Questões de Concurso
Sobre construção de agendas, formulação e implementação de políticas em administração pública
Foram encontradas 285 questões
Foram formuladas quatro proposições técnicas com base nos achados da equipe de consultoria:
I.A transformação digital no setor público não pode ser reduzida à mera automação ou digitalização de processos (TI de sustentação); trata-se de um fenômeno complexo que envolve mudanças na cultura organizacional, redefinição dos modelos de prestação de serviços, governança e a geração de valor público para a sociedade.
II. No Brasil, o processo de normatização da transformação digital teve marcos relevantes com o Decreto nº 8.638/2016 (Política de Governança Digital) e com a Estratégia de Governança Digital (2018), que declararam o objetivo de ampliar a prestação de serviços digitais e aumentar a participação da sociedade civil no acompanhamento e execução de políticas públicas.
III. A literatura nacional recente aponta que a implementação do Governo Digital constitui uma reforma puramente técnica e restrita ao aparelho administrativo; assim, os desafios de infraestrutura instalada e de exclusão digital no acesso do cidadão às tecnologias são considerados irrelevantes para a concretização dos direitos fundamentais por meio digital.
IV. Um dos principais alertas apresentados na literatura revisada refere-se ao risco de a transformação digital sem políticas públicas transversais de inclusão e alfabetização digital aprofundar as desigualdades sociais e a exclusão dos cidadãos mais vulneráveis no acesso aos serviços públicos essenciais.
Isso posto, assinale a alternativa que apresenta apenas as afirmativas CORRETAS:
Capacidade institucional de municípios e potencial de criação de marca territorial
A abordagem territorial do desenvolvimento concebe o território e o patrimônio nele constituído como unidades basilares de análise, a partir das quais se compreende a configuração dos territórios e a condução de seus processos de desenvolvimento. O território, compreendido como resultado de um processo histórico e relacional, de múltiplas determinações econômicas, políticas, culturais e naturais, concentra os recursos para o planejamento e a gestão que resultam nas dinâmicas de desenvolvimento. Os processos e dinâmicas de territórios se relacionam, portanto, com a governança exercida por seus atores institucionais e sociais na gestão de seus recursos.
As trajetórias de desenvolvimento de um território são resultado de um processo sócio-histórico, que articula as dimensões produtiva, natural, humana e intelectual, social, cultural e institucional e constituem seus patrimônios territoriais. Cada território apresenta singularidades decorrentes de sua trajetória, dispondo de recursos próprios e diferenciados. Entretanto, tais atributos nem sempre são reconhecidos, mobilizados, ativados e/ou tornados visíveis para a população e para outros públicos estratégicos, o que conduz à não utilização de potencialidades que poderiam ser incorporadas a políticas, projetos e programas voltados ao desenvolvimento.
A construção de uma identidade visual específica para os territórios, materializada na criação e na gestão de uma marca, constitui um instrumento de valorização das estratégias e dos planos de desenvolvimento em andamento, ao evidenciar os elementos distintivos que os caracterizam. Nessa perspectiva, o branding territorial configura-se como estratégia de desenvolvimento, na medida em que influencia diretamente a maneira como o território é percebido por seus diferentes públicos.
O branding aplicado a lugares pode ser entendido como um processo de gestão estratégica do território, ao passo que a marca territorial corresponde à expressão simbólica derivada desse processo, configurando-se como resultado das interações sociais, políticas, econômicas e culturais que estruturam o espaço. Nessa perspectiva, a marca associada a um país, estado ou cidade não se reduz à propaganda ou ao design gráfico, mas constitui um instrumento de gestão estratégica da identidade e da competitividade territorial. Tais abordagens superam a compreensão da marca territorial como mero logotipo ou ação promocional e se aproximam das abordagens críticas do desenvolvimento regional, que concebem o território como uma construção social permeada por relações de poder.
A marca, portanto, assume a função de dispositivo estratégico capaz de mobilizar narrativas identitárias, consolidar valores simbólicos compartilhados e orientar ações concretas voltadas simultaneamente à competitividade territorial e à promoção do bem-estar coletivo. Essa perspectiva converge com uma concepção de desenvolvimento de natureza eminentemente qualitativa, que exige a integração de dimensões cognitivas, simbólicas, culturais, sociais e cívicas para viabilizar trajetórias virtuosas e sustentáveis nos territórios.
Fonte: CARNIELLO, M. F. Proposta de análise da capacidade institucional de municípios e potencial de criação de marca territorial. Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional, Taubaté, v.22, n. 2, Mai - Ago / 2026 (com adaptações).
Tendo como referência as premissas conceituais do texto acerca do patrimônio territorial, do branding e da governança local, analise as partes que seguem:
(1ª parte): O patrimônio territorial engloba tanto ativos materiais quanto imateriais, incluindo saberes tradicionais, cultura e o capital social acumulado pela comunidade.
(2ª parte): O sentimento de pertencimento da população local é um elemento indispensável para garantir a legitimidade e a eficácia de uma marca territorial.
(3ª parte): A existência de assimetrias de poder inviabiliza qualquer tentativa de arranjo institucional ou de planejamento participativo no nível local.
Pode-se afirmar que:
(1)Implementação das ações planejadas pelos órgãos responsáveis.
(2)Identificação e definição do problema público a ser enfrentado.
(3)Formulação de alternativas e escolha da linha de ação.
(4)Avaliação dos resultados e efeitos da política.
(5)Inclusão do problema na agenda governamental.
Assinale a alternativa que apresenta a ordem sequencial correta em que essas etapas ocorrem:
Qual abordagem é adequada ao enfrentamento de desigualdades multidimensionais?
Considerando a iniciativa submetida à etapa de validação ministerial naquele período, qual alternativa descreve corretamente sua finalidade?
I. A formação da agenda envolve reconhecer e priorizar um problema como relevante para a ação governamental.
II. A formulação inclui construir e comparar alternativas de intervenção.
III. A implementação transforma decisões e planos em ações, mobilizando recursos e responsáveis.
IV. A avaliação somente pode ocorrer depois do encerramento definitivo da política.
Um município pretende implantar uma plataforma integrada para agendamento de consultas, matrícula escolar, solicitação de benefícios sociais e comunicação de ocorrências urbanas. O diagnóstico preliminar, contudo, identificou acesso limitado à internet em parte da zona rural, dificuldades de utilização por idosos e pessoas com deficiência, baixa integração entre bancos de dados e risco de reprodução de desigualdades por mecanismos automatizados.
A administração afirma que o projeto deve contribuir para a Agenda 2030, promover inclusão social e fortalecer a inovação no setor público.
Considerando os objetivos declarados e as boas práticas de formulação de políticas públicas, assinale a alternativa incorreta:
Assinale a alternativa correta em relação ao tema.
A respeito das abordagens para análise de problemas, é correto afirmar que:
Sobre a abordagem de análise de implementação conhecida como bottom-up, é correto afirmar que ela:
Nessa tipologia, o elemento que envolve a posição de centralidade dos governos no sistema social, assegurando-lhes acesso a um conjunto de informações sobre os problemas públicos, é denominado