Questões de Concurso Comentadas sobre linguística e outras ciências – neurolinguística, psicolinguística, sociolinguística em linguística

Foram encontradas 234 questões

Q3541292 Linguística
Texto I

Variação linguística


   O termo variação se aplica a uma característica das línguas humanas que faz parte de sua própria natureza: a heterogeneidade. A palavra língua nos dá uma ilusão de uniformidade, de homogeneidade, que não corresponde aos fatos. Quando nos referimos ao português, ao francês, ao chinês, ao árabe etc., usamos um rótulo único para designar uma multiplicidade de modos de falar decorrente da multiplicidade das sociedades e das culturas em que as línguas são faladas. Cada um desses modos de falar recebe o nome de variedade linguística. Por isso, muitos autores definem língua como “um conjunto de variedades” e substituem a noção da língua como um sistema pela noção da língua como um polissistema, formado por essas múltiplas variedades.

   A variação linguística se manifesta desde o nível mais elevado e coletivo – quando comparamos, por exemplo, o português falado em dois países diferentes (Brasil e Angola) – até o nível mais baixo e individual, quando observamos o modo de falar de uma única pessoa, a tal ponto que é possível dizer que o número de “línguas” num país é o mesmo de habitantes de seu território. Entre esses dois níveis extremos, a variação é observada em diversos outros níveis: grandes regiões, estados, regiões dentro dos estados, classes sociais, faixas etárias, níveis de renda, graus de escolarização, profissões, acesso às tecnologias de informação, usos escritos e usos falados.

   A consciência de que a língua é variável remonta à Antiguidade, quando os primeiros estudiosos da língua grega tentaram sistematizá-la para o ensino e para a crítica literária. Eles, no entanto, fizeram uma avaliação negativa da variação, que viram como um obstáculo para a unificação territorial e para a difusão da língua. Foi nessa época (século III a.C.) que surgiu a disciplina chamada gramática, dedicada explicitamente a criar um modelo de língua que se elevasse acima da variação e servisse de instrumento de controle social por meio de um instrumento linguístico. A consequência cultural desse processo histórico é que o termo língua passou a ser usado, no senso comum, para rotular exclusivamente esse modelo idealizado, literário, enquanto todos os usos reais, principalmente falados, foram lançados à categoria do erro. 

   Com os avanços das ciências da linguagem, essa visão foi abandonada: o exame minucioso de cada variedade linguística revela que ela tem sua própria lógica gramatical, é tão regrada quanto a língua literária idealizada, e serve perfeitamente bem como recurso de interação e integração social para seus falantes. Diante disso, um novo projeto de educação linguística vem se formando: é preciso ampliar o repertório e a competência linguística dos aprendizes, levá-los a se apoderar da escrita e dos muitos gêneros discursivos associados a ela, sem contudo desprezar suas variedades linguísticas de origem, valorizando-as, ao contrário, como elementos formadores de sua identidade individual e social e como patrimônio cultural do país.


BAGNO, Marcos. Variação linguística. Glossário Ceale – Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita. Universidade Federal de Minas Gerais, 2013. Disponível em: https://www.ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/verbetes/preconceitolinguistico. Acesso em: 21 mar. 2025.
Considere o excerto a seguir, em que o autor elenca diferentes níveis de variações linguísticas:
“Entre esses dois níveis extremos, a variação é observada em diversos outros níveis: grandes regiões, estados, regiões dentro dos estados, classes sociais, faixas etárias, níveis de renda, graus de escolarização, profissões, acesso às tecnologias de informação, usos escritos e usos falados.”.
Sobre o assunto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3482953 Linguística
A Respeito da aprendizagem de uma primeira língua (L1) e a segunda língua (L2), analise as alternativas e assinale a INCORRETA:
Alternativas
Q3468612 Linguística
De acordo com Roberto Gomes Camacho (“Sociolinguística” – Parte II, em: Mussalim e Bentes, 2005), a consequência do desenvolvimento na teoria linguística de um sentimento de aversão ao caos e à variação foi
Alternativas
Q3439360 Linguística
Leia o texto a seguir para responder à questão.


O professor Tirésias decidiu trabalhar com seus estudantes da 2ª Série do Ensino Médio a questão do preconceito linguístico. Para introduzir a questão, selecionou o seguinte texto:


    “As pessoas sem instrução falam tudo errado”: trata-se de outra afirmação preconceituosa bastante difundida. O preconceito linguístico se baseia na crença de que só existe uma única língua portuguesa digna deste nome e que seria a língua ensinada nas escolas, explicada nas gramáticas e catalogada nos dicionários. Qualquer manifestação linguística que escape desse triângulo escola-gramática-dicionário é considerada, sob a ótica do preconceito linguístico, “errada, feia, estropiada, rudimentar, deficiente”, e não é raro a gente ouvir que “isso não é português”.


BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico. São Paulo: Parábola Editorial, 2015. Adaptado.
Tendo em vista o texto selecionado para introduzir a discussão e o propósito de Tirésias de desconstrução do preconceito linguístico, cumpre então ao professor, em consonância com a atual Sociolinguística, esclarecer e desenvolver o conceito de 
Alternativas
Q3429706 Linguística

Leia o Texto 2 para responder à questão.


Texto 2


Por que no Brasil dizemos “achados e perdidos”, e não “perdidos e achados”, como em Portugal?


Marcelo Duarte


Por que no Brasil dizemos “achados e perdidos”, e não “perdidos e achados”, como em Portugal? Você precisa ter perdido alguma coisa para que alguém tenha achado, certo? É assim que os americanos também chamam: “lost and found” (perdido e achado).

Há alguns poucos relatos de que esse sistema de achados e perdidos teria nascido na Grécia há cerca de 3.500 anos. Mas o que se sabe é que ele foi descrito pela primeira vez no Japão, no ano de 718. O primeiro escritório de achados e perdidos realmente organizado foi inaugurado em Paris no ano de 1805.

O imperador francês Napoleão Bonaparte ordenou que fosse aberto um local para guardar todos os objetos encontrados nas ruas da capital francesa. Eram cerca de 10 mil ao ano. Só que havia tanta burocracia para retirar os objetos de lá que a maioria desistia. Em 13 de outubro de 1893, Louis Lépine, uma espécie de chefe da polícia, mudou as regras e até organizou uma equipe de investigadores para ir atrás dos proprietários de objetos perdidos. Com essa novidade, um quarto dos objetos perdidos reencontrou seus donos.

Voltemos à primeira pergunta: por que no Brasil dizemos “achados e perdidos”? Não existe registro do motivo da inversão.

A única lógica que vejo foi que pensaram assim: primeiro alguém achou o que outro perdeu para então devolvê-lo.



Disponível em: <https://www.guiadoscuriosos.com.br/cultura-eentretenimento/por-que-no-brasil-dizemos-achados-e-perdidos-e-nao-perdidose-achados-como-em-portugal/>. Acesso em: 10 jan. 2024.

A pergunta que dá título ao texto “Por que no Brasil dizemos ‘achados e perdidos’, e não ‘perdidos e achados’, como em Portugal?” relaciona-se a um fenômeno próprio das línguas naturais denominado
Alternativas
Q3410205 Linguística
Considerando as abordagens teóricas sobre aquisição e aprendizagem de línguas, analise as afirmativas a seguir:

I. A aquisição da L1 ocorre de maneira espontânea, no contexto de interações sociais, sem necessidade de instrução explícita, como defendido por teóricos como Chomsky e Vygotsky.
II. A aprendizagem da L2, em contextos formais, geralmente envolve processos conscientes, instrução gramatical explícita e pode ser influenciada por fatores como motivação e idade.
III. Tanto na aquisição da L1 quanto da L2, não há interferência entre os sistemas linguísticos, já que o cérebro processa cada língua de forma isolada.

Com base nas afirmativas acima, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3398374 Linguística
No que se refere aos tipos de variação linguística, assinale a alternativa incorreta: 
Alternativas
Q3366879 Linguística
A concepção de linguagem influencia diretamente as práticas de ensino de Língua Portuguesa. Assinale a alternativa que representa uma perspectiva interacionista da linguagem.
Alternativas
Q3340925 Linguística
Sabendo que cada função da linguagem destaca um elemento específico da comunicação, cujo objetivo principal é direcionar o foco da comunicação para esse elemento, assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3340924 Linguística

Julgue os itens que se seguem, relativos a abordagens linguísticas.



I A sociolinguística investiga a relação entre linguagem e sociedade, ao passo que o funcionalismo enfatiza a linguagem como ferramenta de interação social.


II O estruturalismo, influenciado pelas ideias de Saussure, enfoca a língua como um sistema de signos e regras.


III O gerativismo, liderado por Noam Chomsky, destaca a capacidade inata do ser humano para aprender a linguagem.


IV A linguística cognitiva analisa a linguagem em contextos discursivos.


V A linguística textual investiga a relação entre linguagem, cognição e experiência do mundo físico.



Assinale a opção correta. 

Alternativas
Q3279135 Linguística

Em relação às variações linguísticas, relacionar as colunas e assinalar a sequência correspondente.  



(1) Variação diatópica.

(2) Variação diacrônica.

(3) Variação diafásica.



( ) Que mico!

( ) Celular (Brasil) | Telemóvel (Portugal)

( ) Pega-las-emos nesse instante ou mais tardiamente?

Alternativas
Q3222126 Linguística

Canta, canta, minha gente

Deixa a tristeza pra lá

Canta forte, canta alto

Que a vida vai melhorar



A música tem efeitos múltiplos sobre o corpo. Esses efeitos envolvem o canto, a dança, o estado emocional, a memória, entre outros. No refrão da canção Canta, Canta, Minha Gente, de Martinho da Vila, as aliterações marcadas têm o efeito de 

Alternativas
Q3206843 Linguística
Paiva (2014) discusses the connectionist model in her work on second language acquisition, which is investigated by some researchers of Psycholinguistics.
Read the following sentences and decide whether they are True (T) or False (F), according to the referred study.

( ) Second language acquisition is a result of repeated exposure to real language use and strengthening of neural connections.

( ) Second language learning is all about memorizing vocabulary lists and grammar rules which is the best way to strengthen the neural connections.

( ) Second language acquisition is driven by innate grammatical structures, rather than experience and input.

( ) In the connectionist model, frequency of language input plays a key role in the acquisition process.


The correct sequence of True and False statements, from top to bottom, is:
Alternativas
Q3157652 Linguística
A linguagem humana concebida, ao longo da história, pode ser compreendida por meio de três concepções, que exercem implicações para o ensino. Nesse contexto, a primeira concepção refere-se a qual das alternativa a seguir?
Alternativas
Q3147588 Linguística

Considerando os elementos língua, cultura e sociedade, julgue o item a seguir. 


A relação entre linguagem e cultura é fixa, permanecendo imutável ao longo do tempo e das interações sociais.

Alternativas
Q3147585 Linguística

Considerando os elementos língua, cultura e sociedade, julgue o item a seguir. 


O uso de gírias e neologismos só tem conexão com o contexto histórico e cultural da geração dos jovens. 

Alternativas
Q3147584 Linguística

Considerando os elementos língua, cultura e sociedade, julgue o item a seguir.


 A cultura é unicamente individual e não está relacionada à linguagem.

Alternativas
Q3147309 Linguística

A respeito da relação entre língua, cultura e sociedade, julgue o seguinte item.


A língua não existe fora da sociedade, mas é possível conceber a sociedade sem língua e sem cultura.

Alternativas
Q4152863 Linguística
TEXTO 1
Se a linguagem molda a forma como enxergamos, sentimos, pensamos e vivenciamos o mundo, muitos dos problemas enfrentados pelos estudantes indígenas se encontram no fato de que o mundo pensado por eles do ponto de vista cultural e linguístico por si só é um fator que amplifica os obstáculos encontrados em sua permanência na universidade. Ademais, subjaz à política linguística elitista (nem sempre explícita) das universidades a ideologia do déficit linguístico, segundo a qual as línguas autóctones são “primitivas”, cabendo aos indígenas o aprendizado da língua do outro, a língua historicamente hegemônica com todos os seus aparatos ideológicos (escrita, literatura, gramáticas, ciência, leis), sob pena de permanecerem marginalizados.
PONSO, L. C. Letramento acadêmico indígena e quilombola: uma política linguística afirmativa voltada à interculturalidade crítica. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/ view/8653744/18764. Acesso em: 24 abr. 2024 (adaptado).

TEXTO 2
A Língua Portuguesa invadiu nosso corpo-território, invadiu nosso espaço, a nossa mente. Se a gente foi obrigado a aprender uma língua que não é nossa, a gente foi obrigado a engolir o nosso espírito, a gente foi obrigado a silenciar o nosso ser, silenciar nossa língua, silenciar nossa cosmovisão, a nossa cultura. A gente precisa resgatar as nossas línguas originárias para que a gente possa construir uma linguagem de liberdade. Porque, realmente, é um desafio muito grande a gente decolonizar dentro da própria estrutura colonial que é a Língua Portuguesa. – Lyryca Cunha – artista indígena e psicóloga.
Linguagens Opressoras Étinicoraciais. Ep. 2: Comunicação Com Cuidado. Entrevistados: Lyrica Cunha e Salloma Salomão. Entrevistadora: Aline Rodrigues [S. l.]: Spotify, 01 jul. 2021. Podcast. Disponível em: https://open.spotify.com/episode/. Acesso em: 4 maio 2024 (adaptado).

Considerando as reflexões apresentadas nos Textos 1 e 2, uma política linguística que tenha como objetivo principal a inclusão e a permanência dos povos originários em contextos escolares e acadêmicos brasileiros deve propor que
Alternativas
Q4152850 Linguística
O Português está entre os sistemas híbridos na atribuição de gênero: o traço [± sexuado], relevante para um subconjunto restrito de nomes (como, por exemplo, “menina” versus “menino” e “gerente” versus “gerente”), está combinado às propriedades fonológicas e sintáticas que exponenciam gênero e classe temática em todos os nomes na língua. De modo simples: as vogais -a, -o e -e estão presentes também em palavras que não estabelecem qualquer relação com sexo (como, por exemplo, “bola”, “bolo”, “ponte”, “pente”) e nuclearizam a concordância na frase nos mesmos moldes dos vocábulos sexuados.

O uso de caracteres como x (como, por exemplo, em “amigx”), @ (como, por exemplo, em “amig@”) e o uso de e (como, por exemplo, em “amigue”) fechando substantivos e adjetivos é, de fato, uma estratégia de neutralização de gênero, em que se propõe o emprego de uma terceira marca, além da masculina e da feminina. A oposição, nesse caso, não seria privativa nem equipolente, mas gradual, nos termos da Escola de Praga.
SCHWINDT, L. C. Sobre gênero neutro em português brasileiro e os limites do sistema linguístico. Revista da ABRALIN, [S. l.], v. 19, n. 1, p. 1 - 23, 2020 (adaptado).

O texto traz uma análise do uso da linguagem neutra, que pretende questionar a hegemonia patriarcal e aumentar as possibilidades de representação de indivíduos que se identificam como pessoas não binárias, por exemplo.

Considerando-se as reflexões apresentadas sobre o uso do gênero neutro, é possível afirmar que
Alternativas
Respostas
81: B
82: C
83: B
84: D
85: A
86: D
87: D
88: C
89: C
90: C
91: A
92: C
93: C
94: A
95: E
96: E
97: E
98: E
99: C
100: C