O Texto II discute a relação entre cuidadores e pessoas com ...

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Q3450999 Português
A questão se refere ao Texto II.
Texto II

Cuidadores tendem a subestimar a capacidade das pessoas com Alzheimer
Coordenadora do Laboratório de Estudos sobre a Consciência em Transtornos Neurodegenerativos da UFRJ lembra que, sem estímulos, a condição dos pacientes se deteriora mais rapidamente.

O Laboratório de Estudos sobre a Consciência em Transtornos Neurodegenerativos (LabCONS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro tem a coordenação da psicóloga clínica Marcia Cristina Nascimento Dourado, professora adjunta do Instituto de Psiquiatria da UFRJ e especializada nos cuidados a idosos. Ali são realizadas inúmeras pesquisas com pessoas com a Doença de Alzheimer – entre elas, medir a percepção dos indivíduos sobre sua enfermidade.
“Há 25 anos, atendia pessoas com Alzheimer em psicoterapia e comecei a me perguntar se conseguiam perceber o que estava acontecendo com elas em decorrência da doença. Meu trabalho nasceu desses questionamentos e as pesquisas mostram que há aspectos da cognição que ficam mais preservados. A pessoa pode ter problemas de memória, mas identifica se os outros a estão desqualificando. Em muitos casos, será capaz de dizer que se sente um inútil porque não o deixam fazer nada. As limitações vão aumentando gradativamente, mas o cuidador tende a subestimar a capacidade de um portador de Alzheimer”, afirma a professora.
Dourado faz uma ressalva importante: o cuidador normalmente está sobrecarregado, o que faz com que procure resolver tudo de uma forma rápida e prática. Entretanto, sem estímulos, a condição se deteriora mais rapidamente, por isso essa não é a alternativa ideal na fase inicial da enfermidade: “Sabemos que acaba sendo trabalhoso. Se a pessoa for lavar um prato, talvez não fique limpo, mas, para o portador de demência, lavar aquele prato é relevante, porque dá uma sensação de autonomia, melhora a autoestima. Da mesma forma, na hora de sair, seria bem mais estimulante apresentar pelo menos duas opções de roupas para que a escolha seja dele”, ensina.
A psicóloga lembra que os cuidadores, na maioria composta por esposas e filhas, podem participar de sessões de psicoeducação, para entender não apenas o que é a doença, mas também para aprender a lidar com seus próprios sentimentos: “Há uma tendência de culpabilizar o cuidador, como se ele nunca fizesse o bastante. Se a filha teve uma mãe agressiva ou negligente, haverá uma mescla de ressentimento, obrigação, raiva. É preciso considerar o contexto da relação”. A professora Dourado enfatiza que, no Alzheimer, os domínios que têm um componente emocional ou afetivo se deterioram num ritmo menos acelerado. Portanto, embora seja comum que o paciente não reconheça que enfrenta problemas de memória, distingue alterações nas relações sociais e na forma como é tratado – inclusive no estágio moderado da doença: “O fato de estar esquecido não impede que o portador de Alzheimer perceba uma expressão de irritação – ele não virou uma planta, mas os outros inclusive se referem à pessoa como se não estivesse no local. O diagnóstico acaba virando sinônimo de desqualificação”.
Num dos últimos estudos feitos pelos pesquisadores, que contou com a participação de colegas da Universidade Federal de Santa Catarina, foi identificada uma diferença significativa entre as perspectivas dos pacientes e cuidadores sobre o funcionamento socioemocional de pessoas com Alzheimer leve e moderado. O projeto envolveu uma avaliação transversal de 102 com sintomas leves e 59 casos considerados moderados e seus principais cuidadores.
De maneira geral, portadores de Alzheimer moderado são mais dependentes nas atividades diárias, o que faz com que os cuidadores avaliem seu desempenho de forma mais negativa em relação a outras habilidades. O estudo recebeu investimentos da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e os resultados foram publicados na revista científica Journal of Alzheimer Disease and Associatied Disorders.
Fonte: G1. Cuidadores tendem a subestimar a capacidade das pessoas com Alzheimer. Disponível em: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2025/02/09/cuidadores-tendem-a-subestimar-a-capacidade-daspessoas-com-alzheimer.ghtml. Acesso em: 09 fev. 2025.
O Texto II discute a relação entre cuidadores e pessoas com Alzheimer, destacando aspectos como a subestimação das capacidades dos pacientes, a sobrecarga emocional dos cuidadores e a importância da estimulação na preservação das funções cognitivas e socioemocionais. Com base no Texto II, marque a opção correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Interpretação de texto, com foco na identificação da ideia principal e análise crítica sobre informações explícitas e implícitas.

De acordo com a norma-padrão, interpretar bem um texto envolve compreender o que está dito (explícito) e também deduzir informações a partir do contexto (implícito), conforme ressaltam Bechara e Fiorin. Muitas questões em concursos cobram essa atenção no detalhamento da ideia central e na leitura cuidadosa dos enunciados.

Justificativa da alternativa correta:

Alternativa B – “O estudo do LabCONS demonstra que, apesar da perda de memória, os pacientes ainda são capazes de perceber mudanças na forma como são tratados socialmente.”
O texto afirma que os portadores de Alzheimer, mesmo com prejuízo da memória, conseguem perceber se estão sendo desqualificados ou tratados de forma diferente, inclusive no estágio moderado. Deve-se observar as expressões: “A pessoa pode ter problemas de memória, mas identifica se os outros a estão desqualificando...” e “O fato de estar esquecido não impede que o portador perceba uma expressão de irritação...”, confirmando o conteúdo da alternativa. Assim, a resposta se fundamenta na leitura atenta dos trechos chave e na habilidade de identificar informações principais e secundárias.

Análise das alternativas incorretas:

Alternativa A – Errada, pois o texto em momento algum afirma que os cuidadores desconhecem “completamente” a doença; há menção à sobrecarga e à tendência de subestimação, não à ignorância absoluta.

Alternativa C – Apesar de reconhecer a sobrecarga dos cuidadores, o texto não afirma que isso, junto à falta de paciência, “contribui para o agravamento da doença”. Ressalta-se, sim, que a falta de estímulos acelera a deterioração, mas não por “falta de paciência”, e há também compreensão ao cuidador.

Alternativa D – Errada, pois o texto aponta o contrário do consenso: “foi identificada uma diferença significativa entre as perspectivas dos pacientes e cuidadores”.

Dica para provas: Em interpretação, atente-se a generalizações (“completamente”, “sempre”, “nunca”), pois costumam tornar a alternativa falsa no contexto do texto. Leia com calma e confira as palavras-chave dos enunciados e do texto-base.

Gabarito correto: B

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Comentários

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Antes de ler o texto, leias as alternativas! Algumas questões com um pouco de bom senso já é possível ter uma boa ideia de qual é a alternativa correta.

Errei por desatenção, Li "Não são capazes de perceber mudanças"

GAB ERRADO

ATUALIZEM O GABARITO, O CORRETO É A B

A alternativa correta é a B.

Justificativa:

O texto afirma claramente que, apesar dos déficits de memória, pessoas com Alzheimer mantêm a capacidade de perceber mudanças na forma como são tratadas socialmente, reconhecendo desqualificação, irritação e perda de autonomia. Isso é um dos principais achados das pesquisas do LabCONS.

Por que as outras estão incorretas:

  • A ❌ O texto não diz que os cuidadores desconhecem completamente a doença; ao contrário, destaca que muitos estão sobrecarregados, o que influencia suas atitudes.
  • C ❌ O texto não adota um tom de culpabilização do cuidador; ele contextualiza a sobrecarga emocional e rejeita a ideia de crítica simplista.
  • D ❌ O estudo aponta justamente uma diferença significativa entre a percepção dos cuidadores e dos pacientes, e não um consenso.

PMGO 2026

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