Paciente do sexo feminino, de 58 anos, não tabagista e não ...

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Q4156271 Medicina
Paciente do sexo feminino, de 58 anos, não tabagista e não etilista, apresenta lesão leucoplásica em soalho bucal com 1,8 cm de diâmetro, com áreas eritematosas e endurecimento à palpação. A paciente relata crescimento progressivo da lesão nos últimos seis meses e dor leve relacionada a alimentação. A biópsia incisional revela carcinoma espinocelular bem diferenciado com invasão superficial do tecido conjuntivo. A ressonância magnética mostra lesão restrita ao assoalho bucal sem invasão de estruturas adjacentes e sem evidência de comprometimento linfonodal. PET-CT não evidencia metástases à distância ou linfonodais. Após ressecção cirúrgica com margens de 1 cm, o exame anatomopatológico revela: carcinoma espinocelular bem diferenciado com 1,5 cm no maior diâmetro, profundidade de invasão de 6 mm, invasão perineural presente em pequenos filetes nervosos, invasão linfovascular presente, margens cirúrgicas livres, porém exíguas.
Qual a conduta mais adequada para essa paciente no pós-operatório?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No carcinoma espinocelular de cavidade oral ressecado, invasão perineural, invasão linfovascular e margens livres porém exíguas configuram fatores patológicos adversos de risco intermediário e indicam radioterapia adjuvante pós-operatória; como não há margem positiva nem extensão extranodal, não há indicação clássica de quimiorradioterapia concomitante.

Tema central: Adjuvância pós-operatória em cavidade oral
Análise das alternativas
A
Errada
Quimioterapia adjuvante exclusiva está errada porque não é tratamento padrão para controle locorregional no carcinoma espinocelular de cavidade oral ressecado sem metástases. O problema oncológico do caso é o risco de recorrência no sítio primário, definido por PNI, LVI e margem exígua; esse risco é abordado com radioterapia, não com quimioterapia isolada.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o anatomopatológico mostrou fatores de risco locorregional após ressecção oncológica adequada: invasão perineural, invasão linfovascular e margens livres porém exíguas. Esses achados sustentam radioterapia pós-operatória, mesmo em tumor pequeno, bem diferenciado e pN0, pois aumentam o risco de recorrência locorregional. Ao mesmo tempo, faltam os fatores de alto risco com benefício estabelecido para intensificação com quimioterapia concomitante, especialmente margem positiva e extensão extranodal.
C
Errada
Observação clínica isolada é inadequada porque subtrata um tumor já ressecado que apresenta combinação de fatores histológicos adversos relevantes. PNI, LVI e margens exíguas afastam seguimento exclusivo como melhor conduta, mesmo sem linfonodos acometidos e mesmo sendo um tumor pequeno e bem diferenciado.
D
Errada
Quimiorradioterapia adjuvante está errada porque a base reservou esse acréscimo de quimioterapia aos cenários clássicos de alto risco, especialmente margem positiva e/ou extensão extranodal. O caso não descreve nenhum desses achados. PNI, LVI e margem close sustentam radioterapia adjuvante, mas não obrigam quimiorradioterapia.
E
Errada
A alternativa erra ao tratar margem exígua como se fosse margem positiva e impor reoperação como regra. O enunciado informa margens livres, e o eixo decisivo da questão é a indicação de radioterapia adjuvante pelos fatores histológicos adversos. Reampliação pode ser considerada em contextos selecionados, mas não é a resposta mais sustentada aqui nem substitui a adjuvância indicada.
Pegadinha da questão
A banca tenta fazer o candidato ancorar no caráter aparentemente favorável do tumor pequeno, bem diferenciado e sem linfonodos, ou então exagerar os fatores adversos e indicar quimiorradioterapia. O ponto correto é distinguir risco intermediário de alto risco: PNI, LVI e margem exígua indicam radioterapia; margem positiva ou extensão extranodal é que sustentam quimiorradioterapia.
Dica para questões semelhantes
  • No pós-operatório de cavidade oral, primeiro separe fatores de risco intermediário dos fatores clássicos de alto risco.
  • PNI, LVI e margem livre porém close apontam para radioterapia adjuvante por risco locorregional aumentado.
  • Só some quimioterapia à radioterapia quando houver base clássica de alto risco, especialmente margem positiva e/ou extensão extranodal.
  • Não deixe tumor pequeno, bom grau histológico ou pN0 anularem o peso de fatores histopatológicos adversos.

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