Sob vários aspectos, parece-me pouco inteligente encarecer
que o homem deveria olhar mais a Natureza e sobretudo tratá-la
de forma adequada, já que ele faz parte dela. De fato, quando a
encaramos atentamente, percebemos que ela se porta de forma
tão inteligente que deveríamos, antes, perguntar se o homem não
precisaria observar o comportamento equilibrado da Natureza,
reaprendendo, com ela, a agir de forma a não destruí-la, como
vem fazendo. (...)
É de se perguntar se os graves males que afligem a
humanidade não residiriam no fato de o homem ter-se
distinguido da Natureza, tendo construído uma outra, totalmente
artificial, quando deveria integrar-se com inteligência nos
processos e no equilíbrio perfeitos, que seus olhos, ofuscados
pela extrema pretensão e pelo interesse desmedido, não
conseguem penetrar.
Talvez a Natureza olhe para ele com mais inteligência e
paciência, pois, se não o fizesse, já o teria aniquilado. “Parece
que a Natureza” — pondera Eugene Conseliet — “como boa
mãe, procura acomodar-se da melhor forma à impertinência do
homem e consertar pacientemente tudo o que ele danifica”. (...)
Mas, afinal, o que é inteligência? A palavra originária do
latim “inter” e “legere”, que significam escolher entre, discernir,
entender, conhecer, compreender. É a faculdade de conhecer as
ideias e as relações que existem entre elas. É, em suma, ver as
coisas não em sua forma exterior, mas penetrar em sua essência,
em seu “númeno”. Filosoficamente, a inteligência se manifesta
por meio de quatro processos, que são: conhecer, armazenar
(memória), elaborar, comunicar (expressar). Animais, vegetais e
minerais conhecem, porque vivem em contato com o meio
ambiente; memorizam, porque gravam tudo o que lhes é útil ou
nocivo; elaboram, porque criam constantemente mecanismos e
atitudes novos; comunicam-se, porque se inter-relacionam
equilibradamente.
Não sabemos quando, nem onde, nem por que o homem
resolveu pedir emancipação. (...)
Vox Clamantis in Deserto: A voz daquele que clama num deserto -
GRAFIST, Lorena - SP, 2006
A visão inteligente da Natureza a respeito do homem
evidencia-se no trecho: