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Q3910305 Literatura
Leia o poema Nota Social, de Carlos Drumond de Andrade, a seguir e responda à questão.

O poeta chega na estação.
O poeta desembarca.
O poeta toma um auto.
O poeta vai para o hotel.
E enquanto ele faz isso
como qualquer homem da terra,
uma ovação o persegue
feito vaia.
Bandeirolas
abrem alas.
Bandas de música. Foguetes.
Discursos. Povo de chapéu de palha.
Máquinas fotográficas assestadas.
Automóveis imóveis.
Bravos...
O poeta está melancólico.

Numa árvore do passeio público
(melhoramento da atual administração)
árvore gorda, prisioneira
de anúncios coloridos,
árvore banal, árvore que ninguém vê
canta uma cigarra.
Canta uma cigarra que ninguém ouve
um hino que ninguém aplaude.
Canta, no sol danado.
O poeta entra no elevador
o poeta sobe
o poeta fecha-se no quarto.
O poeta está melancólico.

(ANDRADE, C. D. Alguma poesia. São Paulo: Companhia das Letras, p.43.)
Com base no texto, e nos conhecimentos sobre o modernismo, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A repetição da expressão “O poeta” no início dos quatro primeiros versos e dos quatro últimos versos do poema.

Tema central: anáfora no modernismo
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque descreve um recurso expressivo objetivamente verificável no texto: a anáfora, isto é, a repetição de uma mesma expressão no início de versos sucessivos. Isso ocorre nos quatro primeiros versos e reaparece nos quatro últimos versos com a expressão “O poeta”, o que sustenta tecnicamente a alternativa.
B
Errada
Está errada porque o verso citado não fornece base suficiente para afirmar uma desobediência inequívoca à gramática normativa, e a alternativa ainda vincula esse suposto traço ao modernismo regionalista da década de 1920, associação que não se sustenta a partir do trecho indicado.
C
Errada
Está errada por erro de figura de linguagem. Em “como qualquer homem da terra”, há comparação explícita introduzida por “como”; portanto, não se trata de metonímia.
D
Errada
Está errada pela fundamentação técnica. Ainda que o sintagma produza efeito de contraste semântico, a alternativa invalida-se ao justificar a antítese por um suposto sufixo de “automóvel” indicador de movimento, explicação imprópria segundo a base.
E
Errada
Está errada porque a segunda estrofe não apresenta predomínio seguro de versos heptassílabos. A base aponta verso livre e heterometria, o que impede sustentar essa regularidade métrica.
Pegadinha da questão
A confusão principal era abandonar a evidência objetiva da repetição inicial dos versos e aceitar alternativas com aparência técnica, mas com erro de classificação de figura, de enquadramento histórico ou de métrica.
Dica para questões semelhantes
  • Quando houver repetição da mesma expressão no início de versos sucessivos, teste primeiro a hipótese de anáfora.
  • Em alternativa de figura de linguagem, não basta a conclusão parecer plausível; a justificativa técnica também precisa estar correta.
  • Não trate coloquialismo ou simplicidade sintática como prova automática de desvio gramatical modernista.
  • Em poema modernista, não presuma regularidade métrica sem um predomínio realmente demonstrável.

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