Homem de 60 anos, portador de cirrose por Hepatite C, CHILD ...
Homem de 60 anos, portador de cirrose por Hepatite C, CHILD C, admitido na enfermaria com quadro de febre, dor abdominal difusa e vômitos há 48 horas. Ao exame físico encontrava-se em REG, hipocorado +/IV+, desidratado +/IV+, febril. Exame abdominal aumentado às custas de líquido ascítico, sem sinais de irritação peritoneal. Paracentese diagnóstica evidenciou leucócitos 7.820/mm3, 75% de polimorfonucleares, 10% de linfócitos, 3% de basófilos, DHL 170 μm/ml, proteína total 2,3 g/dL, glicose 120 mg/dL, ADA é 15 U/L, cultura negativa.
O diagnóstico e o tratamento, são, respectivamente:
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Tema central da questão: O caso explora o diagnóstico diferencial das infecções do líquido ascítico em cirróticos, tema frequente em concursos para Médico Clínico. É fundamental reconhecer os padrões laboratoriais para diferenciar peritonite bacteriana espontânea (PBE), ascite neutrofílica, bacterascite e peritonite bacteriana secundária, além de saber as condutas recomendadas.
Análise e justificativa da alternativa correta (A):
O paciente apresenta contagem elevada de polimorfonucleares no líquido ascítico (>250 cél/mm³) e cultura negativa. Segundo o protocolo do Hepcentro: Ascite Neutrofílica = PMN ≥ 250 cél/mm³ e cultura negativa. O tratamento de escolha é cefotaxima (cefalosporina de 3ª geração), devido à alta eficácia, inclusive documentada nas principais diretrizes, como PCDT e UpToDate.
As manifestações clínicas (febre, dor abdominal, vômitos) reforçam o diagnóstico, mesmo sem sinais clássicos de irritação peritoneal (que podem estar ausentes nos cirróticos).
Análise das alternativas incorretas:
- B) Bacterascite exige PMN < 250 cél/mm³ e cultura positiva. Este não é o quadro apresentado.
- C) Peritonite bacteriana secundária: quadro laboratorial sugere origem espontânea, e não há indicação de ruptura ou foco cirúrgico.
- D) PBE – ampicilina/gentamicina: embora o quadro lembre PBE, o antibiótico de escolha preconizado é cefalosporina de 3ª geração, não ampicilina/gentamicina (esquema de maior toxicidade e menos efetivo).
- E) Secundária – ceftriaxona e metronidazol: ausência dos critérios laboratoriais (glicose baixa, LDH elevada, polimicrobiana), não indica peritonite secundária.
Estratégia para provas: Fique atento à contagem de PMN no líquido ascítico e ao resultado da cultura. São os critérios chave para diferenciar as variantes. Busque no enunciado detalhes de LDH, glicose e cultura para afastar peritonite secundária.
Referências: "Variantes da infecção no líquido ascítico: Ascite neutrofílica: PMN ≥ 250 células/mm³ e cultura negativa" (Protocolo Hepcentro). UpToDate recomenda cefotaxima como terapia de primeira linha.
Conclusão: O diagnóstico é ascite neutrofílica e o tratamento é cefotaxima. Saber diferenciar essas infecções é essencial para a atuação e para provas.
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