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Q4156983 Medicina
Mulher de 51 anos é atendida em consulta de retorno por doença renal crônica estável e hipertensão arterial. O histórico é relevante para tabagismo de 10 anos-maço; ingestão de até 7 taças de 375 mL de vinho tinto por semana; refere ser uma maratonista ávida. Ela toma ramipril (5 mg/ dia). Exame físico: pressão arterial (média de 3 medidas): 122 × 75 mmHg; IMC: 22,3 kg/m2 . Exames séricos de 3 meses atrás: colesterol total: 208,8 mg/dL; colesterol não-HDL: 131,5 mg/dL; HDL-colesterol: 69,6 mg/dL; triglicerídeos: 168,3 mg/dL; relação albumina/creatinina urinária: 131 mg/g (normal: < 30).
Nessa paciente, a intervenção com maior potencial de reduzir seu risco cardiovascular é
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Em DRC não dialítica, a presença de albuminúria e idade acima de 50 anos indica risco cardiovascular aumentado; como a pressão arterial já está controlada com ramipril e não há diabetes, insuficiência cardíaca ou evento cardiovascular prévio no enunciado, a medida adicional com benefício cardiovascular mais bem estabelecido é iniciar estatina.

Tema central: Estatina na DRC
Análise das alternativas
A
Errada
Dapagliflozina pode trazer benefício renal e cardiovascular em contextos específicos de DRC, mas o enunciado não informa diabetes, insuficiência cardíaca nem TFG para sustentar sua indicação como principal resposta. No caso descrito, a medida classicamente mais diretamente sustentada para reduzir risco cardiovascular aterosclerótico é a estatina.
B
Errada
Modificação dietética é útil, mas não é a intervenção com maior potencial de reduzir eventos cardiovasculares maiores neste contexto. O efeito isolado da dieta sobre desfechos ateroscleróticos é menos robusto do que o da estatina em paciente com DRC e risco cardiovascular aumentado.
C
Certa
A estatina é a alternativa correta porque a paciente tem DRC estável, albuminúria e idade de 51 anos, conjunto que amplia o risco cardiovascular. Nesse contexto, estatinas reduzem eventos cardiovasculares ateroscleróticos em pacientes com DRC não dialítica e risco aumentado. HDL alto, prática intensa de exercício e IMC normal não anulam esse risco.
D
Errada
Aumentar o ramipril não é a melhor resposta porque a pressão arterial já está controlada em 122/75 mmHg. O bloqueio do SRAA tem papel no controle pressórico e na redução de albuminúria, mas, neste cenário, intensificá-lo não supera a estatina para redução de risco cardiovascular global.
E
Errada
AAS em baixa dose está incorreto porque o caso é de prevenção primária: o enunciado não traz doença aterotrombótica prévia. Nessa situação, o benefício cardiovascular do AAS é limitado e deve ser ponderado contra risco hemorrágico, não sendo a estratégia de maior benefício líquido.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de priorizar a albuminúria residual e marcar aumento do IECA apesar da PA já controlada, ou de marcar dapagliflozina pelo benefício cardiorrenal dos iSGLT2, mesmo sem dados suficientes para superar a estatina como medida clássica de maior impacto em risco cardiovascular aterosclerótico.
Dica para questões semelhantes
  • Em DRC não dialítica, pense primeiro no risco cardiovascular global: idade acima de 50 anos e albuminúria reforçam a indicação de estatina.
  • Se a PA já está em meta com IECA ou BRA, não assuma que aumentar a dose será a melhor resposta para reduzir risco cardiovascular global.
  • Não confunda benefício cardiorrenal de iSGLT2 com superioridade automática sobre estatina quando a questão pede a intervenção mais clássica para reduzir eventos ateroscleróticos.
  • Em prevenção primária, AAS só entra com muita seletividade; sem evento cardiovascular prévio, ele não costuma ser a opção de maior benefício líquido.

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