Paciente de 32 anos, G1, com 10 semanas de gestação, compare...
Sorologia para Toxoplasmose IgG
Material: soro
Método: quimioluminescência
Resultado: 20,0 UI/mL
Valores de Referência:
< 6,5 UI/mL – negativo
6,6 a 9,9 UI/mL – indeterminado
>10 UI/mL – positivo
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Sorologia para Toxoplasmose IgM
Material: soro
Método: quimioluminescência
Resultado: 1,5 UI/mL
Valores de Referência:
< 0,8 UI/mL – negativo
0,8 a 0,9 UI/mL – indeterminado
> 1,0 UI/mL – positivo
Considerando o resultado acima, qual é a conduta indicada?
Gabarito comentado
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Tema central: interpretação da sorologia para toxoplasmose na gestante e decisão inicial. Em gravidez precoce, IgG+ indica contato prévio e IgM+ pode significar infecção recente ou IgM persistente/inespecífica. Para datar a infecção, o exame-chave é a avidez da IgG.
Alternativa correta: C - Solicitar teste de avidez para IgG. A avidez da IgG distingue infecção recente (baixa avidez, infecção nos últimos 12–16 semanas) de infecção antiga (alta avidez, geralmente exclui infecção no período gestacional atual). Em 10 semanas, avidez alta praticamente descarta infecção durante a gestação; avidez baixa/indeterminada sugere infecção recente e muda a conduta (tratamento e investigação fetal). Diretrizes do Ministério da Saúde (PCDT Toxoplasmose Gestacional), UpToDate e CDC reforçam essa abordagem.
Como conduzir após a avidez: Se avidez alta: infecção prévia, sem tratamento específico, seguir pré-natal. Se avidez baixa/indeterminada: iniciar espiramicina para reduzir transmissão transplacentária e programar amniocentese ≥18 semanas (e ≥4 semanas após início da infecção) para PCR de T. gondii. Se PCR fetal positiva, trocar para pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico a partir de 14 semanas (conforme MS/UpToDate).
Análise das incorretas:
A - Amniocentese agora: Não é indicada em 10 semanas. É realizada a partir de 18 semanas e quando há suspeita confirmada de infecção materna recente ou achados ultrassonográficos sugestivos. Antecipar traz risco sem benefício e não responde à dúvida principal (se a infecção é recente).
B - Iniciar espiramicina imediatamente: A espiramicina é recomendada quando a infecção provavelmente ocorreu na gestação (soroconversão ou avidez baixa). Aqui ainda não datamos a infecção; por isso, a conduta imediata é pedir a avidez da IgG. Observação de prática: alguns serviços iniciam espiramicina enquanto aguardam a avidez se a suspeita clínica for alta, mas em provas o primeiro passo é confirmar a agudez com a avidez.
D - Avidez para IgM: Não existe. Avidade é propriedade da IgG. Além disso, o IgM pode persistir por meses (até 12–18) e pode ser falso-positivo; por isso não “data” a infecção sozinho.
Dicas de prova (pegadinhas): 1) IgM isoladamente não define infecção recente. 2) Em gestante IgG+/IgM+: peça avidez da IgG e, se possível, confirme em laboratório de referência. 3) Avidez alta no 1º trimestre praticamente exclui infecção na gestação atual.
Referências: Ministério da Saúde – PCDT Toxoplasmose Gestacional; UpToDate (Toxoplasmosis in pregnancy); CDC – Toxoplasmosis Clinical Overview.
Gabarito: C
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