Questões Militares Sobre português

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Q3735505 Português
Leia o texto e responda à questão que o segue.


A MÁQUINA EXTRAVIADA

José J. Veiga


   Você sempre pergunta pelas novidades daqui deste sertão, e finalmente posso Ihe contar uma importante. Fique o compadre sabendo que agora temos aqui uma máquina imponente, que está entusiasmando todo o mundo. Desde que ela chegou, não me lembro quando, não sou muito bom em lembrar datas, quase não temos falado em outra coisa; e da maneira que o povo aqui se apaixona até pelos assuntos mais infantis, é de admirar que ninguém tenha brigado ainda por causa dela, a não ser os políticos.

    A máquina chegou uma tarde, quando as famílias estavam jantando ou acabando de jantar, e foi descarregada na frente da Prefeitura. Com os gritos dos choferes e seus ajudantes (a máquina veio em dois ou três caminhões) muita gente cancelou a sobremesa ou o café e foi ver que algazarra era aquela. Como geralmente acontece nessas ocasiões, os homens estavam malhumorados e não quiseram dar explicações, esbarravam propositalmente nos curiosos, pisavam-lhes os pés e não pediam desculpa, jogavam pontas de cordas sujas de graxa por cima deles, quem não quisesse se sujar ou se machucar que saísse do caminho.

   Descarregadas as várias partes da máquina, foram elas cobertas com encerados e os homens entraram num botequim do largo para comer e beber. Muita gente se amontoöu na porta, mas ninguém teve coragem de se aproximar dos estranhos porque um deles, percebendo essa intenção nos curiosos, de vez em quando enchia a boca de cerveja e esguichava na direção da porta. Atribuimos essa esquiva ao cansaço e à fome deles e deixamos as tentativas de aproximação para o dia seguinte; mas quando os procuramos de manhă cedo na pensão, soubemos que eles tinham montado mais ou menos a máquina durante a noite e viajado de madrugada.

   A máquina ficou ao relento, sem que ninguém soubesse quem a encomendara nem para que servia. É claro que cada qual dava o seu palpite, e cada palpite era tão bom quanto outro.

  As crianças, que não são de respeitar mistério, como você sabe, trataram de aproveitar a novidade. Sem pedir licença a ninguém (e a quem iam pedir?), retiraram a lona e foram subindo em bando pela máquina acima, até hoje ainda sobem, brincam de esconder entre os cilindros e colunas, embaraçam-se nos dentes das engrenagens e fazem um berreiro dos diabos até que apareça alguém para soltá-las; não adiantam ralhos, castigos, pancadas; as crianças simplesmente se apaixonaram pela tal máquina.

    Contrariando a opinião de certas pessoas que não quiseram se entusiasmar, e garantiram que em poucos dias a novidade passaria e a ferrugem tomaria conta do metal, o interesse do povo ainda não diminuiu. Ninguém passa pelo largo sem ainda parar diante da máquina, e de cada vez há um detalhe novo a notar. Até as velhinhas de igreja, que passam de madrugada e de noitinha, tossindo e rezando, viram o rosto para o lado da máquina e fazem uma curvatura discreta, só faltam se benzer. Homens abrutalhados, como aquele Clodoaldo seu conhecido, que se exibe derrubando boi pelos chifres no pátio do mercado, tratam a máquina com respeito; se um ou outro agarra uma alavanca e sacode com força, ou larga um pontapé numa das colunas, vê-se logo que são bravatas feitas por honra da firma, para manter fama de corajoso.

   Ninguém sabe mesmo quem encomendou a máquina. O prefeito jura que não foi ele, e diz que consultou o arquivo e nele não encontrou nenhum documento autorizando a transação. Mas mesmo assim não quis lavar as mãos, e de certa forma encampou a compra quando designou um funcionário para zelar pela máquina.

   Devemos reconhecer - aliás todos reconhecem - que esse funcionário tem dado boa conta do recado. A qualquer hora do dia, e às vezes também da noite, podemos vê-lo trepado lá por cima espanando cada vão, cada engrenagem, desaparecendo aqui para reaparecer ali, assoviando ou cantando, ativo e incansável. Duas vezes por semana ele aplica caol nas partes de metal dourado, esfrega, esfrega, sua, descansa, esfrega de novo - e a máquina fica faiscando como joia.

    Estamos tão habituados com a presença da máquina ali no largo, que se um dia ela desabasse, ou se alguém de outra cidade viesse buscá-la, provando com documentos que tinha direito, eu nem sei o que aconteceria, nem quero pensar. Ela é o nosso orgulho, e não pense que exagero. Ainda não sabemos para que ela serve, mas isso já não tem maior importância. Fique sabendo que temos recebido delegações de outras cidades, do Estado e de fora, que vêm aqui para ver se conseguem comprá-la. Chegam como quem não quer nada, visitam o prefeito, elogiam a cidade, rodeiam, negaceiam, abrem o jogo: por quanto cederíamos a máquina. Felizmente o prefeito é de confiança e é esperto, não cai na conversa macia.

   Em todas as datas cívicas a máquina é agora uma parte importante das festividades. Você se lembra que antigamente os feriados eram comemorados no coreto ou no campo de futebol, mas hoje tudo se passa ao pé da máquina. Em tempo de eleição todos os candidatos querem fazer seus comícios à sombra dela, e como isso não é possível, alguém tem de sobrar, nem todos se conformam e sempre surgem conflitos. Mas felizmente a máquina ainda não foi danificada nesses esparramos, e espero que não seja.

   A única pessoa que ainda não rendeu homenagem à máquina é o vigário, mas você sabe como ele é ranzinza, e hoje mais ainda, com a idade. Em todo caso, ainda não tentou nada contra ela, e ai dele. Enquanto ficar nas censuras veladas, vamos tolerando; é um direito que ele tem. Sei que ele andou falando em castigo, mas ninguém se impressionou.

   Até agora o único acidente de certa gravidade que tivemos foi quando um caixeiro da loja do velho Adudes (aquele velhinho espigado que passa brilhantina no bigode, se lembra?) prendeu a perna numa engrenagem da máquina, isso por culpa dele mesmo. O rapaz andou bebendo em uma serenata, e em vez de ir para casa achou de dormir em cima da máquina. Não se sabe como, ele subiu à plataforma mais alta, de madrugada rolou de lá, caiu em cima de uma engrenagem e com o peso acionou as rodas. Os gritos acordaram a cidade, correu gente para verificar a causa, foi preciso arranjar uns barrotes e labancas para desandar as rodas que estavam mordendo a perna do rapaz. Também dessa vez a máquina nada sofreu, felizmente. Sem a perna e sem o emprego, o imprudente rapaz ajuda na conservação da máquina, cuidando das partes mais baixas.

    Já existe aqui um movimento para declarar a máquina monumento municipal - por enquanto. O vigário, como sempre, está contra; quer saber a que seria dedicado o monumento. Você já viu que homem mais azedo?

    Dizem que a máquina já tem feito até milagre, mas isso - aqui para nós - eu acho que é exagero de gente supersticiosa, e prefiro não ficar falando no assunto. Eu - e creio que também a grande maioria dos munícipes - não espero dela nada em particular; para mim basta que ela fique onde está, nos alegrando, nos inspirando, nos consolando.

   O meu receio é que, quando menos esperarmos, desembarque aqui um moço de fora, desses despachados, que entendem de tudo, olhe a máquina por fora, por dentro, pense um pouco e comece a explicar a finalidade da máquina, e para mostrar que é habilidoso (eles são sempre muito habilidosos) peça na garagem um jogo de ferramentas, e sem ligar a nossos protestos se meta por baixo da máquina e desande a apertar, martelar, engatar, e a máquina comece a trabalhar. Se isso acontecer, estará quebrado o encanto e não existirá mais máquina. 


(VEIGA, José J. A Máquina Extraviada. 10ª ed. Rio: Bertrand Brasil, 1997. Texto adaptado.)
Analise o trecho a seguir:

"Contrariando a opinião de certas pessoas que não quiseram se entusiasmar, e garantiram que em poucos dias a novidade passaria e a ferrugem tomaria conta do metal, o interesse do povo ainda não diminuiu." (6°§)

Assinale a opção em que a reescritura apresenta semelhança semântica com o trecho original e mantém correção gramatical segundo as normas vigentes.
Alternativas
Q3735504 Português
Leia o texto e responda à questão que o segue.


A MÁQUINA EXTRAVIADA

José J. Veiga


   Você sempre pergunta pelas novidades daqui deste sertão, e finalmente posso Ihe contar uma importante. Fique o compadre sabendo que agora temos aqui uma máquina imponente, que está entusiasmando todo o mundo. Desde que ela chegou, não me lembro quando, não sou muito bom em lembrar datas, quase não temos falado em outra coisa; e da maneira que o povo aqui se apaixona até pelos assuntos mais infantis, é de admirar que ninguém tenha brigado ainda por causa dela, a não ser os políticos.

    A máquina chegou uma tarde, quando as famílias estavam jantando ou acabando de jantar, e foi descarregada na frente da Prefeitura. Com os gritos dos choferes e seus ajudantes (a máquina veio em dois ou três caminhões) muita gente cancelou a sobremesa ou o café e foi ver que algazarra era aquela. Como geralmente acontece nessas ocasiões, os homens estavam malhumorados e não quiseram dar explicações, esbarravam propositalmente nos curiosos, pisavam-lhes os pés e não pediam desculpa, jogavam pontas de cordas sujas de graxa por cima deles, quem não quisesse se sujar ou se machucar que saísse do caminho.

   Descarregadas as várias partes da máquina, foram elas cobertas com encerados e os homens entraram num botequim do largo para comer e beber. Muita gente se amontoöu na porta, mas ninguém teve coragem de se aproximar dos estranhos porque um deles, percebendo essa intenção nos curiosos, de vez em quando enchia a boca de cerveja e esguichava na direção da porta. Atribuimos essa esquiva ao cansaço e à fome deles e deixamos as tentativas de aproximação para o dia seguinte; mas quando os procuramos de manhă cedo na pensão, soubemos que eles tinham montado mais ou menos a máquina durante a noite e viajado de madrugada.

   A máquina ficou ao relento, sem que ninguém soubesse quem a encomendara nem para que servia. É claro que cada qual dava o seu palpite, e cada palpite era tão bom quanto outro.

  As crianças, que não são de respeitar mistério, como você sabe, trataram de aproveitar a novidade. Sem pedir licença a ninguém (e a quem iam pedir?), retiraram a lona e foram subindo em bando pela máquina acima, até hoje ainda sobem, brincam de esconder entre os cilindros e colunas, embaraçam-se nos dentes das engrenagens e fazem um berreiro dos diabos até que apareça alguém para soltá-las; não adiantam ralhos, castigos, pancadas; as crianças simplesmente se apaixonaram pela tal máquina.

    Contrariando a opinião de certas pessoas que não quiseram se entusiasmar, e garantiram que em poucos dias a novidade passaria e a ferrugem tomaria conta do metal, o interesse do povo ainda não diminuiu. Ninguém passa pelo largo sem ainda parar diante da máquina, e de cada vez há um detalhe novo a notar. Até as velhinhas de igreja, que passam de madrugada e de noitinha, tossindo e rezando, viram o rosto para o lado da máquina e fazem uma curvatura discreta, só faltam se benzer. Homens abrutalhados, como aquele Clodoaldo seu conhecido, que se exibe derrubando boi pelos chifres no pátio do mercado, tratam a máquina com respeito; se um ou outro agarra uma alavanca e sacode com força, ou larga um pontapé numa das colunas, vê-se logo que são bravatas feitas por honra da firma, para manter fama de corajoso.

   Ninguém sabe mesmo quem encomendou a máquina. O prefeito jura que não foi ele, e diz que consultou o arquivo e nele não encontrou nenhum documento autorizando a transação. Mas mesmo assim não quis lavar as mãos, e de certa forma encampou a compra quando designou um funcionário para zelar pela máquina.

   Devemos reconhecer - aliás todos reconhecem - que esse funcionário tem dado boa conta do recado. A qualquer hora do dia, e às vezes também da noite, podemos vê-lo trepado lá por cima espanando cada vão, cada engrenagem, desaparecendo aqui para reaparecer ali, assoviando ou cantando, ativo e incansável. Duas vezes por semana ele aplica caol nas partes de metal dourado, esfrega, esfrega, sua, descansa, esfrega de novo - e a máquina fica faiscando como joia.

    Estamos tão habituados com a presença da máquina ali no largo, que se um dia ela desabasse, ou se alguém de outra cidade viesse buscá-la, provando com documentos que tinha direito, eu nem sei o que aconteceria, nem quero pensar. Ela é o nosso orgulho, e não pense que exagero. Ainda não sabemos para que ela serve, mas isso já não tem maior importância. Fique sabendo que temos recebido delegações de outras cidades, do Estado e de fora, que vêm aqui para ver se conseguem comprá-la. Chegam como quem não quer nada, visitam o prefeito, elogiam a cidade, rodeiam, negaceiam, abrem o jogo: por quanto cederíamos a máquina. Felizmente o prefeito é de confiança e é esperto, não cai na conversa macia.

   Em todas as datas cívicas a máquina é agora uma parte importante das festividades. Você se lembra que antigamente os feriados eram comemorados no coreto ou no campo de futebol, mas hoje tudo se passa ao pé da máquina. Em tempo de eleição todos os candidatos querem fazer seus comícios à sombra dela, e como isso não é possível, alguém tem de sobrar, nem todos se conformam e sempre surgem conflitos. Mas felizmente a máquina ainda não foi danificada nesses esparramos, e espero que não seja.

   A única pessoa que ainda não rendeu homenagem à máquina é o vigário, mas você sabe como ele é ranzinza, e hoje mais ainda, com a idade. Em todo caso, ainda não tentou nada contra ela, e ai dele. Enquanto ficar nas censuras veladas, vamos tolerando; é um direito que ele tem. Sei que ele andou falando em castigo, mas ninguém se impressionou.

   Até agora o único acidente de certa gravidade que tivemos foi quando um caixeiro da loja do velho Adudes (aquele velhinho espigado que passa brilhantina no bigode, se lembra?) prendeu a perna numa engrenagem da máquina, isso por culpa dele mesmo. O rapaz andou bebendo em uma serenata, e em vez de ir para casa achou de dormir em cima da máquina. Não se sabe como, ele subiu à plataforma mais alta, de madrugada rolou de lá, caiu em cima de uma engrenagem e com o peso acionou as rodas. Os gritos acordaram a cidade, correu gente para verificar a causa, foi preciso arranjar uns barrotes e labancas para desandar as rodas que estavam mordendo a perna do rapaz. Também dessa vez a máquina nada sofreu, felizmente. Sem a perna e sem o emprego, o imprudente rapaz ajuda na conservação da máquina, cuidando das partes mais baixas.

    Já existe aqui um movimento para declarar a máquina monumento municipal - por enquanto. O vigário, como sempre, está contra; quer saber a que seria dedicado o monumento. Você já viu que homem mais azedo?

    Dizem que a máquina já tem feito até milagre, mas isso - aqui para nós - eu acho que é exagero de gente supersticiosa, e prefiro não ficar falando no assunto. Eu - e creio que também a grande maioria dos munícipes - não espero dela nada em particular; para mim basta que ela fique onde está, nos alegrando, nos inspirando, nos consolando.

   O meu receio é que, quando menos esperarmos, desembarque aqui um moço de fora, desses despachados, que entendem de tudo, olhe a máquina por fora, por dentro, pense um pouco e comece a explicar a finalidade da máquina, e para mostrar que é habilidoso (eles são sempre muito habilidosos) peça na garagem um jogo de ferramentas, e sem ligar a nossos protestos se meta por baixo da máquina e desande a apertar, martelar, engatar, e a máquina comece a trabalhar. Se isso acontecer, estará quebrado o encanto e não existirá mais máquina. 


(VEIGA, José J. A Máquina Extraviada. 10ª ed. Rio: Bertrand Brasil, 1997. Texto adaptado.)
Pode-se identificar como representação da racionalidade naquela cidade do sertão:
Alternativas
Q3735503 Português
Leia o texto e responda à questão que o segue.


A MÁQUINA EXTRAVIADA

José J. Veiga


   Você sempre pergunta pelas novidades daqui deste sertão, e finalmente posso Ihe contar uma importante. Fique o compadre sabendo que agora temos aqui uma máquina imponente, que está entusiasmando todo o mundo. Desde que ela chegou, não me lembro quando, não sou muito bom em lembrar datas, quase não temos falado em outra coisa; e da maneira que o povo aqui se apaixona até pelos assuntos mais infantis, é de admirar que ninguém tenha brigado ainda por causa dela, a não ser os políticos.

    A máquina chegou uma tarde, quando as famílias estavam jantando ou acabando de jantar, e foi descarregada na frente da Prefeitura. Com os gritos dos choferes e seus ajudantes (a máquina veio em dois ou três caminhões) muita gente cancelou a sobremesa ou o café e foi ver que algazarra era aquela. Como geralmente acontece nessas ocasiões, os homens estavam malhumorados e não quiseram dar explicações, esbarravam propositalmente nos curiosos, pisavam-lhes os pés e não pediam desculpa, jogavam pontas de cordas sujas de graxa por cima deles, quem não quisesse se sujar ou se machucar que saísse do caminho.

   Descarregadas as várias partes da máquina, foram elas cobertas com encerados e os homens entraram num botequim do largo para comer e beber. Muita gente se amontoöu na porta, mas ninguém teve coragem de se aproximar dos estranhos porque um deles, percebendo essa intenção nos curiosos, de vez em quando enchia a boca de cerveja e esguichava na direção da porta. Atribuimos essa esquiva ao cansaço e à fome deles e deixamos as tentativas de aproximação para o dia seguinte; mas quando os procuramos de manhă cedo na pensão, soubemos que eles tinham montado mais ou menos a máquina durante a noite e viajado de madrugada.

   A máquina ficou ao relento, sem que ninguém soubesse quem a encomendara nem para que servia. É claro que cada qual dava o seu palpite, e cada palpite era tão bom quanto outro.

  As crianças, que não são de respeitar mistério, como você sabe, trataram de aproveitar a novidade. Sem pedir licença a ninguém (e a quem iam pedir?), retiraram a lona e foram subindo em bando pela máquina acima, até hoje ainda sobem, brincam de esconder entre os cilindros e colunas, embaraçam-se nos dentes das engrenagens e fazem um berreiro dos diabos até que apareça alguém para soltá-las; não adiantam ralhos, castigos, pancadas; as crianças simplesmente se apaixonaram pela tal máquina.

    Contrariando a opinião de certas pessoas que não quiseram se entusiasmar, e garantiram que em poucos dias a novidade passaria e a ferrugem tomaria conta do metal, o interesse do povo ainda não diminuiu. Ninguém passa pelo largo sem ainda parar diante da máquina, e de cada vez há um detalhe novo a notar. Até as velhinhas de igreja, que passam de madrugada e de noitinha, tossindo e rezando, viram o rosto para o lado da máquina e fazem uma curvatura discreta, só faltam se benzer. Homens abrutalhados, como aquele Clodoaldo seu conhecido, que se exibe derrubando boi pelos chifres no pátio do mercado, tratam a máquina com respeito; se um ou outro agarra uma alavanca e sacode com força, ou larga um pontapé numa das colunas, vê-se logo que são bravatas feitas por honra da firma, para manter fama de corajoso.

   Ninguém sabe mesmo quem encomendou a máquina. O prefeito jura que não foi ele, e diz que consultou o arquivo e nele não encontrou nenhum documento autorizando a transação. Mas mesmo assim não quis lavar as mãos, e de certa forma encampou a compra quando designou um funcionário para zelar pela máquina.

   Devemos reconhecer - aliás todos reconhecem - que esse funcionário tem dado boa conta do recado. A qualquer hora do dia, e às vezes também da noite, podemos vê-lo trepado lá por cima espanando cada vão, cada engrenagem, desaparecendo aqui para reaparecer ali, assoviando ou cantando, ativo e incansável. Duas vezes por semana ele aplica caol nas partes de metal dourado, esfrega, esfrega, sua, descansa, esfrega de novo - e a máquina fica faiscando como joia.

    Estamos tão habituados com a presença da máquina ali no largo, que se um dia ela desabasse, ou se alguém de outra cidade viesse buscá-la, provando com documentos que tinha direito, eu nem sei o que aconteceria, nem quero pensar. Ela é o nosso orgulho, e não pense que exagero. Ainda não sabemos para que ela serve, mas isso já não tem maior importância. Fique sabendo que temos recebido delegações de outras cidades, do Estado e de fora, que vêm aqui para ver se conseguem comprá-la. Chegam como quem não quer nada, visitam o prefeito, elogiam a cidade, rodeiam, negaceiam, abrem o jogo: por quanto cederíamos a máquina. Felizmente o prefeito é de confiança e é esperto, não cai na conversa macia.

   Em todas as datas cívicas a máquina é agora uma parte importante das festividades. Você se lembra que antigamente os feriados eram comemorados no coreto ou no campo de futebol, mas hoje tudo se passa ao pé da máquina. Em tempo de eleição todos os candidatos querem fazer seus comícios à sombra dela, e como isso não é possível, alguém tem de sobrar, nem todos se conformam e sempre surgem conflitos. Mas felizmente a máquina ainda não foi danificada nesses esparramos, e espero que não seja.

   A única pessoa que ainda não rendeu homenagem à máquina é o vigário, mas você sabe como ele é ranzinza, e hoje mais ainda, com a idade. Em todo caso, ainda não tentou nada contra ela, e ai dele. Enquanto ficar nas censuras veladas, vamos tolerando; é um direito que ele tem. Sei que ele andou falando em castigo, mas ninguém se impressionou.

   Até agora o único acidente de certa gravidade que tivemos foi quando um caixeiro da loja do velho Adudes (aquele velhinho espigado que passa brilhantina no bigode, se lembra?) prendeu a perna numa engrenagem da máquina, isso por culpa dele mesmo. O rapaz andou bebendo em uma serenata, e em vez de ir para casa achou de dormir em cima da máquina. Não se sabe como, ele subiu à plataforma mais alta, de madrugada rolou de lá, caiu em cima de uma engrenagem e com o peso acionou as rodas. Os gritos acordaram a cidade, correu gente para verificar a causa, foi preciso arranjar uns barrotes e labancas para desandar as rodas que estavam mordendo a perna do rapaz. Também dessa vez a máquina nada sofreu, felizmente. Sem a perna e sem o emprego, o imprudente rapaz ajuda na conservação da máquina, cuidando das partes mais baixas.

    Já existe aqui um movimento para declarar a máquina monumento municipal - por enquanto. O vigário, como sempre, está contra; quer saber a que seria dedicado o monumento. Você já viu que homem mais azedo?

    Dizem que a máquina já tem feito até milagre, mas isso - aqui para nós - eu acho que é exagero de gente supersticiosa, e prefiro não ficar falando no assunto. Eu - e creio que também a grande maioria dos munícipes - não espero dela nada em particular; para mim basta que ela fique onde está, nos alegrando, nos inspirando, nos consolando.

   O meu receio é que, quando menos esperarmos, desembarque aqui um moço de fora, desses despachados, que entendem de tudo, olhe a máquina por fora, por dentro, pense um pouco e comece a explicar a finalidade da máquina, e para mostrar que é habilidoso (eles são sempre muito habilidosos) peça na garagem um jogo de ferramentas, e sem ligar a nossos protestos se meta por baixo da máquina e desande a apertar, martelar, engatar, e a máquina comece a trabalhar. Se isso acontecer, estará quebrado o encanto e não existirá mais máquina. 


(VEIGA, José J. A Máquina Extraviada. 10ª ed. Rio: Bertrand Brasil, 1997. Texto adaptado.)
Assinale a opção em que se apresenta a correta classificação do verbo ou locução verbal destacada no trecho.
Alternativas
Q3692539 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
Considere as afirmações relacionadas aos textos 1 e 2:

I. O texto 1 retrata o soldado brasileiro como símbolo de bravura e sacrifício, destacando a simplicidade, o amor a pátria, o sentimento de pertencimento e o uso de instrumentos básicos de combate no enfrentamento das agruras da guerra.
II. O texto 2 é caracterizado por preterir a eficácia das estratégias “analógicas” frente a vulnerabilidade decorrente da dependência tecnológica nos conflitos armados.
III. Os textos 1 e 2 constroem uma conexão entre o passado e o presente, mostrando que, mesmo com os avanços tecnológicos, a guerra ainda demanda habilidades precípuas e inteligência emocional, por vezes desvinculadas da tecnologia.

Está(ão) CORRETA(S) apenas a(s) assertiva(s): 
Alternativas
Q3692538 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
“O conflito na Ucrânia tem sido marcado por uma intensa guerra cibernética de ambos os lados. Tanto Kiev quanto Moscou utilizam táticas como bloqueio de sinal, falsificação de GPS e outros métodos de interferência remota para confundir e desativar o armamento inimigo.” (texto 2, linhas 6 a 8)

No excerto retirado do texto 2, observa-se uma progressão coesiva entre duas frases, mesmo sem o uso de conectivo. Considerando a relagdo semantica entre essas frases, assinale a alternativa que apresenta uma locução ou conjunção que poderia ser empregada pelo autor, mantendo o mesmo sentido do fragmento.  
Alternativas
Q3692537 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
Nos trechos do texto 2: “Acho que, em um conflito real [...]" (linha 38) e “Ele acrescenta ainda que todos precisam [...]” (linha 39), as palavras destacadas desempenham, considerado o contexto em que são empregadas, respectivamente, as seguintes funções gramaticais: 
Alternativas
Q3692536 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
“Os géneros se constituem a partir do uso pratico da língua em situação comunicativa. Eles se diferenciam pelos conteúdos específicos que veiculam, pelas características particulares dos textos produzidos nas diferentes situações e pelas configurações especificas de linguagem utilizadas neste ou naquele texto”
(TERRA, Ernari. Práticas de linguagem: leitura & produção de textos — ensino médio. Volume único. São Paulo: Scipione, 2001. P91.)

Considerando o tipo de discurso e de composição, como se deve analisar a tipologia e o género do texto 2? 
Alternativas
Q3692535 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
Leia o excerto do texto 2:
    "O coronel Matti Honko, comandante do Regimento Jaeger da Guarda Finlandesa, destacou que a ferramenta de navegação por satélite, conhecida como Sistema de Posicionamento Global, ou simplesmente GPS, é vulnerável a interferências.” (linhas 2 a 5)
Assinale a alternativa em que o uso da vírgula se dá pelo mesmo motivo que justifica a pontuação empregada no trecho destacado em negrito 
Alternativas
Q3692534 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
Ao longo de um texto dissertativo, vários recursos coesivos são utilizados, com o intuito, por exemplo, de promover fluidez discursiva e progressão semântica. Assim, considerando os contextos em que estão inseridos, assinale a alternativa que traga a devida correspondência entre os enunciados a seguir e seus respectivos valores semânticos encontrados no texto 2.

I. “Para garantir segurança e prontidão [...]" (linha 11)
II. “Apesar disso, o coronel disse [...]" (linha 14)
III. “[...] já que podem ser facilmente falsificados [...]" (linha 16)
IV. “[...] bem como na Marinha e na Força Aérea do pais.” (linhas 18 e 19) 
Alternativas
Q3692533 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
A expressão “De volta ao básico”, encontrada no título do texto 2, faz referência: 
Alternativas
Q3692532 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
Na “Canção do Expedicionário” (texto 1), observa-se a presença de termos cognatos como meio de coesão lexical. Assinale a alternativa que apresenta o uso de termos cognatos, mas, desta vez, para apresentar uma intertextualidade com uma obra folclórica pertencente ao cancioneiro popular brasileiro.
Alternativas
Q3692531 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
Respondendo à pergunta presente no primeiro verso do texto 1, vários versos apresentam paralelismo no seu modo de construção. Assinale a alternativa em que ocorre uma quebra de paralelismo semântico distinto das demais alternativas: 
Alternativas
Q3692530 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
No texto 1, canta-se com patriotismo a saudade da terra natal sentida pelos militares brasileiros da FEB, Força Expedicionária Brasileira, enviados ao combate durante a Il Guerra Mundial. Assinale a alternativa que identifica, na canção, versos que tragam uma marca de interlocução entre o eu lírico e o leitor. 
Alternativas
Q3692528 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
Considere os seguintes versos do texto 1:

I. “Dos verdes mares bravios [...]” (linha 11)
II. “Da casa branca da serra [...]” (linha 26)
III. “Venho do verde mais belo, [...]” (linha 55)
IV. “Do mais dourado amarelo, [...]” (linha 56)

Considerando a analise morfossintática das palavras destacadas nos versos, essas são classificadas, respectivamente, como:
Alternativas
Q3692527 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
Leia atentamente o excerto do texto 1 abaixo:
“Venho do verde mais belo, Do mais dourado amarelo, Do azul mais cheio de luz, Cheio de estrelas prateadas Que se ajoelham deslumbradas Fazendo o sinal da Cruz!” (linhas 55 a 60)

Sobre o uso expressivo da linguagem no texto, considere as seguintes afirmações:
I. O fragmento faz referência, metonimicamente, à bandeira do Brasil.
II. Observa-se a ocorrência da figura de linguagem prosopopeia, uma vez que as ações de “ajoelhar” ˜ e “fazer o sinal da Cruz” são atribuídas ao substantivo “estrelas”.
III. Contribuindo para a musicalidade do texto, todos os versos apresentam rimas ricas, pois se busca similaridade sonora entre palavras de classes gramaticais distintas.

Está(ão) CORRETA(S) apenas a(s) assertiva(s):
Alternativas
Q3692526 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
O termo destacado do texto 1 é um pronome relativo que retoma o substantivo que o antecede, EXCETO em: 
Alternativas
Q3692525 Português

Texto I

CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO



Disponível em https://museuvirtualdafeb.eb.mil.br/cancao-expedicionario/. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)



CONTEXTUALIZAÇÃO


    Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memoria global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor a pátria — um legado que inspira gerações e honra a historia do nosso paıs. O Dia da Vitoria, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forcas do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, e também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.


Disponível em https://www.eb.mil.br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)


Texto II
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS



Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para- aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
Em relação ao texto 1, considere as seguintes informações:

I. O sujeito lírico enumera espaços geográficos e sociais na construção de um Brasil múltiplo e uno.
Il. O texto enaltece o altruísmo manifestado na defesa da pátria, ressaltando a promoção de um ideal de coesão e identidade nacional.
III. Ao longo do texto, observa-se a predominância da intertextualidade construída por meio da paródia, recurso que contribui para a releitura critica de discursos já consolidados. 

Está(ão) CORRETA(S) apenas a(s) assertiva(s): 
Alternativas
Q3691849 Português
TEXTO III

CASAIS COSTUMAM COMPARTILHAR TRANSTORNOS MENTAIS, DIZ ESTUDO


    Alguns têm necessidade de lavar as mãos 20 vezes por dia. Outros mal conseguem sair da cama por conta de quadros depressivos. Para outros, ainda, é difícil domar os pensamentos, que voam rapidamente pela cabeça. De acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de um bilhão de pessoas sofrem de algum transtorno mental. Ao mesmo tempo em que o número soa elevado, o dado indica que a maioria das pessoas no mundo é saudável.

    Um estudo publicado no final de agosto pela revista especializada Nature Human Behaviour mostrou que pessoas que apresentam transtornos mentais tendem a se relacionar com outras que têm o mesmo caso clínico. Para o estudo, os pesquisadores colheram dados de 15 milhões de pessoas. Eles analisaram amostras de nove quadros clínicos: esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, ansiedade, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), autismo, transtornos obsessivo-compulsivos, abuso de substâncias e anorexia.

    Quando um parceiro era diagnosticado com um dos nove transtornos, a probabilidade de o outro também ter um transtorno era muito maior. Muitas vezes, a doença era a mesma. “Presumíamos que, quando alguém sofre de ansiedade ou depressão, essa pessoa procura um parceiro que transmitisse estabilidade e segurança”, diz Robert Plomin, professor de genética comportamental no King’s College de Londres, que não participou do estudo. “Mas acontece exatamente o contrário.”

    Uma limitação da pesquisa, segundo Plomin, é que é preciso procurar no anexo do estudo para descobrir o quão forte é a correlação acima. Para ele, isso é incomum e um pouco desonesto. Apesar disso, o efeito é consistente e o número de pessoas analisadas – 15 milhões – dá peso ao resultado.

    Os primeiros indícios de que pessoas com transtornos mentais tendem a se relacionar com outras que também apresentam quadros similares surgiram na década de 1960. No entanto, os estudos realizados naquela época eram geralmente pequenos. Foi apenas há cerca de dez anos que surgiu a primeira pesquisa de maior escala, mas que considerou apenas pacientes do norte da Europa.

    No estudo atual, a equipe liderada pelo pesquisador em genética populacional Chun Chieh Fan, do Laureate Institute for Brain Research, em Oklahoma, quis descobrir se o padrão de escolha de parceiros se mantém em diferentes culturas. Com esse objetivo, eles coletaram dados em três países: Dinamarca, Suécia e Taiwan. “O surpreendente foi que o padrão de similaridade entre culturas era quase idêntico”, diz o autor do estudo. Apenas em casos de transtornos obsessivos, transtorno bipolar e anorexia foram observadas diferenças. Em Taiwan, por exemplo, parceiros casados sofriam com mais frequência de transtornos obsessivos do que no norte da Europa.

    Outra constatação: para a maioria dos transtornos, a probabilidade de os parceiros receberem o mesmo diagnóstico permaneceu estável ao longo das décadas. Isso é evidenciado pelos dados de Taiwan, que foram coletados ao longo de mais de 50 anos. No caso de consumo de substâncias, essa probabilidade até ficou mais elevada. Apenas no caso de transtornos obsessivos ela diminuiu. “E isso apesar de o sistema de saúde, a política e a sociedade taiwanesa terem mudado bastante nesse período”, afirma Chun Chieh Fan.

    Mas por que pessoas com doenças mentais tendem a se relacionar com outras que sofrem de problemas semelhantes? Há três explicações possíveis. Primeiro, as pessoas procuram alguém com quem se identificam. Segundo, um ambiente compartilhado pode adoecer de forma semelhante. Ou terceiro, o estigma associado à doença mental condiciona a escolha dos parceiros.

    De acordo com o autor do estudo, há algum tempo se acredita que é a primeira opção que explica essa tendência. Seguindo essa lógica, a escolha de parceiros com características semelhantes é chamada, na linguagem técnica, de “escolha assortativa de parceiros”. Os possíveis motivos podem ser o fato de que a outra pessoa tem uma melhor compreensão da doença ou que características positivas semelhantes unem o casal – por exemplo, ambos serem mais criativos do que outras pessoas.

    O estudo não consegue responder, porém, o que estava lá primeiro: a relação ou o transtorno mental? Para entender isso, uma observação de longo prazo seria interessante, diz Robert Plomin. Além disso, permanece incerto se esses casais convivem em harmonia no casamento. Apresentar um quadro psicológico semelhante seria a receita para uma relação compreensiva? Ou apenas piora ainda mais o transtorno? Também faltam estudos de longo prazo para responder a essas questões.

    Resumindo: não é possível tirar recomendações sobre escolhas de parceiros por meio do estudo. Em um ponto, o estudo é ainda mais claro sobre o que ocorre em longo prazo: os pesquisadores descobriram que crianças, cujos pais sofrem do mesmo transtorno, apresentam o dobro de chance de desenvolver transtornos mentais em relação a outras crianças em que só um dos pais é afetado.

    “A transmissão de um transtorno mental se intensifica por meio da escolha do parceiro”, diz Fan.

    O efeito foi especialmente forte em casos de esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar ou dependência. Para médicos e terapeutas, isso significa que o tratamento deve considerar também a família. Com frequência, parceiros e filhos de afetados também podem se beneficiar da terapia e acompanhamento psicológico.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/casaiscompartilham-transtornos-mentais-revela-estudo/a-74022892>. Adaptado. Acesso em: 30 de setembro de 2025.
No trecho “há algum tempo se acredita que é a primeira opção que explica essa tendência”, as palavras destacadas são classificadas, respectivamente, como: 
Alternativas
Q3691848 Português
TEXTO III

CASAIS COSTUMAM COMPARTILHAR TRANSTORNOS MENTAIS, DIZ ESTUDO


    Alguns têm necessidade de lavar as mãos 20 vezes por dia. Outros mal conseguem sair da cama por conta de quadros depressivos. Para outros, ainda, é difícil domar os pensamentos, que voam rapidamente pela cabeça. De acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de um bilhão de pessoas sofrem de algum transtorno mental. Ao mesmo tempo em que o número soa elevado, o dado indica que a maioria das pessoas no mundo é saudável.

    Um estudo publicado no final de agosto pela revista especializada Nature Human Behaviour mostrou que pessoas que apresentam transtornos mentais tendem a se relacionar com outras que têm o mesmo caso clínico. Para o estudo, os pesquisadores colheram dados de 15 milhões de pessoas. Eles analisaram amostras de nove quadros clínicos: esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, ansiedade, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), autismo, transtornos obsessivo-compulsivos, abuso de substâncias e anorexia.

    Quando um parceiro era diagnosticado com um dos nove transtornos, a probabilidade de o outro também ter um transtorno era muito maior. Muitas vezes, a doença era a mesma. “Presumíamos que, quando alguém sofre de ansiedade ou depressão, essa pessoa procura um parceiro que transmitisse estabilidade e segurança”, diz Robert Plomin, professor de genética comportamental no King’s College de Londres, que não participou do estudo. “Mas acontece exatamente o contrário.”

    Uma limitação da pesquisa, segundo Plomin, é que é preciso procurar no anexo do estudo para descobrir o quão forte é a correlação acima. Para ele, isso é incomum e um pouco desonesto. Apesar disso, o efeito é consistente e o número de pessoas analisadas – 15 milhões – dá peso ao resultado.

    Os primeiros indícios de que pessoas com transtornos mentais tendem a se relacionar com outras que também apresentam quadros similares surgiram na década de 1960. No entanto, os estudos realizados naquela época eram geralmente pequenos. Foi apenas há cerca de dez anos que surgiu a primeira pesquisa de maior escala, mas que considerou apenas pacientes do norte da Europa.

    No estudo atual, a equipe liderada pelo pesquisador em genética populacional Chun Chieh Fan, do Laureate Institute for Brain Research, em Oklahoma, quis descobrir se o padrão de escolha de parceiros se mantém em diferentes culturas. Com esse objetivo, eles coletaram dados em três países: Dinamarca, Suécia e Taiwan. “O surpreendente foi que o padrão de similaridade entre culturas era quase idêntico”, diz o autor do estudo. Apenas em casos de transtornos obsessivos, transtorno bipolar e anorexia foram observadas diferenças. Em Taiwan, por exemplo, parceiros casados sofriam com mais frequência de transtornos obsessivos do que no norte da Europa.

    Outra constatação: para a maioria dos transtornos, a probabilidade de os parceiros receberem o mesmo diagnóstico permaneceu estável ao longo das décadas. Isso é evidenciado pelos dados de Taiwan, que foram coletados ao longo de mais de 50 anos. No caso de consumo de substâncias, essa probabilidade até ficou mais elevada. Apenas no caso de transtornos obsessivos ela diminuiu. “E isso apesar de o sistema de saúde, a política e a sociedade taiwanesa terem mudado bastante nesse período”, afirma Chun Chieh Fan.

    Mas por que pessoas com doenças mentais tendem a se relacionar com outras que sofrem de problemas semelhantes? Há três explicações possíveis. Primeiro, as pessoas procuram alguém com quem se identificam. Segundo, um ambiente compartilhado pode adoecer de forma semelhante. Ou terceiro, o estigma associado à doença mental condiciona a escolha dos parceiros.

    De acordo com o autor do estudo, há algum tempo se acredita que é a primeira opção que explica essa tendência. Seguindo essa lógica, a escolha de parceiros com características semelhantes é chamada, na linguagem técnica, de “escolha assortativa de parceiros”. Os possíveis motivos podem ser o fato de que a outra pessoa tem uma melhor compreensão da doença ou que características positivas semelhantes unem o casal – por exemplo, ambos serem mais criativos do que outras pessoas.

    O estudo não consegue responder, porém, o que estava lá primeiro: a relação ou o transtorno mental? Para entender isso, uma observação de longo prazo seria interessante, diz Robert Plomin. Além disso, permanece incerto se esses casais convivem em harmonia no casamento. Apresentar um quadro psicológico semelhante seria a receita para uma relação compreensiva? Ou apenas piora ainda mais o transtorno? Também faltam estudos de longo prazo para responder a essas questões.

    Resumindo: não é possível tirar recomendações sobre escolhas de parceiros por meio do estudo. Em um ponto, o estudo é ainda mais claro sobre o que ocorre em longo prazo: os pesquisadores descobriram que crianças, cujos pais sofrem do mesmo transtorno, apresentam o dobro de chance de desenvolver transtornos mentais em relação a outras crianças em que só um dos pais é afetado.

    “A transmissão de um transtorno mental se intensifica por meio da escolha do parceiro”, diz Fan.

    O efeito foi especialmente forte em casos de esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar ou dependência. Para médicos e terapeutas, isso significa que o tratamento deve considerar também a família. Com frequência, parceiros e filhos de afetados também podem se beneficiar da terapia e acompanhamento psicológico.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/casaiscompartilham-transtornos-mentais-revela-estudo/a-74022892>. Adaptado. Acesso em: 30 de setembro de 2025.
No trecho “O surpreendente foi que o padrão de similaridade entre culturas era quase idêntico”, o termo destacado deve ser classificada como:
Alternativas
Q3691847 Português
TEXTO III

CASAIS COSTUMAM COMPARTILHAR TRANSTORNOS MENTAIS, DIZ ESTUDO


    Alguns têm necessidade de lavar as mãos 20 vezes por dia. Outros mal conseguem sair da cama por conta de quadros depressivos. Para outros, ainda, é difícil domar os pensamentos, que voam rapidamente pela cabeça. De acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de um bilhão de pessoas sofrem de algum transtorno mental. Ao mesmo tempo em que o número soa elevado, o dado indica que a maioria das pessoas no mundo é saudável.

    Um estudo publicado no final de agosto pela revista especializada Nature Human Behaviour mostrou que pessoas que apresentam transtornos mentais tendem a se relacionar com outras que têm o mesmo caso clínico. Para o estudo, os pesquisadores colheram dados de 15 milhões de pessoas. Eles analisaram amostras de nove quadros clínicos: esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, ansiedade, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), autismo, transtornos obsessivo-compulsivos, abuso de substâncias e anorexia.

    Quando um parceiro era diagnosticado com um dos nove transtornos, a probabilidade de o outro também ter um transtorno era muito maior. Muitas vezes, a doença era a mesma. “Presumíamos que, quando alguém sofre de ansiedade ou depressão, essa pessoa procura um parceiro que transmitisse estabilidade e segurança”, diz Robert Plomin, professor de genética comportamental no King’s College de Londres, que não participou do estudo. “Mas acontece exatamente o contrário.”

    Uma limitação da pesquisa, segundo Plomin, é que é preciso procurar no anexo do estudo para descobrir o quão forte é a correlação acima. Para ele, isso é incomum e um pouco desonesto. Apesar disso, o efeito é consistente e o número de pessoas analisadas – 15 milhões – dá peso ao resultado.

    Os primeiros indícios de que pessoas com transtornos mentais tendem a se relacionar com outras que também apresentam quadros similares surgiram na década de 1960. No entanto, os estudos realizados naquela época eram geralmente pequenos. Foi apenas há cerca de dez anos que surgiu a primeira pesquisa de maior escala, mas que considerou apenas pacientes do norte da Europa.

    No estudo atual, a equipe liderada pelo pesquisador em genética populacional Chun Chieh Fan, do Laureate Institute for Brain Research, em Oklahoma, quis descobrir se o padrão de escolha de parceiros se mantém em diferentes culturas. Com esse objetivo, eles coletaram dados em três países: Dinamarca, Suécia e Taiwan. “O surpreendente foi que o padrão de similaridade entre culturas era quase idêntico”, diz o autor do estudo. Apenas em casos de transtornos obsessivos, transtorno bipolar e anorexia foram observadas diferenças. Em Taiwan, por exemplo, parceiros casados sofriam com mais frequência de transtornos obsessivos do que no norte da Europa.

    Outra constatação: para a maioria dos transtornos, a probabilidade de os parceiros receberem o mesmo diagnóstico permaneceu estável ao longo das décadas. Isso é evidenciado pelos dados de Taiwan, que foram coletados ao longo de mais de 50 anos. No caso de consumo de substâncias, essa probabilidade até ficou mais elevada. Apenas no caso de transtornos obsessivos ela diminuiu. “E isso apesar de o sistema de saúde, a política e a sociedade taiwanesa terem mudado bastante nesse período”, afirma Chun Chieh Fan.

    Mas por que pessoas com doenças mentais tendem a se relacionar com outras que sofrem de problemas semelhantes? Há três explicações possíveis. Primeiro, as pessoas procuram alguém com quem se identificam. Segundo, um ambiente compartilhado pode adoecer de forma semelhante. Ou terceiro, o estigma associado à doença mental condiciona a escolha dos parceiros.

    De acordo com o autor do estudo, há algum tempo se acredita que é a primeira opção que explica essa tendência. Seguindo essa lógica, a escolha de parceiros com características semelhantes é chamada, na linguagem técnica, de “escolha assortativa de parceiros”. Os possíveis motivos podem ser o fato de que a outra pessoa tem uma melhor compreensão da doença ou que características positivas semelhantes unem o casal – por exemplo, ambos serem mais criativos do que outras pessoas.

    O estudo não consegue responder, porém, o que estava lá primeiro: a relação ou o transtorno mental? Para entender isso, uma observação de longo prazo seria interessante, diz Robert Plomin. Além disso, permanece incerto se esses casais convivem em harmonia no casamento. Apresentar um quadro psicológico semelhante seria a receita para uma relação compreensiva? Ou apenas piora ainda mais o transtorno? Também faltam estudos de longo prazo para responder a essas questões.

    Resumindo: não é possível tirar recomendações sobre escolhas de parceiros por meio do estudo. Em um ponto, o estudo é ainda mais claro sobre o que ocorre em longo prazo: os pesquisadores descobriram que crianças, cujos pais sofrem do mesmo transtorno, apresentam o dobro de chance de desenvolver transtornos mentais em relação a outras crianças em que só um dos pais é afetado.

    “A transmissão de um transtorno mental se intensifica por meio da escolha do parceiro”, diz Fan.

    O efeito foi especialmente forte em casos de esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar ou dependência. Para médicos e terapeutas, isso significa que o tratamento deve considerar também a família. Com frequência, parceiros e filhos de afetados também podem se beneficiar da terapia e acompanhamento psicológico.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/casaiscompartilham-transtornos-mentais-revela-estudo/a-74022892>. Adaptado. Acesso em: 30 de setembro de 2025.
Assinale a alternativa que classifica CORRETAMENTE a oração destacada no trecho: “Para outros, ainda, é difícil domar os pensamentos”.
Alternativas
Respostas
241: A
242: D
243: D
244: E
245: C
246: C
247: B
248: C
249: B
250: C
251: C
252: D
253: E
254: B
255: D
256: C
257: B
258: D
259: E
260: B