Questões de Concurso Sobre linguística
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Na mesma obra citada na questão anterior, Azenha Jr. expõe as implicações dos aspectos culturais à prática da tradução. Ele cita o que Schmitt chama de “incongruências conceituais condicionadas por problemas de interculturalidade”, que se referem aos “casos em que as denominações não são equivalentes, pois os conceitos por ela designados não coincidem, já que são culturalmente condicionados” (p. 78)
Dentre as seguintes categorias de condicionantes, selecione a alternativa que traz exemplos dessas incongruências condicionadas por diferenças culturais.
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Fonte: Lya Luft, Revista Veja, 03-fev-2016 – texto adaptado
I. Ambiguidade é a indeterminação de sentido que certas palavras ou expressões apresentam, que dificultam a compreensão do enunciado. II. A ambiguidade lexical está relacionada ao uso de um vocábulo, cujo referente encontra-se extratexto, promovendo, assim, a permissão do autor em relação à interpretação a ser dada pelo leitor em relação ao enunciado. III. A ambiguidade estrutural está relacionada ao posicionamento de determinada palavra ou expressão em um enunciado, promovendo dificuldade de compreensão de um texto.
Quais estão corretas?
Como e por que as línguas mudam
Segundo Saussure, a língua possui duas características aparentemente contraditórias entre si: a imutabilidade e a mutabilidade. Para ele, a língua é dada aos falantes como uma realidade que nenhum indivíduo pode transformar por sua própria vontade; a língua é fruto de uma convenção social, e mudá-la exigiria o consenso social. Além disso, é uma instituição herdada de gerações anteriores e não um contrato firmado entre os falantes no presente. Saussure insiste na arbitrariedade dos signos linguísticos (as palavras) como uma escolha e, ao mesmo tempo, uma coerção. Por outro lado, a mutabilidade dos signos – e, portanto, da língua – está ligada à própria inconsciência que os falantes têm das leis que regem o sistema, assim como à própria tensão entre a língua como bem social e os atos de fala individuais, com seu caráter particular e transitório.
Mas, se a língua é produtora e produto da cultura, a diversidade cultural é causa da diversidade linguística e vice-versa. Além da mudança temporal, decorrente da evolução histórica, há também a diversidade geográfica, em que os diferentes habitats condicionam diferentes formas de cultura. Assim, a separação dos grupamentos humanos no tempo e no espaço conduz à sua diferenciação. Mais ainda, em sociedades complexas e extremamente heterogêneas como as pós-industriais, estratificadas pela organização política e a especialização das atividades econômicas, a classe social, o grupo profissional e a própria situação de comunicação levam à diferenciação.
Existem, portanto, quatro fatores responsáveis pela mudança linguística: o tempo histórico, o espaço geográfico, a divisão das classes sociais e a variedade das situações de discurso, entendidas como os diferentes ambientes sociais, ligados às diversas práticas profissionais, religiosas, recreativas, culturais, etc., que condicionam diferentes formas de expressão do pensamento (isto é, diferentes escolhas de vocabulário e construção sintática), como é o caso dos discursos científico, político, jurídico, jornalístico, publicitário, dos jargões e das gírias específicas de cada grupo social (os médicos, os economistas, os surfistas...).
Na mudança histórica, o aspecto que mais chama a atenção é a mutação fonética. A alteração da pronúncia ao longo do tempo pode, muitas vezes, ser mascarada pela grafia: o português cozer era pronunciado na Idade Média como codzer, distinguindo-se perfeitamente de seu hoje homófono coser. Uma alteração de pronúncia pode implicar mudança no sistema de sons distintivos da língua, os fonemas, pelo acréscimo, supressão ou reorganização das relações entre as unidades. Uma mudança ao nível dos fonemas pode, por sua vez, acarretar alterações em categorias morfológicas, como no caso da flexão de número em latim. Frequentemente, a mudança histórica se dá não apenas na pronúncia, mas também no significado. É assim que muitas palavras, independentemente da conservação ou mutação de sua forma fonética ou gráfica, adquirem novos significados, podendo manter ou não os antigos. Finalmente, novas palavras são introduzidas na língua, fruto de criação interna ou de empréstimo, enquanto outras caem em desuso e desaparecem.
A mudança espacial é resultado da diferente evolução temporal da língua em comunidades linguísticas separadas geograficamente. A distância geográfica, responsável pela falta de comunicação entre dois grupos de falantes de uma mesma língua, produz em cada um dos grupos uma evolução histórica independente, que, a longo prazo, poderá resultar na não intercompreensão entre os grupos. As migrações humanas também são outro fator que conspira a favor da mudança espacial. Ocorre assim o fenômeno da dialetação, que pode, com o tempo, fazer surgirem novas línguas.
A separação entre classes sociais, tanto do ponto de vista físico quanto em termos do modo de vida, faz com que indivíduos pertencentes a classes sociais distintas se expressem de formas diferentes e reproduzam visões de mundo parcialmente diversas. Surgem então os socioletos, ou formas de expressão particulares de cada classe social. Finalmente, os diferentes grupos sociais (grupos profissionais, religiosos, etários, etc.) existentes numa sociedade complexa tendem a produzir discursos privativos desses grupos. Temos aí os vários idioletos e tecnoletos de uma sociedade.
(Aldo Bizzocchi – Revista Língua Portuguesa – Editora Escala. Adaptado.)
Segundo Saussure,
I. A transformação de uma língua – como ocorreu no latim, que gerou as línguas neolatinas, ou românicas – provoca sua morte.
II. Outro fato que provoca a morte de uma língua é a pressão para que ela deixe de ser praticada, impulsionada pelas relações impostas pela globalização.
III. Ainda provocam a morte de uma língua os empréstimos linguísticos que favorecem o enriquecimento vocabular de determinadas manifestações linguísticas.
Está correto apenas o que se afirma em:
O processo tradutório apresenta diferentes conceituações; traduzir designa, especificamente, uma operação de transferência linguística e, de modo geral, qualquer operação de transferência entre códigos ou, inclusive, dentro de códigos. Na visão proposta por Jakobson (1896-1982), são propostas três tipos de tradução. Assinale-as.
Todas as línguas são estruturadas a partir de unidades mínimas que formam unidades mais complexas, ou seja, elas possuem os seguintes níveis linguísticos:
( )I-Todas as esferas da atividade humana, por mais variadas que sejam, estão sempre relacionadas com a utilização da língua. Não é de surpreender que o caráter e os modos dessa utilização sejam tão variados como as próprias esferas da atividade humana, o que não contradiz a unidade nacional de uma língua.
( )II- O enunciado reflete as condições específicas e as finalidades de cada uma dessas esferas, não só por seu conteúdo (temático) e por seu estilo verbal, ou seja, pela seleção operada nos recursos da língua — recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais —, mas também, e sobretudo, por sua construção composicional.
( )III-Qualquer enunciado considerado isoladamente é, claro, individual, mas cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, sendo isso que denominamos gêneros do discurso.
( ) Na teoria de Saussure, o signo pode ser analisado em duas partes: concerto e imagem acústica.
( ) Entende-se por signifcante a parte imaterial do signo.
( ) Por signifcado, entende-se o conceito veiculado, seu conteúdo e a imagem mental por ele fornecida.
( ) Na teoria de Peirce, a linguagem é essencialmente uma rede de relações: mais do que elementos que demarcam uma linguagem, interessam as relações entre eles.
( ) A questão da signifcação conduz de imediato a uma abordagem de denotação e conotação do signo.
Analise o texto abaixo sobre o signo semiótico de Charles Sanders Peirce:
Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente as lacunas do texto.