Questões de Vestibular Sobre português
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Leia o soneto de Luís de Camões para responder à questão.
Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
sem falta1 lhe terá bem merecido
que lhe seja cruel ou rigoroso.
Amor é brando2 , é doce e é piadoso3 .
Quem o contrário diz não seja crido;
seja por cego e apaixonado tido,
e aos homens, e inda4 aos deuses, odioso.
Se males faz Amor, em mim se veem;
em mim mostrando todo o seu rigor,
ao mundo quis mostrar quanto podia.
Mas todas suas iras são de amor;
todos estes seus males são um bem,
que eu por todo outro bem não trocaria.
(Luís de Camões. Sonetos: antologia comentada, 2012.)
1 sem falta: sem dúvida.
2 brando: manso, meigo.
3 piadoso: piedoso.
4 inda: ainda.
Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder à questão.
1 Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo- -se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...
2 — Bom dia.
3 — Bom dia!
4 — Bom dia, Carvalho!...
5 ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...
6 A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.
7 Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitualmente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.
(Os ratos, 2022.)
1 porte-monnaie: porta-moedas.
Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder à questão.
1 Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo- -se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...
2 — Bom dia.
3 — Bom dia!
4 — Bom dia, Carvalho!...
5 ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...
6 A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.
7 Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitualmente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.
(Os ratos, 2022.)
1 porte-monnaie: porta-moedas.
Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder à questão.
1 Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo- -se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...
2 — Bom dia.
3 — Bom dia!
4 — Bom dia, Carvalho!...
5 ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...
6 A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.
7 Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitualmente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.
(Os ratos, 2022.)
1 porte-monnaie: porta-moedas.
“O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos.” (1º parágrafo)
Em relação à oração que a precede, a oração sublinhada expressa uma circunstância de
Leia o trecho do romance Os ratos, de Dyonelio Machado, para responder à questão.
1 Havia momentos a conversa tinha esfriado. Alcides, à sua frente, olha, longe, a rua. Naziazeno acompanha, meio furtivamente, os gestos do Carvalho, que se prepara para sair. Já tirou o porte-monnaie1 do bolso de trás das calças, torcendo- -se um pouco; tornou a colocá-lo onde estava, depois de o examinar com o olho bem metido dentro dele, e puxou uma cédula dum dos bolsos do lado da calça, torcendo-se ainda mais. O garçom, a seu lado, sereno, mas com um certo grau de impaciência latente, faz rapidamente o troco, mal lhe cai o dinheiro nas mãos. Vai tirando as moedas de vários bolsos e depondo-as no mármore da mesa. Carvalho, a cabeça baixa, confere, separando-as com um dedo, como uma cozinheira “escolhendo” feijão na tábua da mesa. Destaca uma moedinha, que põe de parte, com dedo moroso. Recolhe o resto. Pega da bengala e dos jornais que colocara numa cadeira ao lado e levanta-se, relanceando um olhar pelo café, olhar que vem “ferir” o rosto de Naziazeno, que estremece, como se um jato de holofote subitamente o iluminasse. Desvia precipitadamente a cara; põe-se a olhar para o Alcides. A figura porém do Carvalho avança pouco a pouco na franja do seu campo visual; é apenas um vulto negro e alto, avançando cadenciadamente. Seus passos soam já... Naziazeno mantém o pescoço duro... Qualquer relaxamento de músculos põe-no cara a cara com o outro... Está começando a sentir um calor no rosto... Os passos são mais sonoros... Alcides volta-se lentamente para trás, na direção deles...
2 — Bom dia.
3 — Bom dia!
4 — Bom dia, Carvalho!...
5 ... E os passos agora cada vez ressoam menos... menos... extinguem-se...
6 A onda de calor foge progressivamente do seu rosto. Naziazeno tem a impressão de haver mergulhado a face na água fria. Acha-se um pouco trêmulo.
7 Alcides ali à sua frente, ele não se sente tão só. A cara deslavada e ausente do outro bem podia passar por ingênua. Ele curvava um pouco o tórax para diante, olhava em frente, as feições iguais, como de quem dorme. Quando tirava o olhar dum foco para colocá-lo num outro, fechava habitualmente os olhos, como quem faz um “entreato” entre as duas visadas. Isto repetido várias vezes dava-lhe um ar de sono, que o tornava mais ausente e ingênuo.
(Os ratos, 2022.)
1 porte-monnaie: porta-moedas.
Examine a tirinha de Rafa Figueiredo, publicada em 27.01.2023, para responder à questão.

(www.defeitodefabrica.com)
Examine a tirinha de Rafa Figueiredo, publicada em 27.01.2023, para responder à questão.

(www.defeitodefabrica.com)
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
Poética
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
[…]
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
BANDEIRA, Manuel. Poética. Disponível em: https://www. ufrgs.br/enunciarcotidianos/2017/04/11/poetica-manuelbandeira/. Acesso em: 25 fev. 2025. [Fragmento]
Nessa construção poética de Manuel Bandeira, o recurso metalinguístico revela‑se na
Disponível em: https://blogdoaftm.com.br/chargemudancas-climaticas-6/. Acesso em: 25 fev. 2025.
Na fala do personagem, a segunda oração é classificada como coordenada
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.

BECK, Alexandre. Armandinho. Disponível em: https://tirasarmandinho.tumblr.com/post/163405308014/tirinha-original. Acesso em: 25 fev. 2025.
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.

BECK, Alexandre. Armandinho. Disponível em: https://tirasarmandinho.tumblr.com/post/163405308014/tirinha-original. Acesso em: 25 fev. 2025.
Releia o trecho a seguir:
“A gente procura por boas notícias...”
Assinale a alternativa em que a palavra em destaque tem, no contexto apresentado, a mesma classificação morfológica daquela em destaque no trecho acima.
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
‘A Geração Ansiosa’ e a nova caverna de Platão
Vício da geração Z, internet e as redes sociais são catalisadores para uma infância cada vez mais ansiosa, solitária e fragilizada
Onde brincam as crianças? [“Where do the children play?”] perguntava‑se Cat Stevens, no rescaldo da contracultura, numa canção belíssima de crítica ao desenvolvimento técnico e ao crescimento econômico desenfreado. Entre muitas outras coisas, os versos de Stevens aludiam ao fuzuê urbano e à falta de espaço nas cidades. O tempo respondeu à pergunta de Stevens de maneira inusitada: elas brincam em seus celulares.
[...]
LEITE, J. G. P. ‘A Geração Ansiosa’ e a nova caverna de Platão. Carta Capital. Disponível em: https://www.cartacapital. com.br/opiniao/a-geracao-ansiosa-e-a-nova-caverna-de-platao/. Acesso em: 20 fev. 2025. [Fragmento]
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
‘A Geração Ansiosa’ e a nova caverna de Platão
Vício da geração Z, internet e as redes sociais são catalisadores para uma infância cada vez mais ansiosa, solitária e fragilizada
Onde brincam as crianças? [“Where do the children play?”] perguntava‑se Cat Stevens, no rescaldo da contracultura, numa canção belíssima de crítica ao desenvolvimento técnico e ao crescimento econômico desenfreado. Entre muitas outras coisas, os versos de Stevens aludiam ao fuzuê urbano e à falta de espaço nas cidades. O tempo respondeu à pergunta de Stevens de maneira inusitada: elas brincam em seus celulares.
[...]
LEITE, J. G. P. ‘A Geração Ansiosa’ e a nova caverna de Platão. Carta Capital. Disponível em: https://www.cartacapital. com.br/opiniao/a-geracao-ansiosa-e-a-nova-caverna-de-platao/. Acesso em: 20 fev. 2025. [Fragmento]
Disponível em: https://mucuri.ba.gov.br/acontece-neste-sabado-20-o-dia-d-da-campanha-nacionalde-vacinacao-contra-a-poliomielite-e-multivacinacao/. Acesso em: 25 fev. 2025.
A partir da escolha vocabular do cartaz, infere‑se que essa campanha busca
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
Mudança climática e a necessidade de diálogo intergeracional
Estamos planejando o futuro olhando para o retrovisor. A crise climática gerou uma nova situação para toda a humanidade que não poderá ser resolvida com soluções antigas. Mesmo após diversas conferências sobre o clima, desde a Eco 92 até a COP30, […] os países tendem a concordar que são necessárias ações urgentes para combater a mudança climática e definem metas de redução da emissão de gases de efeito estufa, mas, na prática, o problema apenas se agrava. Por que isso ocorre?
A incoerência entre o discurso de transição energética e a efetiva ação repousa no modelo tradicional baseado em crescimento econômico. Apesar de os países concordarem que reduzir, reutilizar e reciclar são aspectos fundamentais, na prática tal atitude desacelera a economia. Logo, não é colocada em prática de forma efetiva.
O paradigma dos governantes mundiais, tanto os atuais quanto os das últimas décadas, visa estimular o consumo como forma de gerar mais empregos, o que é um raciocínio válido. Porém, não leva em consideração o impacto ao meio ambiente. Você é estimulado a consumir, descartar e, então, consumir novamente.
As novas gerações, entretanto, têm uma consciência ambiental muito mais aflorada. Eles cresceram ouvindo falar das mudanças climáticas, estudaram na escola formas de economizar energia e, agora, estão sentindo na pele os efeitos das ondas de calor que assolam o país. A moderação ganha muito mais valor para essas pessoas do que o estímulo ao consumismo desenfreado. O lema “lucro acima de tudo” não tem eco entre elas.
Para vencer essas dicotomias, a economia, como a conhecemos, precisa se reinventar. Na verdade, precisa circular. Um exemplo bem próximo dos consumidores é a importância da reciclagem, que gera um promissor mercado com receita e novos empregos, além de reduzir o lixo produzido pelas cidades. A coleta seletiva e os processos de triagem do lixo devem ser estimulados e aprimorados. Produtos reciclados devem ganhar mais espaço na economia do que produtos que utilizam matéria‑prima nova em sua fabricação.
SHAYANI, Rafael Amaral. Mudança climática e a necessidade de diálogo intergeracional. Correio Braziliense. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2025/02/7067391mudanca-climatica-e-a-necessidade-de-dialogo-intergeracional. html. Acesso em: 28 fev. 2025. [Fragmento]
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
Mudança climática e a necessidade de diálogo intergeracional
Estamos planejando o futuro olhando para o retrovisor. A crise climática gerou uma nova situação para toda a humanidade que não poderá ser resolvida com soluções antigas. Mesmo após diversas conferências sobre o clima, desde a Eco 92 até a COP30, […] os países tendem a concordar que são necessárias ações urgentes para combater a mudança climática e definem metas de redução da emissão de gases de efeito estufa, mas, na prática, o problema apenas se agrava. Por que isso ocorre?
A incoerência entre o discurso de transição energética e a efetiva ação repousa no modelo tradicional baseado em crescimento econômico. Apesar de os países concordarem que reduzir, reutilizar e reciclar são aspectos fundamentais, na prática tal atitude desacelera a economia. Logo, não é colocada em prática de forma efetiva.
O paradigma dos governantes mundiais, tanto os atuais quanto os das últimas décadas, visa estimular o consumo como forma de gerar mais empregos, o que é um raciocínio válido. Porém, não leva em consideração o impacto ao meio ambiente. Você é estimulado a consumir, descartar e, então, consumir novamente.
As novas gerações, entretanto, têm uma consciência ambiental muito mais aflorada. Eles cresceram ouvindo falar das mudanças climáticas, estudaram na escola formas de economizar energia e, agora, estão sentindo na pele os efeitos das ondas de calor que assolam o país. A moderação ganha muito mais valor para essas pessoas do que o estímulo ao consumismo desenfreado. O lema “lucro acima de tudo” não tem eco entre elas.
Para vencer essas dicotomias, a economia, como a conhecemos, precisa se reinventar. Na verdade, precisa circular. Um exemplo bem próximo dos consumidores é a importância da reciclagem, que gera um promissor mercado com receita e novos empregos, além de reduzir o lixo produzido pelas cidades. A coleta seletiva e os processos de triagem do lixo devem ser estimulados e aprimorados. Produtos reciclados devem ganhar mais espaço na economia do que produtos que utilizam matéria‑prima nova em sua fabricação.
SHAYANI, Rafael Amaral. Mudança climática e a necessidade de diálogo intergeracional. Correio Braziliense. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2025/02/7067391mudanca-climatica-e-a-necessidade-de-dialogo-intergeracional. html. Acesso em: 28 fev. 2025. [Fragmento]
Disponível em:://www.camarauberlandia.mg.gov.br/imprensa/noticias/campanha-antirrabica-vai-ate-dia-10-de-agosto. Acesso em: 07 fev. 2025.
Nesse cartaz, o qual faz parte de uma Campanha de Vacinação Antirrábica, observa-se a predominância da função de linguagem
Democracia é um (I) político burro montado num (II) burro político. Os dois pensam (?) completamente diferente, mas acabam indo pro mesmo lugar: o preferido do burro. E não me pergunte qual deles.
FERNADES, M. Millôr definitivo: a bíblia do caos. Porto Alegre: L e PM, 2002. p. 146.
Percebe-se que a definição ocorre por meio de um jogo de palavras que estão destacadas em negrito. É INCORRETO considerar que
Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo amor
Disponível em: https://sme.goiania.go.gov.br/conexaoescola/ensino_fun damental/lingua-porguesa-estudo-do-texto-poeticointroducao-ao-soneto/. Acesso em: 07 fev. 2025.
Texto 2
O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria
É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder
É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata a lealdade
Tão contrário a si é o mesmo amor
Disponível em: http://letras.mus.br/legiao-urbana/22490/. Acesso em: 07 fev. 2025. (Fragmento)
O Texto 1 é um famoso soneto de Luís Vaz de Camões. O Texto 2, por sua vez, é um fragmento da letra da música “Monte Castelo”, composta por Renato Russo, na qual se evidencia a presença de