Questões de Concurso
Comentadas sobre escolas literárias em literatura
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Pretende, Doroteu, o nosso Chefe Erguer uma Cadeia majestosa, Que possa escurecer a velha fama Da Torre de Babel, e mais dos grandes, Custosos edifícios, que fizeram, Para sepulcros seus, os Reis do Egito. Talvez, prezado Amigo, que imagine Que neste monumento se conserve, Eterna a sua glória; bem que os povos Ingratos não consagrem ricos bustos, Nem montadas estátuas ao seu nome. Desiste, louco Chefe, dessa empresa: Um soberbo edifício levantado Sobre ossos de inocentes, construído Com lágrimas dos pobres, nunca serve De glória ao seu autor, mas sim de opróbrio. Desenha o nosso Chefe sobre a banca Desta forte Cadeia o grande risco À proporção do gênio, e não das forças Da terra decadente, aonde habita.
GONZAGA, Tomás Antônio. Cartas chilenas. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 60.
Com base na obra Cartas chilenas e nos conhecimentos sobre a Conjuração Mineira, considere as afirmativas a seguir.
I. Um dos estopins da Conjuração Mineira foi a ameaça de cobrança da “derrama” pela Coroa Portuguesa.
II. A menção à Torre de Babel e aos sepulcros dos Reis do Egito mostra o desejo do eu-lírico de que a construção da Cadeia assegure glória eterna ao Chefe.
III. O poema apresenta irregularidade métrica, uma vez que os versos se alternam entre decassílabos e hendecassílabos.
IV. A menção a “ossos de inocentes” e a “lágrimas de pobres” refere-se ao uso de trabalho forçado na construção da Cadeia.
Assinale a alternativa correta.
I. Em vez de uma análise suavizada da realidade nacional, Oswald de Andrade propõe um desmascaramento do Brasil, uma vez que a peça se vale de procedimentos como a paródia, a metalinguagem e a crítica mordaz ao passado.
II. Ao dar às personagens os nomes de Heloísa e Abelardo, Oswald de Andrade abandona a verossimilhança do drama realista, porquanto parodia o encontro amoroso desse casal trágico do século XII.
III. O fato de as personagens serem nomeadas Heloísa e Abelardo aponta para as características do Romantismo, que influenciou fortemente Oswald de Andrade e o Modernismo brasileiro.
IV. O traço mais característico do Modernismo brasileiro em O Rei da Vela é o fato de se apresentar como um texto dramático, uma vez que esse gênero se desenvolveu no Brasil a partir do século XX.
Assinale a alternativa correta.
Leia a seguinte passagem do 2º. Ato de O Rei da Vela (1937), de Oswald de Andrade.
ABELARDO I — O catolicismo declara que esta vida é um simples trânsito. De modo que os que passaram mal, trabalhando para os outros, devem se resignar. Comerão no céu...
HELOÍSA — E os outros?
ABELARDO I — Os outros não precisam nem acreditar. Podem até adotar o ceticismo ioiô. A vida é um eterno ir e vir... ioiô...
HELOÍSA — E quando enrosca?
ABELARDO I — Aí apela-se para Schopenhauer. E imediatamente adota-se a filosofia do tiro no ouvido... Deve doer, não? O mundo então é uma miséria. Como Deus não existe mais. Só há um remédio. O salto no Nirvana.
HELOÍSA — Por isso é que você se aniquilou em mim...
ABELARDO I — De fato, a minha vida enroscou na sua, Heloísa. Num momento grave, em que é preciso lutar e vencer. Sem piedade. De uma maneira fascista mesmo. Vou me aliar ao Perdigoto e ao Bensaúde. Eles têm utilidade.
HELOÍSA — Você disse que aqui isso não seria possível.
ABELARDO I — Tenho estudado melhor. Somos parte de um todo ameaçado — o mundo capitalista. Se os banqueiros imperialistas quiserem... Você sabe, há um momento em que a burguesia abandona a sua velha máscara liberal. Declara-se cansada de carregar nos ombros os ideais de justiça da humanidade, as conquistas da civilização e outras besteiras! Organiza-se como classe. Policialmente. Esse momento já soou na Itália e implanta-se pouco a pouco nos países onde o proletariado é fraco ou dividido...
ANDRADE, Oswald. O Rei da Vela. 2. Ed. São Paulo: Globo, 2003, p. 89-90
Com base no trecho e nos conhecimentos sobre a obra, considere as afirmativas a seguir.
I. Para Abelardo I, o catolicismo levaria à resignação durante a vida em favor de uma recompensa após a morte.
II. A referência ao momento que “já soou na Itália” diz respeito à influência que a vanguarda futurista exercia sobre a literatura modernista brasileira.
III. Diferentemente do catolicismo, o “ceticismo ioiô”, para o qual a vida é um “eterno ir e vir”, retiraria o trabalhador da resignação e o emanciparia.
IV. Representante da burguesia, Abelardo I abandona sua máscara liberal ao propor aliar-se com fascistas e ao tratar como besteiras “os ideais de justiça da humanidade”.
Assinale a alternativa correta.
Analise as informações seguintes:
Sua terra natal é Itabuna, Bahia. Com um ano de idade, a família foi morar em Ilhéus-Bahia. Em 1931, o escritor publicou “O país do carnaval”, seu primeiro romance. Entre os romances publicados, temos: “Jubiabá”; ‘Gabriela Cravo e Canela”. Foi Membro da Academia Brasileira de Letras.
Marque o nome do escritor baiano que se pode identificar pelas características contidas na informação apresentada.
I. “Sob o primeiro aspecto a sua obra significa, em nosso Romantismo, o advento do herói, que a poesia não pudera criar na epopeia neoclássica, ou no próprio Gonçalves Dias.”
II. “[...] deseja contar de que maneira se vivia no Rio popularesco de D. João VI. [...] é, por excelência, em nossa literatura romântica, o romancista de costumes.”
III. “Dos poetas românticos foi quem deixou relativamente maior produção [...]. A influência de Byron é avassaladora nele, [...], manifestando-se em declarações, citações, epígrafes [...].”
(Fonte: CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. 6ª ed. v. 2. Belo Horizonte: Itatiaia, 2000.)
Os três autores de que tratam os excertos apresentados são, respectivamente,
I - A valorização da técnica de composição promovida pela poesia da “Geração de 45" constitui-se, essencialmente, como continuidade da poética parnasiana.
II - No Pós-Modernismo, o domínio da forma deve permitir que a combinação entre código e mensagem aconteça de modo absoluto, para que o poder de significação da palavra seja ampliado e o texto também tenha sua significação ampliada por essa articulação.
III - Diferentemente dos parnasianos, que investiam no rebuscamento formal sem pretender, com isso, criar novos sentidos para o texto (a arte pela arte, a perfeição formal, a imparcialidade diante do objeto do poema eram seus objetivos), os concretistas desejavam que a perfeição formal expressasse uma observação crítica da realidade.
IV - O planejamento do poema e a reflexão sobre o próprio processo de composição são a base do fazer literário de muitos poetas dessa geração. Dentre eles, destaca-se João Cabral, que pode ser visto como um poeta cerebral, e a essência de sua poética foi investir na forma, construindo poemas palavra por palavra, como um operário constrói uma parede tijolo por tijolo.
Estão CORRETAS somente as afirmativas:
I - O eu lírico reflete sobre o sentido de estar no mundo, aspecto este que define uma das características do projeto literário da poesia da segunda geração modernista. Além disso, essa reflexão esta associada a uma grande preocupação com a renovação da linguagem, anunciada na geração anterior.
Il - A análise do ser humano e de suas angustias e o desejo de compreender a relação entre o individuo e a sociedade da qual faz parte são os elementos recorrentes na poesia produzida na década de 1930.
IIl - É experimentada uma grande variedade de temas e de técnicas, o que caracteriza a segunda geração modernista por uma produção com forte dimensão social.
IV - O eu lírico desinteressa-se do passado (0 mundo caduco) ou do futuro, anunciando nesse poema o compromisso com seus semelhantes. Assim, é quando assume a “vida presente” como matéria de sua poesia, tal qual faz nesse poema, que Drummond marca o papel do escritor como intérprete de seu tempo.
Estão CORRETAS somente as afirmativas:
BERND, Zilá. Literatura e identidade nacional. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1992.
I - O jogo de palavras antitéticas (“receber'/"castigar”, “abertos”/"fechados”, “eclipsados”/"despertos”, "perdoar"/"condenar”") dialoga com o jogo claro-escuro da pintura barroca, acentuado pelas cores contrastantes dos elementos “sangue” e “lágrimas”, presentes no poema.
Il - Sobre o jogo de luz e sombras (sagrado e profano) trabalhado pelo poeta e pintor barroco, pode-se dizer que elas estão centradas na figura do Cristo em unido com o próprio eu lírico, como se evidencia no ultimo verso do poema, em que os três adjetivos (“unido”, “atado”, “firme”) se unem não só no plano semântico como também no visual e plástico: o eu lírico se une em palavra e em figura a imagem de Cristo.
III - O jogo de palavras antitéticas (“receber”/"castigar”, “abertos”/"fechados”, “eclipsados”/"despertos”, “perdoar”/"condenar”) dialoga com a dicotomia claro-escuro da pintura barroca, acentuado pelas cores contrastantes dos elementos “sangue” e “lagrimas”, presentes no poema.
IV - Uma das principais caracteristicas desse poema centra-se na unido entre o sentimento e a razdo que os artistas renascentistas procuraram realizar. Assim, no poema barroco, sublimam-se as emoções, aproximando-o do racionalismo da arte do Renascimento.
Estão CORRETAS somente as afirmativas:
CANDIDO, Antonio. Iniciação à literatura brasileira. 5. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2007. p. 18.
Qual dos autores abaixo fez parte das manifestações de escrita e de literatura no território brasileiro na época de que trata o excerto?