Questões de Concurso Sobre linguística

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Q4165235 Linguística
No estudo da aquisição da linguagem oral, o termo “coronal” refere-se ao:
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Q4156018 Linguística

Leia o texto III e responda à questão.

Texto III

Mensagem de primavera

De cima desta janela da rua República do Peru, a observadora de tardes e manhãs reparou que a primavera não era uma ficção do calendário deste nosso tempo sem tempo, estagnado e apenas travestido em estações pelos figurinos. As amendoeiras de minha rua mostraram o inverno ainda mesmo quando o sol rompia por Copacabana e banhistas sem conta atulhavam a praia.

Envelheceram amarelentas, tornaram-se quase esqueléticas e negras. E, agora, a chuva maciça que cai, enquanto escrevo, mostra uma festa de folhas novas, vivas, bulindo sob a porção de água e brilhando acima dos guarda-chuvas e sombrinhas. A natureza de nossa rua fez a primavera em que tantas pessoas não acreditam, neste Rio de verde cansativo. Se a Primavera habita as minhas árvores tão pensadas, da rua República do Peru, por onde andará ela no coração das mulheres?

Creio já ter descoberto. Vi, justamente agora, passar uma mocinha límpida e lavada de gotas de chuva, que abria sorriso muito lento e doce. Ela acabava - estava claro - de ver o namorado e atravessava a rua com um clarão de quente alegria. Mais além, um pouco lerda, a mulher grávida encobre a face pelas folhas da amendoeira copada. Só seu corpo se desenha numa curva farta, desvendando difícil os pés gordinhos. A mulher carrega pela rua alguém tão importante quanto esta estação despercebida - a primavera que só alguns pressentem.

Mais adiante, a jovem que voltou do almoço retoma o lugar no balcão e, antes de entrar na loja, eleva a mãozinha ajeitando o cabelo umedecido, como um pássaro esticando uma asa. Que tem esta moça no gesto tão gentil a oferecer de primavera? Visivelmente, ela está enfrentando o seu dia com uma disposição amanhecente: ela tem planos, a mocinha.

É a pausa antes do fim do ano, a pausa da primavera. Muitas coisas vão acontecer na vida das criaturas. As mulheres sabem que há mudanças próximas em suas existências. Umas casarão, outras enfrentarão um trabalho novo com disposição nova; mãos ágeis terão no colo pequenos pedaços que significarão a cobertura de novas vidas. Como se as mulheres também criassem folhas e que elas, só elas, fossem parte desta primavera recusada de todos nós.

A minha mensagem vai para o íntimo das mulheres; para o sorriso da moça que viu o namorado, o caminhar da mulher que espera o filho, o gesto da criatura que levanta o rosto para um outro dia, numa outra primavera que começa. Eu estou com elas. Estou com o novo dia, com as folhas novas, com os seres amanhecentes e os abençoo em comunhão de fé.

(Seleta de Dinah Silveira de Queiroz. Apresentação e notas de Bella Josef. Rio de Janeiro, José Olympio, INL, 1974, pp. 25-26.)

Que elemento textual se evidencia na pergunta retórica feita no segundo parágrafo?
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Q4155995 Linguística

Leia o texto e responda à questão.

Texto I

'Quer adressar?', me perguntou a moça

Dicas para acessar o português moderno e não dar a resposta errada a uma boa proposta

De início, não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o envelhecer a meu favor, fingindo perda de audição pela idade avançada, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.

O cenário era a loja chique de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que - como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui - a ficha caiu:

“Eu posso adressar o produto amanhã cedo para a sua casa?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender.

Os neologismos participam da língua, inputam em alguns casos a solução onde antes havia um gap de comunicação. “Adressar’, metabolizado do inglês to address, era endereçar a paciência para um lugar muito distante de qualquer necessidade, mas entendi o approach. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping. Bastava me remeter (se quisesse falar um português bonito), me despachar (se gostasse de mostrar a chiadeira do sotaque carioca) ou simplesmente me entregar a compra - verbos que seriam imediatamente compreensíveis por qualquer idoso - amanhã cedo. Ri por dentro.

A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, rogar na de Luís de Camões, na de Ana Martins Marques, e - como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas - tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação - exibindo às vezes uma mesóclise de polainas - e já no parágrafo seguinte caio de boca - com o piercing no lábio inferior - no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.

Ela adora uma novidade, mas não é boba. Já enfrentou o gerundismo, o “a nível de”, o prefeito que proibiu usar “sale” nas vitrines, o “atravessamento”, o ministro que traduzia para o tupi-guarani as expressões que chegavam ao gabinete em inglês. Na onda do mundo digital, é natural reciclar palavras que acessem, que resetem, que escaneiem ou zapeiem o novo cotidiano agora online. Algumas logo desaparecem debaixo da risada geral (estartar, por exemplo), outras seguirão, numa nice, para os jobs do dia a dia.

Eu printo, tu printas, quem nunca? Na semana passada, uma amiga me telefonou para contar a última do vocabulário em seu escritório. Na reunião da manhã, o diretor executivo exultava de felicidade, e fez um speech dizendo que “o resultado do benchmark draivou a melhoria do processo” - isso mesmo, no sentido de “to drive” do inglês, o benchmark guiou, dirigiu com sucesso os negócios do escritório. O resto foi o de sempre, e tome deadline, upscaling, asap, trade marketing e foco no cliente.

A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial - e me fiz up to date:

“Sim, por favor, adressa, sim”.

(SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/cultura/joaquim-ferreira-dos-santos/coluna/2025/10/quer-adressar-me-perguntou-a-moca.ghtml>.

Leia o fragmento abaixo.
A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões, na de Ana Martins Marques, e - como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas - tirar prazer disso.” (§5°).
Coloque F (falso) ou V (verdadeiro) nas afirmativas abaixo, em relação à análise textual. A seguir, assinale a opção correta.
( ) Vários elementos de análise textual podem ser estudados a partir do fragmento, dentre eles a ambiguidade e o caráter plurissignificativo da linguagem.
( ) É nítida a preocupação do cronista com o prazer advindo da criação literária, construída a partir de inspirações que remetem ao aspecto diastrático da língua.
( ) Ao aludir à “prosa vadia”, o cronista faz referência à liberdade expressiva, aliada ao formalismo da linguagem.
( ) A citação de autores consagrados evidencia o caráter polifônico do texto, o qual desconstrói a ideia de língua como elemento de identidade cultural.
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Q4155976 Linguística
What is correct to say about the audiolingual method and the theories it was based on?
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Q4155951 Linguística
Choose the alternative in which all four words ending in -ed are pronounced with the final /t/ sound.  
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Q4149090 Linguística
A escrita como prática social do sujeito tem relação com o contexto em que ele vive e onde ele produz seus discursos. Os gêneros do discurso orais e escritos, por exemplo, são materializações dessa prática social em torno de movimentos organizados em domínios sociais da comunicação que, no dia a dia da escola, são manifestados por meio de: 
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Q4148780 Linguística
Um professor de Língua Portuguesa utiliza uma notícia sobre economia para trabalhar os conceitos de polissemia e construção contextual dos sentidos. O título da notícia é: Banco Central corta juros e mercado reage com cautela. Ao perceber que parte da turma associou a palavra banco ao objeto utilizado para sentar, o docente propõe uma atividade voltada à análise semântica do texto. Tendo em vista as abordagens contemporâneas de ensino de significação e contexto, indique a alternativa correta.
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Q4148778 Linguística
O domínio das diferentes perspectivas gramaticais é essencial para que o professor de Língua Portuguesa medeie a relação entre o aluno e o idioma. Em uma situação de análise de um roteiro de cinema que utiliza gírias e variações regionais, o docente deve mobilizar conhecimentos de diferentes tipos de gramática. Sobre essa dinâmica, assinale a alternativa correta.
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Q4148777 Linguística
A tradição gramatical ocidental, com raízes na Grécia Clássica, estabeleceu um modelo normativo e dogmático que, por séculos, orientou o ensino de línguas pautado na preservação literária. No entanto, a historiografia linguística e a pedagogia contemporânea propõem uma releitura dessa herança. Considerando a evolução dos métodos de ensino e as tipologias gramaticais, assinale a alternativa que descreve corretamente a transição para uma abordagem reflexiva no ambiente escolar.
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Q4148760 Linguística
A Base Nacional Comum Curricular e os Novos Paradigmas do Ensino de Língua Portuguesa


    A implementação da Base Nacional Comum Curricular estabeleceu um marco regulatório essencial para a reestruturação do ensino de Língua Portuguesa nas instituições escolares brasileiras. O documento propõe uma organização curricular fundamentada na centralidade do texto como unidade de trabalho, orientando as práticas pedagógicas para o desenvolvimento de competências que transcendem a mera decodificação linguística. Nesse cenário, o ensino da língua deixa de focar exclusivamente em nomenclaturas gramaticais isoladas para priorizar o uso da linguagem em situações sociais reais, reconhecendo a diversidade de práticas de linguagem que constituem a vida contemporânea.


    No contexto da BNCC, a concepção de ensino está pautada no multiletramento, o que exige a inclusão de produções que circulam tanto em meios impressos quanto em plataformas digitais. A proposta curricular organiza o componente de Língua Portuguesa em campos de atuação social, como o campo artístico literário, o campo das práticas de estudo e pesquisa e o campo jornalístico midiático. Essa estruturação visa garantir que o estudante desenvolva habilidades integradas de leitura, escrita, oralidade e análise linguística, permitindo uma compreensão crítica dos discursos que circulam na sociedade.


    O trabalho com gêneros e tipos textuais assume papel preponderante na produção de texto, uma vez que a escrita é compreendida como um processo dialógico e situado. Em vez de exercícios de redação puramente escolares e descontextualizados, o foco recai sobre a produção de gêneros que possuem finalidades comunicativas claras, como o artigo de opinião, o ensaio e a reportagem multimídia. A distinção entre tipos textuais, como a narração e a argumentação, e os gêneros textuais propriamente ditos é fundamental para que os alunos dominem as regularidades linguísticas e estruturais necessárias para cada esfera de comunicação.


    No âmbito da leitura e compreensão de textos, o papel do professor consiste em mediar a construção de sentidos por meio de estratégias de ensino diversificadas. A leitura não é vista como um ato passivo de recepção, mas como uma atividade cognitiva complexa que envolve a mobilização de conhecimentos prévios, a realização de inferências e a análise de marcas ideológicas presentes nos textos. Para alcançar esses objetivos, o docente deve fomentar práticas que possibilitem ao estudante identificar diferentes vozes sociais e reconhecer a intertextualidade como recurso de ampliação da percepção crítica.


    As estratégias de ensino voltadas para a compreensão textual devem contemplar o desenvolvimento de procedimentos que auxiliem o aluno na localização de informações explícitas e implícitas. Isso inclui o ensino explícito de técnicas de sumarização, a identificação da tese central em textos argumentativos e a análise dos recursos persuasivos utilizados pelo autor. Tais habilidades são fundamentais para que o educando consiga interpretar não apenas o que está dito na superfície do texto, mas também os pressupostos e subentendidos que orientam a intenção comunicativa.


    Paralelamente, a produção de texto na perspectiva da Base Nacional exige que o estudante seja capaz de planejar, escrever, revisar e reescrever suas próprias produções com autonomia. O processo de revisão deixa de ser uma tarefa punitiva realizada pelo professor e passa a ser uma etapa constituinte da escrita profissional e acadêmica, focada no aprimoramento da coesão, da coerência e da adequação ao gênero proposto. Dessa forma, o aluno aprende que a clareza e a eficácia de um texto dependem da reflexão constante sobre as escolhas linguísticas realizadas durante o ato de escrever.


    Portanto, a articulação entre as diretrizes da BNCC e as práticas de sala de aula requer uma mudança de postura metodológica que valorize a ação reflexiva do sujeito sobre a linguagem. Somente por meio de um ensino que integre leitura e produção de texto de forma contextualizada será possível formar cidadãos capazes de atuar de maneira ética e protagonista nas diversas instâncias sociais. O fortalecimento dessas competências linguísticas é, em última análise, o pilar que sustenta a democratização do conhecimento e o exercício pleno da cidadania nas sociedades democráticas contemporâneas.


BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018/ ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola Editorial, 2003/ MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção de texto, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
O terceiro parágrafo estabelece distinção conceitual entre gêneros textuais e tipos textuais no contexto da produção escrita escolar. Considerando os pressupostos teóricos mobilizados pelo autor, assinale a alternativa correta
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Q4147973 Linguística
A linguagem pode ser compreendida como prática social marcada pela circulação de vozes, pela produção histórica dos sentidos e pelas relações construídas entre os sujeitos nos diferentes contextos de interação. Nessa perspectiva, os enunciados assumem sentidos ligados às condições concretas de produção da linguagem (BAKHTIN, 1997).
Relacione os conceitos apresentados na Coluna 1 às definições da Coluna 2.
COLUNA 1 1.Dialogismo 2.Polifonia 3.Discurso 4.Enunciado 5.Enunciação
COLUNA 2 (__)Processo de produção da linguagem vinculado às condições concretas em que ocorre a interação verbal.
(__)Materialização linguística produzida em situação comunicativa específica e marcada pela relação entre interlocutores.
(__)Relação de interação entre diferentes vozes sociais presentes na construção dos sentidos.
(__)Construção discursiva posicionamentos históricos, presentes na linguagem. vinculada aos sociais e ideológicos.
(__)Convivência de múltiplas vozes e perspectivas discursivas em uma mesma construção textual.
Assinale a alternativa correta, “de cima para baixo”.
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Q4147966 Linguística
A linguagem pode ser compreendida como prática social construída nas relações entre os sujeitos, sendo marcada pelos contextos históricos, culturais e ideológicos em que ocorre a comunicação. Nessa perspectiva, os sentidos não permanecem fixos nas palavras, mas se constroem nas situações concretas de interação verbal (BAKHTIN, 1997).
De acordo com as concepções de língua e linguagem conforme os estudos de Bakhtin, assinale a alternativa correta.
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Q4146801 Linguística
O nome de muitos municípios brasileiros tem origem na língua tupi-guarani e revela traços do ambiente natural onde foram fundados. No caso de Ipira-SC, escolhido em 1925, o significado guarda relação direta com elementos da paisagem local. Com base no significado da palavra "lpira" na língua tupi-guarani, assinale a alternativa correta.
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Q4139560 Linguística
Leia o texto a seguir.

A semântica é a ciência que estuda o significado das palavras e das construções, bem como a forma como elas se relacionam entre si. No entanto, há um ramo que lida com como esses significados podem variar ou permanecer inalterados entre as culturas: a semântica transcultural. De acordo com Underhill (2011), a semântica transcultural é um campo de estudo que analisa como significados são compartilhados, interpretados e construídos entre diferentes culturas. A semântica transcultural tem como objetivo principal analisar como palavras, frases e símbolos são interpretados e o que representam em diferentes contextos culturais. [...] O termo “transcultural” descreve algo que está além de uma única cultura, ou seja, abrange múltiplas culturas. Desse modo, a semântica transcultural investiga como os significados das palavras e símbolos variam ou permanecem consistentes entre diferentes grupos, bem como examina essas diferenças e similaridades, ajudando a compreender como os processos de comunicação e interpretação ocorrem em um contexto global diversificado. [...] Na semântica transcultural, estudar as variações de significado e entender como elas influenciam a interpretação e comunicação é essencial para uma compreensão mais profunda da diversidade cultural.

SANTOS, M. S.; MENDES JUNIOR, W. A dimensão cultural na aquisição de segunda língua: contribuições da semântica transcultural para o ensino de línguas estrangeiras. v. 21 n. 2 (2025): Linguística Cognitiva: diversidade e interfaces com os Estudos da Tradução e da Interpretação. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/rl/article/view/68190/43976. Acesso em: 29 nov. 2025. [Adaptado].

De acordo com a discussão sobre semântica transcultural apresentada no texto, um desafio para os aprendizes de idiomas é compreender que
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Q4138760 Linguística
Texto 7


A música na era da velocidade: reflexões sobre consumo e experiência


Se analisarmos os desdobramentos das últimas três décadas, veremos um movimento acelerado de transformações tecnológicas e culturais, cujas tendências surgem e desaparecem em um intervalo muito curto. Vivemos na “sociedade líquida”, conforme o sociólogo Zygmunt Bauman (1925-2017), cujo vetor dominante é o da velocidade. Práticas culturais cotidianas como ler um livro ou um jornal, assistir a um filme ou ouvir um álbum de música, continuam nos informando, entretendo e alimentando, mas já não são as mesmas experiências de outrora. Hoje essas práticas aparecem fragmentadas, sintetizadas nas linguagens do ciberespaço, distantes do formato que nos provocava o desejo de mergulho profundo.
Não quero soar saudosista. Sou fascinado pelas soluções digitais e reconheço o quanto elas facilitam nossas vidas. Contudo, como lembra o pensador Edgar Morin, precisamos praticar o que ele chama de pensamento complexo. É nesse espírito que convido o leitor a refletir sobre o caso da música – uma expressão artística fugidia, noturna, de contornos indefinidos e de inapreensível imaterialidade. Diferentemente de um quadro que podemos contemplar por longos minutos, a música escapa no instante em que a ouvimos.
Os discos de vinil são exemplo emblemático. Para além da função sonora, eles condensavam um universo estético: capas elaboradas que traduzem visualmente o conceito das músicas, encartes com letras e imagens, sequências pensadas como narrativas coesas. Era um convite ao mergulho integral na obra. Após o reinado dos vinis, o fenômeno do downsizing levou ao surgimento de mídias mais compactas, como o CD, pequeno, portátil, moderno, cabia na mochila, no carro ou no discman. Em seguida vieram os mp3 players, que permitia que criássemos nossas próprias listas. A experiência musical se individualizou, fragmentando-se em canções avulsas. O tempo correu ainda mais rápido até chegarmos à era do streaming, em que plataformas e algoritmos não apenas oferecem acesso ilimitado, mas também ditam, em grande medida, o que vamos ouvir. Não se trata de negar as vantagens desse modelo. O ponto é outro: até que ponto essa abundância de opções, mediada por algoritmos, não torna nossas relações mais superficiais?
A música se abre a múltiplas formas de fruição. Alguns a escutam como pano de fundo para atividades diárias. Outros, com fones de ouvido, mergulham em melodias e harmonias. Há quem explore playlists com canções de artistas variados, e há quem prefira a imersão no vinil, interagindo intensamente com capas e letras. Nenhum desses modos é superior. Como diria Wittgenstein, há uma forma de ouvir – e há outra forma de ouvir. O que me interessa sublinhar é a complexidade dessa arte tão profundamente entrelaçada às nossas memórias afetivas e às nossas histórias de vida. Não há problema em consumir música em um ambiente midiático hiperdinâmico e supersaturado de estímulos, desde que não nos esqueçamos do impacto transformador que ela possui. Mesmo em meio à rotina acelerada, com smartphones sempre à mão, podemos abrir nosso serviço de streaming favorito e nos entregar à contemplação de uma obra. Não importa o formato: vinil, CD, mp3 ou playlist. O essencial é cultivar o espaço para que a música continue sendo aquilo que sempre foi – uma das experiências mais intensas de habitar o mundo.

Disponível em: https://diplomatique.org.br/a-musica-na-era-da-velocidadereflexoes-sobre-consumo-e-experiencia/ Acesso em: 10 jan. 2026. [Adaptado].
No artigo, o autor utiliza uma sequência de termos indicativos de empréstimos linguísticos, cuja função no texto é
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Q4137719 Linguística
A eficácia da leitura instrumental em língua inglesa depende fortemente da capacidade do leitor de reconhecer o gênero textual e antecipar sua função social. Considere as três estruturas discursivas típicas listadas a seguir:

1. A text that uses concise, imperative sentences to provide sequential, step-by-step guidance on operating a software.
2. A text that employs objective, factual data in the third person to report a recent global scientific breakthrough.
3. A text that uses persuasive, emotionally charged adjectives and explicit calls-to-action to promote a sustainable product.

Considerando as marcas linguísticas e as características desses textos, as suas respectivas intenções comunicativas predominantes são:
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Q4137462 Linguística
Platão e Fiorin (2006) dizem que “Um texto pode ter várias leituras, bem como pode jogar com leituras distintas para criar efeitos humorísticos”. Entretanto, o leitor não pode atribuir-lhe o sentido que bem entender; o leitor cauteloso abandona interpretações que não estejam apoiadas no texto e em suas recorrências. O texto tem marcas de possibilidades de mais de um plano de significação. Sobre essas marcas, dizem os autores: são chamadas de ______________________, as marcas que apontam para mais de um plano de sentido; e são chamadas de ______________________, as palavras ou expressões que não se integram no plano de leitura proposto e, por isso, desencadeiam outro plano de sentido.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente as lacunas do trecho acima. 
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Q4137461 Linguística
Conforme Fiorin (2015), são tipos de argumentos que se fundamentam na estrutura da realidade, baseados em relações que nosso sistema de significação considera existentes no mundo objetivo, EXCETO:
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Q4137369 Linguística
De acordo com os estudos de Mikhail Bakhtin, a linguagem é constituída socialmente. Nesse viés, nenhum enunciado é isolado; ele é sempre uma resposta a enunciados anteriores e se dirige a enunciados futuros. Essa característica intrínseca da linguagem, que pressupõe a presença de múltiplas vozes (sejam elas convergentes ou divergentes) dentro de um mesmo texto, é definida tecnicamente como
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Q4137367 Linguística
No âmbito da linguística brasileira, o movimento de crítica à gramática normativa impôs a necessidade de reconfigurar o ensino de Língua Portuguesa. João Wanderley Geraldi, um dos principais pesquisadores que orientou a nova forma de ensino do idioma materno, propôs que o estudo da língua fosse retirado de seu isolamento e articulado com o uso efetivo da linguagem, sob uma prática de ensino de natureza funcional e reflexiva. Essa perspectiva de ensino se materializa na articulação de três práticas pedagógicas que devem compor o ensino de Língua Portuguesa, que são:
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Respostas
1: B
2: C
3: D
4: A
5: A
6: C
7: C
8: B
9: C
10: A
11: D
12: A
13: A
14: D
15: D
16: A
17: C
18: D
19: D
20: B