A comunicação ocupa um lugar central na prática dos cuidados...
Gabarito comentado
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Tema central: comunicação em cuidados paliativos. O objetivo é informar com clareza, manejar incertezas, acolher emoções e alinhar tratamentos aos valores do paciente, usando empatia e linguagem acessível. Diretrizes como SPIKES, VitalTalk, OMS e UpToDate enfatizam escuta ativa, exploração de crenças/medos e tomada de decisão compartilhada.
Gabarito: C
Por que a alternativa C é correta? A “conversa compassiva” implica ir além do literal, captando o que está subentendido em palavras e gestos para acessar medos, crenças e sofrimentos (o “sofrimento total” descrito por Cicely Saunders). Técnicas recomendadas: perguntas abertas, silêncio terapêutico, validação e nomeação das emoções (NURSE: Name, Understand, Respect, Support, Explore) e a estratégia ask–tell–ask. O SPIKES orienta a explorar percepção (P) e convite (I) antes de informar, exatamente para calibrar conteúdo e acolher emoções. Evidências: Baile et al., Oncologist 2000 (SPIKES); OMS Cuidados Paliativos; UpToDate e VitalTalk sobre comunicação de más notícias.
Análise das alternativas incorretas
A) “Forma culta e termos médicos” — pegadinha. É correto focar no que é relevante, mas diretrizes recomendam linguagem simples, evitando jargão e tecnicismos; usar metáforas claras e confirmar compreensão (teach-back). Excesso de tecnicismo reduz a compreensão e a autonomia (UpToDate; OMS).
B) Postura com braços cruzados, punhos cerrados, olhar para baixo e sem acenos — contradiz comunicação empática. Evidências em medicina comunicacional indicam postura aberta, contato visual adequado, cabeça levemente inclinada, acenos que sinalizam escuta e tom de voz calmo. A linguagem não verbal influencia fortemente a percepção de empatia (Back et al.; Neumann et al.).
D) Informar “todas as más notícias” já na primeira avaliação, independentemente da vontade do paciente — viola o SPIKES (I de Invitation) e o princípio de respeito às preferências informacionais. Deve-se calibrar o quanto o paciente deseja saber, oferecer “preparo” (warning shot), fracionar informações e verificar entendimento. Forçar conteúdo completo pode aumentar sofrimento e comprometer a aliança terapêutica (ASCO/OMS/UpToDate).
Estratégia para a prova: desconfie de termos absolutos como “sempre” ou “independentemente” e de propostas rigidamente técnicas sem foco no paciente. Busque palavras-chave como empatia, escuta ativa, valores e preferências, que costumam apontar a resposta correta.
Referências úteis: SPIKES (Baile WF, Oncologist 2000); OMS – Cuidados Paliativos; UpToDate – Communication of serious illness; VitalTalk; Harrison’s – Palliative Care.
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