fim de toda estrada

não desagua no inferno nem no céu,

e ele pensa na feira, na empregada,

água e luz, condomínio e aluguel;


Quando um homem fatiga a voz cansada

com palavras da Torre de Babel

e ele entende que a coisa mais amada

se transmuda na coisa mais cruel;


Quando a taça em que bebe está quebrada,

tanto vidro a boiar em tanto fel

e no peito uma dor desatinada

essa dor que é tão nítida e fiel;


Quando um homem de boca tão calada

sente a mente girar num carrossel,

ele escreve através da madrugada

com cuidados de abelha que faz mel:

sua vida, talvez, foi destinada

a salvar estas folhas de papel.


Braulio Tavares, O homem artificial

O poema “Na hora do lobo”, de Bráulio Tavares, apresenta uma construção lírica que:
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Q3428556 Literatura
Texto para a questão

Tal como a chuva caída
Fecunda a terra, no estio,
Para fecundar a vida
O trabalho se inventou.

Feliz quem pode, orgulhoso,
Dizer: “Nunca fui vadio:
E, se hoje sou venturoso,
Devo ao trabalho o que sou!”

É preciso, desde a infância,
Ir preparando o futuro;
Para chegar à abundância,
É preciso trabalhar.
Não nasce a planta perfeita,
Não nasce o fruto maduro;
E, para ter a colheita,
É preciso semear...
Olavo Bilac:
https://www.pensador.com/versos_do_dia_do_trabalho/

Qual é o estilo literário do texto acima?
Alternativas
Respostas
61: E
62: D
63: A
64: C
65: E
66: C
67: B
68: A
69: D
70: C
71: C
72: D
73: D
74: C
75: B
76: B
77: B
78: E
79: E
80: B