Questões de Concurso
Sobre etnografia. radcliffe-brown e lévi-strauss - estruturalismo. linguagem e cultura. etnolinguística em antropologia
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Em relação aos afazeres da Etnoastronomia, assinale a alternativa que apresente um elemento incorreto.
I – Nos primórdios da antropologia, o sujeito objeto de estudo foi o exótico, o distante e o outro diferente.
II - Se a compreensão dos vários antropológicos fosse o objetivo principal da antropologia, a etnografia seria considerada um fim em si mesma.
III – A metalinguagem (discurso superior) da antropologia clássica – e de outras ciências – é considerada uma referência que baseia as ações nesse campo do conhecimento.
IV - Hoje em dia, a mudança não é mais vista como um problema teórico ou metodológico, mas como uma propriedade inerente da vida social.
V – Sobre o campo de trabalho, a antropologia tem-se concentrado numa visão espacial do local. A premissa básica é que é possível obter uma imagem relativamente completa de um modo de vida, se o pesquisador permanecer em um lugar durante um bom tempo, de olhos e ouvidos abertos.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) com relação específica à cultura indígena.
( ) O Brasil abriga uma grande diversidade de línguas indígenas, muitas das quais pertencem a diferentes famílias linguísticas. Infelizmente, muitas dessas línguas estão em perigo de extinção devido à pressão externa e à perda de território.
( ) As artes indígenas incluem uma variedade de expressões, como pintura corporal, cestaria, cerâmica, entalhe em madeira, tecelagem e plumagem. Cada grupo étnico desenvolveu técnicas específicas que são transmitidas de geração em geração.
( ) A arte indígena contemporânea reforça a dimensão coletiva sobre uma arte e atividade compartilhada, partilhada. As produções são ligadas à vida em comunidade e às necessidades diárias, alicerçadas nas tradições. Da mesma maneira, trazem ruptura, reflexão e se manifestam como intervenção cultural.
( ) A culinária indígena é evidente em pratos como o churrasco (costela fogo de chão), o carreteiro (arroz com carne de charque) e a famosa “cuca”, um tipo de bolo de origem guarani.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
COLUNA 1
1. Livro de Registro dos Saberes. 2. Livro de Registro das Celebrações. 3. Livro de Registro das Formas de Expressão. 4. Livro de Registro dos Lugares.
COLUNA 2
( ) Mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e reproduzem práticas culturais coletivas.
( ) Manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas.
( ) Conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades.
( ) Rituais e festas que marcam a vivência coletiva do trabalho, de musicais, plásticas, cênicas e lúdicas.
( ) Conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades.
( ) Rituais e festas que marcam a vivência coletiva do trabalho, da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
“Tendo como objetivo chegar às estruturas inconscientes e universais, que impõem formas a diferentes conteúdos, Lévi Strauss escolhia aliados e falava de seus trunfos: ‘Na linguística e na etnologia não é a comparação que fundamenta a generalização, mas sim o contrário.’”
Levi-Strauss elaborou suas reflexões sobre as relações entre linguística e etnologia a partir do material dos(da):
“No final dos anos 1980, os testes de DNA para a verificação de laços de paternidade passaram do mundo da fantasia ao dos fatos, trazendo consigo o potencial de uma nova ‘mudança profunda’ em nossa conceituação de família, relações de gênero e parentesco. Embora essa forma de tecnologia ainda não tenha recebido muita atenção acadêmica, estou convencida – baseada em experiência etnográfica em favelas brasileiras – que suas consequências são mais instantâneas e abrangentes do que as rupturas e transições anteriores marcadas pela ciência. Em apenas quinze anos desde a sua primeira descoberta no outro lado do mundo, tanto membros da elite como homens e mulheres da classe trabalhadora incorporaram testes de DNA em seu modo de ver laços e responsabilidades familiares.”
Segundo a autora, a popularização da tecnologia de DNA para rastrear vínculos sanguíneos produziu efeitos nas relações:
“A cultura material tem sido um dos focos da antropologia desde os primórdios. No contexto dos pioneiros, coletar objetos em pesquisa de campo configurava uma maneira de atestar ou de exibir a prova material viva dos grupos estudados e de suas diferentes culturas. Muitos museus antropológicos ou etnográficos tornaram-se repositórios de práticas de colecionamento em grande escala e voltadas para esse fim no contexto de uma lógica positivista do conhecimento. O estranhamento com as diferentes alteridades pesquisadas implicou essa grande empreitada de juntar coisas que representassem ou expressassem as primeiras pesquisas antropológicas.”
A prática de colecionar e expor em museus objetos coletados durante expedições etnográficas está relacionada ao processo histórico-político denominado:
“Por anthropological blues se quer cobrir e descobrir, de um modo mais sistemático, os aspectos interpretativos do ofício do etnólogo. Trata-se de incorporar no campo mesmo das rotinas oficiais, já legitimadas como parte do treinamento do antropólogo, aqueles aspectos extraordinários ou carismáticos, sempre prontos a emergir em todo relacionamento humano. De fato, só se tem antropologia social quando se tem de algum modo o exótico, e o exótico depende invariavelmente da distância social, e a distância social tem como componente a marginalidade (relativa ou absoluta), e a marginalidade se alimenta de um sentimento de segregação e a segregação implica estar só e tudo desemboca ̶ para comutar rapidamente essa longa cadeia ̶ na liminaridade e no estranhamento.”
Nesse texto, Roberto da Matta faz referência ao princípio de:
“Os textos antropológicos são eles mesmos interpretações e, na verdade, de segunda e terceira mão. Trata-se, portanto, de ficções; ficções no sentido de que são ‘algo construído’, ‘algo modelado’, não que sejam falsas, não fatuais, ou apenas experimentos do pensamento.”
O autor se refere ao estilo narrativo antropológico denominado:
“Um movimento de entrada em cena de representantes indígenas em museus etnográficos em todo o mundo se afirmou como resultado de movimentos e reivindicações indígenas. Os povos indígenas descobriram os museus e as práticas museológicas, o que abriu espaço para a dinamização dos acervos com novas informações e a atualização das pesquisas sobre os objetos. Além disso, foi também em virtude da descoberta dos museus pelos índios que eles próprios começam a 'reaprender’ ofícios e práticas já desaparecidos em seus territórios. Os museus etnográficos com seus acervos e o acúmulo de suas pesquisas passaram a ser vistos como fontes de pesquisa e estudo para os próprios povos indígenas.”
A perspectiva teórica contemporânea que tem contribuído para a renovação do debate sobre a atuação de grupos indígenas em museus é o:
Julgue o item subsequente.
As fronteiras entre o normal-patológico e saúde-doença
são estabelecidas pelas experiências de enfermidade
em diferentes culturas, pelos modos como elas são
narradas e pelos rituais empregados para reconstruir o
mundo que o sofrimento destrói [...], a enfermidade
situa-se no domínio da linguagem e do significado e, por
isso, constitui-se em uma experiência humana.
(...)
raça não é carreira
fechem o mercado George Floyd”.
Esses versos acima, trecho do poema “Raça não é Raça”, da poeta e tradutora Nina Rizzi (Revista Piauí, n.174, 2021) interroga o racismo e o conceito de raça, na medida em que estes
(LÉVI-STRAUSS, Claude. As Estruturas elementares do parentesco. Petrópolis: Vozes. 1982, p. 34).
Esta tese do antropólogo francês, elaborada em meados do século XX, abriu um novo caminho para os estudos das relações de parentesco na Antropologia Social. O seu pressuposto fundamental é