Questões de Concurso Sobre sociologia
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WAISELFISZ, Julio Jacobo. Mapa da Violência 2023: homicídios e juventude no Brasil. Brasília: FLACSO, 2023. Disponível em: https://www.fl acso.org.br/?p=2145. Acesso em: 04 fev. 2026.
A partir dessa caracterização, avalie as assertivas abaixo quanto à sua correlação com as principais perspectivas teóricas da sociologia do sistema penal, assinalando (V), se VERDADEIRAS, ou (F), se FALSAS.
( ) A configuração do sistema corrobora análises que compreendem a punição como um dispositivo de administração de grupos sociais considerados problemáticos ou excedentes, e não como uma mera reação técnica ao crime. ( ) O perfi l demográfico predominante nas prisões evidencia que os processos de seleção e processamento penal tendem a reforçar, em suas operações cotidianas, as clivagens de classe, raça e território preexistentes na sociedade. ( ) A expansão quantitativa do encarceramento representa uma estratégia funcionalmente adequada para a contenção da criminalidade, alinhada a uma visão da pena como instrumento de defesa social e neutralização de riscos. ( ) A realidade observada de consolidação de poder paralelo e socialização carcerária contradiz frontalmente o discurso ofi cial que atribui à pena privativa de liberdade uma finalidade corretiva e reintegradora.
A sequência CORRETA (V/F) encontra-se em:
Durante as eleições de 2022, circulou intensamente nas redes sociais um vídeo editado que mostrava supostos “invasores” de propriedades rurais portando armas, gerando grande comoção e pedidos por intervenção policial. Posteriormente, verifi cou-se que as imagens eram de anos anteriores e fora de contexto.
SANTOS, João Vitor T.; IZUMINO, E. Mídia e violência: novas tendências na cobertura da criminalidade. São Paulo: Hucitec, 2015. p. 89-112. COHEN, Stanley. Folk Devils and Moral Panics: The Creation of the Mods and Rockers. 3. ed. London: Routledge, 2002.
Analisando este fenômeno a partir de uma perspectiva sociológica que investiga a relação entre comunicação, desvio e ordem social, é possível afi rmar que tal caso ilustra principalmente:
Em um bairro nobre de São Paulo, as famílias não escolhem escolas apenas pela grade curricular. Elas avaliam se a escola oferece debate parlamentar em inglês, orquestra sinfônica, equipes de robótica que participam de competições internacionais e viagens de estudo ao exterior. Essas atividades, que vão muito além do vestibular, produzem nos alunos um estilo de fala, uma postura corporal e uma rede de contatos que os distinguem. Em processos seletivos para estágios em multinacionais ou entrevistas para universidades no exterior, essa “gramática corporal” e esse “repertório de mundo” frequentemente pesam mais do que as notas. Essa lógica de distinção social é analisada com base no conceito de habitus e campo.
BOURDIEU, P. A distinção: crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp, 2019.
A análise sociológica que melhor decodifi ca essa lógica, entendendo a educação como um jogo de distinção social no qual se acumulam e se convertem diferentes formas de capital, é tributária da obra de um autor para quem o mundo social se estrutura como:
Dados da PNAD Contínua (2023) e do Atlas da Violência (2023–2024) evidenciam que pessoas negras seguem mais expostas a vulnerabilidades, mesmo após políticas de inclusão. Essas desigualdades revelam que múltiplas dimensões da vida social (raça, gênero, classe) se entrecruzam na reprodução das hierarquias (IPEA, 2024). IPEA. Atlas da Vulnerabilidade Social nos Municípios Brasileiros. Brasília: IPEA, 2022. Disponível em: https://www. ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/atlas/220826_atlas_ da_vulnerabilidade_social_nos_municipios_brasileiros.pdf. Acesso em: 02 fev. 2026.
À luz desse cenário, a sociedade brasileira pode ser compreendida, por uma perspectiva que considera a interação entre variáveis sociais, como:
Relatórios do IPEA (2023) apontam o crescimento de movimentos sociais que reivindicam memória histórica e reparação simbólica em relação a grupos marginalizados, como povos indígenas e comunidades quilombolas. Esses movimentos contestam narrativas ofi ciais que silenciam experiências históricas de violência e resistência, transformando a forma como o passado é lembrado em um campo de disputa simbólica (IPEA, 2023).
IPEA. Memória, reparação e justiça histórica no Brasil. Brasília: IPEA, 2023. Disponível em: https://www.ipea.gov. br/publicacoes. Acesso em: 03 fev. 2026.
Uma análise sociológica fundamentada no conceito de memória coletiva interpretaria esse fenômeno como resultado de um processo em que:
IBGE. Sistema de Informações e Indicadores Culturais 2023–2024. Brasília: IBGE, 2024. Disponível em: https:// www.ibge.gov.br/estatisticas/culturais.html. Acesso em: 02 fev. 2026.
Nesse contexto, a análise dos padrões de consumo e estilo de vida permite compreender que as preferências culturais:
Nas últimas décadas, políticas públicas no Brasil — como programas de transferência de renda, ampliação do acesso ao ensino superior, expansão da atenção básica em saúde e políticas de ação afi rmativa — contribuíram para reduzir determinadas vulnerabilidades sociais e ampliar o acesso formal a direitos. Entretanto, indicadores sobre renda, mobilidade social, desigualdade racial, segregação urbana e acesso a serviços públicos mostram que barreiras estruturais persistem, especialmente em territórios periféricos e entre populações historicamente marginalizadas.
Além disso, parte das políticas estatais opera sob restrições fiscais, interesses políticos, disputas institucionais e lógicas de mercado, o que pode limitar seus efeitos redistributivos e, em alguns casos, reforçar assimetrias já existentes. SANTOS, W. G. A democracia impedida: o Brasil no século XXI. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2023.pp.80-120.
A partir dessa leitura sociológica e empírica da realidade brasileira, essa ambivalência sugere que o Estado tende a:
Em diferentes contextos sociais — como escolas públicas que utilizam sistemas de monitoramento de frequência e comportamento, empresas que avaliam desempenho por métricas digitais e cidades que ampliam o uso de câmeras de vigilância e bases de dados para controle populacional — observa-se que a regulação da vida social ocorre não apenas por punições formais, mas também por práticas cotidianas de vigilância, classifi cação, normalização e indução de comportamentos considerados adequados. Essas estratégias tendem a infl uenciar rotinas, escolhas, modos de agir e até a forma como os indivíduos percebem a si mesmos e aos outros.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. 50. ed. Petrópolis: Vozes, 2021.
Considerando esse cenário, pode-se inferir que esse tipo de poder atua PREDOMINANTEMENTE por meio de:
https://www.politize.com.br/religiao-e-politica-nao-se-discutem/-adaptado. Acessado em 09/11/2025.
Avalie as afirmações a seguir:
I. O princípio fundamental que permite a participação de pessoas religiosas na política sem comprometer a ordem democrática é a separação entre crenças pessoais e o exercício das funções públicas, mantendo o respeito ao Estado democrático de direito.
II. As pessoas religiosas na política devem adotar uma ética religiosa como referência principal para decisões governamentais e a preferência por representantes de determinada religião como garantia de moralidade institucional.
III. A interpretação mais adequada sobre o papel da religião na política é existir como motivação pessoal, mas não como fundamento de políticas públicas.
IV. A interpretação mais adequada sobre o papel da religião na política é ser invisível, devendo os políticos se declarar neutros religiosamente.
Assinale a alternativa que contém APENAS as afirmações corretas.
De modo geral, os valores morais representam o que uma sociedade compreende como sendo o correto em um determinado período histórico.”
https://www.todamateria.com.br/valores-morais/-. Acessado em 09/11/2025.
Avalie as seguintes afirmações:
I. O que é certo hoje o será sempre e para sempre, pois a sociedade sempre irá guardar valores positivos e necessários para uma boa convivência.
II. Qualquer coletivo humano tende a criar regras internas, ainda que sejam contraditórias, violentas ou instrumentalizadas, portanto, até grupos criminosos podem ter códigos morais próprios, mesmo que estes sejam “moralidades sombrias”
III. Não há uma relativização da moral e nunca haverá, pois ela está embasada no que é de mais nobre, bom e puro.
IV. Moral não é necessariamente sinônimo de virtude. É sempre local, circunstancial e produzida socialmente. Cada grupo, por menor ou marginalizado que seja, cultiva seu próprio “manual de navegação”, ainda que escrito nas bordas da sombra.
Assinale a alternativa que contém APENAS as afirmações corretas.
2010: o contraste aumenta. A torre católica perde andares, a evangélica quase rivaliza em altura, e a torre verde (sem religião) amplia seu terreno. As torres amarela e verde-clara mantêm suas fachadas delicadas.
2022: o horizonte religioso vira metrópole. A torre azul-escura ainda é alta, mas não é mais o gigantesco monolito inicial. A torre laranja sobe vigorosa, quase ombro a ombro com a azul. A torre verde (sem religião) agora é um arranha-céu reconhecível, enquanto amarelo, verde-claro e azul-celeste (Outras) completam o mosaico urbano.”
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/3f1708b5d315aca50d5a7d8764469c45.pdf – . Acessado em 09/11/2025.
Ao analisar a tabela do último censo, feito pelo IBGE em 2022, percebemos uma mudança no panorama urbano do Basil: começam aparecimento de vários grupos religiosos. Acerca dessas informações, avalie as seguintes afirmações:
I. Os sem religião é um fenômeno mundial e em 2022 fica mais evidente.
II. Os católicos e evangélicos ainda são a grande maioria no Brasil, formando uma grande base da sociedade brasileira.
III. As demais religiões são irrelevantes, no cenário atual do censo do Brasil.
IV. Houve um decréscimo dos sem religião em 2010, e somente o crescimento dos evangélicos.
Assinale a alternativa que contém APENAS as afirmações corretas.
No artigo Práticas musicais e classes sociais: estrutura de um campo local de Michel Bozon (2000), ele cita a distinção entre os modelos de sociabilidade e prática musical da Fanfarra, a Harmonia (estilo de Banda Marcial) e a Orquestra.
BOZON, M. Práticas musicais e classes sociais: estrutura de um campo local. Em pauta, v.11, n. 16/17, p.145-174, 2000.
Considerando o tema: "ensino de músicas nas escolas municipais brasileiras", assinale a alternativa CORRETA.
Disponível em https //sbsociologia.com.br/project/flores tan-fernandes/)
Em relação ao sociólogo Florestan Fernandes é correto afirmar:
“Me querem apagada mas eu vou brilhar O bicho da mata virou popstar Nossa terra é vip e eles não vão entrar Aqui nobreza e nós vamos reinar Me querem apagada mas eu vou brilhar O bicho da mata virou popstar”
A partir da compreensão do conceito de descolonialidade e dos versos da música, as afirmativas estão corretas EXCETO:

"O século XIX foi um período de grandes transformações sociais e políticas, marcado pelo surgimento de movimentos sociais que reivindicavam direitos, justiça social e participação política em meio às mudanças trazidas pela Revolução Industrial e pelos processos revolucionários.”
HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções: 1789-1848. São Paulo: Paz e Terra, 1988. p.45.
Os movimentos sociais do século XIX, como o anarquismo, as lutas operárias e a luta feminina surgem no contexto da industrialização e da consolidação do capitalismo. Estes movimentos apresentam contestações sociais que buscam direitos, igualdade e melhores condições de vida.
Sobre esse assunto, julgue as afirmações como verdadeiras (V) ou falsas (F) e, em seguida, assinale a alternativa CORRETA:
( ) A luta feminina do século XIX surgiu como parte das transformações causadas pela industrialização e pelo liberalismo que ampliaram debates sobre direitos e cidadania, mas excluíam as mulheres.
( ) Os sindicatos surgem a partir da mobilização e das lutas operárias. Podemos chamar de sindicatos uma associação de trabalhadores assalariados que têm como objetivo defender ou melhorar as condições de trabalho e de salários dos seus associados, além de instituir e administrar assistência nas áreas da saúde, justiça, lazer, educação e outros.
( ) As ideias anarquistas surgidas no século XIX defendiam a abolição do Estado e das hierarquias políticas, mas consideravam necessária a existência da propriedade privada. A autogestão, a cooperação e a organização voluntária da sociedade seriam as formas de abolir as desigualdades sociais.
( ) O direito ao voto foi uma causa defendida pela luta feminina somente após 1950 quando as ideias feministas ganharam força na Inglaterra e em parte dos Estados Unidos.