Questões de Vestibular UNICAMP 2024 para Vestibular Indígena
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“Palavras são estradas. É com elas que conectamos os pontos entre o presente e um passado que não podemos mais acessar. (...) Palavras eram o presente que meu pai trazia de caminhão em minha infância. Elas ressoavam isoladas – boleia, transamazônica, carreta, rodovia, pororoca, Belém, saudades –, ou então formavam narrativas sobre um mundo que parecia grande demais. Eu tinha que imaginá-las com todas as cores, gravá-las na memória, me agarrar a elas, pois logo meu pai iria embora para voltar só dali a quarenta, cinquenta dias.” (BORTOLUCI, J. H. O que é meu. São Paulo: Fósforo, p. 10, 2023.)
No excerto apresentado, o autor explora os múltiplos sentidos dos termos
Apresenta-se, a seguir, um trecho de um artigo acadêmico que analisa a obra “Ajuricaba”, uma história em quadrinhos (HQ) criada por Ademar Vieira.
“O protagonista da história, Ajuricaba, da etnia Manao, é apresentado como um herói destemido, valente, justo e defensor incansável das liberdades e prerrogativas dos ameríndios do Rio Negro frente às arbitrariedades lusitanas. Um dos episódios emblemáticos em que se pode observar as qualidades mencionadas acima se dá nas primeiras páginas da HQ: o protagonista liberta uma anta das garras de uma sucuri (...). A facilidade com que realiza a ação é comparável aos atos dos grandes heróis das epopeias clássicas. A força e bravura do Manao dialogam, ainda, com outro personagem indígena, idealizado no romantismo nacional: Peri, protagonista do romance O Guarani (1857), de José de Alencar. No entanto, é importante ressaltar que, embora haja algumas semelhanças valorativas comprováveis entre Ajuricaba e Peri, outras qualidades os diferenciam muito.” (Adaptado de DIAZ, R. Q. Fórum Lit. Bras. Contemporânea, Rio de Janeiro, 14(28), p. 138-158, dez. 2022.)
Apresenta-se, a seguir, um trecho de um artigo acadêmico que analisa a obra “Ajuricaba”, uma história em quadrinhos (HQ) criada por Ademar Vieira.
“O protagonista da história, Ajuricaba, da etnia Manao, é apresentado como um herói destemido, valente, justo e defensor incansável das liberdades e prerrogativas dos ameríndios do Rio Negro frente às arbitrariedades lusitanas. Um dos episódios emblemáticos em que se pode observar as qualidades mencionadas acima se dá nas primeiras páginas da HQ: o protagonista liberta uma anta das garras de uma sucuri (...). A facilidade com que realiza a ação é comparável aos atos dos grandes heróis das epopeias clássicas. A força e bravura do Manao dialogam, ainda, com outro personagem indígena, idealizado no romantismo nacional: Peri, protagonista do romance O Guarani (1857), de José de Alencar. No entanto, é importante ressaltar que, embora haja algumas semelhanças valorativas comprováveis entre Ajuricaba e Peri, outras qualidades os diferenciam muito.” (Adaptado de DIAZ, R. Q. Fórum Lit. Bras. Contemporânea, Rio de Janeiro, 14(28), p. 138-158, dez. 2022.)
Observe a imagem a seguir.

(Disponível em: https://instagram.com/filosofia_arte_literatura. Acesso em: 08/08/2023.)
Considere a frase “Ficar sem arte sufoca”. O uso dos parênteses na frase escrita no cartaz tem o efeito de
Meu primeiro contato com fotografia foi com uma máquina Love, com filme acoplado e descartável. Foi amor à primeira vista, com quem pude assassinar toda a comunidade, clique após clique, até acabar a munição. Foi um amigo da família em viagem para Manaus que a levou para revelar e ampliar as fotografias; meses depois chegaram as tão esperadas fotos e todos os fotografados estavam com suas cabeças cortadas na fotografia. Erro engraçado e tétrico. Motivo de risos dos mais jovens e de ira dos mais velhos. Uma parte deles havia sido roubada: decapitação fotográfica. Registros descartáveis, como a Love. (Adaptado de Denilson Baniwa, Ficções coloniais (ou finjam que não estou aqui). Assessoria de Comunicação. Ministério dos Povos Indígenas. FUNAI, 31/05/2023.)
Em seu depoimento sobre sua primeira experiência como fotógrafo, o autor se apoia em
Em seu discurso de posse, a Ministra Sônia Guajajara afirma: "Eu não estou aqui sozinha, eu estou aqui com a força da nossa ancestralidade". A ativista indígena Jamille Anahata destaca o fato de que a Ministra lembra, com sabedoria, que não chegou ali sozinha e não está ali sozinha. Está ali com a força dos encantados e de todos aqueles que vieram antes:

Constituição Federal ganha versão em nheengatu. Foto de Brenno Carvalho. EXTRA, 17/07/2023.)
Quitéria Binga (Povo Pankararu, final de 1970), liderança na Assembleia Constituinte de 1988.
Maninha Xukuru Kariri (Etelvina Santana da Silva), uma das criadoras da Articulação dos Povos do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme).
Tuyra Kayapó, desde os anos 1980, contra a hidrelétrica de Belo Monte e uma das lideranças da Marcha das Mulheres Indígenas.
Sineia Wapichana, liderança do Conselho Indígena de Roraima – pelo enfrentamento das mudanças climáticas.
Cacique Pequena (Povo Jenipapo-Kanindé, Ceará), promoveu o reconhecimento de seu povo e a delimitação da terra (ainda não homologada). (Adaptado de Jamille Anahata, manauara, ativista indígena, poeta, pesquisadora de Relações Raciais. O futuro é ancestral: às que vieram antes de nós. Revista AzMina. 06/02/2023.)
Considerando o que disse Sônia Guajajara na posse, Jamille Anahata expõe suas ideias sobre
Este livro, composto de poemas em diferentes línguas indígenas, convidanos a refletir sobre os pronomes pessoais oré e îandé da primeira pessoa do plural das línguas Guarani e Tupi/Tupinambá. O pronome oré é usado quando se exclui o ouvinte e o pronome îandé quando se inclui o ouvinte. Exemplo para oré: “Eu e ele” (exclui o ouvinte). Exemplo para îandé: “Eu e você” (inclui o ouvinte). (Adaptado de Oré-Îandé: Nós sem vocês, nós com vocês – Ademario Ribeiro, 2020. Sinopse. Site da Livraria Maracá.)

A partir de dois pronomes pessoais das línguas Guarani e Tupi/Tupinambá, Ademario Ribeiro convida-nos a uma reflexão sobre o funcionamento dos pronomes. Considerando seus conhecimentos sobre o português e tendo em vista o texto acima, assinale a alternativa correta.
O Assojaba Tupinambá (Manto Tupinambá) é uma vestimenta sagrada, utilizada em rituais e feita com penas de aves nativas. Os mantos foram levados do Brasil no período colonial. O Museu Nacional da Dinamarca anunciou a doação do manto tupinambá ao Museu Nacional no Rio de Janeiro até o final de 2023.

Glicéria Tupinambá com o manto que recriou.
Glicéria (ou Célia) Tupinambá, artista e professora da aldeia Serra do Padeiro, na Terra Indígena Tupinambá de Olivença (BA), conta que o manto recriado por ela também era usado por mulheres “que faziam os partos, que faziam a iniciação da menina moça pra virar mulher e, em vez de ser pajé, elas eram as majés”. E explica: “Esse manto traz a linguagem do despertar da mulher indígena. Eu vou trazer a majé porque ela foi invisibilizada, foi apagada da história”. (Adaptado de GONÇALVES, A.C. O Manto Tupinambá. Espaço do Conhecimento. UFMG. Acesso em: 08/08/2023.)
Indo além do valor histórico do manto, o objetivo da recriação artística de Glicéria Tupinambá é
Para comemorar o Dia Internacional dos Povos Indígenas, o artista Adilson Dias, de ascendência Tupinambá, lançou nos serviços de streaming o clipe “A Nossa Casa em Jogo”. O projeto “Okaeté”, que em Tupi-Guarani significa “a verdadeira casa”, é um emocionante jogo de futebol em campo redondo com jogadores indígenas, batizado pelo artista de Futeoka, com 4 traves e duas bolas. No videoarte, a preservação do Planeta Terra é o grande grito de gol, ressaltando a união e a criatividade dos povos originários na proteção de seus territórios. (Adaptado de von BORELL, G. Projeto OKAETÉ mostra em clipe futebol jogado por indígenas em campo redondo. 05/08/2023. Cansei de Ser Pop – CSP, cultura, arte e entretenimento.)

O nome futeoka é

Araetá – A Literatura dos Povos Originários é uma experiência de exuberante diversidade manifestada por escritoras e escritores que propiciam um rico diálogo intercultural. O curador Ademario Ribeiro Payayá explica a gênese do nome da exposição. “Ara e etá são termos da língua Tupi. Ara é o dia, o que está no alto, o fruto, o mundo. Etá é o plural dessa língua. Araetá, assim, nos remete aos frutos, aos dias, aos mundos da literatura dos povos originários que, nessa exposição, são percorríveis através das histórias criadas por 114 autores. Como numa espécie de Caminho de Peabiru – antiga rota que conectava diferentes povos indígenas do continente SulAmericano –, Araetá traça um percurso que abrange a diversidade étnica, geográfica e temática de escritoras e escritores indígenas. Nas bordas desse percurso, há o convite para um diálogo intercultural”. (Adaptado de Exposição “Araetá: A Literatura Dos Povos Originários”. 24/08/2023. Sesc Ipiranga. Sesc Ipiranga.)

Araetá – A Literatura dos Povos Originários é uma experiência de exuberante diversidade manifestada por escritoras e escritores que propiciam um rico diálogo intercultural. O curador Ademario Ribeiro Payayá explica a gênese do nome da exposição. “Ara e etá são termos da língua Tupi. Ara é o dia, o que está no alto, o fruto, o mundo. Etá é o plural dessa língua. Araetá, assim, nos remete aos frutos, aos dias, aos mundos da literatura dos povos originários que, nessa exposição, são percorríveis através das histórias criadas por 114 autores. Como numa espécie de Caminho de Peabiru – antiga rota que conectava diferentes povos indígenas do continente SulAmericano –, Araetá traça um percurso que abrange a diversidade étnica, geográfica e temática de escritoras e escritores indígenas. Nas bordas desse percurso, há o convite para um diálogo intercultural”. (Adaptado de Exposição “Araetá: A Literatura Dos Povos Originários”. 24/08/2023. Sesc Ipiranga. Sesc Ipiranga.)
Em evento histórico realizado em São Gabriel da Cachoeira, no dia 19 de julho de 2023, houve o Lançamento da Constituição Federal traduzida, pela primeira vez, para uma língua indígena: o Nheengatu. A Rede Wayuri traduziu o Artigo 231 do capítulo VIII da Constituição Federal, em mais três línguas, além do Nheengatu: Baniwa, Yanomami e Tukano.
O Capítulo VIII – Dos Índios. Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. (Adaptado de SERRA, P. Constituição Federal ganha versão em nheengatu. EXTRA, 17/07/2023.)
A seguir, há declarações de pessoas entrevistadas para a reportagem. Assinale a alternativa que diz respeito à vitalidade das línguas indígenas.


Em outubro de 2022, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou novas regras para rotulagem de alimentos. Além de mudanças na tabela de informação, a novidade foi a adoção da rotulagem nutricional frontal. Passou a ser obrigatória a declaração de nutrientes por 100 g ou 100 ml, bem como a indicação do número de porções por embalagem. Todas essas mudanças, que também tornam a rotulagem nutricional de mais fácil entendimento, têm por objetivo permitir que as/os consumidoras/es possam fazer escolhas mais conscientes. (Adaptado de www.gov.br/anvisa. Acesso em: 04/08/2023.)
Analise os rótulos dos dois produtos a seguir e selecione a resposta correta.
No artigo de divulgação cientifica denominado “A tecnologia da reciclagem de polímeros”, os autores apresentam o gráfico ilustrativo a seguir.

Nesse gráfico, pode-se afirmar que os autores quantificam a composição percentual dos plásticos mais comuns no lixo,