Homem de 59 anos apresenta quadro progressivo de tosse crôn...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q2219994 Medicina
Homem de 59 anos apresenta quadro progressivo de tosse crônica com expectoração em pequena quantidade de escarro claro e fino associada à dispneia aos esforços há 6 meses. Ele tem falta de ar quando anda rápido e quando sobe uma ladeira. Refere tabagismo de 45 maços por ano, mas parou há 2 anos. Ele vem usando salbutamol inalatório desde o diagnóstico de DPOC há 3 meses, mas continua sintomático. Ao exame físico: saturação de oxigênio: 95%; tórax com sibilos expiratórios dispersos; o exame cardíaco é normal. A radiografia de tórax mostra diafragma achatado, sem infiltrado pulmonar. Espirometria: redução da relação VEF1/CVF pós-broncodilatador e VEF1 de 69% do previsto (VEF1: volume expiratório forçado de 1° segundo/ CVF: capacidade vital forçada).
Nesse momento, o tratamento farmacológico mais adequado é:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central da questão: O foco recai sobre a condução terapêutica na Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), especialmente com base em critérios de gravidade avaliada por sintomas e espirometria, e alinhamento às diretrizes atuais para o tratamento farmacológico.

Justificativa da alternativa correta (B – Tiotrópio inalatório):

O paciente apresenta DPOC moderada (VEF1 de 69% do previsto) com sintomas persistentes, apesar do uso de salbutamol inalatório (broncodilatador de curta duração). Conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da DPOC do Ministério da Saúde, recomenda-se iniciar broncodilatadores de longa ação quando o sintoma persiste. O tiotrópio é um antimuscarínico inalatório de longa ação (LAMA) indicado como primeira escolha para pacientes com sintomas crônicos.

Citação: Segundo o PCDT da DPOC, página 32: “Para aqueles com a doença moderada ou grave, recomenda-se o uso de broncodilatador de longa ação.”

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Roflumilaste oral: Indicado apenas em DPOC grave/exacerbadora com componente significativo de bronquite crônica. Não é recomendado como tratamento inicial em quadros moderados sem exacerbações frequentes.
  • C) Fluticasona/salmeterol inalatório: Os corticosteroides inalados somados a LABA (beta-agonista de longa ação) são reservados para pacientes com exacerbações repetidas e maior gravidade, após o insucesso com LAMA ou associação entre LAMA e LABA. Iniciar ICS cedo aumenta risco de pneumonia.
  • D) Bamifilina oral: Xantinas possuem baixa eficácia e maior chance de efeitos colaterais sistêmicos. Não são preferidas segundo as diretrizes atuais (protocolo do Ministério da Saúde).
  • E) Prednisona oral: Corticosteroides sistêmicos são usados apenas em exacerbações agudas. Uso crônico para manutenção é contraindicado devido a graves efeitos adversos metabólicos e infecciosos.

Estratégia para provas: O aluno deve atentar que a escolha do tipo de broncodilatador depende da gravidade e persistência dos sintomas, além do risco de exacerbações. Ler atentamente dados clínicos e espirométricos e relacionar com as recomendações das diretrizes é fundamental. Observe termos-chave como “sintomático”, “moderada”, “uso prévio de SABA” e ausência de exacerbações para excluir opções com corticosteroide inalatório ou medicamentos de maior risco.

Referências: Ministério da Saúde, PCDT DPOC; GOLD 2023; UpToDate. Obras clássicas: Harrison’s e Manual de Doenças Respiratórias da SBPT.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

A questão descreve um paciente com DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), evidenciada através dos sintomas apresentados e os resultados da espirometria com redução da relação VEF1/CVF após broncodilatador. O tratamento ideal para esse caso é a opção B, tiotrópio inalatório. O tiotrópio é um broncodilatador anticolinérgico de ação longa, sendo muito efetivo no tratamento de DPOC, pois reduz a falta de ar, melhora a função pulmonar e a qualidade de vida, diminuindo também as exacerbações. Salbutamol, um broncodilatador de ação curta que o paciente já estava utilizando, não é suficiente para controlar os sintomas nesse caso. As outras opções, como roflumilaste, são utilizadas em casos específicos de DPOC com bronquite crônica e frequentes exacerbações. Corticosteroides inalatórios, como a fluticasona, são geralmente usados em conjunto com broncodilatadores de longa duração em DPOC moderada a grave com exacerbações frequentes. A bamifilina é um broncodilatador de longa duração, porém, menos efetivo que o tiotrópio. E a prednisona oral é normalmente usada para tratar exacerbações agudas da DPOC, não sendo a melhor opção para o tratamento de manutenção.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo