Homem, com 42 anos, relata obstrução nasal unilateral à di...

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Q4156257 Medicina
 Homem, com 42 anos, relata obstrução nasal unilateral à direita, epistaxe recorrente e hipoacusia à direita com sete meses de evolução. Nas últimas semanas, notou diplopia e dor em região temporal direita. Ao exame físico, observa-se paralisia do VI par craniano à direita e linfonodomegalia cervical alta ipsilateral, com 3,0 cm no maior diâmetro, endurecida e fixa. A nasofibroscopia revela lesão vegetante em rinofaringe com extensão para fossa nasal direita. A ressonância magnética evidencia lesão expansiva em rinofaringe com extensão para base do crânio e invasão do seio cavernoso direito. A biópsia confirma carcinoma indiferenciado do tipo nasofaríngeo (UCNT).
Qual o estadiamento clínico (TNM – AJCC 8 edição) e a melhor abordagem terapêutica inicial para esse caso?
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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Pela AJCC 8ª edição para nasofaringe, a invasão do seio cavernoso e a paralisia do VI par craniano definem T4; o linfonodo cervical alto unilateral de 3 cm enquadra N1; sem metástase à distância descrita, o caso é T4N1M0, estádio IVA. Na doença locorregionalmente avançada, a base de decisão sustenta quimioterapia de indução seguida de quimiorradioterapia concomitante, e não cirurgia primária ou radioterapia exclusiva.

Tema central: Estadiamento e tratamento do carcinoma nasofaríngeo
Análise das alternativas
A
Errada
Erra o T e o N, além da conduta. Não é T3 porque há invasão do seio cavernoso e déficit de nervo craniano, critérios de T4 na AJCC 8. Não é N2 porque o enunciado descreve apenas linfonodo cervical unilateral de 3 cm, compatível com N1. Também está errada ao propor cirurgia após indução, porque no carcinoma de nasofaringe UCNT locorregionalmente avançado a abordagem inicial padrão é não cirúrgica.
B
Errada
O estadiamento está subestimado. T2 é incompatível com invasão da base do crânio, do seio cavernoso e paralisia do VI par craniano. Embora o N1 seja compatível com o linfonodo descrito, o agrupamento em estádio II cai por terra porque o T correto é T4. Além disso, radioterapia exclusiva é inadequada em doença T4N1 locorregionalmente avançada, cenário em que a base exige quimioterapia associada.
C
Errada
O N1 está correto, mas o T não. A presença de seio cavernoso invadido e paralisia do VI par craniano reclassifica o tumor para T4, não T3; por isso o estádio é IVA, e não III. A quimiorradioterapia concomitante isolada é insuficiente para reproduzir o gabarito oficial neste perfil T4N1, porque a base adotada para a questão indica quimioterapia de indução seguida de quimiorradioterapia concomitante nos casos locorregionalmente avançados desse grupo.
D
Certa
A invasão do seio cavernoso e a paralisia do VI par craniano definem T4; o linfonodo cervical alto unilateral de 3 cm define N1; sem metástase à distância descrita, M0. O agrupamento é estádio IVA. Em UCNT de nasofaringe locorregionalmente avançado, a melhor abordagem inicial é quimioterapia de indução seguida de quimiorradioterapia concomitante.
E
Errada
O TNM e o estádio estão corretos, mas a conduta está errada. Cirurgia primária não é a abordagem inicial padrão no carcinoma de nasofaringe UCNT, especialmente com extensão para base do crânio e seio cavernoso. Neste cenário, a estratégia curativa indicada é predominantemente não cirúrgica, com radioterapia e quimioterapia, e a base especifica indução seguida de quimiorradioterapia concomitante.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: parar no achado de base do crânio e marcar T3, ignorando que invasão do seio cavernoso e paralisia de nervo craniano obrigam T4; e transportar para a nasofaringe a lógica de cirurgia primária usada em outras subsedes de cabeça e pescoço.
Dica para questões semelhantes
  • No carcinoma de nasofaringe, se houver base do crânio mais extensão intracraniana ou acometimento de nervo craniano, prevalece T4, não T3.
  • Para N na AJCC 8 da nasofaringe, use lateralidade, tamanho e localização cervical; fixação isoladamente não muda o N descrito na base.
  • Em UCNT locorregionalmente avançado, pense primeiro em tratamento definitivo não cirúrgico; cirurgia primária costuma estar errada como abordagem inicial.
  • Depois de definir T e N, confira o agrupamento: T4N1M0 corresponde a estádio IVA na base apresentada.

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