O Brasil está envelhecendo,
mas ainda não sabe onde vai morar
O Brasil está envelhecendo – e rápido. Em poucas décadas, o País deixou de ser majoritariamente jovem para ingressar numa transição demográfica profunda, que redefine não
apenas políticas públicas, mas também a forma como pensamos cidades, moradia e qualidade de vida. Segundo dados do
IBGE, atualmente a população entre 60 e 69 anos representa
cerca de 16% dos brasileiros (mais de 31 milhões de pessoas).
As projeções são ainda mais contundentes: em 2060, o Brasil
deverá somar 73,4 milhões de idosos, com crescimento acelerado sobretudo entre aqueles acima dos 90 anos.
Esse novo desenho etário impõe desafios estruturais. Afinal, não se trata apenas de viver mais, mas de como viver
melhor. O envelhecimento da população exige respostas que
vão além da saúde e da previdência: passam necessariamente pela moradia. É nesse ponto que surge um debate
ainda pouco amadurecido no Brasil, mas central no mundo
desenvolvido: o da moradia pensada para o envelhecimento
ativo.
Isso porque envelhecer com dignidade não é apenas um
conceito abstrato. É um direito. De um lado, a Organização
das Nações Unidas (ONU) reconhece o direito à moradia
digna como um direito humano fundamental e estabelece
princípios específicos para as pessoas idosas, baseados em
independência, participação social, cuidado, autorrealização
e dignidade.
De outro, a Organização Mundial da Saúde (OMS)
reforça esse olhar por meio do programa Cidades Amigas do
Idoso, que propõe lares e ambientes adaptados às necessidades físicas, sociais e emocionais da população idosa. Ou
seja, a premissa é clara: envelhecer não deve significar isolamento, perda de autonomia ou exclusão da vida comunitária.
De acordo com Luiz Carlos Travaglia (em MARQUESI,
Sueli Cristina; Pauliukonis, Aparecida Lino e ELIAS, Vanda
Maria [orgs], 2017), “o conhecimento linguístico sobre
argumentação se estende hoje a um grande número de
tópicos”. Dentre esses tópicos, o autor refere-se aos
argumentos, que, no texto, são exemplificados com:
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