Questões de Concurso Sobre linguística
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( ) A BNCC compreende a linguagem como prática social situada, o que implica trabalhar os gêneros discursivos em seus contextos reais de circulação.
( ) O eixo de Análise Linguística/Semiótica deve ocorrer prioritariamente de forma desarticulada dos eixos de Leitura e Produção Textual, a fim de garantir domínio estrutural da norma.
( ) A noção de competência comunicativa, implícita na BNCC, envolve a capacidade de atuar discursivamente em diferentes esferas sociais.
( ) A organização por campos de atuação social reforça a ideia de que a linguagem é inseparável das práticas sociais.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Leia o texto e responda à questão.
A vida secreta dos áudios: por que a gente ouve em 1,5x e
responde “kkk” com seriedade.
Tem gente que escreve “bom dia” e segue a vida. E tem
gente que aperta o microfone, inspira como quem vai narrar um documentário e
manda: “Vou te explicar rapidinho”, sinal claro de que nada ali será rápido. A
verdade é que o áudio virou uma espécie de bilhete falado, só que com um
tempero de intimidade e um toque de suspense, porque nunca dá para saber se vem
uma dúvida simples ou uma novela em capítulos, com participação especial do
cachorro latindo e da panela de pressão opinando ao fundo.
Eu, que já fui uma pessoa que ouvia em velocidade
normal, hoje sou um cidadão da era 1,5x. É um estilo de vida. Não é pressa, é
sobrevivência. O áudio chega, eu já imagino a cena: alguém andando na rua,
vento no microfone, passos dramáticos, e a frase clássica: “Você tá me
ouvindo?”. Estou. Só não do jeito que você imaginou. Eu ouço em 1,5x com a
mesma seriedade de quem lê um contrato. Às vezes, em 2x, quando aparece aquele
“deixa eu contextualizar” que vem junto com quinze anos de história familiar e
um resumo do clima na cidade.
E aí surge o grande dilema moral: como responder?
Porque o áudio tem um peso. Um texto pode ser seco, mas o áudio tem sorriso,
tem pausa, tem o “ééé…” que revela o pensamento chegando atrasado. Só que a
gente, prático e moderno, devolve um “kkk” que, dependendo do momento,
significa: “entendi”, “tô com você”, “vou responder depois”, “não sei o que
dizer” e, em casos extremos, “só Deus na causa”. O “kkk” é o canivete suíço das
relações humanas. Você abre e ele vira o que precisar.
No grupo de trabalho, então, o áudio ganha vida
própria. Tem o colega que manda um áudio de quatro minutos para dizer que
atrasou cinco. Tem o professor que, no intervalo, grava olhando para o pátio e,
sem querer, dá aula de sociologia e de meteorologia ao mesmo tempo. Tem a
pessoa que fala baixinho, como se estivesse dentro de uma biblioteca secreta, e
você aumenta o volume só para ouvir junto o som da vida inteira do prédio. E
tem aquele áudio perigoso, o do “posso te ligar?”. Esse é o áudio que não é áudio,
é um aviso de tempestade.
Eu gosto de pensar que existe uma etiqueta invisível.
Tipo: se é urgente, escreve. Se é longo, avisa. Se é confidencial, não manda no
meio da feira. Mas a etiqueta do século é outra. A etiqueta é: manda, e quem
recebe que se vire. E a gente se vira. A gente aprende a ler emoções em
velocidade acelerada, como se o coração também tivesse um botão de ajuste. A
gente identifica tristeza em 1,5x, alegria em 2x, e indignação até em 0,5x, que
é quando você volta para entender exatamente onde a conversa desandou.
Naquele dia, eu estava prestes a responder um áudio
enorme com o meu “kkk” diplomático, quando reparei num detalhe. A voz do áudio
tinha um ritmo estranho, como se fosse uma versão ligeiramente mais rápida do
que eu lembrava. Voltei para 1x. A voz ficou… conhecida demais. Voltei para
0,5x, só para garantir. E foi aí que eu ouvi, no fundo, bem baixinho, uma coisa
que eu nunca esperaria ouvir no áudio de outra pessoa.
O clique do meu próprio microfone. E a minha própria
voz, do mês passado, dizendo: “Vou te explicar rapidinho”.
Na hora, eu entendi o desfecho inesperado dessa era.
Eu não estava só ouvindo áudios demais. Eu estava, discretamente, virando o
tipo de pessoa que manda áudios demais. E, por um segundo, eu tive vontade de
me responder com um “kkk” bem sério, em 2x, só para manter a tradição.
Fonte: Banca Examinadora
“Atento ao olhar de luminosidade
Esquadrinha a geometria de um flagrante
Magnífica captura de um insight
Doce acalanto da imortalidade evidente.”
Isa Colli
Fragrante
Assim como o aroma
Você me transforma!
Mirando o universo
Deixa-me no ar
A cada vento
De todos os momentos,
Não me esqueço De você inadmissível
Fragrância
Vinda de todas
As partes do universo!
Valter Bitencourt Júnior
Nos vocábulos destacados, nos textos acima, ocorre um fenômeno semântico denominado:
Nesse caso a transcrição correta do fonema na palavra ‘gente’ ao sofrer esse processo seria:
Assinale a alternativa correta em relação ao tema.
Dessa forma, fricativa, alveopalatal e sonora refere-se à:
De acordo com Austin (1990), as classes de atos de fala são atos locucionários, ilocucionários e perlocucionários. Para os atos ilocucionários, ele classificou cinco categorias:
I. Vereditivos: atos de fala que expressam julga mento;
II. Exercitivos: atos de fala que exercem poder ou tomada de decisão;
III. Comissivos: atos de fala que indicam curso de ação no futuro/;
IV. Comportamentais: atos de fala relacionados a atitudes e comportamentos sociais;
V. Expositivos: atos de fala que organizam, clarificam o contexto da enunciação.
Fonte: Austin, John. Quando dizer é fazer: palavras e ação. Tradução de Marcondes Filho, Danilo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.
Com base no conceito de Austin (1990), marque a resposta que contém a relação correta:
A seguir, é reproduzido o trecho de um verbete de dicionário especializado na área dos Estudos da Linguagem.
[...] relações que todo enunciado mantém com os enunciados produzidos anteriormente, bem como com os enunciados futuros que poderão os destinatários produzirem. Mas o termo é carregado de uma pluralidade de sentidos muitas vezes embaraçantes. [...] Mais ainda: os enunciados longamente desenvolvidos, ainda que emanem de um interlocutor único – por exemplo, o discurso de um orador, o curso de um professor, as reflexões em voz alta de um aluno – apresentam, em sua estrutura interna, semântica e estilística, essa propriedade.
CHARAUDEAU, Patrick; MAINGUENEAU, Dominique.
Dicionário de Análise do Discurso. São Paulo: Contexto, 2004. p. 160. Adaptado.
A que conceito relativo à linguagem esse verbete faz referência?