A mielopatia paraneoplásica que se manifesta com síndrome se...
Gabarito comentado
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Tema central: síndromes neurológicas paraneoplásicas da medula espinal. O enunciado descreve uma mielopatia rapidamente progressiva com síndrome sensitiva, disfunção esfincteriana e paraplegia/quadriplegia flácida ou espástica, quadro típico de uma mielopatia necrotizante aguda.
Alternativa correta: C – mielopatia necrotizante aguda
Justificativa: A mielopatia necrotizante aguda é uma forma rara de mielite transversa paraneoplásica caracterizada por evolução rápida, dor/síndrome sensitiva importante, falência autonômica (bexiga/intestino) e déficit motor que pode ser flácido inicialmente (choque medular) e depois espástico. A patologia envolve necrose do parênquima medular, possivelmente mediada por autoimunidade paraneoplásica. A apresentação do enunciado coincide com esse fenótipo. Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Paraneoplastic myelopathies); Graus et al., Lancet Oncology (critérios atualizados de síndromes paraneoplásicas).
Diagnóstico (quando cobrado):
- RM de coluna: lesões extensas em T2 com edema, possível realce e áreas de restrição/hemorragia sugerindo necrose.
- Líquor: pleocitose discreta a moderada e hiperproteinorraquia.
- Autoanticorpos onconeurais (ex.: anti-Hu/ANNA-1, CRMP5/CV2, anfifisina) e screening oncológico (TC/PET-CT) para neoplasia oculta.
Tratamento (conduta de prova): controle do tumor (cirurgia/quimio/radioterapia) + imunoterapia precoce (pulsoterapia com metilprednisolona, IVIg ou plasmaférese). Muitas vezes resposta parcial e prognóstico reservado. Fonte: UpToDate; diretrizes internacionais de PNS (Graus et al.).
Análise das alternativas incorretas
- A – Encefalomielite: envolve encéfalo + medula. Espera-se alteração do estado mental, crises ou sinais encefálicos associados. O enunciado descreve quadro predominantemente medular, sem elementos encefálicos.
- B – Síndrome do neurônio motor: fenótipo tipo ELA paraneoplásica com comprometimento motor puro; via de regra não há déficit sensitivo importante nem predomínio de disfunção esfincteriana no início. Incompatível com “síndrome sensitiva rapidamente progressiva”.
- D – Neuronopatia sensitiva subaguda: clássica em câncer de pulmão de pequenas células (anti-Hu), com ataxia sensitiva assimétrica e dor de evolução subaguda; força preservada inicialmente e paralisia flácida/espástica não é típica. Esfincter costuma ser tardio.
Estratégia de prova: destaque palavras-chave como mielopatia + rápida progressão + sensitiva + esfincter + para/quadriplegia. Isso aponta para uma mielite transversa necrotizante e afasta diagnósticos com encefalopatia, fenótipo motor puro ou neuronopatia sensitiva isolada.
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