Questões de Vestibular
Sobre sintaxe em português
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"Se o Estado não garantir condições mínimas de funcionamento às escolas públicas, dificilmentequalquer política curricular surtirá efeito, pois faltará o suporte material indispensável."
Deseja-se reescrever o período preservando o sentido original e mantendo adequadamente as relaçõesdecondição e consequência. Assinale a alternativa correta.
(Celso Cunha e Luís F. Lindley Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo, 2007. Adaptado.)
Um trecho do texto em que é possível identificar a presença de anacoluto é:
Leia o soneto de Luís de Camões para responder à questões.
Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
sem falta1 lhe terá bem merecido
que lhe seja cruel ou rigoroso.
Amor é brando2, é doce e é piadoso3.
Quem o contrário diz não seja crido;
seja por cego e apaixonado tido,
e aos homens, e inda4 aos deuses, odioso.
Se males faz Amor, em mim se veem;
em mim mostrando todo o seu rigor,
ao mundo quis mostrar quanto podia.
Mas todas suas iras são de amor;
todos estes seus males são um bem,
que eu por todo outro bem não trocaria.
(Luís de Camões. Sonetos: antologia comentada, 2012.)
1 sem falta: sem dúvida.
2 brando: manso, meigo.
3 piadoso: piedoso.
4 inda: ainda.
“Se males faz Amor, em mim se veem;” (3ª estrofe)
Transposta para a voz passiva, mantendo o sentido original, a oração sublinhada assume a forma:
Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder às questões.
1 Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo--se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...
2 — Bom dia.
3 — Bom dia!
4 — Bom dia, Carvalho!...
5 ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...
6 A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.
7 Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitual mente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.
(Os ratos, 2022.)
1 porte-monnaie: porta-moedas.
Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder às questões.
1 Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo--se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...
2 — Bom dia.
3 — Bom dia!
4 — Bom dia, Carvalho!...
5 ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...
6 A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.
7 Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitual mente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.
(Os ratos, 2022.)
1 porte-monnaie: porta-moedas.
“O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos.” (1o parágrafo)
Em relação à oração que a precede, a oração sublinhada expressa uma circunstância de


TEXTO 1
A TECNOLOGIA ESTÁ MOLDANDO SUA SAÚDE – E VOCÊ TALVEZ NEM TENHA PERCEBIDO


NAVAS, Daniel. A tecnologia está moldando sua saúde – e você talvez nem tenha percebido. InfoMoney25. 12 nov. 2025. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/saude/tecnologia-hiperconectividade-digital-saude/. Acesso em: 13 nov. 2025. (Adaptado).
TEXTO 2
SUA MEMÓRIA ESTÁ PIOR? NÃO, ELA SÓ DESISTIU DE COMPETIR COM O CELULAR


DOLCI, Renato. Sua memória está pior? Não, ela só desistiu de competir com o celular. InfoMoney25. 26 out. 2025. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/ colunistas/renato-dolci/sua-memoria-esta-pior-nao-ela-so-desistiu-de-competir-com-o-celular/. Acesso em: 13 nov. 2025. (Adaptado).

Sem prejuízo ao sentido original do texto, a passagem pode ser reescrita da seguinte forma:
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.
Não existem finais felizes: a felicidade é uma ilusão que não desejamos
Julián Fuks
Convidaram-me a falar sobre a mentira dos finais felizes. Tarefa fácil: são mesmo mentirosos os finais felizes. Basta lançar ao mundo algum olhar clínico. Nossa cultura já aprendeu que nem tudo se dissolve em harmonia, que jamais se cria uma paz absoluta, carente de todo trauma passado e todo conflito futuro. Onde se vê felicidade pura pode ser que algo não se veja, que os olhos estejam turvos.
A fórmula clássica que encerra as histórias infantis, "e viveram felizes para sempre", é a expressão de um desinteresse total pelo que seria essa existência feliz. Nela se realiza, é fácil sentir, uma associação entre felicidade e morte. No fundo o que a fórmula diz, em tom apaziguador, equivale a um "não viveram mais nada até que morreram". Mas me convidaram a falar sobre isso em Medelín, em espanhol, e nessa língua o final clássico tem outra nuance: "vivieron felices y comieron perdices". Nesse pequeno detalhe acrescido, o fato de terem comido perdizes, cabe ao menos um pouco de vida. Nessa outra fórmula o que se diz é que "viveram uma série de outras coisas que já não nos interessam", e só depois disso se chega ao fim.
Seja como for, do tempo dos clássicos até o tempo presente, deu-se uma revolução em nosso interesse. Já há alguns séculos, desde o surgimento do romance moderno, nossa curiosidade tem recaído exatamente sobre essa vida comum que se inicia ao fim de qualquer aventura, sobre o cotidiano tenso que antes tomávamos por feliz. Interessa a aflição que subjaz à rotina, interessa a angústia sutil que se gesta em silêncio ao longo dos anos. O que procuramos nas histórias que narramos a nós mesmos, agora, é a desilusão da vida que trai os anseios juvenis, é o indiscreto caos do convívio familiar, é o medo da morte depois de tanta monotonia, tudo isso quem sabe redimido em alguma medida por um final mais ameno.
"Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira." Nessa frase magistral de Tolstói que abre Anna Karenina se manifesta com clareza nossa vontade insuperável de observar com atenção de que é feita a infelicidade. Mas acho que ela merece um reparo, se formos honestos, e se o leitor me permite tamanha insolência. Também as famílias felizes são felizes cada uma à sua maneira. Não porque haja tanta nuance na paz e na existência tranquila, mas porque aquilo que chamamos felicidade também é feito da infelicidade em sua infinita riqueza, porque uma vida feliz também é atravessada continuamente por tristezas, sobressaltos, sustos, desalentos, desilusões, pesadelos.
De modo que não existe e jamais existiu uma felicidade pura, até porque não existe nenhum tipo real de pureza — mesmo em ciência a pureza é sempre um estado hipotético. Uma felicidade absoluta não chega nem mesmo a ser um ideal que nutrimos, porque a ele associamos algum torpor, uma indolência, uma saciedade que conduz à paralisia, a ausência de um novo desejo que nos vitalize. A partir disso já poderíamos concluir pela impossibilidade de todo "final feliz", já que essa última palavra seria inatingível. Mas a primeira também é uma falácia, e sobre isso talvez valha acrescentar ainda algum raciocínio.
Penso na leitura de livros infantis que tenho feito ao lado das minhas filhas, esse um dos momentos mais puramente felizes da minha vida cotidiana, como já confessei uma vez aqui. Penso nos bordões que Tulipa criou para emendar ao final de cada livro, numa fórmula própria que em alguma medida os ordena. São duas variações: "Mas essa já é outra história", ou então "E vai começar tudo outra vez". Acho cômico e preciso seu sistema de classificação. Vejo nele uma proposta de distinção entre as histórias cíclicas, cujo fim remonta ao princípio, e aquelas que avançam numa espécie de deriva, e vão convocando outros sinuosos acontecimentos que já não cabem nas páginas que lemos.
E então me pergunto se não será assim a vida, feita de retornos e derivas, num movimento perpétuo. Se não se encadeiam assim tanto os momentos felizes quanto os infelizes, ou os momentos a um só tempo felizes e infelizes, sempre sucedidos por outros tão complexos e indefiníveis quanto eles, em nossa própria existência ou na existência daqueles que ficam quando partimos. Não existem finais felizes, eles são uma mentira, pelo simples fato de que não existem finais, de que os finais são sempre uma ilusão momentânea, e nada jamais termina. Bom, nada talvez seja muito: ao menos um texto, sim, é capaz de alcançar o seu fortuito fim.
Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2025/08/23/nao-existem-finais-felizes-a-felicidade-e-uma-ilusao-que-nao-desejamos.htm. Acesso em: 10 set. 2025.
“Nossa cultura já aprendeu que nem tudo se dissolve em harmonia"
É correto afirmar que, em relação à oração principal, a oração em destaque exerce função sintática de oração subordinada substantiva
Leia a tira para responder à questão.
