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Q3510513 Medicina
Um paciente de 45 anos, com diagnóstico de leucemia mieloide aguda, internado para quimioterapia de indução, apresenta contagens plaquetárias persistentemente baixas (< 10.000/mm3) apesar de múltiplas transfusões de concentrado de plaquetas (CP). Após duas transfusões consecutivas com aumento < 10.000/mm3, depois de 1 hora, é levantada a hipótese de refratariedade plaquetária.

Com base nesse quadro, assinale a alternativa correta sobre as causas, investigação e manejo da refratariedade plaquetária.
Alternativas

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Gabarito: A

Tema central: Refratariedade plaquetária é a falha em obter incremento adequado da contagem de plaquetas após pelo menos duas transfusões, geralmente avaliada pelo CCI (Incremento Plaquetário Corrigido) em 10–60 minutos. Causas dividem-se em não imunes (as mais comuns: infecção/sepse, febre, DIC, sangramento ativo, esplenomegalia, drogas como anfotericina B) e imunes (principalmente aloanticorpos anti-HLA classe I; anti-HPA é menos comum). Referências: AABB Technical Manual, UpToDate, Harrison’s.

Diagnóstico prático: - Calcule o CCI em 10–60 minutos após a transfusão: CCI < 5.000 (alguns usam <7.500) sugere refratariedade. Repetir em duas transfusões consecutivas. - O CCI em 18–24 h ajuda a diferenciar consumo/aceleração da depuração (não imune) de destruição imune (queda acentuada precoce). - Se suspeita imune: pesquisar anticorpos anti-HLA (PRA), fazer platelet crossmatch.

Manejo: - Não imune: tratar a causa (controlar infecção, DIC, sangramento), usar plaquetas ABO-idênticas e frescas. - Imune: usar plaquetas HLA-compatíveis (HLA-matched/compatible) ou plaquetas crossmatched; considerar HPA-compatíveis se anti-HPA comprovado. Leucorredução e doador único por aférese reduzem aloimunização. IVIG e corticoide não são rotina.

Por que a alternativa A está correta? Em refratariedade por aloimunização (anti-HLA), está indicado o uso de plaquetas HLA-compatíveis ou compatíveis por crossmatch, conforme AABB/UpToDate. Isso melhora o incremento imediato e a hemostase.

Análise das incorretas:

B – Anticorpos anti-HPA são causa imune, não “não imune”. Além disso, anti-HLA é mais frequente do que anti-HPA em adultos.

CIVIG não é tratamento de escolha para refratariedade transfusional; pode ter papel limitado em situações específicas (p.ex., trombocitopenia aloimune neonatal), mas não é recomendação padrão para refratariedade por HLA.

D – O CCI para avaliar refratariedade deve ser calculado em 10–60 minutos pós-transfusão. A medida de 18–24 h é complementar (sobrevida), não a principal para diagnóstico.

E – A principal causa de refratariedade não é imune (a maioria é não imune). Entre as imunes, o problema principal é anti-HLA, não “aloimunização contra antígenos ABO”. ABO incompatível pode reduzir incremento, mas não é a causa mais importante de refratariedade.

Dicas de prova: - Grave o tempo do CCI: 10–60 min para diagnóstico; 18–24 h para sobrevida. - Se refratário e suspeita imune: pense em HLA-matched ou crossmatched. - Sempre revise causas não imunes antes de concluir aloimunização.

Fontes: AABB Technical Manual; UpToDate (Platelet transfusion refractoriness); Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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