Questões Militares
Sobre gêneros textuais em português
Foram encontradas 179 questões
Leia atentamente o texto abaixo e responda a questão proposta.
MEU MELHOR CONTO
Moacyr Scliar
Você me pergunta qual foi o melhor conto que escrevi. Indagação
típica de jovens jornalistas; vocês vêm aqui, com esses pequenos gravadores,
que sempre dão problema, e uma lista de perguntas - e aí querem saber qual foi
o melhor ponto que a gente fez, qual provocou maior controvérsia, essas coisas.
Mas tudo bem: não vou me furtar a responder essa questão. Dá mais trabalho
explicar por que a gente não responde do que simplesmente responder.
Meu melhor
conto... Não está em nenhum dos meus livros, em nenhuma antologia, em nenhuma
publicação. Ele está aqui, na minha memória; posso acessá-lo a qualquer
momento. Posso inclusive lembrar as circunstâncias em que o escrevi. Não
esqueci, não. Não esqueci nada. Mesmo que quisesse esquecer, não o
conseguiria.
Eu era então um
jovem escritor - faz muito tempo, portanto, que isso aconteceu. Estava
concluindo o curso de Letras e acabara de publicar meu primeiro livro, recebido
com muito entusiasmo pelos críticos. É uma revelação, diziam todos, e eu, que à
época nada tinha de modesto, concordava inteiramente: considerava-me um gênio.
Um génio contestador. Minhas histórias estavam impregnadas de indignação; eram
verdadeiros panfletos de protesto contra a injustiça social. O que me salvava
do lugar-comum era a imaginação - a imaginação sem limites que é a marca
registrada da juventude literária e que, como os cabelos, desaparecem com os
anos.
Mas eu não
era só escritor. Era militante político. Fazia parte de um minúsculo, obscuro,
mas extremado grupo de universitários. Veio o golpe de 1964, participei em
manifestações de protesto, cheguei a pensar em juntar-me à guerrilha - o que
certamente seria um-desastre, porque eu era um garoto de classe média, mimado
pelos pais, acostumado ao conforto, enfim, uma antípoda do guerrilheiro. De
qualquer modo, fui preso.
Uma tragédia.
Meus pais quase enlouqueceram. Fizeram o possível para me soltar, falaram com
Deus e todo mundo, com políticos, jornalistas e até generais. Inútil. O momento
era de linha dura, linha duríssima, e eu estava em mais de uma lista de suspeitos.
Não me soltariam de jeito nenhum.
Fui levado para um
lugar conhecido como Usina Pequena. Havia duas razões para essa denominação.
Primeiro, o centro de detenção ficava, de fato, perto de uma termelétrica. Em
segundo lugar, o método preferido para a tortura era, ali, o choque elétrico.
O chefe da Usina
Pequena era o Tenente Jaguar. Esse não era o seu verdadeiro nome, mas o apelido
era mais que o apropriado: ele tinha mesmo cara de felino, e de felino muito
feroz. Ao sorrir, mostrava os caninos enormes - e isso era suficiente para dar
calafrios nos prisioneiros.
Fiquei pouco tempo
na Usina Pequena, quinze dias. Mas foi o suficiente. Da cela que eu ocupava, um
cubículo escuro, úmido, fétido, eu ouvia os gritos dos prisioneiros sendo torturados
e entrava em pânico, perguntando-me quando chegaria a minha vez. E aí uma manhã
eles vieram me buscar e levaram-me para a chamada Sala do Gerador, o lugar das
torturas, e ali estava o Tenente Jaguar, à minha espera, fumando uma cigarrilha
e exibindo aquele sorriso sinistro. Leu meu prontuário e começou o
interrogatório. Queria saber o paradeiro de um dos meus professores, suspeito
de ser um líder importante na guerrilha.
Tão apavorado eu
estava que teria falado - se soubesse, mesmo, onde estava o homem. Mas eu não
sabia e foi o que respondi, numa voz trémula, que não sabia. Ele me olhou e
estava claramente decidindo se eu falava a verdade ou se era bom ator. Mas ali
a regra era: na dúvida, a tortura. E eu fui torturado. Choques nos genitais, o método
clássico. No quarto choque, desmaiei, e me levaram de volta para a cela.
Durante dois dias
ali fiquei, deitado no chão, encolhido, apavorado. No terceiro dia o carcereiro
entrou na sala: o Tenente queria me ver. Implorei para que não me levasse: eu
não aguento isso, vou morrer, e vocês vão se meter em confusão. Ignorando
minhas súplicas, arrastou-me pelo corredor, mas não me levou para o lugar das
torturas, e sim para a sala do Tenente. O que foi uma surpresa. Uma surpresa
que aumentou quando o homem me recebeu gentilmente, pediu que sentasse,
ofereceu-me um chá. Perguntou se eu tinha me recuperado dos choques; e aí - eu
cada vez mais atônito - pediu desculpas: eu tinha de compreender que torturar
era a função dele, e que precisava cumprir ordens.
Ficou um instante
olhando pela janela - era uma bela manhã de primavera - e depois voltou-se para
mim, anunciando que tinha um pedido a me fazer.
Àquela altura eu
não entendia mais nada. Ele tinha um pedido a me fazer? O todo-poderoso chefe
daquele lugar? O cara que podia me liquidar sem qualquer explicação tinha um
pedido? Estou às suas ordens, eu disse, numa voz sumida, e ele foi adiante. Eu
sei que você é escritor, e um escritor muito elogiado.
Está na sua
ficha - acrescentou, sorridente. - Nós aqui temos todas as informações sobre
sua vida.
Olhou-me de
novo e acrescentou:
- Tem uma
coisa que eu queria lhe mostrar.
Abriu uma gaveta
e tirou de lá um recorte de jornal. Era uma notícia sobre um concurso de
contos. Cada vez mais surpreso, li aquilo e mirei-o sem entender. Ele explicou.
Eu escrevo.
Contos, como você. Mas tenho de admitir: não tenho um décimo do seu talento.
Nova pausa, e continuou:
Quero ganhar
esse concurso literário. Melhor, preciso ganhar esse concurso literário. Não me
pergunte a razão, mas é muito importante para mim. E você vai me ajudar. Vai
escrever um conto para mim. Posso contar com você, não é?
E então aconteceu
a coisa mais surpreendente. Eu disse que não, que não escreveria merda nenhuma
para ele.
Tão logo falei,
dei-me conta do que tinha feito - e fiquei a um tempo aterrorizado e orgulhoso.
Sim, eu tinha ousado resistir. Sim, eu tinha mostrado a minha fibra de
revolucionário. Mas, e agora? E os choques?
Para meu espanto,
o homem começou a chorar. Chorava desabaladamente, como uma criança. E então me
explicou: quem tinha mandado aquele recorte fora o seu filho, um rapaz de
catorze anos que adorava o pai, e adorava as histórias que o pai escrevia
- Ele quer que
eu ganhe o concurso, o meu filho o Tenente, soluçando. E eu quero ganhar o
concurso. Para ele. É um rapaz muito doente, talvez não viva muito. Eu preciso
lhe dar essa alegria. E só você pode me ajudar.
Olhava-me, as
lágrimas escorrendo pela face.
O que podia eu
dizer? Pedi que me arranjasse uma máquina de escrever e umas folhas de papel.
Naquela tarde
mesmo escrevi o conto. Nem precisei pensar muito; simplesmente sentei e fui
escrevendo. A história brotava de dentro de mim, fluía fácil. E era um belo
conto, diferente de tudo o que eu tinha escrito até então. Não falava em
revolta, não satirizava opressores. Contava a história de um pai e de seu filho
moribundo.
Entreguei o
conto ao Tenente, que o recebeu sem dizer palavra, sem sequer me olhar. E no
dia seguinte fui solto.
Nunca fiquei
sabendo o que aconteceu depois, o resultado do concurso, nada disso. Não estava
interessado; ao contrário, queria esquecer a história toda, e inclusive o conto
que eu tinha escrito. O que foi inútil. A narrativa continuava dentro de mim,
como continua até hoje. Se eu quisesse, poderia escrevê-la de uma sentada.
Mas não o
farei. Esse conto não me pertence. É, acho, a melhor coisa que escrevi, mas não
me pertence. Pertence ao Tenente, que esses dias, aliás, vi na rua: um ancião
alquebrado, que anda apoiado numa bengala.
Ele me olhou e
sorriu. Talvez tivesse, com gratidão, lembrado aquele episódio. Ou talvez
estivesse debochando de mim. Com esses velhos torturadores, a gente nunca sabe.
(Porto Alegre, 2003.)
Conto de Moacyr Scliar
publicado no livro "Do conto à crônica".
A partir da leitura do texto, pode-se afirmar que todas as alternativas estão corretas, EXCETO.
Leia o texto abaixo para responder à questão.
Medo da eternidade

(LISPECTOR, Clarice. Jornal do Brasil, 06 de jun. de 1970)
Avalie as informações abaixo acerca do texto.
I- O texto tem como objetivo desconstruir o conceito já estabelecido sobre a pigmentação das penas do pavão.
II- As metáforas construídas para o pavão encaminham o texto para as conclusões pessoais do autor sobre o sentimento amoroso.
III- O emprego da linguagem figurada, no primeiro parágrafo, objetiva reforçar a necessidade de se exaltar a simplicidade e a criatividade do grande artista.
IV- O uso das expressões “máximo de matizes” e “mínimas bolhas” coloca em evidência o contraste entre a pequenez de quem ama e a grandiosidade da pessoa amada.
Está correto o que se afirma em
Nova canção do exílio
A Josué Montello Um sabiá na palmeira, longe. Estas aves cantam um outro canto. O céu cintila sobre flores úmidas. Vozes na mata, e o maior amor. Só, na noite, seria feliz: um sabiá, na palmeira, longe.
Onde é tudo belo e fantástico, só, na noite, seria feliz (Um sabiá, na palmeira, longe). Ainda um grito de vida e voltar para onde é tudo belo e fantástico: a palmeira, o sabiá, o longe.
Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002. p. 145-146.
É CORRETO afirmar que Carlos Drummond de Andrade retoma o conhecido texto de Gonçalves Dias pelo viés da:
I- Em relação à situação de uso e à variação linguística empregada no texto do anúncio, o cronista enaltece a linguagem apurada do anúncio como propriedade da amostra que serve de exemplo a ser seguido por outros anunciantes.
II- A construção desse texto evidencia que, nele, predomina a função metalinguística da linguagem porque o locutor se expressa por meio de uma língua que é objeto acerca do qual ele trata.
III- O ponto e vírgula no trecho “Não prometestes recompensa tentadora; não fazes praças de generosidade ou largueza; acenas com o razoável [...]” foi empregado para separar, no período, orações de mesma natureza.
IV- Em relação ao gênero, esse texto é uma crônica elaborada a partir de um anúncio, analisado pelo narrador que expressa sua avaliação crítica ao comparar esse anúncio antigo com os de sua época sobre tema semelhante.
Estão CORRETAS as afirmativas:
Uma das fobias mais peculiares é o medo dos espelhos. Na Inglaterra da era vitoriana, antes de um morto ser levado ao cemitério, todos os espelhos eram cobertos com tecidos, pois se acreditava que a alma da pessoa poderia ficar presa nos espelhos.
O medo é pessoal e reflete a resposta do coração às inseguranças que cada um carrega dentro de si. Paradigmas que sustentavam a sociedade em décadas anteriores estão em crise: preocupações crescentes, solidão, desesperança, ressentimentos, um mundo cada vez mais líquido onde amores / sentimentos escorrem por nossas mãos, intolerância e agressividade nos parecem mais evidentes.
Quer gostemos ou não, a vida vai sempre seguindo. Uma vida plenamente feliz é uma dádiva temporária, vale dizer, não dura para sempre. E sim, às vezes, dói, é triste ou, outras vezes, é surpreendente. E quando a vida o machucar (porque certamente irá), lembre-se da dor. A dor sempre tem seu lado positivo. Significa que estamos fora da caverna. A real tragédia da vida é os homens terem medo da luz. Diante da fragilidade e da brevidade da vida, é preciso lembrar-se da água: ela abre seu caminho e encontra seu rumo mesmo diante de algum obstáculo. Talvez para ela fosse mais perigoso permanecer parada.
Ainda se está explorando o terreno movediço e desafiador do quebra-cabeça neuronal envolvido com os sentimentos e as emoções. Nada nos humilha mais do que a coragem alheia. Aceitemos o medo, mas que ele não nos limite.
(Rafael Delsin. Os homens maus estão chegando. BE – Revista Bem-Estar, 10.07.2022. Adaptado)
Considere as informações:
• ... é marcado por sua esfera de atuação que promove modos específicos de combinar, indissoluvelmente, conteúdo temático, propósito comunicativo, estilo e composição.
(Koch e Elias, Ler e compreender, 2011)
• Schneuwly & Dolz desenvolvem a ideia de que ele é o meio de articulação entre as práticas sociais e os objetos escolares, particularmente no que diz respeito ao ensino da produção e compreensão de textos, escritos ou orais.
(Koch e Elias, Ler e escrever, 2011. Adaptado)
As informações apresentadas dizem respeito ao conceito de
Texto II
TCHAIKOVSKY – VALSA DAS FLORES | DEGAS E AS BAILARINAS
1º§O Quebra-Nozes é uma das composições mais conhecidas de Pyotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893), tendo algumas de suas mais memoráveis melodias. A Valsa das Flores é uma das peças mais conhecidas desse balé.
2º§ Nos dois outros balés escritos pelo compositor – O Lago dos Cisnes e A Bela Adormecida –, as valsas têm um papel importante, mas a Valsa das Flores, tão cheia de graça e de elegância, é a sua incursão mais inspirada no gênero.
3º§ Uma versão da Valsa das Flores para dois pianos, interpretada por Martha Argerich e Nicolas Economou, foi produzida como trilha sonora de um vídeo com uma montagem de imagens de bailarinas pintadas por Edgar Degas (1834-1917).
4º§ Mais de metade das obras de Degas retratam bailarinas. Eis o que o próprio artista disse sobre o assunto:
5º§ “Dizem que sou um pintor de bailarinas, mas o que quero é capturar o movimento em si.”
6º§ A música e a montagem ajudam as imagens de Degas a dançar.
Fonte: SIFFERT, Carlos. TCHAIKOVSKY – VALSA DAS FLORES | DEGAS E AS BAILARINAS. Veiculado por Clássicos dos clássicos. Disponível em: https://classicosdosclassicos.mus.br/obras/tchaikovsky-valsa-das-flores-degas-e-as-bailarinas/
O copo de café quente do McDonald's.
(I) ____ (Por que, Por quê, Porque, Porquê) um processo é considerado frívolo? Um exemplo é o caso ocorrido, por conta de um acidente entre a rede McDonald's e Stella Liebeck, o qual originou um processo. Quase todos parecem saber disso. E (II) ___ (a, à, á, há) uma boa chance de tudo o que se acredita estar errado.
Em 1992, Stella Liebeck, de 79 anos, comprou uma xícara de café para viagem em um drive-thru do McDonald's, em Albuquerque, e o derramou em seu colo. Conjecturou-se: O café não deveria estar quente? O McDonald's não derramou o café nela? Ela derramou o café em si (III) ____________ (mesmo, mesma)? Ela estava dirigindo o carro? Ela não prestou atenção no café?
Fatos: Stella Liebeck não estava dirigindo quando derramou o café, nem o carro estava em movimento. Ela era a passageira de um veículo que estava parado no estacionamento do McDonald's, no qual, ela havia comprado o café. Ela estava com o copo entre os joelhos, enquanto removia a tampa para adicionar o creme e o açúcar, quando o copo tombou e derramou todo o conteúdo em seu colo.
A mensagem do júri: o café não estava apenas quente, mas perigosamente quente. A política corporativa do McDonald's era servi-lo a uma temperatura que pudesse causar queimaduras graves em segundos. Os ferimentos de Liebeck estavam longe de ser frívolos. Ela estava vestindo uma calça de moletom que absorveu o café e o manteve contra a pele. Ela sofreu queimaduras de terceiro grau (o tipo mais sensível) e precisou de enxertos de pele na parte interna das coxas e em outros lugares.
O júri teve acesso a processos similares durante o julgamento: o caso de Liebeck estava longe de ser um evento isolado. O McDonald's recebeu mais de 700 relatórios prévios de danos causados por seu café, incluindo relatos de queimaduras de terceiro grau, e pagou indenizações em alguns casos. Liebeck propôs receber US$ 20.000 para cobrir suas despesas médicas e perda de renda, mas o McDonald's nunca ofereceu mais de US$ 800, então o caso foi a julgamento.
O júri considerou Liebeck parcialmente culpada por seus ferimentos, reduzindo a compensação no acordo. Mas o prêmio de indenização punitiva do júri ganhou as manchetes. Apesar de centenas de pessoas terem sofrido ferimentos similares. Ciente da procrastinação do McDonald's, o júri concedeu à Liebeck o equivalente a dois dias de receita de vendas de café.
Isso não foi, no entanto, o fim de tudo. A indenização
original por danos punitivos foi finalmente reduzida em
mais de 80% pelo juiz e, para evitar o que
provavelmente seriam anos e anos de apelações,
Liebeck e o McDonald’s chegaram a um acordo
sigiloso.
( ) O texto é PREDOMINANTEMENTE expositivo, enquadra-se na categoria de notícias, artigos, reportagens, etc. ( ) O texto é PREDOMINANTEMENTE narrativo, adapta-se na categoria de romances, contos, fábulas, etc. ( ) O texto é PREDOMINANTEMENTE descritivo, adequa-se na categoria de diários, folhetos, anúncios, etc. ( ) O texto é PREDOMINANTEMENTE argumentativo, corresponde à categoria de manifestos, sermões , teses, etc. ( ) O texto é PREDOMINANTEMENTE injuntivo, condiz com a categoria de manuais de instruções, guias rodoviários, bulas de remédio, etc.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.
O copo de café quente do McDonald's.
(I) ____ (Por que, Por quê, Porque, Porquê) um processo é considerado frívolo? Um exemplo é o caso ocorrido, por conta de um acidente entre a rede McDonald's e Stella Liebeck, o qual originou um processo. Quase todos parecem saber disso. E (II) ___ (a, à, á, há) uma boa chance de tudo o que se acredita estar errado.
Em 1992, Stella Liebeck, de 79 anos, comprou uma xícara de café para viagem em um drive-thru do McDonald's, em Albuquerque, e o derramou em seu colo. Conjecturou-se: O café não deveria estar quente? O McDonald's não derramou o café nela? Ela derramou o café em si (III) ____________ (mesmo, mesma)? Ela estava dirigindo o carro? Ela não prestou atenção no café?
Fatos: Stella Liebeck não estava dirigindo quando derramou o café, nem o carro estava em movimento. Ela era a passageira de um veículo que estava parado no estacionamento do McDonald's, no qual, ela havia comprado o café. Ela estava com o copo entre os joelhos, enquanto removia a tampa para adicionar o creme e o açúcar, quando o copo tombou e derramou todo o conteúdo em seu colo.
A mensagem do júri: o café não estava apenas quente, mas perigosamente quente. A política corporativa do McDonald's era servi-lo a uma temperatura que pudesse causar queimaduras graves em segundos. Os ferimentos de Liebeck estavam longe de ser frívolos. Ela estava vestindo uma calça de moletom que absorveu o café e o manteve contra a pele. Ela sofreu queimaduras de terceiro grau (o tipo mais sensível) e precisou de enxertos de pele na parte interna das coxas e em outros lugares.
O júri teve acesso a processos similares durante o julgamento: o caso de Liebeck estava longe de ser um evento isolado. O McDonald's recebeu mais de 700 relatórios prévios de danos causados por seu café, incluindo relatos de queimaduras de terceiro grau, e pagou indenizações em alguns casos. Liebeck propôs receber US$ 20.000 para cobrir suas despesas médicas e perda de renda, mas o McDonald's nunca ofereceu mais de US$ 800, então o caso foi a julgamento.
O júri considerou Liebeck parcialmente culpada por seus ferimentos, reduzindo a compensação no acordo. Mas o prêmio de indenização punitiva do júri ganhou as manchetes. Apesar de centenas de pessoas terem sofrido ferimentos similares. Ciente da procrastinação do McDonald's, o júri concedeu à Liebeck o equivalente a dois dias de receita de vendas de café.
Isso não foi, no entanto, o fim de tudo. A indenização
original por danos punitivos foi finalmente reduzida em
mais de 80% pelo juiz e, para evitar o que
provavelmente seriam anos e anos de apelações,
Liebeck e o McDonald’s chegaram a um acordo
sigiloso.

Instrução: Leia o excerto a seguir para responder à questão.
Imaginemos uma cena possível do cotidiano:
Um garoto vai para a escola levado de carro por seu pai. Ao sinal vermelho do semáforo, surge bem em frente um menino mirrado, com roupas surradas e um nariz de palhaço, fazendo um triste show circense de malabarismo. Outros dois também aproveitam a parada obrigatória para vender balas ou pedir moedas. Rapidamente, o vidro do carro sobe depois da ordem e do comentário do pai: Está vendo, filho, é assim que começa. Daqui a alguns anos, esses moleques vagabundos que não querem estudar e trabalhar estarão roubando e matando. Isso não tem jeito de consertar. Acende o verde e lá vai o garoto para escola um pouco assustado, mas aliviado: Ainda bem que minha família é do bem.
Está plantada a semente do preconceito social.
(CARDOSO, C.M. Fundamentos para uma educação na diversidade. In: https://acervodigital.unesp.br/bitstream/unesp/. Acesso em
20/10/2021.)
Texto IV

Deixou cair a folha seca, enfurnou as mãos nos bolsos e seguiu pisando com a mesma prudência da estátua. Contornou o tufo de begônias, vacilou entre os dois ciprestes (mas o que significava essa estátua?) e enveredou por uma alameda que lhe pareceu menos sombria. Um jardim inocente.
TEXTO II
Na última sexta-feira, 16 de julho, o 5º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais – CBMMG em Uberlândia concluiu a formação de 27 (vinte e sete) novos pilotos de RPA (Remotely Piloted Aircraft), os conhecidos “drones”. [...]
A aplicação dessa tecnologia no serviço do CBMMG é diversa, abrangendo várias operações: atendimento pré-hospitalar, salvamento aquático, busca e salvamento urbano e rural, busca de corpos em rios, ocorrências envolvendo produtos perigosos, ocorrências em espaços confinados, mapeamento de área afetadas por desastres, logística de ajuda humanitária, monitoramento de movimentação de massas, monitoramento de incêndio florestal e incêndio estrutural, inspeções prediais, busca e resgate em estruturas colapsadas, fotos, filmagens, produção de mídias para comunicação social, dentre outras aplicações.
O Corpo de Bombeiros preza pela qualidade e pronto atendimento em sua missão de socorro, empregando e aplicando as melhores e mais eficientes técnicas para servir a sociedade.
Disponível em: https://regionalzao.com.br/noticia/37881/ cinco-militares-do-cbmmg-em-ituiutaba-sao-capacitados-para-operar-drones. Acesso em: 4 ago. 2021.
Considere as seguintes características relativas a gêneros do domínio jornalístico:
I. Apresentam uma informação concisa de fato jornalístico que envolve tecnologia.
II. Fazem referência a lugar, causa, momento e pessoas envolvidas em um fato.
III. Limitam-se à narração do fato, sem interpretação, comentário ou juízo de valor.
IV. São um relato curto que veicula apreciação de pessoas que participaram do fato.
São características do texto II:


