Questões de Concurso
Comentadas sobre revolução e transformação social em sociologia
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“Hoje [São Paulo] é uma cidade feita de muros. Barreiras físicas são construídas por todos os lados: ao redor das casas, dos condomínios, dos parques, das praças, das escolas, dos escritórios... A nova estética da segurança decide a forma de cada tipo de construção, impondo uma lógica fundada na vigilância e na distância. (...) Presume-se que as comunidades fechadas sejam mundos separados. As mensagens publicitárias acenam com a promessa de ‘viver plenamente’ como uma alternativa à qualidade de vida que a cidade e seu deteriorado espaço público podem oferecer”. (CALDEIRA, Teresa. Enclaves fortificados: a nova segregação urbana.)
“Mas existe um terceiro e mais importante motivo de preocupação com a crescente desigualdade na vida americana: um fosso muito grande entre ricos e pobres enfraquece a solidariedade que a cidadania democrática requer. Eis como: quando a desigualdade cresce, ricos e pobres levam vidas cada vez mais distintas. (...) Os mais ricos afastam-se dos logradouros e dos serviços públicos, deixando-os para aqueles que não podem usufruir de outro tipo de serviço. (...) O esvaziamento do domínio público dificulta o cultivo do hábito da solidariedade e do senso de comunidade dos quais depende a cidadania democrática”. (SANDEL, Michael. Justiça. O que é fazer a coisa certa.)
Estas passagens lançam luz sobre alguns dos efeitos perversos da desigualdade: o esgarçamento do sentimento de pertencer a uma mesma trajetória coletiva e o aumento da desconfiança intersubjetiva, com a segregação cívica e sua expressão no espaço público. Um terceiro efeito do aumento da desigualdade está relacionado a:
Considere os seguintes trechos de artigos, escritos a partir das manifestações que varreram as principais cidades brasileiras desde junho passado:
“Estamos diante de um verdadeiro divisor de águas na história do país, deixando para trás as formas anacrônicas do nosso sistema político, que vem hipotecando a expressão do moderno, cuja palavra chave é a autonomia dos seres sociais diante do Estado e do mercado, ao que há de mais retardatário em nossa sociedade. Não à toa ouve-se das ruas o clamor em favor da abertura da esfera pública à participação popular, até então mantida ao largo da deliberação das políticas públicas, capturadas pelo jogo de interesses de grupos econômicos e dos políticos que lhes servem”. (VIANNA, Luiz Werneck. “As mobilizações de junho e julho”.)
“Em termos muito singelos, o despotismo indireto é a representação política tornada incapaz de se exercer no interesse dos representados, mas voltada exclusivamente ao dos próprios representantes. No fundo, é o fracasso da ideia mesma de representação, que só teria como funcionar em nível adequado se gerasse, nas palavras certeiras de Nadia Urbinati, um “processo contínuo de circulação” entre sociedade e Estado, durante e entre os embates eleitorais. (...) Eis o ponto que gostaríamos de destacar: estamos falando de um conceito que resguarda o potencial semântico de lidar com experiências que vão além do campo do autoritarismo, podendo envolver regimes democráticos. Isto é, regimes que, apesar de conservarem os direitos e as liberdades democráticas típicas, além do sufrágio universal, têm suas práticas de representação degradadas por um processo sutil de autorreferencialidade, vale dizer, de fechamento para a voz dos representados.” (ARAÚJO, Cícero. “A representação política no Brasil e o despotismo indireto”.)
A reivindicação pela reforma do sistema representativo com vistas a abrir novos canais de participação popular na política esteve no cerne dos recentes protestos no Brasil.
No que diz respeito à possibilidade de sua implementação concreta, tal reivindicação pode ser considerada:
Em relação ao sistema de segurança pública brasileiro em vigor, desenvolvido a partir da Constituição Federal de 1988, que estabeleceu um compromisso legal com a segurança individual e coletiva no país, é CORRETO afirmar:
Tendo como base os estudos atuais sobre instituições familiares, marque V ou F, conforme sejam verdadeiras ou falsas as afirmativas.
( ) Apesar do ingresso das mulheres no mercado de trabalho, estudos constatam que as práticas tradicionais familiares ligadas à divisão de tarefas não se modificaram de forma expressiva.
( ) No Brasil, os primeiros casos de casamento entre pessoas do mesmo sexo é amparado pelo princípio de isonomia, para o qual todos são iguais perante a lei.
( ) O conceito sociológico de “família” é definido como agrupamento biológico produzido pelo acaso.
A alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo, é
“Aproxima-se o dia em que será preciso limitar os direitos e poderes do automóvel, não sem dificuldade e destruição. A rua? É o lugar (topia) do encontro, sem o qual não existem outros encontros possíveis nos lugares determinados (cafés, teatros, salas diversas). (…) Nela efetua-se o movimento, a mistura, sem os quais não há vida urbana, mas separação, segregação estipulada e imobilizada.”
Henri Lefèbvre.
Partindo-se do pressuposto de que existe uma relação entre o trecho apresentado e os movimentos sociais ocorridos recentemente no Brasil, é correto afirmar:
No que concerne ao movimento sindical no Brasil, assinale a opção correta.
A respeito da questão racial e da exclusão social no Brasil, assinale a opção correta.
Com base no fragmento de texto acima, é correto afirmar que o método empregado por Florestan Fernandes pressupõe a
Charles Taylor. A Política do Reconhecimento. In: Multiculturalismo. Lisboa: Instituto Piaget, 1998, p. 54 (com adaptações).
Com base no texto acima, é correto afirmar que
Assinale a opção correta a respeito do surgimento da sociologia.
O significado de um conceito pode mudar em consequência de transformações ocorridas na sociedade.
Assinale a alternativa que descreve o objeto próprio da sociologia, segundo Emile Durkheim.
A sociologia era a ciência que contribuiria para levar a sociedade capitalista à perfeição. Essa é uma ideia de
Sobre os movimentos sociais urbanos surgidos no Brasil, no final dos anos 1970, sabe-se que
Leia o texto a seguir.
“Meu avô me levava sempre em suas visitas de corregedor às terras de seu engenho. Ia ver de perto os seus moradores, dar uma visita de senhor nos seus campos. O velho José Paulino gostava de percorrer a sua propriedade, de andá-la canto por canto, entrar pelas suas matas, olhar as suas nascentes, saber das precisões de seu povo, dar os seus gritos de chefe, ouvir queixas e implantar a ordem. Andávamos muito nessas suas visitas de patriarca. Ele parava de porta em porta, batendo com a tabica de cipó-pau nas janelas fechadas. Acudia sempre uma mulher de cara de necessidade: a pobre mulher que pariu os seus muitos filhos em cama de vara e criava-os até grandes com o leito de seus úberes de mochila. Elas respondiam pelos maridos:
- Anda no roçado.” [...]
(REGO, José Lins do. Menino de engenho. 31. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1982, p. 27).
Sabendo-se que o romance Menino de Engenho é ambientado no nordeste açucareiro do Brasil, no início do século XX, o trecho selecionado permite concluir que
Segundo Florestan Fernandes “a sociedade pode ser estudada pelos padrões e estruturas, isto é, os fundamentos da organização social e pelos dilemas (conjunturas históricas) que eram as contradições geradas pela dinâmica interna da estrutura. Daí sua abordagem, ser muitas vezes denominada histórico-cultural”. (In: COSTA, Cristina. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1997, p. 180). Desse trecho, apreende-se que a obra de Florestan Fernandes recebeu a influência de