Questões Militares Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q689838 Português

Texto IV

                                              Tsunami

      No Japão, os quebra-mares construídos para conter as ondas gigantes não deram nem para o começo. E a maior parte das casas não estava pronta para resistir à força das águas. “Faltam investimentos”, diz o professor Synolakis. _______ ele, pouco foi feito ________ o desastre na Indonésia, em 2004, _____ deixou 230 mil vítimas. Os principais problemas são a falta de mapeamento de quais áreas podem ser atingidas e o número limitado de tsunamógrafos – ______ seu nome sugere, são os aparelhos que medem a frequência e o tamanho das ondas.

      Mas a pedra maior no caminho é a falta de informação, como no desastre das ilhas Samoa, em 2009, que deixou 189 vítimas. Muitas tentaram fugir de carro e, com o trânsito, morreram afogadas dentro deles. O correto teria sido caminhar até os terrenos altos nas redondezas e esperar o aguaceiro passar.

      Para aliviar as tragédias, o aviso precisa ser rápido e eficaz. Na Indonésia, em 2004, muitos dos 230 mil mortos não chegaram a ver o alerta emitido pela televisão local. A razão: eles viviam em vilas sem energia elétrica. Mas em muitos casos não há sequer tempo para divulgar a informação: um tsunami formado perto da costa pode chegar a ela em menos de 10 minutos. No caso recente do Japão, o problema de comunicação foi agravado porque o terremoto havia sido tão forte que cortou até a internet.

      Outra medida necessária é investir em uma arquitetura antitsunami. Um bom exemplo é o dos templos islâmicos na Indonésia, que passaram ilesos pela avalanche de ondas. Suas grandes colunas circulares, que sustentavam os andares superiores, permitiram que a água fluísse livremente. Moral da história: se não pode vencê-lo, adapte-se a ele.

                                                                                    (Superinteressante – 04/2011)

No 1º §, o período introduzido pela conjunção “e” indica, no texto
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Q689835 Português

Texto III

      Tsunami. Terremoto. Crise nuclear. Veio tudo de uma vez para os japoneses. Um tremor de 9.0 na escala Richter sacudiu o Japão em 11 de março, e o país já contava quase 9 mil mortos até o fechamento desta edição. Outras 13 mil pessoas ainda estavam desaparecidas.

      A catástrofe chamou a atenção de todo o mundo não só pelas vidas perdidas e pelos dramáticos esforços de resgate. O Japão é um dos países mais bem preparados para enfrentar desastres naturais, e ainda assim foi devastado pela força da natureza. Um sinal de que nenhum país está a salvo.

      Em 2010, desastres naturais mataram pelo menos 234 mil pessoas e afetaram quase outras 200 milhões no mundo. Nenhum especialista é capaz de dizer se esse número vai diminuir ou aumentar daqui para a frente, mas já se sabe que a intensidade das catástrofes vai crescer. O aquecimento global fará a temperatura subir - ela será até 3,5º C mais alta até 2035, segundo a Agência Internacional de Energia. Isso significa mais secas, enchentes, erupções, furacões destruidores e até terremotos. E, sim, pode existir uma ligação entre esses fenômenos e a ação humana.

                                                                   (Superinteressante – 04/2011 fragmento)  

“Nenhum especialista é capaz de dizer se esse número vai diminuir ou aumentar daqui para a frente, mas já se sabe que a intensidade das catástrofes vai crescer.”

A respeito das ideias do período destacado (3º§), infere-se que

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Q689830 Português

Texto II 

      Mas a natureza não mata apenas com enchentes, deslizamentos, terremotos e tsunamis. Mata pela mão dos humanos, o que pode parecer um fato em escala menor, mas é bem mais preocupante. Homens, mulheres e meninos-bomba quase diariamente se explodem levando consigo dezenas de vidas inocentes: pais de família, mães ou crianças, mulheres fazendo a feira, jovens indo para a escola. Bandidos incendeiam um ônibus com passageiros dentro: dois morrem logo, outros vários curtem em hospitais o grave sofrimento dos queimados. Não tinham nada a ver com a bandidagem, estavam apenas indo para o trabalho, ou vindo dele. Assaltantes explodem bancos em cidades do interior antes tranquilas. Criminosos sequestram casais ou famílias inteiras e os submetem aos maiores vexames e terror. Como está virando costume, a gente agradece por escapar com vida.

                      (Lya Luft Revista Veja – Edição 2156 / 17 de março de 2010, fragmento)

Sabendo que o texto revela a visão de mundo de seu autor, pode-se dizer que a autora mostra através de seu ponto de vista, que
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Q689828 Português

Texto I

                                       O novo inimigo do clima

        Pela primeira vez, buraco na camada de ozônio é ligado a mudanças climáticas.

      Para ambientalistas e pesquisadores preocupados com as mudanças climáticas, o Judas dos últimos sábados de Aleluia foram os gases-estufa. Controlar sua ______________ é a única forma de impedir que o clima atinja patamares incontroláveis. Mas a edição de hoje da revista “Science” traz um novo obstáculo à tona. A circulação atmosférica e o índice de chuvas também são influenciados pelo buraco da camada de ozônio – um problema já dado como resolvido, com a proibição, respeitada internacionalmente, da produção industrial de compostos químicos que aumentariam a abertura da camada protetora do planeta.

      Segundo um estudo da Universidade de Columbia, de Nova York, os efeitos provocados pelo buraco da camada de ozônio sobre a Antártica podem aumentar em até 10%, a ______________ em diversos pontos do Hemisfério Sul – incluindo o Centro-Sul do Brasil, no trecho que se estende até Brasília. Os pesquisadores, porém, ainda consideram leviano usar este fenômeno para explicar recentes ______________ climáticos, como a tempestade na Região Serrana, em janeiro.

      Ainda de acordo com os autores da pesquisa, o buraco na camada de ozônio provocou uma mudança na direção dos ventos que passavam pela Antártica. Uma área marcada pela menor umidade, que existia mais ao norte do continente gelado foi deslocada para o sul. Com isso, uma região sobre este cinturão seco e próximo ao Equador ficou exposta a chuvas.

      Esta é a primeira vez que um levantamento relaciona o buraco na camada de ozônio às mudanças climáticas.

      – O buraco sequer é mencionado no sumário para formuladores de políticas públicas escrito pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, da ONU) – destaca Lourenzo Polvani, coautor da pesquisa da Universidade de Columbia. – Mostramos, no entanto, que a camada de ozônio tem muito impacto no sistema do clima. É um jogador que deve ser observado.

      Autora principal do levantamento, Sarah Kang também se admira com a relação em cadeia provocada pelo buraco.

      – É realmente impressionante que o buraco na camada de ozônio, localizado tão alto na atmosfera sobre a Antártica (a até 30 quilômetros de distância) possa ter um impacto sobre os trópicos, aumentando o nível de chuvas por lá. É um efeito dominó – compara a pesquisadora.

      Polvani e Sarah atribuíram ao buraco as mudanças na circulação atmosférica observadas no Hemisfério Sul durante a segunda metade do século passado. Com isso, os acordos internacionais para mitigar as mudanças climáticas não farão sentido se ficarem restritos ao controle das emissões de carbono. O ozônio, a partir de agora terá de ser considerado.

                                    No Ártico, ozônio teve redução recorde.

      Localizada na estratosfera, logo acima da troposfera (cujo início é na superfície terrestre), a camada de ozônio absorve boa parte dos raios ultravioleta emitidos pelo sol. Durante a última metade do século XX, o uso em larga escala de compostos químicos pelo homem, especialmente aerossóis contendo clorofluorcarbono (CFC), provocaram danos significativos na camada a tal ponto que um buraco sobre a Antártica foi descoberto em meados da década de 80.

      Com o protocolo de Montreal, assinado em 1989 e que agora conta com a assinatura de 196 países, a produção global de CFC foi cancelada. A iniciativa já colhe frutos: na década passada a destruição da camada foi quase totalmente interrompida. Espera-se que a sua recuperação prossiga até meados do século, quando o buraco deve enfim ser fechado.

      A comunidade internacional, portanto já via o buraco como um problema resolvido. Mas, de acordo com o estudo de Polvani e Sarah, mesmo quando coberto, ele provocará um impacto considerável no clima.

      A dupla tirou suas conclusões baseada na construção de dois modelos: um em que projetaram a evolução da abertura na camada de ozônio; outro onde analisaram eventos climáticos das últimas décadas no Hemisfério Sul. A associação entre os resultados permitiu-os responsabilizar o ozônio por algumas das mudanças do clima observadas naquela região – com uma contribuição menor dos gases-estufa.

      A camada de ozônio não inspira preocupação apenas na Antártica. No início do mês, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou que aquele escudo natural sofreu uma redução recorde de 46% sobre o Ártico entre o fim de 2010 e março deste ano.

      A OMM atribuiu o fenômeno à persistência de CFC na atmosfera e ao inverno muito frio na estratosfera. Junto ao motivo veio um alerta aos países nórdicos:

      “Como a elevação do sol vai aumentar nas próximas semanas, as regiões afetadas pelo buraco na camada de ozônio terão que vigiar as radiações ultravioletas que serão superiores ao normal”, advertiu a organização em comunicado.

      A redução é ainda mais preocupante porque, no Ártico, ela não é um fenômeno frequente como no Sul – na Antártica, o mesmo episódio ocorre todos os anos, sempre no inverno e na primavera, também devido às temperaturas baixas da estratosfera.

                                  (Jornal “O Globo” / Ciência – sexta-feira, 22 de abril de 2011)

O tom predominante na reportagem pode ser identificado como
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Q689819 Português

Texto I

                                       O novo inimigo do clima

        Pela primeira vez, buraco na camada de ozônio é ligado a mudanças climáticas.

      Para ambientalistas e pesquisadores preocupados com as mudanças climáticas, o Judas dos últimos sábados de Aleluia foram os gases-estufa. Controlar sua ______________ é a única forma de impedir que o clima atinja patamares incontroláveis. Mas a edição de hoje da revista “Science” traz um novo obstáculo à tona. A circulação atmosférica e o índice de chuvas também são influenciados pelo buraco da camada de ozônio – um problema já dado como resolvido, com a proibição, respeitada internacionalmente, da produção industrial de compostos químicos que aumentariam a abertura da camada protetora do planeta.

      Segundo um estudo da Universidade de Columbia, de Nova York, os efeitos provocados pelo buraco da camada de ozônio sobre a Antártica podem aumentar em até 10%, a ______________ em diversos pontos do Hemisfério Sul – incluindo o Centro-Sul do Brasil, no trecho que se estende até Brasília. Os pesquisadores, porém, ainda consideram leviano usar este fenômeno para explicar recentes ______________ climáticos, como a tempestade na Região Serrana, em janeiro.

      Ainda de acordo com os autores da pesquisa, o buraco na camada de ozônio provocou uma mudança na direção dos ventos que passavam pela Antártica. Uma área marcada pela menor umidade, que existia mais ao norte do continente gelado foi deslocada para o sul. Com isso, uma região sobre este cinturão seco e próximo ao Equador ficou exposta a chuvas.

      Esta é a primeira vez que um levantamento relaciona o buraco na camada de ozônio às mudanças climáticas.

      – O buraco sequer é mencionado no sumário para formuladores de políticas públicas escrito pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, da ONU) – destaca Lourenzo Polvani, coautor da pesquisa da Universidade de Columbia. – Mostramos, no entanto, que a camada de ozônio tem muito impacto no sistema do clima. É um jogador que deve ser observado.

      Autora principal do levantamento, Sarah Kang também se admira com a relação em cadeia provocada pelo buraco.

      – É realmente impressionante que o buraco na camada de ozônio, localizado tão alto na atmosfera sobre a Antártica (a até 30 quilômetros de distância) possa ter um impacto sobre os trópicos, aumentando o nível de chuvas por lá. É um efeito dominó – compara a pesquisadora.

      Polvani e Sarah atribuíram ao buraco as mudanças na circulação atmosférica observadas no Hemisfério Sul durante a segunda metade do século passado. Com isso, os acordos internacionais para mitigar as mudanças climáticas não farão sentido se ficarem restritos ao controle das emissões de carbono. O ozônio, a partir de agora terá de ser considerado.

                                    No Ártico, ozônio teve redução recorde.

      Localizada na estratosfera, logo acima da troposfera (cujo início é na superfície terrestre), a camada de ozônio absorve boa parte dos raios ultravioleta emitidos pelo sol. Durante a última metade do século XX, o uso em larga escala de compostos químicos pelo homem, especialmente aerossóis contendo clorofluorcarbono (CFC), provocaram danos significativos na camada a tal ponto que um buraco sobre a Antártica foi descoberto em meados da década de 80.

      Com o protocolo de Montreal, assinado em 1989 e que agora conta com a assinatura de 196 países, a produção global de CFC foi cancelada. A iniciativa já colhe frutos: na década passada a destruição da camada foi quase totalmente interrompida. Espera-se que a sua recuperação prossiga até meados do século, quando o buraco deve enfim ser fechado.

      A comunidade internacional, portanto já via o buraco como um problema resolvido. Mas, de acordo com o estudo de Polvani e Sarah, mesmo quando coberto, ele provocará um impacto considerável no clima.

      A dupla tirou suas conclusões baseada na construção de dois modelos: um em que projetaram a evolução da abertura na camada de ozônio; outro onde analisaram eventos climáticos das últimas décadas no Hemisfério Sul. A associação entre os resultados permitiu-os responsabilizar o ozônio por algumas das mudanças do clima observadas naquela região – com uma contribuição menor dos gases-estufa.

      A camada de ozônio não inspira preocupação apenas na Antártica. No início do mês, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou que aquele escudo natural sofreu uma redução recorde de 46% sobre o Ártico entre o fim de 2010 e março deste ano.

      A OMM atribuiu o fenômeno à persistência de CFC na atmosfera e ao inverno muito frio na estratosfera. Junto ao motivo veio um alerta aos países nórdicos:

      “Como a elevação do sol vai aumentar nas próximas semanas, as regiões afetadas pelo buraco na camada de ozônio terão que vigiar as radiações ultravioletas que serão superiores ao normal”, advertiu a organização em comunicado.

      A redução é ainda mais preocupante porque, no Ártico, ela não é um fenômeno frequente como no Sul – na Antártica, o mesmo episódio ocorre todos os anos, sempre no inverno e na primavera, também devido às temperaturas baixas da estratosfera.

                                  (Jornal “O Globo” / Ciência – sexta-feira, 22 de abril de 2011)

De acordo com o conteúdo do texto, classifique as afirmativas em Verdadeiras (V) ou Falsas (F). Depois, assinale a alternativa que completa correta e respectivamente, de cima para baixo, os parênteses.

( ) O buraco na camada de ozônio foi, efetivamente, o responsável pelas alterações climáticas tanto no Hemisfério Norte quanto no Hemisfério Sul, na década passada.

( ) A atribuição dos efeitos provocados pelo buraco na camada de ozônio aos recentes desastres climáticos mundiais parece ser uma imprudência.

( ) A camada de ozônio não é preocupação apenas de uma região do Planeta Terra.

( ) É absurdo achar que o buraco na camada de ozônio, localizado até 30 km, na atmosfera, possa aumentar o nível de chuvas sobre os trópicos.

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Q681107 Português

                                   O valor dos alimentos

      Todo cozinheiro sabe que os alimentos são sua principal matéria-prima de trabalho e representam para o homem uma espécie de combustível. É a tal história do dito popular: saco vazio não para em pé. Carnes, frutas, verduras, legumes, massas, entre outros alimentos, contribuem diretamente para o crescimento e a manutenção do organismo, fornecendo energia para reparar perdas. (...)

      Os chefes mais experientes recomendam que os aprendizes de cozinheiro tenham como rotina a visita a feiras, depósitos do Ceasa e supermercados. Assim, desde cedo, eles poderão reconhecer os ingredientes mais comuns dos cardápios. “Só quem conhece sabe escolher e exigir. Um tomate, uma alcachofra ou um peixe bem-escolhidos podem ser decisivos no resultado final de uma receita, mesmo nas mais simples. Além do mais, o conhecimento sobre as características deste ou daquele alimento tende a ajudar o cozinheiro a fazer as melhores combinações”, destaca Luiz Incao, chefe executivo de cozinha do Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

      Os alimentos podem ser reunidos em grandes grupos, por terem certas características comuns ou funções semelhantes. Muitos deles são bastante conhecidos. Outros, por sua vez, aglutinam gêneros menos falados e, por essa razão, parecem menos importantes. Mas isso é um engano. Cada um dos componentes dos grupos tem lugar certo na cozinha.

(O mundo da cozinha: perfil profissional, técnicas de trabalho e mercado / Silvia Marta Vieira e outros. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2005) 

Marque V para verdadeiro e F para falso. Em seguida, assinale a alternativa com a sequência correta.

1. ( ) A variedade de alimentos não garante, por si só, o sucesso de uma receita.

2. ( ) O hábito de frequentar feiras e supermercados contribui para a formação de bons profissionais da cozinha.

3. ( ) Elaborar cardápios sofisticados é a única preocupação dos cozinheiros.

Alternativas
Q681106 Português

                                   O valor dos alimentos

      Todo cozinheiro sabe que os alimentos são sua principal matéria-prima de trabalho e representam para o homem uma espécie de combustível. É a tal história do dito popular: saco vazio não para em pé. Carnes, frutas, verduras, legumes, massas, entre outros alimentos, contribuem diretamente para o crescimento e a manutenção do organismo, fornecendo energia para reparar perdas. (...)

      Os chefes mais experientes recomendam que os aprendizes de cozinheiro tenham como rotina a visita a feiras, depósitos do Ceasa e supermercados. Assim, desde cedo, eles poderão reconhecer os ingredientes mais comuns dos cardápios. “Só quem conhece sabe escolher e exigir. Um tomate, uma alcachofra ou um peixe bem-escolhidos podem ser decisivos no resultado final de uma receita, mesmo nas mais simples. Além do mais, o conhecimento sobre as características deste ou daquele alimento tende a ajudar o cozinheiro a fazer as melhores combinações”, destaca Luiz Incao, chefe executivo de cozinha do Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

      Os alimentos podem ser reunidos em grandes grupos, por terem certas características comuns ou funções semelhantes. Muitos deles são bastante conhecidos. Outros, por sua vez, aglutinam gêneros menos falados e, por essa razão, parecem menos importantes. Mas isso é um engano. Cada um dos componentes dos grupos tem lugar certo na cozinha.

(O mundo da cozinha: perfil profissional, técnicas de trabalho e mercado / Silvia Marta Vieira e outros. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2005) 

Conforme o primeiro parágrafo, a finalidade dos alimentos é
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Q681105 Português

                                   O valor dos alimentos

      Todo cozinheiro sabe que os alimentos são sua principal matéria-prima de trabalho e representam para o homem uma espécie de combustível. É a tal história do dito popular: saco vazio não para em pé. Carnes, frutas, verduras, legumes, massas, entre outros alimentos, contribuem diretamente para o crescimento e a manutenção do organismo, fornecendo energia para reparar perdas. (...)

      Os chefes mais experientes recomendam que os aprendizes de cozinheiro tenham como rotina a visita a feiras, depósitos do Ceasa e supermercados. Assim, desde cedo, eles poderão reconhecer os ingredientes mais comuns dos cardápios. “Só quem conhece sabe escolher e exigir. Um tomate, uma alcachofra ou um peixe bem-escolhidos podem ser decisivos no resultado final de uma receita, mesmo nas mais simples. Além do mais, o conhecimento sobre as características deste ou daquele alimento tende a ajudar o cozinheiro a fazer as melhores combinações”, destaca Luiz Incao, chefe executivo de cozinha do Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

      Os alimentos podem ser reunidos em grandes grupos, por terem certas características comuns ou funções semelhantes. Muitos deles são bastante conhecidos. Outros, por sua vez, aglutinam gêneros menos falados e, por essa razão, parecem menos importantes. Mas isso é um engano. Cada um dos componentes dos grupos tem lugar certo na cozinha.

(O mundo da cozinha: perfil profissional, técnicas de trabalho e mercado / Silvia Marta Vieira e outros. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2005) 

Segundo o que informa o texto, assinale a alternativa incorreta.
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Q681104 Português

                                   O valor dos alimentos

      Todo cozinheiro sabe que os alimentos são sua principal matéria-prima de trabalho e representam para o homem uma espécie de combustível. É a tal história do dito popular: saco vazio não para em pé. Carnes, frutas, verduras, legumes, massas, entre outros alimentos, contribuem diretamente para o crescimento e a manutenção do organismo, fornecendo energia para reparar perdas. (...)

      Os chefes mais experientes recomendam que os aprendizes de cozinheiro tenham como rotina a visita a feiras, depósitos do Ceasa e supermercados. Assim, desde cedo, eles poderão reconhecer os ingredientes mais comuns dos cardápios. “Só quem conhece sabe escolher e exigir. Um tomate, uma alcachofra ou um peixe bem-escolhidos podem ser decisivos no resultado final de uma receita, mesmo nas mais simples. Além do mais, o conhecimento sobre as características deste ou daquele alimento tende a ajudar o cozinheiro a fazer as melhores combinações”, destaca Luiz Incao, chefe executivo de cozinha do Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

      Os alimentos podem ser reunidos em grandes grupos, por terem certas características comuns ou funções semelhantes. Muitos deles são bastante conhecidos. Outros, por sua vez, aglutinam gêneros menos falados e, por essa razão, parecem menos importantes. Mas isso é um engano. Cada um dos componentes dos grupos tem lugar certo na cozinha.

(O mundo da cozinha: perfil profissional, técnicas de trabalho e mercado / Silvia Marta Vieira e outros. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2005) 

Assinale a alternativa que contém a afirmação correta em relação ao segundo parágrafo do texto.
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Ano: 2011 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2011 - PM-SP - Soldado Voluntário |
Q664351 Português
Superlotada, cadeia de Sobral usa gansos para evitar fuga de presos
O diretor da cadeia pública de Sobral (CE) resolveu usar gansos para evitar fugas. As duas aves ficam fora do prédio e “avisam” se algum preso chega perto da muralha, pois elas grasnam muito alto.
“Está funcionando. Eles dão o alerta a qualquer movimento. Ainda não tivemos fugas”, diz o diretor da unidade, Wellington Picanço.
A unidade está superlotada: tem 153 vagas e 208 presos. Há dois agentes penitenciários no local, quando o recomendado, segundo Picanço, são quatro.
O diretor afirmou que ganhou os gansos de presente e os levou para a unidade após saber que outros Estados já haviam feito a experiência.
(Folha de S.Paulo, 12.08.2011. Adaptado)
Assinale a alternativa correta sobre o texto.
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Ano: 2011 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2011 - PM-SP - Soldado Voluntário |
Q664342 Português
Solteiros e solteiras
Uma queixa habitual das mulheres é de que faltam homens na praça − leia-se homens solteiros e disponíveis. Mas o IBGE, que veio ao mundo para desfazer dúvidas quantitativas, acaba de apurar que há 31,9 milhões de homens solteiros no Brasil contra 30,4 milhões de mulheres. Ou seja, com um saldo de 1,5 milhão de homens prontos para o abate, não será por falta de material que tantas mulheres continuarão encalhadas.
O problema, no entanto, não é estatístico, mas comportamental: a tendência do homem a não ter pressa de assumir compromissos sérios e passar anos pesquisando o mercado antes de se decidir a investir. Sempre foi assim.
E, se a querida leitora já estava desanimada, lamento informá-la de que a situação tem tudo para piorar. Com a recente mania dos homens de continuarem morando com a mãe até os 40 anos, a taxa de rapazes casadouros promete diminuir ainda mais
Segundo o IBGE, essa discrepância quantitativa não é geograficamente uniforme, alguns Estados do Brasil serão mais propícios do que outros para que as mulheres encontrem seu par do baralho.
Nesse sentido, nenhum supera Santa Catarina. Lá são 122 solteiros para cada cem solteiras. Outros Estados em que a oferta masculina é considerável são Tocantins, Mato Grosso e Espírito Santo. Já São Paulo está apenas na média: 108 contra cem. E, em alguns Estados, há tantos homens quanto mulheres.
O Rio, por exemplo, tem pequeno déficit: são 99,55 homens para cada cem mulheres − o 0,45 saiu para comprar cigarros e não voltou.
Já no Distrito Federal faltam nove homens para as cem mulheres. Se o amigo nunca encontrou motivo para ir até lá, agora já tem um.
 (Ruy Castro, Folha de S.Paulo, 13.09.2010. Adaptado)
Assinale a alternativa em cujo trecho o cronista usou o humor para expressar suas ideias.
Alternativas
Ano: 2011 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2011 - PM-SP - Soldado Voluntário |
Q664341 Português
Solteiros e solteiras
Uma queixa habitual das mulheres é de que faltam homens na praça − leia-se homens solteiros e disponíveis. Mas o IBGE, que veio ao mundo para desfazer dúvidas quantitativas, acaba de apurar que há 31,9 milhões de homens solteiros no Brasil contra 30,4 milhões de mulheres. Ou seja, com um saldo de 1,5 milhão de homens prontos para o abate, não será por falta de material que tantas mulheres continuarão encalhadas.
O problema, no entanto, não é estatístico, mas comportamental: a tendência do homem a não ter pressa de assumir compromissos sérios e passar anos pesquisando o mercado antes de se decidir a investir. Sempre foi assim.
E, se a querida leitora já estava desanimada, lamento informá-la de que a situação tem tudo para piorar. Com a recente mania dos homens de continuarem morando com a mãe até os 40 anos, a taxa de rapazes casadouros promete diminuir ainda mais
Segundo o IBGE, essa discrepância quantitativa não é geograficamente uniforme, alguns Estados do Brasil serão mais propícios do que outros para que as mulheres encontrem seu par do baralho.
Nesse sentido, nenhum supera Santa Catarina. Lá são 122 solteiros para cada cem solteiras. Outros Estados em que a oferta masculina é considerável são Tocantins, Mato Grosso e Espírito Santo. Já São Paulo está apenas na média: 108 contra cem. E, em alguns Estados, há tantos homens quanto mulheres.
O Rio, por exemplo, tem pequeno déficit: são 99,55 homens para cada cem mulheres − o 0,45 saiu para comprar cigarros e não voltou.
Já no Distrito Federal faltam nove homens para as cem mulheres. Se o amigo nunca encontrou motivo para ir até lá, agora já tem um.
 (Ruy Castro, Folha de S.Paulo, 13.09.2010. Adaptado)
Para o cronista, a situação para as mulheres “tem tudo para piorar”, pois
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Ano: 2011 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2011 - PM-SP - Soldado Voluntário |
Q664340 Português
Solteiros e solteiras
Uma queixa habitual das mulheres é de que faltam homens na praça − leia-se homens solteiros e disponíveis. Mas o IBGE, que veio ao mundo para desfazer dúvidas quantitativas, acaba de apurar que há 31,9 milhões de homens solteiros no Brasil contra 30,4 milhões de mulheres. Ou seja, com um saldo de 1,5 milhão de homens prontos para o abate, não será por falta de material que tantas mulheres continuarão encalhadas.
O problema, no entanto, não é estatístico, mas comportamental: a tendência do homem a não ter pressa de assumir compromissos sérios e passar anos pesquisando o mercado antes de se decidir a investir. Sempre foi assim.
E, se a querida leitora já estava desanimada, lamento informá-la de que a situação tem tudo para piorar. Com a recente mania dos homens de continuarem morando com a mãe até os 40 anos, a taxa de rapazes casadouros promete diminuir ainda mais
Segundo o IBGE, essa discrepância quantitativa não é geograficamente uniforme, alguns Estados do Brasil serão mais propícios do que outros para que as mulheres encontrem seu par do baralho.
Nesse sentido, nenhum supera Santa Catarina. Lá são 122 solteiros para cada cem solteiras. Outros Estados em que a oferta masculina é considerável são Tocantins, Mato Grosso e Espírito Santo. Já São Paulo está apenas na média: 108 contra cem. E, em alguns Estados, há tantos homens quanto mulheres.
O Rio, por exemplo, tem pequeno déficit: são 99,55 homens para cada cem mulheres − o 0,45 saiu para comprar cigarros e não voltou.
Já no Distrito Federal faltam nove homens para as cem mulheres. Se o amigo nunca encontrou motivo para ir até lá, agora já tem um.
 (Ruy Castro, Folha de S.Paulo, 13.09.2010. Adaptado)
De acordo com a leitura do texto, pode-se concluir que
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Q661740 Português
Tecendo a Manhã
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo* para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
(João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra.)
* neologismo criado pelo autor, por meio da junção de “entre” + “entender”.

Analise as afirmações:
I. O poema caracteriza-se por ser fortemente orientado, em sua estruturação interna, pelo fenômeno linguístico da coesão. II. A repetição sonora, principalmente a aliteração, contribui decisivamente para sugerir a ideia de entrelaçamento presente no poema. III. O desenvolvimento do poema se faz num crescendo, simbolizando o processo da “construção” da manhã.
Está correto o que se afirma em
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Q661725 Português
Meu benzinho adorado (...) eu te peço por tudo o que há de mais sagrado que você me escreva uma cartinha sim dizendo como é que você vai que eu não sei eu ando tão zaranza por causa do teu abandono eu choro e um dia pego tomo um porre danado que você vai ver e aí nunca mais mesmo que você me quer e sabe o que eu faço eu vou-me embora para sempre e nunca mais vejo esse rosto lindo que eu adoro porque você é toda a minha vida e eu só escrevo por tua causa ingrata (...) do teu definitivo e sempre amigo...
(Vinícius de Moraes. Antologia poética, 1981.)
Os procedimentos adotados na construção desse texto têm por finalidade
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Q661722 Português
O Brasil na fossa
   O Imperador dom Pedro II iniciou a construção de esgotos no Brasil em 1857. Só a inglesa Londres e a alemã Hamburgo dispunham, então, de sistemas de coleta de dejetos. O Rio de Janeiro, a capital imperial, tornou-se a terceira cidade do mundo a investir nessa infraestrutura. O pioneirismo nacional no quesito saneamento terminou aí. Mais de 150 anos depois, 45% dos domicílios brasileiros ainda permanecem desconectados do sistema de escoamento. Nesses lares, 90 milhões de pessoas usam fossas sépticas ou, pior, despejam seus excrementos em valas a céu aberto ou diretamente nos rios e no mar.
(Veja, 25.05.2011.)
A estratégia usada pelo redator para atrair a atenção do leitor foi dar ao texto um título
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Q661718 Português
Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
(Carlos Drummond de Andrade. Obra completa.)

Depreende-se da leitura do poema que
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Q661717 Português
Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
(Carlos Drummond de Andrade. Obra completa.)

Analise as afirmações, referentes ao eu lírico que se manifesta no poema.
I. Declara que no convívio social a realidade se revela nítida e inexorável. II. Almeja alcançar o lirismo contemplativo. III. Nega-se a viver num escapismo romântico e num pessimismo decadentista. IV. Conclama seus parceiros a enfrentarem a vida de forma unida.
Está correto apenas o que se afirma em
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Q661715 Português
   Várias vezes, no decorrer do último século, previu-se a morte dos livros e do hábito de ler. O avanço do cinema, da televisão, da internet, tudo isso iria tornar a leitura obsoleta. No Brasil da virada do século XX para o XXI, o vaticínio até parecia razoável: o sistema de ensino em franco declínio e sua tradição de fracasso na missão de formar leitores, o pouco apreço dado à instrução como valor fundamental e até dados muito práticos, como a falta e a pobreza de bibliotecas públicas e o alto preço dos exemplares impressos aqui, conspiravam (conspiram, ainda) para que o contingente de brasileiros dados aos livros minguasse de maneira irremediável. Contra todas as expectativas, porém, vem surgindo uma nova e robusta geração de leitores no país – movida, sim, por sucessos globais como as séries Harry Potter, Crepúsculo e Percy Jackson.
(Veja, 18.05.2011. Adaptado.)
A função argumentativa do advérbio sim, no trecho ...movida, sim, por sucessos globais... é a de
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Q645361 Português

                                  O Médico e o monstro

                                                                                     Paulo  Mendes Campos

      Avental branco, pincenê vermelho, bigodes azuis, ei-lo, grave, aplicando sobre o peito descoberto duma criancinha um estetoscópio, e depois a injeção que a enfermeira lhe passa.

      O avental na verdade é uma camisa de homem adulto a bater-lhe pelos joelhos; os bigodes foram pintados por sua irmã, a enfermeira; a criancinha é uma boneca de olhos cerúleos, mas já meio careca, que atende pelo nome de Rosinha; os instrumentos para exame e cirurgia saem duma caixinha de brinquedos.

      Ela, seis anos e meio; o doutor tem cinco. Enquanto trabalham, a enfermeira presta informações:

      - Esta menina é boba mesmo, não gosta de injeção, nem de vitamina, mas a irmãzinha dela adora.

      O médico segura o microscópio, focaliza-o dentro da boca de Rosinha, pede uma colher, manda a paciente dizer aaá. Rosinha diz aaá pelos lábios da enfermeira. O médico apanha o pincenê, que escorreu de seu nariz, rabisca uma receita, enquanto a enfermeira continua:

      - O senhor pode dar injeção que eu faço ela tomar de qualquer jeito, porque é claro que se ela não quiser, NE, vai ficar muito magrinha que até o vento carrega.

      O médico, no entanto, prefere enrolar uma gaze em torno do pescoço da boneca, diagnosticando:

      - Mordida de leão.

      - Mordida de leão, pergunta, desapontada, a enfermeira, para logo aceitar este faz de conta dentro do outro faz de conta; eu já disse tanto, meu Deus, para essa garota não ir na floresta brincar com Chapeuzinho Vermelho...

      Novos clientes desfilam pela clínica: uma baiana de acarajé, um urso muito resfriado, porque só gostava de neve, um cachorro atropelado por lotação, outras bonecas de vários tamanhos, um papai Noel, uma bola de borracha e até mesmo o pai e a mãe do médico e da enfermeira.

      De repente, o médico diz que está com sede e corre para a cozinha, apertando o pincenê contra o rosto. A mãe se aproveita disso para dar um beijo violento no seu amor de filho e também para preparar-lhe um copázio de vitaminas: tomate, cenoura, maçã, banana, limão, laranja e aveia. O famoso pediatra, com um esgar colérico, recusa a formidável droga.

      - Tem de tomar, senão quem acaba no médico é você mesmo, doutor.

      Ele implora em vão por uma bebida mais inócua. O copo é levado com energia aos seus lábios, a beberagem é provada com uma careta. Em seguida, propõe um trato:

      - Só se você depois me der um sorvete.

      A terrível mistura é sorvida com dificuldade e repugnância, seus olhos se alteram nas órbitas, um engasgo devolve o restinho. A operação durou um quarto de hora. A mãe recolhe o copo vazio com a alegria da vitória e aplica no menino uma palmadinha carinhosa, revidada com a ameaça dum chute. Já estamos a essa altura, como não podia deixar de ser, presenciado a metamorfose do médico em monstro.

      Ao passar zunindo pela sala, o pincenê e o avental são atirados sobre o tapete com um gesto desabrido. Do antigo médico resta um lindo bigode azul. De máscara preta e espada, Mr. Hyde penetra no quarto, onde a doce enfermeira continua a brincar, e desfaz com uma espadeirada todo o consultório: microscópio, estetoscópio, remédios, seringa, termômetro, tesoura, gaze, esparadrapo, bonecas, tudo se derrama pelo chão. A enfermeira dá um grito de horror e começa a chorar nervosamente. O monstro, exultante, espeta-lhe a espada na barriga e brada:

      - Eu sou o Demônio do Deserto!

      Ainda sob o efeito das vitaminas, preso na solidão escura do mal, desatento a qualquer autoridade materna ou paterna, com o diabo no corpo, o monstro vai espalhando o terror a seu redor: é a televisão ligada ao máximo, é o divã massacrado sob os seus pés, é um cometa indo tinir no ouvido da cozinheira, um vaso quebrado, uma cortina que se despenca, um grito, um uivo, um rugido animal, é o doce derramado, a torneira inundando o banheiro, a revista nova dilacerada, é, enfim, o flagelo à solta no sexto andar dum apartamento carioca.

      Subitamente, o monstro se acalma. Suado e ofegante, senta-se sobre os joelhos do pai, pedindo com doçura que conte uma história ou lhe compre um carneirinho de verdade.

      E a paz e a ternura de novo abrem suas asas num lar ameaçado pelas forças do mal.

OBS.: O texto foi adaptado às regras no Novo Acordo Ortográfico. 

A terrível mistura é sorvida com dificuldade e repugnância, seus olhos se alteram nas órbitas, um engasgo devolve o restinho. A operação durou um quarto de hora. A mãe recolhe o copo vazio com a alegria da vitória e aplica no menino uma palmadinha carinhosa, revidada com a ameaça dum chute. Já estamos a essa altura, como não podia deixar de ser, presenciando a metamorfose do médico em monstro.

Em relação a essa passagem, é INCORRETO afirmar o seguinte:

Alternativas
Respostas
1921: A
1922: C
1923: B
1924: A
1925: A
1926: B
1927: A
1928: B
1929: A
1930: C
1931: E
1932: C
1933: D
1934: E
1935: A
1936: E
1937: A
1938: D
1939: B
1940: B