Questões Militares Sobre morfologia em português

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Q535698 Português

TELEFONE, UM INIMIGO NECESSÁRIO 

Anna Veronica Mautner

    Na vida nossa de cada dia, muitos tornam o número de telefone acessível, nem sempre com disposição para atender as exigências que disso decorrem. Existe aí uma responsabilidade em relação ao "outro". Se eu dou meu número para alguém, estou anunciando que sou acessível.

    No tempo em que existia lista telefônica, isso poderia ser discutível, pois os números ficavam públicos de certa forma, por lei. Mas, hoje, meu número de celular não está em lista oficial nenhuma, só é acessível se eu der. A partir daí, torno-me responsável por atendê-lo. O processo funciona em mão dupla. Quando ligo para alguém, imagino que vá me atender - senão, por que teria me dado seu número?

    A relação com a telefonia é uma escolha pessoal. Há quem ama falar, há quem é lacônico. Seja como for, tornar-se acessível significa perder graus de liberdade e, ao mesmo tempo, ganhar em acessibilidade. 

    O telefone me torna pública, mas também pode preservar minha privacidade. Para me garantir e me defender, posso usar a secretária eletrônica ou o bina, aliás, inventado e patenteado por um brasileiro. 

    Tudo isso é muito recente. Há cinquenta anos, o telefone era uma raridade reservada para pessoas da classe A. A linha era comprada a preço de ouro. Muitas lojas não tinham mais do que um aparelho - muitas vezes com cadeado; outras, com cadeado só das 13h às 15h, quando ilegalmente recebiam o resultado do jogo do bicho - não disponível para fregueses.

    E, então, um dia, privatizaram a companhia telefônica, e a cidade foi inundada por telefones. Logo depois chegaram os celulares, que invadiram definitivamente nossa vida. 

     Tudo isso transformou as relações interpessoais de maneira avassaladora. Não atender o celular pode ser visto quase como um estelionato. Você está privando o outro do acesso a você - que você prometeu quando deu o número.

    O celular foi uma revolução tão grande quanto a difusão do telefone fixo. Se ligo para o fixo de alguém que não me atende, só sei que a pessoa não está lá. Mas, com o celular, temos que aprender a mentir melhor. Vamos desenvolvendo jeitinhos. Se fulano não me atende, ligo de um número que ele não conhece e descubro se não está lá ou se não quer me atender. Inventamos o bina e depois inventamos jeitinhos para driblá-lo.

     A barreira da invisibilidade ainda não foi vencida. Se é meu amigo ou meu inimigo, não sou capaz de distinguir antes de atender e ouvir a voz. Só depois de atender, o enigma se desfaz. Uma educação para o uso do telefone se faz cada dia mais necessária. 

Folha de São Paulo, 05 fev.2013

VOCABULÁRIO

Lacônico: breve, conciso.

Todas as palavras destacadas abaixo têm natureza adverbial, EXCETO:
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Q528698 Português
Leia o soneto de Cláudio Manuel da Costa para responder à  questão.


                                     Se sou pobre pastor, se não governo

                                Reinos, nações, províncias, mundo, e gentes;

                                    Se em frio, calma, e chuvas inclementes

                                      Passo o verão, outono, estio, inverno;

                                        Nem por isso trocara o abrigo terno

                                 Desta choça, em que vivo, coas enchentes

                                     Dessa grande fortuna: assaz presentes

                                   Tenho as paixões desse tormento eterno.

                                        Adorar as traições, amar o engano,

                                            Ouvir dos lastimosos o gemido,

                                         Passar aflito o dia, o mês, e o ano;

                                      Seja embora prazer; que a meu ouvido

                                          Soa melhor a voz do desengano,

                                        Que da torpe lisonja o infame ruído.

                                                                                     (Biblioteca Virtual de Literatura. Em: www.biblio.com.br)


No verso – Se sou pobre pastor, se não governo – a conjunção, que se repete, estabelece relação de


Alternativas
Q473090 Português
Leia o poema de Carlos Drummond de Andrade, publicado no livro Alguma Poesia, para responder à questão.

                          Balada do Amor através das Idades


            Eu te gosto, você me gosta
            desde tempos imemoriais.
            Eu era grego, você troiana,
            troiana mas não Helena.
            Saí do cavalo de pau
            para matar seu irmão.
            Matei, brigamos, morremos.

            Virei soldado romano,
            perseguidor de cristãos.
            Na porta da catacumba
            encontrei­te novamente.
            Mas quando vi você nua
            caída na areia do circo
            e o leão que vinha vindo,
            dei um pulo desesperado
            e o leão comeu nós dois.

            Depois fui pirata mouro,
            flagelo da Tripolitânia.
            Toquei fogo na fragata
            onde você se escondia
            da fúria de meu bergantim.
            Mas quando ia te pegar
            e te fazer minha escrava,
            você fez o sinal-­da-­cruz
            e rasgou o peito a punhal...
            Me suicidei também.

            Depois (tempos mais amenos)
            fui cortesão de Versailles,
            espirituoso e devasso.
            Você cismou de ser freira...
            Pulei muro de convento
            mas complicações políticas
            nos levaram à guilhotina.

            Hoje sou moço moderno,
            remo, pulo, danço, boxo,
            tenho dinheiro no banco.
            Você é uma loura notável,
            boxa, dança, pula, rema.
            Seu pai é que não faz gosto.
            Mas depois de mil peripécias,
            eu, herói da Paramount*,
            te abraço, beijo e casamos.

            *Importante estúdio de cinema

                  (Carlos Drummond de Andrade. Alguma Poesia.
                        Rio de Janeiro: Record, 2007)

A correta relação entre o trecho em destaque e a circunstância adverbial que ele expressa encontra-­se na alternativa:
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Q473085 Português
Leia o capítulo XX de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, para responder à questão.

                                    Bacharelo-me

      Um grande futuro! Enquanto esta palavra me batia no ouvido, devolvia eu os olhos, ao longe, no horizonte misterioso e vago. Uma ideia expelia outra, a ambição desmontava Marcela. Grande futuro? Talvez naturalista, literato, arqueólogo, banqueiro, político ou até bispo, – bispo que fosse, – uma vez que fosse um cargo, uma preeminência, uma grande reputação, uma posição superior. A ambição, dado que fosse águia, quebrou nessa ocasião o ovo, e desvendou a pupila fulva e penetrante. Adeus, amores! adeus, Marcela! dias de delírio, joias sem preço, vida sem regime, adeus! Cá me vou às fadigas e à glória; deixo-­vos com as calcinhas da primeira idade.
      E foi assim que desembarquei em Lisboa e segui para Coimbra. A Universidade esperava­me com as suas matérias árduas; estudei-­as muito mediocremente, e nem por isso perdi o grau de bacharel; deram­-mo com a solenidade do estilo, após os anos da lei; uma bela festa que me encheu de orgulho e de saudades, – principalmente de saudades. Tinha eu conquistado em Coimbra uma grande nomeada de folião; era um acadêmico estroina, superficial, tumultuário e petulante, dado às aventuras, fazendo romantismo prático e liberalismo teórico, vivendo na pura fé dos olhos pretos e das constituições escritas. No dia em que a Universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso. Explico-­me: o diploma era uma carta de alforria; se me dava a liberdade, dava-­me a responsabilidade. Guardei-­o, deixei as margens do Mondego, e vim por ali fora assaz desconsolado, mas sentindo já uns ímpetos, uma curiosidade, um desejo de acotovelar os outros, de influir, de gozar, de viver, – de prolongar a Universidade pela vida adiante…

                                                            (Machado de Assis. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 1997)

A norma-­padrão determina que, havendo partícula atrativa, o pronome deve vir antes do verbo, isto é, deve-­se utilizar a próclise.

Sabendo-­se que as conjunções subordinativas são partículas atrativas, assinale o trecho do texto que exemplifica essa norma gramatical.
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Q383911 Português
                                    ENVELHECER BEM É POSSÍVEL

                                                                                    Anna Veronica Mautner


             A criança passa por dramáticas transformações (andar, falar, conhecer o mundo etc.), mas não tem consciência delas porque lhe falta linguagem para descrevê-las.
            Depois da adolescência, as mudanças continuam, mas com dramaticidade menor.
            Tão marcante em transformações quanto a infância é o envelhecimento. Nessa fase da vida, temos consciência de tudo o que ocorre: perdas físicas e mentais.
            Comecemos falando da reação aos imprevistos. Por que velho tropeça e cai tanto? Porque a reação ao susto e o reflexo para evitar o perigo são mais lentos.
            Falemos agora da memória, essa capacidade madrasta cuja falta castiga o idoso. Demoramos para lembrar seja lá o que for e a conversa fica entrecortada de silêncios, quase soluços.
            O conteúdo que, em primeiro lugar, mergulha nas sombras do esquecimento são os nomes próprios; mais uns anos e substantivos comuns também se embaralham.
            O curioso é que os adjetivos não somem. Aparecendo o nome, sua qualidade ou quantidade vem junto, dos fundos da memória. O nome está em algum lugar, em algum tempo, de algum jeito. Se o substantivo emerge, traz consigo as associações.
            Os verbos não somem, mas as ações deixam de ser desempenhadas. Se o verbo desaparecer, a incomunicabilidade irá se instaurar.
            Envelhecer é perder: seja clareza, seja acuidade auditiva ou visual, velocidade de resposta física ou de linguagem, memória.
            Aí vem aquela história: velho esquece o agora e lembra o mais antigo. Não há nenhum mistério nisso. É que o antigo já se transformou em imagem e a imagem reaviva as sensações. Quase nada é inconsciente, pois envelhecer é viver as mudanças diárias.
            Sentimos a presença das mudanças. Se causam amargura, é pela não aceitação. E, se não aceitarmos que já não somos o que éramos, o nosso contato com o mundo aqui e agora fica prejudicado.
            Assim como é natural o ser humano se transformar ininterruptamente, em boa velocidade, do nascimento à puberdade, é natural envelhecer, com lentas perdas no início e mais rápidas depois.
            Aceitando que viver é assim, permanente transformação, podemos sorrir diante de perdas e transmitir (até com humor) a quem nos rodeia que estamos presentes, acompanhando o processo.
            Nada de dizer que a terceira idade é maravilhosa. Nada disso. Perder não é bom. Mas alguns conseguem ir perdendo sem muita amargura, porque acompanham as transformações dos que ainda estão ganhando.
            É a alegria do avô diante do neto. Há na atitude de acompanhar o que já tivemos no passado doses de aceitação e generosidade. Podemos ajudar. Nossa sabedoria funciona como conforto para quem está só começando.
            O olhar bondoso do idoso diante do tatibitate do nenê é sabedoria. O velho vislumbra o caminho que o bebê irá seguir. Não é um reviver nem um renascer: é uma memória.


                                                                                                Folha de São Paulo, 05 mar. 2013.


Em “Nessa fase da vida temos consciência de tudo o que ocorre: perdas físicas e mentais.”, o termo o é
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Q380541 Português
Sobre o trecho abaixo, é correto afirmar que:

“Não posso amigo, caro amigo, responder agora à sua carta de 8 de outubro: recebi-a dias depois do falecimento de minha mulher, e você compreende que apenas posso falar desse fundo golpe. Até outra e breve; então lhe direi o que convém ao assunto daquela carta que, pelo afeto e sinceridade, chegou à hora dos melhores remédios. Aceite este abraço do triste amigo velho.”
Alternativas
Q377335 Português
São palavras primitivas:
Alternativas
Q377322 Português
Ao se alistar, não imaginava que o combate pudesse se realizar em tão curto prazo, embora o ribombar dos canhões já se fizesse ouvir ao longe.

Quanto ao processo de formação das palavras sublinhadas, é correto afirmar que sejam, respectivamente, casos de
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Q377318 Português
Assinale a alternativa que contém um grupo de palavras cujos prefixos possuem o mesmo significado.
Alternativas
Q377151 Português
Assinale a palavra cujo prefixo não tem o mesmo significado do prefixo “indiferença”:
Alternativas
Q377150 Português
Assinale a alternativa em que o plural no diminutivo dos substantivos retirados do texto está de acordo com a norma culta da Língua Portuguesa:
Alternativas
Q377149 Português
Indique nos parênteses a classe gramatical das palavras grifadas, de acordo com o código:

( 1 ) verbo.
( 4 ) advérbio.
( 2 ) substantivo.
( 5 ) preposição.
( 3 ) adjetivo

Sua única vantagem ( ) é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria ( ) no ( ) mesmo instante outra tão ( ) igual ( ) como se fora a mesma.

Assinale a alternativa que contém a sequência correta:
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Q377138 Português
Assinale a alternativa em que o segmento retirado do texto apresenta adjetivo sem variação de grau:
Alternativas
Q377132 Português
Assinale a alternativa em que o plural não se faz da mesma forma que coração:
Alternativas
Q377129 Português
Em todas as alternativas as palavras são formadas por derivação sufixal, exceto:
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Q377127 Português
Assinale a alternativa em que a palavra derivada dos verbos retirados do texto está incorreta:
Alternativas
Q377122 Português
Em “E dizer que a obriguei a correr naquele estado!” A galinha tornara-se a rainha da casa.” Assinale a alternativa em que as ocorrências do “a” no trecho retirado do texto estão justificados corretamente:
Alternativas
Q365046 Português
Na palavra INSEGURANÇA, o prefxo IN- significa “negação”; a palavra abaixo em que esse mesmo prefixo apresenta outro significado é:
Alternativas
Q360388 Português
Eu dei a minha alma para que o Stallone expressasse a realidade de um down que luta para materializar seus sonhos." (l. 12 a 14)

Assinale a alternativa correta em relação aos termos sublinhados acima.
Alternativas
Q360383 Português
Leia o excerto abaixo:

''Há pessoas que tiveram acesso a todos os estudos possíveis.."

Assinale a alternativa em que o termo destacado classifica-se, morfologicamente, da mesma maneira que o sublinhado no recorte acima.
Alternativas
Respostas
1121: D
1122: A
1123: D
1124: E
1125: C
1126: D
1127: D
1128: B
1129: A
1130: B
1131: B
1132: D
1133: B
1134: C
1135: C
1136: E
1137: A
1138: D
1139: D
1140: A