Questões de Concurso
Comentadas sobre gênero épico ou narrativo em literatura
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(Disponível em: https://aeaveromar.pt/ Em: janeiro de 2024.)
Ninguém pode definir ou determinar com exatidão a data de nascimento de Luís Vaz de Camões, mas várias fontes sugerem que o poeta veio ao mundo a 23 de janeiro de 1524, há precisamente meio milênio. Hoje, ele é considerado um dos maiores escritores de língua portuguesa e, ainda, um dos maiores representantes da literatura mundial, conhecido, principalmente, por sua obra épica:
Julgue o item que se segue.
O gênero narrativo consiste na apresentação de traços ou
características de uma pessoa, objeto, ambiente, cena
etc. Os textos mais comuns desse gênero são os perfis
jornalísticos de alguma celebridade ou instituição.
Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada? Não bastavam as humilhações recebidas em público? No relógio oficial, nas ruas, nos cafés, viraram-me as costas. Eu era um cachorro, um ninguém.
- "É conveniente escrever um artigo, seu Luís". Eu escrevia. E pronto, nem um muito obrigado. Um Julião Tavares me voltava as costas e me ignorava. Nas relações na repartição, no bonde, eu era um trouxa, um infeliz, amarrado...
RAMOS, Graciliano. Angústia. 59.ed. São Paulo: Record, 2004. p. 236.
Analise as afirmativas que seguem, considerando alguns dos elementos da construção narrativa.
I. No texto, a postura do personagem-tipo é de um ressentimento individual, que, embora explicite as relações de poder entre os dominantes e seus subalternos, não reivindica uma mudança das relações de exploração em geral.
II. O personagem-tipo pertence à classe dominante que, necessariamente, não tem condições de uma consciência plena como classe.
III. O personagem Luís quer ser apenas prestigiado e, se possível, chegar ao mesmo patamar da classe que o oprime; por isso, reivindica uma mudança das relações de exploração.
IV. No trecho: "Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada?", é possível reconhecer que são palavras ditas pelo personagem Luís, mas não há verbo de dizer, não há travessão nem aspas. Isso está integrado ao discurso indireto do narrador.
verifica-se que está/ão correta/s apenas
...eu o vi de repente e era um homem tão extraordinariamente bonito e viril que eu sentia uma alegria de criação. Não é que eu o quisesse para mim assim como não quero a Lua nas suas noites em que ela se torna leve e frígida como uma pérola. Assim como não quero para mim um menino de nove anos que vi, com cabelos de arcanjo, correndo atrás da bola. Eu queria em tudo somente olhar. O homem olhou um instante para mim e sorriu calmo: ele sabia quanto era belo, e sei que ele sabia que eu não o queria para mim, e ele sorriu porque não sentiu nenhuma ameaça. (Os seres excepcionais estão mais sujeitos a perigos do que o comum das pessoas.) Atravessei a rua e apanhei um táxi. A brisa me arrepiava os cabelos da nuca e era outono, mas parecia prenunciar uma nova primavera como se o verão estafante merecesse a frescura do nascimento de flores. Era no entanto outono e as folhas amarelavam nas amendoeiras. Eu estava tão feliz que me encolhi num canto do táxi de medo pois a felicidade também dói. E tudo isso causado pela visão de um homem bonito. Eu continuava a não querê-lo para mim, mas ele de algum modo me dera muito com o seu sorriso de camaradagem entre pessoas que se entendem. A essa altura, perto do viaduto do Museu de Arte Moderna, eu já não me sentia feliz, e o outono me pareceu uma ameaça dirigida contra mim. Tive então vontade de chorar de manso.
LISPECTOR, Clarice. Rio de Janeiro: Rocco, 2018. p. 286
Quanto ao gênero, o texto narrativo encerra um(a)
(_) São 21 estórias que dão a impressão de homogeneidade perfeita, mas que são diversas na abordagem dos assuntos.
(_) A maioria dos contos desenrola-se numa região não especificada, mas identificável como a das obras anteriores do autor: o mundo da sua infância e da sua mocidade.
(_) O autor cria suspense e produz a expectativa de catástrofes; essa expectativa, porém, não é satisfeita frequentemente: as estórias acabam sem explosão, os conflitos esvaziam-se em resignação ou apaziguamento, causando frustração no leitor.
“Era uma vez uma menina linda, linda.
Os olhos pareciam duas azeitonas pretas brilhantes, os cabelos enroladinhos e bem negros.
A pele era escura e lustrosa, que nem o pelo da pantera negra na chuva.
Ainda por cima, a mãe gostava de fazer trancinhas no cabelo dela e enfeitar com laços de fitas coloridas.
Ela ficava parecendo uma princesa das terras da África, ou uma fada do Reino do Luar.
E havia um coelho bem branquinho, com olhos vermelhos e focinho nervoso sempre tremelicando. O coelho achava a menina a pessoa mais linda que ele tinha visto na vida […]”
O excerto é o início do livro “Menina bonita do laço de fita”. Quem escreveu esse clássico da Literatura Infantil brasileira?
A peculiaridade da linguagem do cordel deve-se ao fato de o texto ser
Café com pão Café com pão Café com pão Virge Maria que foi isto maquinista?
Agora sim Café com pão Agora sim Voa, fumaça Corre, cerca Ai seu foguista Bota fogo Na fornalha Que eu preciso Muita força Muita força Muita força
Em relação aos efeitos sensoriais provocados pelo poema, é correto afirmar que
(MAIA, João Domingues. Literatura: textos & técnicas. Ática. São Paulo. Cap.14. P.232/3.) - (Adaptado)
Nesse contexto literário, tem-se que:
I.As vozes contidas nos diálogos ajudam a construir as personagens, dando-lhes vida e verossimilhança.
II.Os diálogos também são relevantes, pois dão leveza e fluidez ao texto.
III.As conversas entre os personagens ajudam a levar a narrativa para frente, contribuindo para dinamizar a narração.
IV.Os diálogos limitam-se a caracterizam a personagem enunciadora.
V.O diálogo é usado essencial e unicamente em textos romanescos focados no discurso indireto.
Marque a alternativa com a opção correta.
Assinale a alternativa que completa a lacuna, acima.
Leia o Texto 2 para responder à questão.
Texto 2
No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma.
Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar exclamava:
— Ai! Que preguiça!...
E não dizia mais nada. Ficava no canto da maloca, trepado no jirau de paxiúba, espiando o trabalho dos outros e principalmente os dois manos que tinha, Maanape já velhinho e Jiguê na força do homem. O divertimento dele era decepar cabeça de saúva. Vivia deitado mas si punha os olhos em dinheiro, Macunaíma dandava pra ganhar vintém. E também espertava quando a família ia tomar banho no rio, todos juntos e nus. Passava o tempo do banho dando mergulho, e as mulheres soltavam gritos gozados por causa dos guaiamuns diz-que habitando a águadoce por lá. No mocambo si alguma cunhatã se aproximava dele pra fazer festinha, Macunaíma punha a mão nas graças dela, cunhatã se afastava. Nos machos guspia na cara. Porém respeitava os velhos, e frequentava com aplicação a murua a poracê o torê o bacororô a cucuicogue, todas essas danças religiosas da tribo.
ANDRADE, Mário de. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. São Paulo: Ubu Editora, 2017, p. 13.