O rastreio e o tratamento de infecção urinária em pacientes ...
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Tema central: A questão aborda o rastreamento e tratamento da bacteriúria assintomática, situação definida pela presença de bactérias na urina em valores significativos (≥ 100.000 UFC/mL) na ausência de sintomas urinários. O tema é relevante porque nem todo paciente com urina positiva exige tratamento; essa decisão deve sempre respeitar diretrizes clínicas.
Justificativa da alternativa correta (C — Gestantes):
As gestantes representam o único grupo em que se recomenda obrigatoriamente o rastreamento e o tratamento da bacteriúria assintomática. Como orienta o Ministério da Saúde (“Atenção ao Pré-Natal de Baixo Risco”, seção 6.3.17): “toda gestante com evidência de bacteriúria deve ser tratada”. Esse cuidado reduz o risco de pielonefrite, parto prematuro e outras complicações, pois entre 20-30% das mulheres com bacteriúria não tratada podem evoluir para pielonefrite aguda, quadro associado a pior prognóstico materno e fetal.
Análise das alternativas incorretas:
- A) Transplantados renais: Não há indicação de rastreamento e tratamento sistemático da infecção urinária assintomática em pacientes transplantados renais após os primeiros 1-2 meses do transplante. O tratamento só é considerado em casos selecionados de imunossuprimidos — e mesmo assim, há debate em diretrizes mais recentes.
- B) Pré-operatório de cirurgias cardíacas: Não existe recomendação formal para rastreio/tratamento de bacteriúria assintomática nesse caso, pois a presença de bactérias na urina não aumenta risco de infecção de ferida/cateter/troca de válvula.
- D) Portadores de reconstrução do trato urinário: Assim como em outros grupos, também não se indica o tratamento rotineiro salvo em contextos muito específicos e excepcionais, devido ao risco de efeitos adversos e resistência bacteriana.
- E) Pré-operatório de artroplastia de quadril: Diretrizes atualizadas não endossam rastreio/tratamento de bacteriúria assintomática em cirurgias ortopédicas. Não há impacto comprovado na prevenção de infecções de prótese.
Dicas de prova: Atenção a palavras-chave como “assintomático”, “urina positiva” e “rastreamento de rotina”. Pegadinhas comuns envolvem cirurgias eletivas e pacientes imunossuprimidos, onde o tratamento pode parecer intuitivo, mas não é comprovadamente benéfico.
Resumindo: Apenas gestantes devem ser rastreadas e tratadas para bacteriúria assintomática de forma rotineira para evitar complicações severas materno-fetais, sustentado por protocolos nacionais (MS) e evidências internacionais (UpToDate, MSD Manuals, Harrison).
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