Leia o trecho de A ilustre casa de Ramires, de Eça de Queiró...

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Q474717 Português
Leia o trecho de A ilustre casa de Ramires, de Eça de Queirós, para responder à  questão.

     A livraria, clara e larga, respirava para o pomar por duas janelas, uma de peitoril e poiais de pedra almofadados de veludo, outra mais rasgada, de varanda, frescamente perfumada pela madressilva que se enroscava nas grades. Diante dessa varanda, na claridade forte, pousava a mesa – mesa imensa de pés torneados, coberta com uma colcha desbotada de damasco vermelho, e atravancada nessa tarde pelos rijos volumes da História genealógica, todo o Vocabulário de Bluteau, tomos soltos do Panorama, e ao canto, em pilha, as obras de Walter Scott sustentando um copo cheio de cravos amarelos. E daí, da sua cadeira de couro, Gonçalo Mendes Ramires, pensativo diante das tiras de papel almaço, roçando pela testa a rama de pena de pato, avistava sempre a inspiradora da sua Novela – a Torre, a antiquíssima Torre.

(Eça de Queirós. A ilustre casa de Ramires. http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bi000142.pdf. Adaptado)

Assim como Machado de Assis, Eça de Queirós é um escritor que procura apresentar, em sua obra, uma descrição
Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto e reconhecimento de escola literária. A questão exige que você identifique o estilo predominante das descrições de Eça de Queirós, notando como o autor representa a sociedade em sua obra.

Justificativa da alternativa correta (D – “realista da sociedade”):

Eça de Queirós é marco do Realismo em Portugal. O seu texto é caracterizado por descritivismo rigoroso, detalhamento preciso dos ambientes e observação crítica dos costumes, fugindo de exageros sentimentais ou idealizações comuns no Romantismo.

No trecho apresentado, a minúcia da ambientação ("A livraria, clara e larga, respirava para o pomar por duas janelas… mesa imensa de pés torneados…") mostra o zelo em retratar a realidade das coisas, inclusive ao revelar o cotidiano (livros, flores, perfis psicológicos). Essa objetividade descritiva é típica do realismo e está explicada nas gramáticas e manuais clássicos (cf. Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo).

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Ufanista: Ufanismo é exaltação patriótica “exagerada”, acrítica, o que não aparece em Eça, que é crítico.
  • B) Idealizada: Idealização é próprio do Romantismo, que embeleza ou mascara a realidade; o Realismo, ao contrário, “desnuda” a sociedade.
  • C) Passional: “Passional” refere-se à manifestação intensa de emoções; Eça é reconhecido pela análise racional e impessoal dos fatos sociais.
  • E) Fantasiada: “Fantasiada” pressupõe criação de mundos irreais. O realista busca “o que é”, não “o que poderia ser”.

Como interpretar e evitar pegadinhas:

Em questões de autor e estilo literário, atente-se a palavras-chave (“realista”, “idealizada”, etc.), e relacione-as à descrição feita: Evite escolher “idealizada” ou “u fanista” para autores que criticam ou expõem deficiências sociais. A leitura atenta da descrição (com foco nos detalhes e tom empregado) revela o posicionamento do autor.

Resumo da regra: O Realismo valoriza a descrição objetiva da sociedade, como explica Bechara (Gramática Escolar da Língua Portuguesa) e Massaud Moisés (A Literatura Portuguesa): “trata-se de expor com precisão imparcial a sociedade e o indivíduo.”

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