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Q3909794 Geografia
“Se um quadro vale mil palavras, um mapa vale um milhão. Uma vez que os mapas são representações gráficas e utilizam linguagem simbólica, eles mostram relações espaciais e retratam informações geográficas com muito mais eficácia. Os mapas fornecem uma quantidade de informações gráficas que necessitaria de várias páginas para descrevê-las (provavelmente com menos sucesso).”

(Fonte: PETERSEN, James F. Fundamentos de Geografia Física. São Paulo: Cengage Learning, 2014. pág. 29)

Analise as assertivas abaixo.

I – Em um mapa, os elementos que compõem o espaço geográfico podem ser representados de diversas formas. Entretanto, diante da complexidade do espaço geográfico, algumas informações são sempre priorizadas em detrimento de outras.
II – No caso dos mapas e cartas topográficas, as escalas cartográficas utilizadas em sua confecção pouco ou nada interferem no detalhamento e na precisão com que as variáveis da superfície terrestre são representadas.
III – Dependendo da escala cartográfica utilizada, um fenômeno que normalmente é representado de maneira pontual pode passar a ser representado de maneira zonal, passando-se a enfatizar a área ocupada por ele.
IV – Numa anamorfose geográfica, busca-se, através da manutenção da escala cartográfica em todo o mapa, demonstrar o grau de participação dos países em relação a fenômenos escolhidos e representados.
V – Nos mapas temáticos, os quais contêm informações selecionadas sobre determinados fenômenos ou temas do espaço geográfico, as representações quantitativas e qualitativas são mais relevantes que a precisão planimétrica ou altimétrica.

Assinale a alternativa que apresenta somente assertivas corretas.
Alternativas
Q3909793 Geografia
“O relevo não é estático, mas dinâmico. O modelado da crosta continua em transformação. Esse fluxo pode ser muito lento e quase sempre nossos sentidos são incapazes de captá-lo. As transformações morfológicas são provocadas por dois tipos de força: os agentes internos ou modeladores resultam de forças oriundas do interior do planeta; os agentes externos ou esculpidores resultam de forças oriundas da atmosfera.”

(Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Geografia para o Ensino Médio. 2. ed. São Paulo: Atual, 2012. pág. 38).

A respeito da atuação dos agentes expostos no enunciado, julgue as assertivas a seguir: I – Como exemplo típico de intemperismo físico, as intensas variações diárias de temperatura, muito atuantes nos desertos, podem ocasionar a desintegração mecânica das rochas.
II – Como agentes erosivos, os ventos conseguem transportar poeira fina por centenas ou mesmo milhares de quilômetros, fazendo-a atravessar, inclusive, mares e oceanos.
III – No que diz respeito aos abalos sísmicos, a profundidade do foco em nada interfere na extensão da área afetada, bem como nas possibilidades de destruição geradas por esse fenômeno.
IV – Enquanto a epirogênese age sobre regiões estáveis da crosta, levando à ocorrência de áreas soerguidas e rebaixadas, a orogênese atua nos limites das placas tectônicas, resultando em dobras e falhas.
V – Comparando as possibilidades de atuação dos principais agentes envolvidos nos intemperismos físico e químico, conclui-se que as condições climáticas são irrelevantes para a prevalência, ou mesmo ocorrência, de um ou de outro processo.

Assinale a alternativa que apresenta todas as assertivas corretas.
Alternativas
Q3614963 Química
Considerando a distribuição eletrônica de um átomo neutro do elemento químico bismuto (83Bi), conforme o diagrama de Linus Pauling, pode-se afirmar que seu subnível mais energético e o período em que se encontra na tabela periódica são, respectivamente: 
Alternativas
Q3614962 Química
Sistema CFQ/CRQs esclarece dúvidas sobre contaminação alimentar por arsênio.
Publicado em 30 de dezembro de 2024.
   O Sistema Conselho Federal de Química/Conselhos Regionais de Química (CFQ/CRQs) informa sobre as características, riscos e prevenção relacionados ao arsênio, substância encontrada em um recente caso de contaminação alimentar que levou a óbito três pessoas, em Torres, no Rio Grande do Sul. [...]
   De acordo com a literatura, o arsênio é um elemento químico não essencial ao organismo humano e altamente tóxico em sua forma inorgânica. [...]
  Sua toxicidade está associada à inativação de enzimas essenciais, interferindo na produção de energia celular e na reparação do DNA. [...] Para alimentos à base de cereais infantis, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece um limite máximo tolerado de 0,15 miligramas (de Arsênio) por kg. [...]
Adaptado de: https://cfq.org.br/noticia/sistema-cfq-crqs-esclarece-duvidas-sobre-contaminacao-alimentar-por-arsenio/. Acessado em 21/03/2025.

Com base nas informações do texto, a quantidade máxima de átomos de arsênio que pode ser encontrada em 250 g de um alimento à base de cereais infantis, de acordo com o limite de tolerância estabelecido pela Anvisa, é de aproximadamente:

Dado: Constante de Avogadro = 6,0 x 1023 entidades mol-1
Alternativas
Q3614961 Química
O polímero denominado de polietileno (PE) apresenta a fórmula (– CH2 – CH2 –)n. O polietileno de ultra alto peso molecular (UHMWPE) é extremamente resistente, a ponto de ser usado na confecção de materiais de proteção balística como coletes, capacetes e placas balísticas. Com relação ao polietileno, suas características e estrutura, são feitas as seguintes afirmativas:

I – O polímero pode ser obtido por meio da reação de polimerização de condensação com eliminação de água.
II – É um composto pertencente à função hidrocarboneto.
III – Suas cadeias moleculares apresentam interações intermoleculares do tipo ligações de hidrogênio.
IV – É um composto com característica apolar.
V – O polímero pode ser obtido por meio da reação de polimerização por adição.

Das afirmativas feitas, estão corretas apenas:
Alternativas
Q3614959 Química
Em tanques de estações de tratamento de água, são realizadas as seguintes etapas de clarificação da água: coagulação, floculação, decantação/sedimentação e filtração. Os reagentes sulfato de alumínio (anidro) e hidróxido de sódio são utilizados no início do processo, numa reação que gera como produtos o sulfato de sódio e o hidróxido de alumínio. Esses produtos, particularmente o hidróxido de alumínio, promovem a formação de coágulos e flocos que envolvem as partículas sólidas de sujeira e as arrastam para o fundo do recipiente. Em seguida é feita a remoção dos resíduos.
Acerca do tratamento de água e da reação descrita, são feitas as seguintes afirmativas:

I – A soma dos coeficientes estequiométricos da reação devidamente balanceada (menores números inteiros) é 12.
II – No processo de decantação/sedimentação, as partículas menos densas que a água depositam-se no fundo do tanque.
III – A reação entre sulfato de alumínio e hidróxido de sódio é classificada como de simples troca.
IV – Nesse contexto, a filtração é um método adequado para a separação entre sólidos e líquidos.

Das afirmativas feitas, estão corretas apenas:
Alternativas
Q3614957 Química
O nitrato de amônio é um precursor de explosivos. No ano de 2020, na cidade de Beirute, no Líbano, uma enorme quantidade desse reagente sofreu uma reação de decomposição, gerando um grande volume de gases que ocasionaram abissal destruição na cidade. A reação pode ser representada pela equação não balanceada:

Imagem associada para resolução da questão

Considerando-se gases ideais, nas condições de 127 °C e 1 atm, o volume gasoso produzido pela decomposição completa de 1,6 kg de nitrato de amônio é:

Dado: R = 0,082 atm L mol-1 K-1
Alternativas
Q3614956 Química
Em acampamentos militares, algumas luminárias podem ser feitas com recipientes contendo em seu interior o reagente químico carbeto de cálcio (CaC2). Ao se adicionar água ao carbeto de cálcio, são formados gás acetileno (C2H2) e hidróxido de cálcio (Ca(OH)2), conforme a equação da reação:


Imagem associada para resolução da questão


Por ser bastante inflamável, o acetileno (C2H2) produzido nessa reação pode ser ignificado pelo militar, pegando fogo e gerando luz, conforme a equação (não balanceada) da reação descrita a seguir: 


Imagem associada para resolução da questão

Considerando-se uma reação de combustão completa, o calor de combustão do acetileno, em kJ mol-1 , é de:

Dados: Entalpia-padrão de formação das espécies químicas
ΔHo f CO2 (g) = - 393 kJ mol-1 ; ΔHo f H2O (l) = - 286 kJ mol-1 ; ΔHo f C2H2 (g) = 227 kJ mol-1
Alternativas
Q3614955 Química
Um método de tratamento da água de piscinas, que vem sendo cada vez mais utilizado, é o emprego de equipamentos geradores de cloro. O gerador de cloro provoca a eletrólise do cloreto de sódio em meio aquoso, usando uma célula eletrolítica com eletrodos apropriados. Nesse processo eletroquímico, forma-se o gás cloro (Cl2) em um dos eletrodos. Esse gás cloro reage com a água, estabelecendo o equilíbrio químico de acordo com a equação abaixo:


Imagem associada para resolução da questão


Em relação ao processo descrito, são feitas as seguintes afirmativas:

I - O gás cloro é formado no ânodo da célula eletrolítica.
II - A eletrólise do cloreto de sódio é um processo químico espontâneo.
III - Na reação entre o gás cloro e a água, a água atua como agente oxidante.
IV - Um aumento da concentração de gás cloro ocasiona o deslocamento do equilíbrio no sentido de formação do HClO.

Das afirmativas feitas, estão corretas apenas:
Alternativas
Q3614951 Física
Ao longo de uma estrada, o pneu de um carro está girando a 500 r.p.m. Com relação aos pontos do pneu, podemos afirmar que:
Alternativas
Q3614950 Física
A partir da primeira lei de Newton, também conhecida como princípio da inércia, podemos afirmar que, quando um ponto material
Alternativas
Q3614949 Física
A entropia é um conceito relacionado à energia disponível no universo. Com relação a esse conceito, podemos afirmar que:
Alternativas
Q3614948 Física
O circuito elétrico a seguir é composto por: fios ideais, dois geradores ideais de f.e.m E1 e E2, sete resistores ôhmicos iguais, de resistência R cada um, e três capacitores iguais c1, c2 e c3, de capacitância C cada um. Na situação estacionária, com os capacitores à carga máxima possível, podemos afirmar que a carga elétrica armazenada nos capacitores c1, c2 e c3 é, respectivamente:


Imagem associada para resolução da questão
Alternativas
Q3614947 Física
Um helicóptero de massa 10 t está abaixando até o solo uma caixa de massa 2 t contendo vários tipos de munição. A caixa está presa externamente à aeronave por meio de uma corda ideal. O conjunto helicóptero e caixa, inicialmente, desce com uma velocidade de 10 m/s, mas precisa ser freado com uma aceleração constante nos 50 m seguintes da descida. Ao final dessa descida, o conjunto atinge uma velocidade constante de 5 m/s. O módulo da força de sustentação do ar no conjunto helicóptero e caixa durante a frenagem, em kN, é:

Dados: Considere que o módulo da aceleração da gravidade é 10 m/s2.  
Alternativas
Q3614946 Física
Um arqueiro medieval, montado em seu cavalo, está a galope e descreve um movimento retilíneo uniforme com uma velocidade horizontal de 9 √2 m/s em relação ao solo. O arqueiro lança uma flecha com uma velocidade de 18,0 m/s em relação a ele mesmo, cuja componente horizontal está na mesma direção e sentido do deslocamento do arqueiro. Para ele, a flecha é lançada com uma elevação de 45º acima da reta horizontal. O alcance da flecha em relação ao solo é:

Dados: Despreze as dimensões do cavalo, do arqueiro e da flecha e considere que o arqueiro está no nível do solo e que todas as velocidades e a aceleração da gravidade são coplanares; despreze as forças dissipativas; considere que o módulo da aceleração da gravidade é 10 m/s2 e que sen 45º = cos 45º = √2/2. 
Alternativas
Q3614944 Física
Um professor, querendo relacionar os conhecimentos de eletromagnetismo e mecânica, elaborou um experimento em seu laboratório. Para isso, utilizou uma haste retilínea condutora ideal, com massa, de seção reta constante e homogênea, apoiada em uma cunha no ponto O. A extremidade de uma mola ideal foi presa ao ponto H da haste, e a outra foi ligada ao eixo de um cilindro de massa homogênea com base de área a, parcialmente imerso em um recipiente com água. A haste foi posicionada em contato elétrico com os pontos P e Q e uma corrente elétrica i percorreu a haste de P para Q. O sistema descrito ficou em equilíbrio estático, com a haste na horizontal, conforme o desenho abaixo. Em seguida, a mola ideal foi substituída por outra ideal, todo o sistema foi submetido a um campo magnético uniforme de intensidade B, perpendicular ao plano desta folha de prova e saindo dela, adquirindo, então, uma nova configuração de equilíbrio estático com a haste na mesma posição horizontal. A diferença (ΔX) entre as alturas da parte emersa (X) do cilindro depois da ação do campo magnético e antes da ação do campo é:

Dados: Não há forças atuando entre a haste condutora e os contatos P e Q. O campo magnético age apenas na haste condutora. Nas duas situações, as molas estão distendidas. Considere a densidade da água igual a p, o módulo da aceleração da gravidade igual a g, OQ = 8d, PO = 2d e OH = 1,6d.

Imagem associada para resolução da questão
Alternativas
Q3614940 Física
O desenho abaixo representa dois planos inclinados que formam um ângulo θ com o plano horizontal. Em cada plano, há um bloco: 1 e 2. Eles têm o mesmo tamanho e massa, estão em repouso, na iminência do movimento, e há atrito entre os blocos e a superfície dos planos inclinados. O coeficiente de atrito estático entre os blocos 1 e 2 e a superfície de seus planos inclinados são, respectivamente µ1 e µ2. Ambos estão sujeitos a forças de módulo F paralelas ao plano inclinado e dispostas conforme o desenho.


Imagem associada para resolução da questão

Das afirmações abaixo, a única correta é:
Alternativas
Q3614939 Literatura
MACHADO E ABEL

Manuel Bandeira

O Almanaque Garnier de 1906 trazia o conto de Machado de Assis “O Incêndio”, postumamente recolhido no 2º volume de Páginas recolhidas da edição Jackson. O conto principia assim:

Não inventei o que vou contar, nem o inventou o meu amigo Abel. Ele ouviu o fato com
todas as circunstâncias, e um dia, em conversa, fez resumidamente a narração que me ficou
na memória e aqui vai tal qual. Não lhe acharás o pico, a alma própria que este Abel põe a
tudo o que exprime, seja uma ideia dele, seja, como no caso, uma história de outro.

     Este Abel era o engenheiro civil Abel Ferreira de Matos, de que falei em minha crônica passada, na verdade o homem mais espirituoso que já vi na minha vida. Na conversa, fosse com quem fosse – homem, senhora ou menino –, na correspondência – era um correspondente pontual – punha sempre aquele pico e alma própria a que aludiu Machado de Assis e que a tudo comunicava logo extraordinário interesse.

     O caso do conto “O Incêndio” ouviu-o Abel de mim, que por minha vez o ouvi da boca do próprio protagonista, oficial da marinha inglesa, que acabava de curar a sua “perna mal ferida” no Hospital dos Estrangeiros, onde eu então me achava também internado morre não morre. A história pode contar-se em poucas linhas: um navio de guerra inglês andava em cruzeiro pelo sul do Atlântico; no porto de Montevidéu desceu o oficial a terra e passeando na cidade viu um ajuntamento de gente diante de um sobrado envolvido em fogo e fumarada; no segundo andar, a uma janela, parecia ver-se a figura de uma mulher como que hesitante entre a morte pelo fogo e a morte pela queda; o oficial é que não hesitou: abriu caminho entre a multidão, meteu-se casa adentro para salvar a moça; quando chegou ao segundo andar, verificou que a moça da janela não era uma moça, era um manequim; tratou de descer, mas precisamente ao galgar a porta de entrada do sobrado foi atingido por uma trave, que lhe pegou uma das pernas.

    Casos como esse, em que parece haver uma injustiça ou pelo menos indiferença da parte da Divina Providência, punham o nosso bom Abel, que era um crente e um espiritista, completamente desnorteado e infeliz. Foi o que sucedeu quando lhe narrei a história do inglês. Primeiro sacudiu a cabeça entre as mãos ambas. Em seguida comentou: “É um conto para Machado de Assis”.

    E era mesmo. E Machado de Assis não deixou de agravar o caso inventando por sua conta que os bombeiros iam prendendo o oficial na suposição de que fosse um ladrão; era acrescentar à iniquidade divina a iniquidade humana. E Machado acaba o conto instalando o seu desencanto dos homens na alma do oficial, com dizer que ele “foi mandado a Calcutá, onde descansou da perna quebrada e do desejo de salvar ninguém”.

   Abel tinha a Machado na conta de materialista. Convencera-se disso pela leitura de seus grandes romances. Ficou, pois, espantadíssimo quando um dia, no meio de uma conversa, dizendo tranquilamente a Machado: “Vocês, materialistas…”, foi vivamente interrompido pelo outro, que começou a gaguejar protestando: “Eu, ma… materialista? A b s o l u t a m e n t e ! ”


(Fonte: BANDEIRA, Manuel. Flauta de papel. 2.Ed. São Paulo: Global, 2014, p. 63-64-Adaptada)
Juntamente com o poeta português Antero de Quental e o pré-modernista Augusto dos Anjos, apresenta uma das poéticas de maior profundidade em língua portuguesa, em razão da investigação filosófica e da angústia metafísica presentes nas suas composições. [...] Além disso, certas posturas verificadas em sua poesia – o desejo de fugir da realidade, de transcender a matéria e integrar-se espiritualmente no cosmo – parecem originar-se não apenas do sentimento de opressão e mal-estar produzido pelo capitalismo, mas também do drama racial e pessoal que o autor vivia.

Assinale a alternativa que nomeia o autor descrito acima:
Alternativas
Q3614938 Literatura
MACHADO E ABEL

Manuel Bandeira

O Almanaque Garnier de 1906 trazia o conto de Machado de Assis “O Incêndio”, postumamente recolhido no 2º volume de Páginas recolhidas da edição Jackson. O conto principia assim:

Não inventei o que vou contar, nem o inventou o meu amigo Abel. Ele ouviu o fato com
todas as circunstâncias, e um dia, em conversa, fez resumidamente a narração que me ficou
na memória e aqui vai tal qual. Não lhe acharás o pico, a alma própria que este Abel põe a
tudo o que exprime, seja uma ideia dele, seja, como no caso, uma história de outro.

     Este Abel era o engenheiro civil Abel Ferreira de Matos, de que falei em minha crônica passada, na verdade o homem mais espirituoso que já vi na minha vida. Na conversa, fosse com quem fosse – homem, senhora ou menino –, na correspondência – era um correspondente pontual – punha sempre aquele pico e alma própria a que aludiu Machado de Assis e que a tudo comunicava logo extraordinário interesse.

     O caso do conto “O Incêndio” ouviu-o Abel de mim, que por minha vez o ouvi da boca do próprio protagonista, oficial da marinha inglesa, que acabava de curar a sua “perna mal ferida” no Hospital dos Estrangeiros, onde eu então me achava também internado morre não morre. A história pode contar-se em poucas linhas: um navio de guerra inglês andava em cruzeiro pelo sul do Atlântico; no porto de Montevidéu desceu o oficial a terra e passeando na cidade viu um ajuntamento de gente diante de um sobrado envolvido em fogo e fumarada; no segundo andar, a uma janela, parecia ver-se a figura de uma mulher como que hesitante entre a morte pelo fogo e a morte pela queda; o oficial é que não hesitou: abriu caminho entre a multidão, meteu-se casa adentro para salvar a moça; quando chegou ao segundo andar, verificou que a moça da janela não era uma moça, era um manequim; tratou de descer, mas precisamente ao galgar a porta de entrada do sobrado foi atingido por uma trave, que lhe pegou uma das pernas.

    Casos como esse, em que parece haver uma injustiça ou pelo menos indiferença da parte da Divina Providência, punham o nosso bom Abel, que era um crente e um espiritista, completamente desnorteado e infeliz. Foi o que sucedeu quando lhe narrei a história do inglês. Primeiro sacudiu a cabeça entre as mãos ambas. Em seguida comentou: “É um conto para Machado de Assis”.

    E era mesmo. E Machado de Assis não deixou de agravar o caso inventando por sua conta que os bombeiros iam prendendo o oficial na suposição de que fosse um ladrão; era acrescentar à iniquidade divina a iniquidade humana. E Machado acaba o conto instalando o seu desencanto dos homens na alma do oficial, com dizer que ele “foi mandado a Calcutá, onde descansou da perna quebrada e do desejo de salvar ninguém”.

   Abel tinha a Machado na conta de materialista. Convencera-se disso pela leitura de seus grandes romances. Ficou, pois, espantadíssimo quando um dia, no meio de uma conversa, dizendo tranquilamente a Machado: “Vocês, materialistas…”, foi vivamente interrompido pelo outro, que começou a gaguejar protestando: “Eu, ma… materialista? A b s o l u t a m e n t e ! ”


(Fonte: BANDEIRA, Manuel. Flauta de papel. 2.Ed. São Paulo: Global, 2014, p. 63-64-Adaptada)
Sobre Manuel Bandeira, autor do texto que abre a prova, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3614937 Português
MACHADO E ABEL

Manuel Bandeira

O Almanaque Garnier de 1906 trazia o conto de Machado de Assis “O Incêndio”, postumamente recolhido no 2º volume de Páginas recolhidas da edição Jackson. O conto principia assim:

Não inventei o que vou contar, nem o inventou o meu amigo Abel. Ele ouviu o fato com
todas as circunstâncias, e um dia, em conversa, fez resumidamente a narração que me ficou
na memória e aqui vai tal qual. Não lhe acharás o pico, a alma própria que este Abel põe a
tudo o que exprime, seja uma ideia dele, seja, como no caso, uma história de outro.

     Este Abel era o engenheiro civil Abel Ferreira de Matos, de que falei em minha crônica passada, na verdade o homem mais espirituoso que já vi na minha vida. Na conversa, fosse com quem fosse – homem, senhora ou menino –, na correspondência – era um correspondente pontual – punha sempre aquele pico e alma própria a que aludiu Machado de Assis e que a tudo comunicava logo extraordinário interesse.

     O caso do conto “O Incêndio” ouviu-o Abel de mim, que por minha vez o ouvi da boca do próprio protagonista, oficial da marinha inglesa, que acabava de curar a sua “perna mal ferida” no Hospital dos Estrangeiros, onde eu então me achava também internado morre não morre. A história pode contar-se em poucas linhas: um navio de guerra inglês andava em cruzeiro pelo sul do Atlântico; no porto de Montevidéu desceu o oficial a terra e passeando na cidade viu um ajuntamento de gente diante de um sobrado envolvido em fogo e fumarada; no segundo andar, a uma janela, parecia ver-se a figura de uma mulher como que hesitante entre a morte pelo fogo e a morte pela queda; o oficial é que não hesitou: abriu caminho entre a multidão, meteu-se casa adentro para salvar a moça; quando chegou ao segundo andar, verificou que a moça da janela não era uma moça, era um manequim; tratou de descer, mas precisamente ao galgar a porta de entrada do sobrado foi atingido por uma trave, que lhe pegou uma das pernas.

    Casos como esse, em que parece haver uma injustiça ou pelo menos indiferença da parte da Divina Providência, punham o nosso bom Abel, que era um crente e um espiritista, completamente desnorteado e infeliz. Foi o que sucedeu quando lhe narrei a história do inglês. Primeiro sacudiu a cabeça entre as mãos ambas. Em seguida comentou: “É um conto para Machado de Assis”.

    E era mesmo. E Machado de Assis não deixou de agravar o caso inventando por sua conta que os bombeiros iam prendendo o oficial na suposição de que fosse um ladrão; era acrescentar à iniquidade divina a iniquidade humana. E Machado acaba o conto instalando o seu desencanto dos homens na alma do oficial, com dizer que ele “foi mandado a Calcutá, onde descansou da perna quebrada e do desejo de salvar ninguém”.

   Abel tinha a Machado na conta de materialista. Convencera-se disso pela leitura de seus grandes romances. Ficou, pois, espantadíssimo quando um dia, no meio de uma conversa, dizendo tranquilamente a Machado: “Vocês, materialistas…”, foi vivamente interrompido pelo outro, que começou a gaguejar protestando: “Eu, ma… materialista? A b s o l u t a m e n t e ! ”


(Fonte: BANDEIRA, Manuel. Flauta de papel. 2.Ed. São Paulo: Global, 2014, p. 63-64-Adaptada)
Leia os seguintes versos do poema “Evocação do Recife”, de Manuel Bandeira e responda o que se pede:

Me lembro de todos os pregões:
   Ovos frescos e baratos
   Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo…
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil […]

Nesse poema, evidencia-se a consolidação da seguinte proposta da primeira geração do Modernismo brasileiro:
Alternativas
Respostas
21: C
22: E
23: E
24: A
25: C
26: E
27: A
28: C
29: E
30: A
31: C
32: B
33: A
34: E
35: B
36: C
37: D
38: C
39: C
40: B