[... ] Estou, estou na moda. É doce andar na moda, ainda q...
[... ]
Estou, estou na moda.
É doce andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solidário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
[...]
ANDRADE, Carlos Drummond de. Eu, Etiqueta. In: Corpo. São Paulo: Record, 1984 (adaptado).
O fragmento do poema de Carlos Drummond de Andrade acima retrata um tema analisado na obra “Vida para Consumo: a transformação das pessoas em mercadoria”, de Zygmund Bauman, o qual é definido como:
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Gabarito Comentado – Interpretação de Texto e Análise Crítica
Tema central: Esta questão avalia interpretação de texto, buscando o entendimento da mensagem principal e das críticas expressas no poema "Eu, Etiqueta", de Carlos Drummond de Andrade, relacionadas à discussão de Zygmunt Bauman sobre a sociedade de consumo. Em provas, interpretar consiste em identificar tanto o sentido explícito quanto o implícito do texto, utilizando palavras-chave, relações de causa e oposição, e o contexto apresentado.
Análise da alternativa correta (E):
A alternativa E está correta ao afirmar que, na sociedade de consumidores, as relações humanas são reconstruídas à imagem do relacionamento entre consumidores e objetos de consumo, e o indivíduo se engaja constantemente em consumir. É o que o poema expressa ao dizer: “Agora sou anúncio / Ora vulgar ora bizarro” – o eu-lírico sente-se reduzido a produto perante o olhar social.
Segundo Bauman, na obra Vida para Consumo, o consumo deixa de ser instrumento para tornar-se fim: as pessoas passam a buscar reconhecimento pela imagem e pelas marcas, o que leva à perda da identidade própria, transformando o sujeito em mercadoria. O verso do poema: “Com que inocência demito-me de ser / Eu que antes era e me sabia…” exemplifica essa perda da individualidade.
Análise das alternativas incorretas:
- A: Erra ao focar somente no sistema capitalista e na relação com o trabalho, não refletindo a centralidade do consumo sobre a identidade.
- B: Traz uma divisão artificial entre consumidores e objetos, sem destacar a própria integração do ser humano como mercadoria, crucial no pensamento de Bauman e no texto de Drummond.
- C: Confunde com sociedade burguesa, e prioriza a subjetividade antes do consumo, não alinhada à crítica do poema nem à noção de “vida para consumo”.
- D: Reduz o papel do consumo a secundário e confunde a lógica predominante da sociedade, além de nomear equivocadamente o tipo de sociedade analisado.
Dica para provas: Ao interpretar textos, atenção a termos como "identidade", "mercadoria", "padrão" e "atividade incessante", que indicam o foco crítico do autor. Palavras e expressões ligadas à perda de individualidade ajudam a identificar a alternativa correta.
Conclusão: A alternativa E expressa, pela perspectiva textual e sociológica, a transformação do sujeito em objeto de consumo, conforme analisado por Drummond e Bauman.
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Comentários
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Letra B: Sociedade de consumidores, onde a reconstrução das relações humanas faz-se a partir do padrão e à semelhança das relações entre consumidores e objetos de consumo; cujo consumidor é engajado na incessante atividade de consumo.
Gabarito E:
Florzinha ai se equivocou. Vida para o consumo é a relação humana baseada entre consumir e ser objeto de consumo, ou seja, não importa o que você é, mas o que você tem, com isso a sociedade é induzida culturalmente a viver para o consumo e ao mesmo tempo ser esse objeto do consumo. O filosofo Grego Sócrates já havia falado isso.
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