Recentemente, foi inaugurado, numa comunidade, um Centro Es...
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Prêmio Profissional: Democracia e Cidadania Plena das Mulheres. Brasília: CFP, 2012 (adaptado).
Considerando o texto apresentado e as ações pertinentes às (aos) psicólogas(os) nos CREAS, com vistas a atingir os objetivos mencionados no texto, avalie as afirmações a seguir.
I. A realização de ações focadas no diagnóstico psicológico de mulheres em situação de vulnerabilidade deve ser prioridade para a(o) psicóloga(o) que atua no CREAS.
II. A(O) psicóloga(o) deve propor ações direcionadas à promoção de autonomia, visando-se ao bem-estar de toda a família envolvida em processo psicoterapêutico.
III. A criação de espaços de reflexão para valorização, autonomia, fortalecimento e instrumentalização das mulheres deve ser incentivada, com vistas a ajudá-las a se reconhecerem como sujeitos de direitos.
IV. A promoção de ações na modalidade de grupo deve ser direcionada a todas as mulheres da comunidade, enquanto a psicoterapia individual deve ser restrita a mulheres em situação de violência de gênero.
É correto o que se afirma em
Gabarito comentado
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Gabarito: A — III, apenas.
Tema central: atuação do(a) psicólogo(a) no CREAS voltada à promoção de direitos, prevenção e fortalecimento da autonomia das mulheres. Exige compreensão de princípios do SUAS, da assistência social e das diretrizes éticas do CFP (evitar patologização; priorizar ações comunitárias e de empoderamento).
Resumo teórico: Intervenções no CREAS devem privilegiar estratégias coletivas e educativas, promoção de autonomia (empowerment), responsabilização social e garantia de direitos. O trabalho psicológico nesses espaços articula prevenção, acolhimento e encaminhamento, respeitando normas do SUAS/PNAS e a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) quando houver violência de gênero. O foco não é o “diagnóstico clínico” como prioridade, mas a proteção social e fortalecimento das mulheres como sujeitos de direito (Conselho Federal de Psicologia — orientações para políticas públicas).
Por que a alternativa III é correta: incentivar espaços de reflexão que promovam valorização, autonomia e instrumentalização das mulheres corresponde ao princípio do empowerment e à atuação preventiva/educativa do CREAS. Essas ações fortalecem o reconhecimento como sujeitos de direitos e articulam-se com políticas públicas de proteção — exatamente o objetivo descrito no enunciado.
Por que as outras estão incorretas:
I (incorreta): Priorizar o diagnóstico psicológico vai contra a lógica do CREAS, que tende ao acolhimento, proteção e ações socioeducativas. O diagnóstico clínico pode ocorrer quando necessário, mas não deve ser a prioridade institucional; risco de medicalizar e retirar foco dos direitos e da proteção social.
II (incorreta): Embora promover autonomia seja objetivo, o enunciado da afirmação generaliza ao “bem‑estar de toda a família”. No contexto de violência de gênero ou de vulnerabilidade, a ação do(a) psicólogo(a) deve priorizar a autonomia e segurança da mulher como sujeito de direitos; nem sempre o foco principal é o bem‑estar familiar (podendo a família ser fonte de risco).
IV (incorreta): A afirmação é rígida: não se deve dizer que grupos são para “todas” e que psicoterapia individual seja restrita a vítimas de violência. Grupo e individual são estratégias complementares; a psicoterapia individual pode ser indicada por múltiplas razões e o acesso não pode ser restrito de forma absoluta.
Dica de prova: desconfie de termos absolutos (sempre/sempre deve/estritamente restrito). Priorize alternativas que reflitam princípios de proteção social, empoderamento e atuação ética do CFP.
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