Mulher de 69 anos com histórico de hipertensão, hiperlipidem...
Gabarito comentado
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Tema central: Neuroprognóstico após parada cardiorrespiratória sob controle de temperatura (TTM). A avaliação do prognóstico deve ser tardia e multimodal, evitando decisões durante hipotermia/sedação, que confundem o exame neurológico e os testes.
Alternativa correta: A – É precoce determinar o prognóstico neurológico neste caso. A paciente ainda está em reaquecimento (35,5 ºC) e em uso de fentanila/propofol, que reduzem reflexos e resposta motora. As diretrizes recomendam aguardar ≥72 h após o reaquecimento e a eliminação de sedativos para prognosticar, usando abordagem multimodal (exame, EEG, SSEP, biomarcadores, imagem). A TC com perda difusa da diferenciação cinza-branca pode sugerir lesão anóxica, mas precocemente tem baixa especificidade; o EEG mostrou apenas lentificação difusa (padrão inespecífico). Assim, ainda não é possível dizer se “vai acordar”.
Como pensar na prova (estratégia):
- Identifique confundidores: hipotermia, sedação, distúrbios metabólicos.
- Procure o marco temporal: ≥72 h após reaquecimento.
- Valorize apenas achados robustos e tardios: p.ex., ausência bilateral do N20 no SSEP, EEG suprimido/burst-suppression persistente sem sedação, pupilas/corneanos ausentes após 72 h.
Análise das incorretas
B – Afirmar que é “improvável boa recuperação” agora é indevido. Hipotermia e sedação explicam ausência de resposta motora e reflexos. A TC precoce e EEG com lentificação não predizem mau desfecho sozinhos neste momento.
C – Suspender cuidados com base na ausência de corneanos e resposta motora antes de 72 h pós-reaquecimento e sem exclusão de sedação é contra diretrizes. Achados clínicos só são confiáveis quando sem confundidores e no tempo adequado.
D – Angiografia cerebral não é exame padrão para confirmar morte encefálica; além disso, a paciente tem pupilas reativas e não preenche critérios clínicos. O diagnóstico de morte encefálica requer coma irreversível, ausência de reflexos de tronco e teste de apneia, sem sedação/hipotermia; exames auxiliares variam (EEG, TCD, SPECT), não angiografia de rotina.
E – Ressonância magnética (especialmente DWI) pode auxiliar, mas não deve ser solicitada agora para definir prognóstico. O tempo e a interpretação multimodal são mais importantes; contraste é desnecessário para lesão anóxica difusa.
Pontos-chave para levar:
- Prognosticar ≥72 h após reaquecimento e sem sedação.
- Usar múltiplos preditores; evitar decisões baseadas em um único teste precoce.
- Comunicação com a família: explicar o tempo necessário e os passos do prognóstico.
Referências essenciais: AHA 2020 Post–Cardiac Arrest Care Guidelines; Neurocritical Care Society 2023 – Guidelines for Neuroprognostication in Comatose Adult Survivors of Cardiac Arrest; UpToDate (Prognostication after cardiac arrest).
Gabarito: A
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