Paciente de 86 anos, sexo feminino, dependente parcial para ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q2563211 Medicina
Paciente de 86 anos, sexo feminino, dependente parcial para atividades de vida diária instrumentais. É atendida em consulta de geriatria devido ao quadro de quedas frequentes. Apresenta os diagnósticos de hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, diabetes mellitus tipo 2, demência pela doença de Alzheimer e depressão maior. Está em uso de Metformina, Empagliflozina, Hidroclorotiazida, Losartana, Atorvastatina, Sertralina, Memantina e Donepezila. Ao exame físico, observou-se pressão arterial e frequência cardíaca em posição supina de 148x74mmHg e 74bpm, respectivamente. A pressão arterial e a frequência cardíaca após um minuto em posição ortostática foi 102x58mmHg e 87bpm, respectivamente. A conduta adequada para o paciente do caso clínico acima é desprescrever: 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: idosa com quedas recorrentes e hipotensão ortostática (HO). A HO é definida por queda da PAS ≥20 mmHg ou da PAD ≥10 mmHg em até 3 minutos após ortostatismo. Aqui houve queda de 148/74 para 102/58 mmHg (−46/−16), explicando as quedas. Primeira medida: revisão de fármacos que reduzem volume/pressão.

Alternativa correta: D – Hidroclorotiazida. Diurético tiazídico aumenta natriurese e depleção volêmica, piora HO e o risco de quedas, especialmente em combinação com SGLT2 (empagliflozina), que também promove diurese osmótica. Além disso, tiazidas em idosos associam-se a hiponatremia e hipocalemia, fatores adicionais de instabilidade postural. Diretrizes e consensos recomendam desprescrever ou reduzir diuréticos em HO: AHA/ACC Scientific Statement sobre HO, AGS Beers Criteria 2023 e UpToDate. As Diretrizes da SBC para HAS reforçam a avaliação em posição ortostática e ajuste da terapia anti-hipertensiva em idosos com quedas.

Raciocínio clínico: A paciente mantém PAS supina 148 mmHg (ainda hipertensa), mas apresenta queda acentuada ao ortostatismo. O alvo imediato é reduzir o componente devolume que precipita a HO. Entre os medicamentos em uso, a Hidroclorotiazida é a principal culpada e a intervenção com melhor relação risco-benefício é a sua desprescrição.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

A - Losartana: ARB com baixo risco de HO quando comparado a diuréticos. Benefícios em HAS e em DM (proteção renal). Com PAS supina elevada, retirar primeiro o ARB pode piorar o controle pressórico. Estratégia recomendada: manter ARB e retirar o diurético antes, reavaliando a PA em ortostatismo (SBC/UpToDate).

B - Sertralina: SSRIs podem causar HO e hiponatremia, mas não são os principais culpados nesta situação e a paciente tem depressão maior. Suspensão pode levar à recaída e piora funcional. Abordagem: monitorar sódio e quedas; considerar ajuste apenas se persistirem sintomas após retirar o diurético (Beers 2023).

C - Memantina: Pouco efeito hemodinâmico; não é típica causa de HO. Pode auxiliar cognição/função na demência de Alzheimer. Não há ganho em priorizar sua retirada para quedas por HO (Harrison’s; UpToDate).

Dicas para a prova: - Palavras-chave: idoso + quedas + queda acentuada da PA ao levantar = pensar em HO medicamentosa. - Procure fármacos que reduzem volume (diuréticos, SGLT2) e anti-hipertensivos vasodilatadores. - Priorize retirar o agente com maior impacto na HO e reavaliar em 1–2 semanas com PA em ortostatismo.

Conduta complementar sugerida: revisar empagliflozina (hidratação, avaliar necessidade/dose), checar Na/K/creatinina, orientar levantar-se lentamente, meias de compressão e dividir doses anti-hipertensivas noturnas se necessário (AHA/ACC; UpToDate).

Gabarito: D

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo