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Q1008395 Medicina

Homem de 42 anos admitido na enfermaria com quadro de dor abdominal há 1 mês. Exame físico com distensão abdominal com macicez móvel e hepatoesplenomegalia. O paciente apresentava antecedente de TVP em perna direita há 1 ano e de IAM há 3 anos sem causa bem estabelecida. Estava em uso regular de carvedilol e losartana. Notou que na última semana a sua urina escureceu. Trazia exame de urina I de outro serviço com presença de hemoglobina, sem leucócitos, proteína ou glicose. Exames laboratoriais com Hb: 9,0 mg/dL, transaminases elevadas (3× VR), BT de 4,6 mg/dL com predomínio da BI, haptoglobina reduzida e DHL elevada. Realizou ultrassonografia abdominal que evidenciou obstrução das veias hepáticas direita e média até a cava inferior. Realizou mielograma com medula hipocelular, com 5% de plasmócitos.


A melhor hipótese diagnóstica é:

Alternativas

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Tema central da questão: O caso aborda um quadro de hemólise intravascular crônica associada a tromboses venosas em locais inusitados (veias hepáticas), sintomas de insuficiência medular e sinais laboratoriais característicos. Essa tríade aponta para Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN), uma doença rara, mas de grande relevância em concursos devido à sua apresentação clássica.

Justificativa da alternativa correta (D):

A HPN resulta de uma mutação no gene PIG-A das células-tronco hematopoiéticas, levando à ausência de proteínas ancoradas ao GPI, como CD55 e CD59. Sem elas, eritrócitos ficam vulneráveis à lise mediada pelo complemento, causando hemólise intravascular (anemia, urina escura, haptoglobina baixa, DHL alta e predomínio de bilirrubina indireta). Também é típica a trombose venosa em locais inusitados (ex: síndrome de Budd-Chiari), como apresentado no enunciado. O mielograma hipocelular reforça a possível associação com aplasia medular. Segundo o PCDT/MS, “O diagnóstico de HPN é confirmado pela demonstração de células hematopoéticas deficientes em GPI por citometria de fluxo.”

Análise das alternativas incorretas:

A) Mutação do JAK-2: Relacionada às síndromes mieloproliferativas (policitemia vera, trombocitemia essencial), geralmente cursa com medula hipercelular, esplenomegalia e não com hemólise intravascular e hemoglobinúria.
B) Fator V de Leiden: Causa trombose venosa profunda, mas não explica hemólise, medula hipocelular ou hemoglobinúria.
C) Síndrome do anticorpo antifosfolípide: Cursa com tromboses venosas e arteriais recorrentes, mas não está associada a hemólise intravascular marcante ou urina escurecida sem proteinúria/leucócitos.
E) Síndrome de POEMS: Caracterizada por polineuropatia, organomegalia, endocrinopatia, M-proteína e alterações cutâneas, além de aumento de plasmócitos; não condiz com hemólise persistente e tromboses atípicas.

Estratégias de prova: Atenção aos detalhes da história (hemólise, trombose em veia hepática, urina escura), que direcionam para HPN, evitando pegadinhas de doenças trombofílicas mais prevalentes.

Referências:
- Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde – HPN
- Harrison’s Principles of Internal Medicine (20ª edição), capítulo sobre HPN
- UpToDate, seção HPN – diagnóstico e complicações

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Comentários

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De acordo com os sintomas apresentados, o paciente pode ter Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN), que é uma doença rara caracterizada pela destruição dos glóbulos vermelhos do sangue e pela formação de coágulos sanguíneos. Os sintomas incluem anemia, dor abdominal, urina escura e trombose venosa. Além disso, o paciente tem um histórico de TVP e IAM, que estão associados à HPN. O exame de urina com presença de hemoglobina também sugere essa condição. Portanto, a resposta correta é a alternativa D - Hemoglobinúria Paroxística Noturna. É importante lembrar que o diagnóstico preciso deve ser feito por um médico especialista após avaliação clínica e exames complementares.

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