De acordo com o relatório Suicídio no mundo em 2019, elabora...
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Suicídio no mundo em 2019: Estimativas Globais de Saúde. Genebra, 2021 (adaptado).
A partir das informações apresentadas no texto, avalie as afirmações a seguir.
I. A resiliência pode ser considerada um fator de risco e está associada tanto à ideação quanto à tentativa de suicídio, podendo ainda interagir com outros fatores de risco e anular eventuais fatores de proteção a que o indivíduo está exposto.
II. As causas do suicídio são heterogêneas, porém existem características comuns em indivíduos que apresentam comportamento suicida do ponto de vista social, clínico e neurobiológico, que podem auxiliar a identificar indicadores de risco desse comportamento.
III. As alterações neurobiológicas decorrentes de repetidas experiências adversas durante a infância, particularmente a violência física e sexual, aumentam a probabilidade de desenvolvimento de transtornos mentais graves, bem como ocorrência de comportamentos suicidas ao longo da vida.
IV. A sensibilidade e atenção orientada para estímulos vinculados ao suicídio, o comportamento impulsivo, a tendência ao silenciamento, a dificuldade de planejamento das tarefas diárias e a tomada de decisões não adaptativas são diferentes tipos de alterações primárias cognitivas que podem estar relacionadas ao comportamento suicida.
É correto apenas o que se afirma em
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Alternativa correta: E
Tema central: comportamento suicida — fatores de risco e proteção, contribuições sociais, clínicas e neurobiológicas, e alterações cognitivas associadas. É tema recorrente em Psicologia da Saúde e exige conhecimento sobre evidências da OMS e pesquisas sobre experiências adversas na infância (ACEs) e psicopatologia.
Resumo teórico (sucinto): o suicídio é multifatorial. Fatores protetores (p. ex., resiliência, suporte social) diminuem risco; fatores de risco (p. ex., transtornos mentais, abuso na infância, impulsividade, viés atencional para estímulos suicidas) aumentam-no. Experiências adversas na infância promovem alterações neurobiológicas (eixo HPA, conectividade pré-frontal-límbica) que elevam probabilidade de transtornos graves e de comportamento suicida. Fontes: WHO (Suicide worldwide, 2019; Genebra, 2021), estudos sobre ACEs (Felitti et al., 1998) e revisões sobre neurobiologia do suicídio.
Por que E (II, III e IV) é correta?
- II: Verdadeira — mesmo com heterogeneidade, há características sociais (isolamento, estigma), clínicas (depressão, transtornos) e neurobiológicas (disfunções no controle emocional) que funcionam como indicadores de risco.
- III: Verdadeira — evidências mostram que repetidas adversidades na infância (incluindo violência física e sexual) estão associadas a alterações neurobiológicas e maior risco de transtornos e suicídio ao longo da vida.
- IV: Verdadeira — atenção seletiva a estímulos suicidas, impulsividade, silenciamento (não relato), prejuízos em planejamento e tomada de decisão são alterações cognitivas/ comportamentais frequentemente observadas em risco suicida.
Por que I está incorreta? A afirmação inverte o conceito: resiliência é, em geral, um fator de proteção, não de risco. Baixa resiliência ou sua ausência pode aumentar a vulnerabilidade, mas não se classifica a resiliência como fator de risco nem como anuladora de fatores de proteção (ela é um fator protetor que pode mitigar riscos).
Dica de interpretação de enunciados: preste atenção a palavras absolutas ou inversões conceituais (ex.: "resiliência = fator de risco"). Relacione termos com definições da literatura antes de marcar.
Referências rápidas: WHO (2021) "Suicide in the world 2019"; Felitti et al. (1998) sobre ACEs; revisões sobre neurobiologia do suicídio.
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