Um paciente de 45 anos, com diagnóstico de leucemia mieloid...
Com base nesse quadro, assinale a alternativa correta sobre as causas, investigação e manejo da refratariedade plaquetária.
Gabarito comentado
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Gabarito: A
Tema central: Refratariedade plaquetária é a falha em obter incremento adequado da contagem de plaquetas após pelo menos duas transfusões, geralmente avaliada pelo CCI (Incremento Plaquetário Corrigido) em 10–60 minutos. Causas dividem-se em não imunes (as mais comuns: infecção/sepse, febre, DIC, sangramento ativo, esplenomegalia, drogas como anfotericina B) e imunes (principalmente aloanticorpos anti-HLA classe I; anti-HPA é menos comum). Referências: AABB Technical Manual, UpToDate, Harrison’s.
Diagnóstico prático: - Calcule o CCI em 10–60 minutos após a transfusão: CCI < 5.000 (alguns usam <7.500) sugere refratariedade. Repetir em duas transfusões consecutivas. - O CCI em 18–24 h ajuda a diferenciar consumo/aceleração da depuração (não imune) de destruição imune (queda acentuada precoce). - Se suspeita imune: pesquisar anticorpos anti-HLA (PRA), fazer platelet crossmatch.
Manejo: - Não imune: tratar a causa (controlar infecção, DIC, sangramento), usar plaquetas ABO-idênticas e frescas. - Imune: usar plaquetas HLA-compatíveis (HLA-matched/compatible) ou plaquetas crossmatched; considerar HPA-compatíveis se anti-HPA comprovado. Leucorredução e doador único por aférese reduzem aloimunização. IVIG e corticoide não são rotina.
Por que a alternativa A está correta? Em refratariedade por aloimunização (anti-HLA), está indicado o uso de plaquetas HLA-compatíveis ou compatíveis por crossmatch, conforme AABB/UpToDate. Isso melhora o incremento imediato e a hemostase.
Análise das incorretas:
B – Anticorpos anti-HPA são causa imune, não “não imune”. Além disso, anti-HLA é mais frequente do que anti-HPA em adultos.
C – IVIG não é tratamento de escolha para refratariedade transfusional; pode ter papel limitado em situações específicas (p.ex., trombocitopenia aloimune neonatal), mas não é recomendação padrão para refratariedade por HLA.
D – O CCI para avaliar refratariedade deve ser calculado em 10–60 minutos pós-transfusão. A medida de 18–24 h é complementar (sobrevida), não a principal para diagnóstico.
E – A principal causa de refratariedade não é imune (a maioria é não imune). Entre as imunes, o problema principal é anti-HLA, não “aloimunização contra antígenos ABO”. ABO incompatível pode reduzir incremento, mas não é a causa mais importante de refratariedade.
Dicas de prova: - Grave o tempo do CCI: 10–60 min para diagnóstico; 18–24 h para sobrevida. - Se refratário e suspeita imune: pense em HLA-matched ou crossmatched. - Sempre revise causas não imunes antes de concluir aloimunização.
Fontes: AABB Technical Manual; UpToDate (Platelet transfusion refractoriness); Harrison’s Principles of Internal Medicine.
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