Em relação à Doença Trofoblástica Gestacional, informe verda...
( ) A mola completa tem carga genética diploide e progride para neoplasia em torno de 20% das vezes.
( ) O esvaziamento molar por histerotomia tem indicações restritas como feto grande, hemorragia volumosa e colo desfavorável à indução.
( ) A mola parcial tem carga genética triploide e as complicações clinicas são muito comuns e com maior progressão para as formas malignas.
( ) As pacientes com mola completa podem apresentar cistos tecaluteínicos com mais de 6 cm de maior diâmetro. Esses cistos regridem cerca de 2 a 4 meses após o esvaziamento molar.
Gabarito comentado
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Tema central: Doença Trofoblástica Gestacional (DTG), especialmente mola hidatiforme (completa e parcial), suas características genéticas, complicações e manejo.
Sequência correta: D — (V); (V); (F); (V)
Análise das assertivas
1) Verdadeiro. A mola completa é tipicamente diploide androgenética (geralmente 46,XX, todo o material genético de origem paterna) e evolui para neoplasia trofoblástica gestacional (NTG) em cerca de 15–20%. Isso inclui persistência de hCG ou doença invasiva/coriocarcinoma. Referências: FIGO/UpToDate.
2) Verdadeiro. O método de escolha para esvaziamento molar é a aspiração a vácuo com curetagem. Histerotomia (abertura uterina) tem indicações muito restritas por maior risco de complicações e embolização trofoblástica, sendo considerada em situações excepcionais: hemorragia maciça, colo desfavorável com falha/contraindicação à indução e gestação avançada com feto grande em mola parcial. Não confundir com histerectomia (retirada do útero), opção para mulheres sem desejo reprodutivo, que reduz risco de NTG. Diretrizes: FIGO; ACOG; Ministério da Saúde/FEBRASGO.
3) Falso. A mola parcial é, de fato, triploide (69,XXY/XXX), porém as complicações são menos comuns e o risco de progressão para NTG é baixo (≈1–5%), menor que na mola completa. Logo, não “progride mais” para formas malignas. Referências: FIGO/UpToDate.
4) Verdadeiro. Cistos tecaluteínicos (>6 cm) podem ocorrer na mola completa devido a hCG muito elevado. Tendem a regredir espontaneamente em 2–4 meses após o esvaziamento, se não houver NTG persistente. Diretrizes: FIGO/ACOG.
Como resolver na prova (estratégia):
- Genética: complete diploide; parcial triploide.
- Risco de NTG: maior na completa (≈15–20%) que na parcial (≈1–5%).
- Manejo: padrão é aspiração a vácuo; histerotomia só em exceções; não confundir com histerectomia.
- Cistos tecaluteínicos: grandes, mas regridem em meses após evacuação.
Conduta essencial (resumo): aspiração a vácuo; dosar hCG seriado até negativar (semanal e depois mensal), contracepção no seguimento; quimioterapia se plateau/elevação de hCG ou metástases (FIGO/OMS).
Por que as alternativas A, B e C estão incorretas?
- A (V; F; F; V): erra a 2ª, que é verdadeira em exceções; e a 3ª é falsa pelos motivos acima.
- B (F; F; V; V): erra a 1ª (é verdadeira) e a 2ª (é verdadeira em indicações restritas); a 3ª não é verdadeira.
- C (V; V; V; F): erra a 3ª (não é verdadeira) e a 4ª (é verdadeira, não falsa).
Referências rápidas: FIGO guidelines on GTD (2018–2021); ACOG Practice Bulletin – Gestational Trophoblastic Disease; UpToDate – Hydatidiform mole: epidemiology, clinical features, diagnosis, and management.
Gabarito: D
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