Questões de Vestibular Comentadas sobre não definido

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Q4129361 Biologia
A loção de minoxidil é um dos medicamentos mais utilizados no tratamento da calvície, tanto por sua eficácia quanto pelo seu perfil de segurança. No entanto, um efeito colateral curioso tem chamado a atenção e virou motivo de preocupação recente na Europa: a hipertricose, chamada de popularmente de “síndrome do lobisomem”, em bebês cujos pais utilizaram o medicamento.

Fonte: https://saude.abril.com.br/coluna/com-a-palavra/minoxidil-podecausar-sindrome-do-lobisomem-medica-explica/

Considerando os mecanismos da hipertricose, analise as afirmações a seguir.

I. A hipertricose induzida pelo minoxidil é um exemplo de alteração genotípica, resultante da vasodilatação periférica e do prolongamento da fase anágena (crescimento) do ciclo folicular, não sendo transmitida hereditariamente.
II. A hipertricose lanuginosa congênita é uma condição genética rara, frequentemente associada a mutações ou atavismos, em que ocorrem a persistência e o crescimento de pelos do tipo lanugo em todo o corpo.
III. O minoxidil altera a sequência de bases nitrogenadas dos genes responsáveis pela produção de queratina, transformando pelos vellus (finos e claros) em pelos terminais (grossos e escuros) de forma permanente no genoma do indivíduo.

Está correto o que se afirma em
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Q4129360 Patologia
Ministério da Saúde confirma que morte de criança no Ceará foi causada por ameba super-rara da espécie Naegleria fowleri. A contaminação aconteceu através da água de um reservatório que abastece a casa onde a criança morava. Só há um registro confirmado no Brasil, de 1975, em São Paulo.

Fonte: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2024/12/10/ministerio-dasaude-confirma-que-morte-de-crianca-no-ceara-foi-causada-por-amebasuper-rara.ghtml

Acerca da Naegleria fowleri e da fisiopatologia da infecção causada por essa ameba, assinale a opção correta.
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Q4129359 Biologia
A Nestlé Brasil anunciou o recolhimento voluntário de lotes no Brasil do produto “Meu Primeiro Lanchinho”, da marca Mucilon, após encontrar níveis elevados de aflatoxina, toxinas produzidas por fungos do gênero Aspergillus, acima do permitido pela legislação brasileira.

Fonte: https://veja.abril.com.br/saude/nestle-recolhe-lotes-de-produtos-infantisdevido-ao-alto-nivel-de-aflatoxina/

Considerando a estrutura, o metabolismo, a reprodução desses organismos e a toxicidade das aflatoxinas, assinale a opção correta. 
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Q4129358 Biologia
Com 26 semanas e dois dias, Emanuelly Yasmin nasceu em 18 de novembro de 2022 por meio de uma cesárea de emergência. Pesando 335 gramas e medindo 25 centímetros, foi o menor bebê já registrado em um hospital público no Brasil. A prematuridade extrema, como no caso relatado, está associada a desafios fisiológicos que afetam diversos sistemas do organismo.

Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/04/21/nascida-com-334- gramas-menor-bebe-ja-registrada-na-rede-publica-do-brasil-gosta-de-escutarconversas-fofoqueira-brinca-mae.ghtml

Sobre os possíveis impactos morfofisiológicos relacionados à prematuridade, analise as assertivas a seguir e assinale V ou F conforme elas sejam verdadeiras ou falsas. 

( ) A insuficiência na produção de surfactante pulmonar, essencial para a manutenção da tensão superficial nos alvéolos, é consequência do desenvolvimento incompleto dos pneumócitos tipo II.
( ) A persistência do ducto arterioso em recém-nascidos prematuros é um fenômeno necessário para dar continuidade à circulação fetal.
( ) O desenvolvimento incompleto do epitélio de revestimento intestinal em prematuros compromete a capacidade de absorção de nutrientes e aumenta a vulnerabilidade a enterocolites necrosantes.
( ) A formação da gordura marrom, essencial para a termorregulação neonatal, é uma das estruturas morfológicas já maduras no estágio de prematuridade anunciado na questão.
( ) O processo de ossificação intramembranosa, predominante nos ossos do crânio, é acelerado em prematuros devido à alta demanda metabólica pós-natal.

A sequência correta, de cima para baixo, é
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Q4129356 Biologia
A compartimentalização membranosa representou um grande salto evolutivo, permitindo que diferentes funções metabólicas ocorressem simultaneamente em ambientes microcelulares isolados. Considerando a relação entre a estrutura celular e o funcionamento metabólico dos diferentes grupos de células, assinale a opção correta. 
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Q4129355 Biologia
A Biologia organiza o estudo dos seres vivos em uma hierarquia de complexidade que se estende desde as interações moleculares até a biosfera. Essa estruturação permite compreender como a vida se integra em diferentes dimensões. Com base nos conhecimentos sobre os níveis de organização biológica, estabeleça a relação correta entre as colunas.

Coluna I

I. Ecossistemas 
II. Moléculas
III. Tecidos
IV. Organismo

Coluna II
( ) Conjuntos de células especializadas e matriz extracelular que atuam de forma integrada para desempenhar funções fisiológicas específicas 
( ) Agrupamentos de átomos unidos por ligações químicas que constituem a base estrutural e energética das organelas celulares
( ) Unidades funcionais onde o fluxo de energia e a ciclagem de nutrientes ocorrem entre componentes bióticos e abióticos
( ) Sistema biológico complexo e integrado, resultante da coordenação de diferentes níveis orgânicos, capaz de manter a homeostase de forma autônoma

A sequência correta da coluna II, de cima para baixo, é
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116359 Biologia
A cor da pelagem em cavalos depende, entre outros fatores, da ação de dois pares de alelos W e w; B e b. O alelo W é epistático na manifestação da cor e é dominante sobre seu alelo w, que permite a manifestação da cor; o alelo B determina pelos pretos e o b, pelos marrons. Quando o alelo W está presente no genótipo, o fenótipo é pelos brancos.
(Sônia Lopes e Sergio Rosso. Bio, 2013. Adaptado.)
Foi realizado um cruzamento entre uma égua, de pelagem branca, duplamente heterozigota para os dois genes, e um cavalo de pelagem marrom. A proporção fenotípica da prole, independentemente do sexo, com pelagem branca, preta e marrom esperada desse cruzamento será, respectivamente, de:
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116355 Engenharia Ambiental e Sanitária
Em novembro de 2024, o Brasil alcançou um marco significativo na geração de energia eólica. No dia 3 de novembro, às 23h, foi registrado um recorde de “geração média horária”, atingindo 23 699 megawatts médios (MWmed). Esses resultados destacam o avanço da energia eólica como fonte essencial para a matriz energética do país, indicador do papel crucial dessa tecnologia no fornecimento de energia.
(www.gov.br. Adaptado.)
As turbinas eólicas aproveitam uma fonte de energia
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116353 Geografia
A Conferência das Partes (COP) é uma convenção anual criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 21 de março de 1994 para prevenir, por meio de ações, as intervenções humanas perigosas ao sistema climático mundial. Assim, a COP é o local onde o mundo se reúne para chegar a um acordo sobre as formas de lidar com a crise climática, como limitar o aumento da temperatura global a 1,5 grau Celsius, ajudar as comunidades vulneráveis a se adaptarem aos efeitos das mudanças climáticas, atingir emissões líquidas zero (diferença entre as emissões e as compensações relacionadas aos gases do efeito estufa) até 2050, entre outras medidas.
(www.nationalgeographicbrasil.com, 12.11.2024. Adaptado.)
Considerando as atuais condições climáticas do mundo, a dificuldade para atingir as medidas mencionadas no excerto tem como causa
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116351 Economia
Analise as manchetes publicadas pelo jornal de notícias BBC News Brasil.
“Parece leite, mas não é”: como crise “empobreceu” a fórmula dos produtos lácteos do Brasil. (13.08.2022.)
Azeite: por que fraudes são tão comuns — e como escolher o mais saudável. (18.09.2022.)
A verdade sobre o “café fake”: por dentro do “parece, mas não é” que se espalha pelos supermercados. (10.02.2025.)
As manchetes apresentam um processo comum nos últimos anos, em que o desenvolvimento técnico e científico ofereceu alternativas às indústrias, modificando a cadeia produtiva, da indústria ao produto final. No contexto do modelo capitalista de produção, as manchetes apontam para o interesse em
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116350 Antropologia
O termo “geração roubada” se refere a milhares de crianças aborígenes que foram separadas à força de suas famílias de 1910 até a década de 1970, e levadas para instituições ou famílias brancas com fins de assimilação. Muitas vítimas nunca voltaram a encontrar seus pais ou irmãos. Em 1997, um relatório intitulado “Levados de casa”, resultado de uma investigação nacional, reconheceu que os direitos destas crianças foram violados e recomendou uma série de medidas de apoio. Uma das propostas do relatório era que a Austrália apresentasse um pedido nacional de desculpas, o que já foi realizado.
(www.rfi.fr)
A ação que resultou na chamada “geração roubada”, mencionada no excerto, consistiu
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116348 História
Na América Latina, a porcentagem de camponeses se reduziu à metade em vinte anos na Colômbia (1951-1973), no México (1960-1980) e — quase — no Brasil (1960-1980). Caiu em dois terços, ou quase isso, na República Dominicana (1960-1981), Venezuela (1961-1981) e Jamaica (1953- 1981). Em todos esses países — com exceção da Venezuela —, no fim da Segunda Guerra Mundial os camponeses formavam metade, ou a maioria absoluta da população ocupada. Mas já em 1970 não havia na América Latina — fora dos mini-Estados da tripa de terra centro-americana e do Haiti — um único país em que os camponeses não fossem minoria.
(Eric Hobsbawm. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991, 1995. Adaptado.)
Ao avaliar a variação demográfica em países latino-americanos na segunda metade do século XX, o excerto atesta
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116347 História
[...] historicamente, os quilombos foram comunidades dinâmicas forjadas não fora, mas dentro da sociedade escravista; comunidades que simultaneamente transformaram o mundo no qual todos viviam. As geografias insurgentes [...] foram claramente baseadas na existência de laços e práticas econômicas forjadas dentro da escravidão e motivadas por camaradagem, medo ou oportunismo. Nenhum deles expressou uma explícita ideologia antiescravista, mas suas ações desestabilizaram a escravidão por dentro. Para os quilombolas, abandonar seus senhores e trabalhar como pessoas livres diante dos olhos dos proprietários foi uma forma de rejeitar a escravidão.
(Yuko Miki. “Fugir para a escravidão: as geografias insurgentes dos quilombolas brasileiros, 1880-1881”. In: Flávio Gomes e Petrônio Domingues (orgs.). Políticas da raça: experiências e legados da abolição e da pós-emancipação no Brasil, 2014.)
O excerto caracteriza a ação dos quilombos no Brasil pré-abolição como
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116346 História
A importância das cortes está ligada à formação do Estado moderno, lento processo que produz a concentração de poder à volta de um rei ou de um grande príncipe. A constituição dos novos Estados não se dá sem conflitos: contra os senhores feudais, que se valem da fragmentação política e econômica; mas também entre reis e grandes senhores, que lutam por hegemonia ou mesmo pelo trono.
(Renato Janine Ribeiro. A etiqueta no Antigo Regime: do sangue à doce vida, 1987.)
A “concentração de poder” descrita no excerto marca uma transformação social e política decisiva na Europa. Tal transformação
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116345 História
        [...] as colônias cartaginesas só poderiam comprar e vender produtos com os mercadores de Cartago. Todas as embarcações de povos estrangeiros eram consideradas intrusas, e algumas delas chegaram a ser afundadas pela forte marinha cartaginesa.
        A preocupação em não deixar que gregos, romanos e outros povos atravessassem suas rotas comerciais tinha suas razões. Além do rico comércio do Mediterrâneo, estudos arqueológicos indicam que os cartagineses conseguiram estabelecer relações comerciais com povos do Sudão e passaram a negociar o ouro que vinha de lá. Alguns estudiosos acreditam que tropas cartaginesas mantiveram contato com grupos que viviam na África Subsaariana.
(Ynaê Lopes dos Santos. História da África e do Brasil afrodescendente, 2017.)
O excerto demonstra que a importância de Cartago nos séculos VI e V a.C. devia-se, principalmente, a 
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116339 Literatura
Para responder à questão, leia o poema “Desencontro (2)”, de Mia Couto. 

No avesso das palavras
na contrária face
da minha solidão
eu te amei
e acariciei
o teu imperceptível crescer
como carne da lua
nos noturnos lábios entreabertos

E amei-te sem saberes
amei-te sem o saber
amando de te procurar
amando de te inventar

No contorno do fogo
desenhei o teu rosto
e para te reconhecer
mudei de corpo
troquei de noites
juntei crepúsculo e alvorada

Para me acostumar
à tua intermitente ausência
ensinei às timbilas1
a espera do silêncio

(Mia Couto. Poemas Escolhidos, 2016.)

1timbila: instrumento musical de percussão, do tipo xilofone, tradicional de Moçambique.
Dizia Obermann no Senancour: “Eu sinto: eis a única palavra do homem que exige verdades. Eu sinto, eu existo para me consumir em desejos indomáveis, para me embeber na sedução de um mundo fantástico, para viver aterrado com o seu voluptuoso engano.”
(Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira, 2022.)
A citação estabelece uma aproximação do poema de Mia Couto à estética do movimento
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116338 Português
Para responder à questão, leia o poema “Desencontro (2)”, de Mia Couto. 

No avesso das palavras
na contrária face
da minha solidão
eu te amei
e acariciei
o teu imperceptível crescer
como carne da lua
nos noturnos lábios entreabertos

E amei-te sem saberes
amei-te sem o saber
amando de te procurar
amando de te inventar

No contorno do fogo
desenhei o teu rosto
e para te reconhecer
mudei de corpo
troquei de noites
juntei crepúsculo e alvorada

Para me acostumar
à tua intermitente ausência
ensinei às timbilas1
a espera do silêncio

(Mia Couto. Poemas Escolhidos, 2016.)

1timbila: instrumento musical de percussão, do tipo xilofone, tradicional de Moçambique.
Em um processo de formação de palavras, uma palavra pode mudar de classe gramatical sem sofrer alteração em sua forma. A este processo de enriquecimento vocabular pela mudança de classe das palavras chama-se derivação imprópria.
(Celso Cunha e Luís F. Lindley Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo, 2007. Adaptado.)
A palavra sublinhada que é um exemplo de derivação imprópria é:
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116337 Literatura
Para responder à questão, leia o poema “Desencontro (2)”, de Mia Couto. 

No avesso das palavras
na contrária face
da minha solidão
eu te amei
e acariciei
o teu imperceptível crescer
como carne da lua
nos noturnos lábios entreabertos

E amei-te sem saberes
amei-te sem o saber
amando de te procurar
amando de te inventar

No contorno do fogo
desenhei o teu rosto
e para te reconhecer
mudei de corpo
troquei de noites
juntei crepúsculo e alvorada

Para me acostumar
à tua intermitente ausência
ensinei às timbilas1
a espera do silêncio

(Mia Couto. Poemas Escolhidos, 2016.)

1timbila: instrumento musical de percussão, do tipo xilofone, tradicional de Moçambique.
A situação amorosa descrita pelo eu lírico envolve 
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116336 Português
Para responder à questão, leia um trecho da obra Ideias para adiar o fim do mundo, uma adaptação de duas palestras e uma entrevista realizadas com o autor Ailton Krenak.

        O fim do mundo talvez seja uma breve interrupção de um estado de prazer extasiante que a gente não quer perder. Parece que todos os artifícios que foram buscados pelos nossos ancestrais e por nós têm a ver com essa sensação. Quando se transfere isso para a mercadoria, para os objetos, para as coisas exteriores, se materializa no que a técnica desenvolveu, no aparato todo que se foi sobrepondo ao corpo da mãe Terra. Todas as histórias antigas chamam a Terra de Mãe, Pacha Mama, Gaia. Uma deusa perfeita e infindável, fluxo de graça, beleza e fartura. Veja-se a imagem grega da deusa da prosperidade, que tem uma cornucópia1 que fica o tempo todo jorrando riqueza sobre o mundo… Noutras tradições, na China e na Índia, nas Américas, em todas as culturas mais antigas, a referência é de uma provedora maternal. Não tem nada a ver com a imagem masculina ou do pai. Todas as vezes que a imagem do pai rompe nessa paisagem é sempre para depredar, detonar e dominar.

        O desconforto que a ciência moderna, as tecnologias, as movimentações que resultaram naquilo que chamamos de “revoluções de massa”, tudo isso não ficou localizado numa região, mas cindiu o planeta a ponto de, no século XX, termos situações como a Guerra Fria, em que você tinha, de um lado do muro, uma parte da humanidade, e a outra, do lado de lá, na maior tensão, pronta para puxar o gatilho para cima dos outros. Não tem fim do mundo mais iminente do que quando você tem um mundo do lado de lá do muro e um do lado de cá, ambos tentando adivinhar o que o outro está fazendo. Isso é um abismo, isso é uma queda. Então a pergunta a fazer seria: “Por que tanto medo assim de uma queda se a gente não fez nada nas outras eras senão cair?”.

        Já caímos em diferentes escalas e em diferentes lugares do mundo. Mas temos muito medo do que vai acontecer quando a gente cair. Sentimos insegurança, uma paranoia da queda porque as outras possibilidades que se abrem exigem implodir essa casa que herdamos, que confortavelmente carregamos em grande estilo, mas passamos o tempo inteiro morrendo de medo. Então, talvez o que a gente tenha de fazer é descobrir um paraquedas. Não eliminar a queda, mas inventar e fabricar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos. Já que aquilo de que realmente gostamos é gozar, viver no prazer aqui na Terra. Então, que a gente pare de despistar essa nossa vocação e, em vez de ficar inventando outras parábolas, que a gente se renda a essa principal e não se deixe iludir com o aparato da técnica.

(Ideias para adiar o fim do mundo, 2020.) 1   cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e flores que dele extravasam profusamente, antigo símbolo da fertilidade, riqueza, abundância.
Tem valor adjetivo a expressão sublinhada no seguinte trecho:
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116335 Português
Para responder à questão, leia um trecho da obra Ideias para adiar o fim do mundo, uma adaptação de duas palestras e uma entrevista realizadas com o autor Ailton Krenak.

        O fim do mundo talvez seja uma breve interrupção de um estado de prazer extasiante que a gente não quer perder. Parece que todos os artifícios que foram buscados pelos nossos ancestrais e por nós têm a ver com essa sensação. Quando se transfere isso para a mercadoria, para os objetos, para as coisas exteriores, se materializa no que a técnica desenvolveu, no aparato todo que se foi sobrepondo ao corpo da mãe Terra. Todas as histórias antigas chamam a Terra de Mãe, Pacha Mama, Gaia. Uma deusa perfeita e infindável, fluxo de graça, beleza e fartura. Veja-se a imagem grega da deusa da prosperidade, que tem uma cornucópia1 que fica o tempo todo jorrando riqueza sobre o mundo… Noutras tradições, na China e na Índia, nas Américas, em todas as culturas mais antigas, a referência é de uma provedora maternal. Não tem nada a ver com a imagem masculina ou do pai. Todas as vezes que a imagem do pai rompe nessa paisagem é sempre para depredar, detonar e dominar.

        O desconforto que a ciência moderna, as tecnologias, as movimentações que resultaram naquilo que chamamos de “revoluções de massa”, tudo isso não ficou localizado numa região, mas cindiu o planeta a ponto de, no século XX, termos situações como a Guerra Fria, em que você tinha, de um lado do muro, uma parte da humanidade, e a outra, do lado de lá, na maior tensão, pronta para puxar o gatilho para cima dos outros. Não tem fim do mundo mais iminente do que quando você tem um mundo do lado de lá do muro e um do lado de cá, ambos tentando adivinhar o que o outro está fazendo. Isso é um abismo, isso é uma queda. Então a pergunta a fazer seria: “Por que tanto medo assim de uma queda se a gente não fez nada nas outras eras senão cair?”.

        Já caímos em diferentes escalas e em diferentes lugares do mundo. Mas temos muito medo do que vai acontecer quando a gente cair. Sentimos insegurança, uma paranoia da queda porque as outras possibilidades que se abrem exigem implodir essa casa que herdamos, que confortavelmente carregamos em grande estilo, mas passamos o tempo inteiro morrendo de medo. Então, talvez o que a gente tenha de fazer é descobrir um paraquedas. Não eliminar a queda, mas inventar e fabricar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos. Já que aquilo de que realmente gostamos é gozar, viver no prazer aqui na Terra. Então, que a gente pare de despistar essa nossa vocação e, em vez de ficar inventando outras parábolas, que a gente se renda a essa principal e não se deixe iludir com o aparato da técnica.

(Ideias para adiar o fim do mundo, 2020.) 1   cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e flores que dele extravasam profusamente, antigo símbolo da fertilidade, riqueza, abundância.
Anacoluto é a mudança de construção sintática no meio do enunciado. Um fenômeno muito comum, especialmente na linguagem falada, que ocorre quando aquele que fala abstrai-se do começo do enunciado e continua a exprimir-se como se iniciasse uma nova frase.
(Celso Cunha e Luís F. Lindley Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo, 2007. Adaptado.)
Um trecho do texto em que é possível identificar a presença de anacoluto é:
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Respostas
801: C
802: B
803: C
804: B
805: B
806: D
807: D
808: A
809: B
810: A
811: D
812: C
813: B
814: A
815: B
816: B
817: D
818: E
819: C
820: B