Analise as afirmativas abaixo sobre a imobilidade e a síndro...
I. Os critérios maiores para a síndrome da imobilização são déficit cognitivo médio a grave e múltiplas contraturas.
II. Idosos com imobilidade que desenvolvem feridas por pressão apresentam taxa anual de mortalidade de 70%.
III. A imobilidade produz intensa e rápida perda de massa óssea estimada em 0,9% da massa óssea/mês.
IV. A cada seis meses de inatividade, a força muscular declina 20% e 10% em membros inferiores e superiores, respectivamente.
V. A principal causa de óbito nos idosos acamados é a embolia pulmonar.
Estão corretas apenas as afirmativas
Gabarito comentado
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Tema central: imobilidade no idoso e “síndrome da imobilização”, conjunto de complicações decorrentes do desuso: sarcopenia, osteopenia/osteoporose por desuso, úlcera por pressão, tromboembolismo venoso, pneumonia/aspiração, constipação, hipotensão ortostática e delirium. O enunciado explora critérios diagnósticos e a magnitude dos danos (força muscular, massa óssea, mortalidade).
Gabarito: A (I e II corretas)
I. Déficit cognitivo moderado–grave e múltiplas contraturas são reconhecidos como critérios maiores de síndrome de imobilização nos tratados brasileiros (ex.: Freitas EV, Tratado de Geriatria e Gerontologia), por refletirem perda funcional avançada e complicações estruturais do desuso. A formulação admite que ambos integram o grupo de critérios maiores.
II. Úlceras por pressão em idosos imobilizados associam-se a alta mortalidade em 1 ano, frequentemente na ordem de 60–70%, sobretudo nos estágios avançados, por infecções, desnutrição e sepse. Isso é consistente com séries de hospitais e instituições de longa permanência (UpToDate: Prevention and treatment of pressure-induced injury; Harrison’s Principles of Internal Medicine, complicações do imobilismo).
Por que as demais estão incorretas?
III. A perda óssea por desuso é mais rápida do que “0,9%/mês” sugerido: nas primeiras semanas pode atingir ~0,5–1%/semana em ossos de carga, acelerando no início e depois desacelerando. A afirmação padroniza um valor mensal e tende a subestimar o ritmo inicial crítico (Tratado de Geriatria; revisões sobre “immobilization osteoporosis”).
IV. A queda de força não é linear nem tão “modesta”: em 1–2 semanas de repouso já se perde 10–15% em membros inferiores e 20–30% em 3–5 semanas, especialmente em musculatura antigravitacional. Fixar “20% MI e 10% MS a cada 6 meses” subestima a perda precoce e ignora a maior vulnerabilidade dos membros inferiores (UpToDate: Complications of bed rest in older patients).
V. A principal causa de morte de acamados não é embolia pulmonar. Embora TEV/EP seja risco relevante, predominam infecções (pneumonia, aspiração, ITU), sepse e complicações de desnutrição/úlceras por pressão como causas líderes (Harrison’s; diretrizes de prevenção de TEV consideram EP evento prevenível, mas não a principal causa de óbito).
Estratégia para a prova: atenção a “unidades e ritmos” (semana x mês) e a progressão não linear do descondicionamento. Desconfie de taxas muito “certinhas” e de afirmações que elegem EP como principal causa de óbito em acamados – infecções costumam liderar.
Referências úteis: Harrison’s Principles of Internal Medicine (cap. complicações do imobilismo); UpToDate (Complications of bed rest in older patients; Prevention and treatment of pressure-induced injury; Immobilization osteoporosis); Freitas EV et al., Tratado de Geriatria e Gerontologia.
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