Questões Militares

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Q689705 Português

                                      Restos do carnaval

      Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano. E quando a festa ia se aproximando, como explicar a agitação íntima que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate.Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu.

      No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé de escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete. Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.

      E as máscaras? Eu tinha medo mas era um medo vital e necessário porque vinha de encontro à minha mais profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo, eu de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito só de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim.

      Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para carnaval de criança. Mas eu pedia a uma das minhas irmãs para enrolar aqueles meus cabelos lisos que me causavam tanto desgosto e tinha então a vaidade de possuir cabelos frisados pelo menos durante três dias por ano. Nesses três dias, ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser uma moça – eu mal podia esperar pela saída de uma infância vulnerável – e pintava minha boca de batom bem forte, passando também ruge nas minhas faces. Então eu me sentia bonita e feminina, eu escapava da meninice.

      Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com as quais, suponho, pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira.

      Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe de minha amiga – talvez atendendo a meu mudo apelo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por pura bondade, já que sobrara papel – resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara de material. Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma.

      Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade. Nunca me sentira tão ocupada: minuciosamente, minha amiga e eu calculávamos tudo, embaixo da fantasia usaríamos combinação, pois se chovesse e a fantasia se derretesse pelo menos estaríamos de algum modo vestidas – à ideia de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos pudores femininos de oito anos, de combinação na rua, morríamos previamente de vergonha – mas ah! Deus nos ajudaria! Não choveria! Quanto ao fato de minha fantasia só existir por causa das sobras de outra, engoli com alguma dor meu orgulho que sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino me dava de esmola.

      Mas por que exatamente aquele carnaval, o único de fantasia, teve que ser tão melancólico? De manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até de tarde o frisado pegasse bem. Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa.

      Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto essa não posso sequer entender agora: o jogo de dados de um destino é irracional? É impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge – minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa – mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil – fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava.

      Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-me. Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria.

      Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar. Um menino de uns 12 anos, o que para mim significava um rapaz, esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos já lisos de confete: por um instante ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa.

(Lispector, Clarice. Felicidade clandestina: contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998)

“Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa.” (8º§)

A relação lógica existente, nas orações sublinhadas, no período anterior é de

Alternativas
Q684434 Nutrição

Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto a seguir.

Sempre que diversos vinhos venham a ser degustados em uma mesma ocasião é conveniente seguir a seguinte ordem: vinho ________ antes do ___________.

Alternativas
Q684433 Nutrição

Assinale a alternativa que completa, corretamente, as lacunas da assertiva a seguir.

“Manda a etiqueta que, em primeiro lugar, sejam retirados os pratos dos(as) __________, mas só após todos terem terminado de comer. Esta regra só é quebrada quando não for possível esperar que todos finalizem suas respectivas refeições. Neste caso, a um sinal do(a) __________ os pratos começam a ser retirados.”

Alternativas
Q684432 Nutrição
Os tipos de champanhe: extra brut, brut, extra dry, sec, demi sec e doux são determinados pela(o)
Alternativas
Q684431 Nutrição
Em média, o que se estabelece como consumo de bebidas no bar aberto por duas horas são ______ drinques por pessoa.
Alternativas
Q684430 Nutrição
Com relação ao serviço de Buffet é verdadeiro afirmar que:
Alternativas
Q684429 Nutrição
A denominação blanc de noirs indica que o vinho foi elaborado
Alternativas
Q684428 Nutrição
O serviço de coffee-break possui a característica de ser de curta duração, sendo que tudo deve ser bem planejado e organizado, com a devida antecedência e atenção. Marque a alternativa que indica a duração do serviço de coffee-break.
Alternativas
Q684427 Nutrição
O sistema de serviço adotado para o evento coffee–break denomina-se
Alternativas
Q684426 Nutrição

Analise as afirmativas abaixo; em seguida, assinale a alternativa que apresenta somente os itens que descrevem, corretamente, etapas da arrumação das mesas para o serviço à la carte.

I- Colocar os guardanapos dobrados no centro da mesa.

II- Dispor o garfo de mesa do lado direito do prato, alinhado com a faca de mesa.

III- Colocar o copo de água alinhado com a ponta da faca.

IV- Dispor a faca de mesa do lado direito do prato, com o corte voltado para dentro.

Alternativas
Q684425 Nutrição

Assinale a alternativa que completa, corretamente, a lacuna da assertiva a seguir.

O réchaud é composto de três partes distintas: _____________________________.

Alternativas
Q684424 Nutrição

Versátil, cabe em diversas situações, festivas ou de negócios, caracterizando-se pelo serviço volante de média duração, com convidados sendo atendidos, na maioria das vezes, de pé.

O texto acima se refere a que modalidade de evento?

Alternativas
Q684423 Nutrição

Informe se é falso (F) ou verdadeiro (V), o que se afirma abaixo sobre o tipo de serviço à Russa. A seguir, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.

( ) Todos os alimentos são dispostos em bandejas.

( ) Os garçons servem os convidados de acordo com a sequência estipulada pelo chefe de cozinha.

( ) Neste tipo de serviço os garçons costumam trabalhar em duplas: enquanto um serve a carne, ave ou peixe, o outro se encarrega de servir os acompanhamentos.

Alternativas
Q684422 Conhecimentos de Serviços Gerais

Leia as afirmativas abaixo, sobre a apresentação pessoal do garçom.

I- As peças componentes dos uniformes de garçons e garçonetes devem ser confeccionadas com tecido de boa qualidade, padronizadas quanto à cor, modelo e tecido.

II- Os profissionais de restaurante trabalham a maior parte do tempo de pé, por isso, seus sapatos devem ser confortáveis o bastante para não provocar cansaço nos pés. Precisam, também, estar sempre limpos e engraxados e ter saltos de borracha para evitar ruídos e deslizamentos.

III- Os maitrês e garçons devem usar perfumes no horário de trabalho, pois isso demonstra aos clientes o cuidado que esses profissionais têm com o seu asseio pessoal.

Estão corretas:

Alternativas
Q684421 Conhecimentos de Serviços Gerais

Informe se é falso (F) ou verdadeiro (V), o que se afirma abaixo sobre as regras gerais de serviço de garçom. A seguir, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.

( ) No caso de acidente com comida ou bebida sobre a roupa do cliente, provocado por ele próprio ou pelo garçom, deve-se proceder da seguinte forma: se a bebida for açucarada, limpar com pano umedecido em água quente. Quando se tratar de produtos gordurosos, aplicar talco sobre o local, deixá-lo absorver a gordura e depois escovar bem a roupa.

( ) Durante o atendimento aos clientes, o garçom deve transportar os pratos e os copos na mão; os utensílios de ménage e os talheres na bandeja.

( ) O couvert é servido no término das refeições e deve ser transportado na bandeja e colocado na mesa em local de fácil acesso aos clientes.

Alternativas
Q684420 Nutrição

Informe se é falso (F) ou verdadeiro (V), o que se afirma abaixo sobre os tipos de serviço. A seguir, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.

( ) O serviço de prato pronto / empratado consiste na montagem e decoração dos pratos na cozinha e em sua apresentação, já prontos, ao cliente.

( ) O serviço de réchaud é usado na preparação de pratos à frente dos clientes, em restaurantes finos do mundo inteiro. No réchaud preparam-se diversos tipos de alimentos, exceto os que demandam maior tempo de cocção e outros equipamentos, como os assados, os gratinados, os ensopados, etc.

( ) O serviço de room-service consiste em anotar o pedido do hóspede por meio de ramal telefônico, preparar os pedidos, montar as bandejas, e solicitar ao cliente que retire o pedido no saguão do hotel.

Alternativas
Q684419 Nutrição
Marque a alternativa que não apresenta um objetivo ou função do coffee-break.
Alternativas
Q684418 Nutrição
Existem basicamente três grandes grupos de banquetes. Assinale a alternativa que não apresenta um desses grupos.
Alternativas
Q684417 Nutrição

“Chá preto, aromatizado, de origem chinesa. Servido puro ou com um pouco de leite. Nunca com limão.”

O texto acima se refere a qual chá?

Alternativas
Q684416 Nutrição
Na preparação do restaurante para atendimento aos clientes, uma das tarefas é a preparação dos utensílios do ménage, que consiste em:
Alternativas
Respostas
18761: A
18762: C
18763: D
18764: B
18765: C
18766: C
18767: D
18768: C
18769: A
18770: C
18771: C
18772: B
18773: B
18774: B
18775: D
18776: C
18777: B
18778: C
18779: B
18780: D