Questões de Vestibular Sobre português
Foram encontradas 12.156 questões
Há pouco leite no país
é preciso entregá- lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá- lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
(...)
E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro...
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.
Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.
Mas este entrou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.
(...)
Da garrafa estilhaçada.
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.
De acordo com o texto, afirma-se:
I. Em plena madrugada, o leiteiro cumpre um papel fundamental na distribuição de um leite bom que alimenta inclusive gente ruim.
II. Na sua ríspida e barulhenta marcha, o leiteiro acorda todos que dormem nas casas nas quais o leite é entregue.
III. De forma premeditada, o morador mata o raivoso leiteiro que se aproxima também para assaltá- lo.
IV. Devido a um trágico engano, um cidadão inocente é morto no exercício da profissão.
As afirmativas corretas são, apenas,
Texto 1
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite
Horrendos a dançar.
(...)
E ri- se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem- se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que de martírios embrutece,
Cantando geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra
E após, fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz, do fumo entre os densos nevoeiros:
“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei- os mais dançar!...”
(Excertos da quarta parte do poema “O Navio Negreiro”, de Castro Alves)
Texto 2
Tudo começou quando a gente conversava
Naquela esquina ali
De frente àquela praça
Veio os homens
E nos pararam
Documento por favor
Então a gente apresentou
Mas eles não paravam
Qual é negão? Qual é negão?
O que que tá pegando?
Qual é negão? Qual é negão?
É mole de ver
Que em qualquer dura
O tempo passa mais lento pro negão
Quem segurava com força a chibata
Agora usa farda
Engatilha a macaca Escolhe sempre o primeiro
Negro pra passar na revista
Pra passar na revista
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
(...)
(Todo camburão tem um pouco de navio negreiro, composição de Marcelo Yuka, do grupo O Rappa, em disco lançado em 1994)
Com base nos textos, afirma-se:
I. Já no primeiro verso do texto 1, o eu lírico anteci- pa o teor violento desse trecho do poema ao utilizar a expressão “sonho dantesco”, referência às imagens perturbadoras do Inferno, primeira parte da obra Divina Comédia, de Dante Alighieri.
II. A canção do grupo O Rappa relaciona a imagem do açoitador do passado com a do policial dos dias de hoje.
III. Por aclimação, entende-se o esforço do homem tencionando um processo de adaptação, mesmo em circunstâncias desfavoráveis. Ao construir imagens contrastantes (a multidão que, mesmo chorando, dança; o escravo que concomitante- mente geme e ri), Castro Alves, no texto 1, reduz seu grito de denúncia e antevê essa ação de ajustamento dos negros à realidade da escravatura.
IV. Nos dois textos, há referência ou comparação entre animais e instrumentos que funcionam como armas de opressão frente ao negro.
As afirmativas corretas são, apenas
Texto 1
(…)
É bem possível que eu um dia cegue.
No ardor desta letal tórrida zona,
A cor do sangue é a cor que me impressiona
E a que mais neste mundo me persegue!
Essa obsessão cromática me abate.
Não sei por que me vêm sempre à lembrança
O estômago esfaqueado de uma criança
E um pedaço de víscera escarlate.
(…)
Na ascensão barométrica da calma,
Eu bem sabia, ansiado e contrafeito,
Que uma população doente do peito
Tossia sem remédio na minh’alma!
E o cuspo que essa hereditária tosse
Golfava, à guisa de ácido resíduo,
Não era o cuspo só de um indivíduo
Minado pela tísica precoce.
(…)

Os versos do excerto e o texto crítico de Alfredo Bosi referem- se a
“Foi então que um gaúcho gadelhudo, mui alto, canhoto, desprendeu da cintura as boleadeiras e fê- las roncar por cima da cabeça… e quando ia soltá- las, zunindo, com força pra rebentar as costelas dum boi manso, e que o negro estava cocando o tiro, de facão pronto pra cortar as sogas…, nesse mesmo momento e instante a velha Fermina entrou na roda, e ligeira como um gato, varejou no Bonifácio uma chocolateira de água fervendo, que trazia na mão, do chimarrão que estava chupando… O negro urrou como um touro na capa…; a rumo no mais avançou o braço, e fincou e suspendeu, levando a velha, estorcendo- se, atravessada no facão até o esse…; ao mesmo tempo, mandado por pulso de homem um bolaço cantou- lhe no tampo da cabeça e logo outro, no costilhar, e o negro caiu, como boi desnucado, de boca aberta, a língua pontuada, mexendo em tremura uma perna, onde a roseta da chilena tinia, miúdo…
Patrício, escuite!”
( ) As comparações com bichos ( boi manso, gato, touro na capa, boi desnucado) conferem aos personagens uma espécie de animalização, um instinto não racional que potencializa o tom violento da cena.
( ) Na leitura do trecho, torna- se evidente a força visual na escrita de Simões Lopes Neto, autor que detalhava, com riqueza, as ações de seus personagens, gerando tensão no relato.
( ) A utilização de expressões tipicamente urbanas do Rio Grande do Sul dá ao texto um caráter regionalista.
( ) O vaqueano Blau Nunes é o narrador da obra, personagem que testemunhou ou ouviu os causos que relata. Essa marca de oralidade torna- se ainda mais explícita com a passagem “Patrício, escuite!”.
( ) O trecho pertence ao conto “Negro Bonifácio”.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
INSTRUÇÃO: Para responder à questão 31, leia o excerto do conto “O caso da vara”, de Machado de Assis.
Todas as afirmativas estão corretamente associadas ao excerto, EXCETO:
I. Os textos 1 e 2 têm em comum o uso da primeira pessoa e o fato de constituírem relatos pessoais.
II. O texto 1 apresenta uma sequência de ações, enquanto o texto 2 enfatiza uma situação específica.
III. Considerando o trecho “A China, nação que mais polui e que mais consome matéria-prima” ( texto 3, linhas 36 e 37), seria possível imaginar que o narrador do texto 1 é um chinês.
IV. O texto 1 generaliza a relação homem- natureza, enquanto o texto 3 define os espaços em que ocorre essa relação: na China e no Maracanã.
Estão corretas apenas as afirmativas
( ) A primeira frase do texto ( linha 01) é falsa, pois no Maracanã não há árvores, o que reduz a confiança do leitor no ponto de vista do autor.
( ) Em “dinheiro não dá em árvore, mas árvore dá dinheiro” ( linhas 10 e 11) o autor vale- se de um jogo de palavras.
( ) Seria correto usar vírgula seguida de “já que” em lugar do travessão da linha 22.
( ) A expressão “negócio da China” ( linhas 12 e 13) assume, no texto, duplo sentido.
( ) “A China, nação que mais polui e que mais consome matéria- prima, tem índice de desmatamento zero” ( linhas 36 a 38) constitui um paradoxo.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
No texto 3, o autor
I. adota diferentes recursos de linguagem, como expressões metafóricas.
II. apresenta dados da realidade para sustentar seu ponto de vista.
III. utiliza interrogações de bom efeito retórico, mas não apresenta respostas para elas.
IV. dirige- se a um público leitor especializado em ecossistemas.
Estão corretas apenas as afirmativas
( ) A descrição presente nas linhas 03 a 05 está para a vida assim como a ideia iniciada por “Só que” ( linha 09) está para a morte.
( ) “montão de gente” ( linha 04), “cheguei na beira” ( linha 06), “monte de coisinhas” ( linhas 06 e 07) são construções exclusivas do falar infantil.
( ) No trecho das linhas 03 a 05, verbos como “era” e “caminhava” contribuem para formar o cenário decorrente da ação “levaram” ( linhas 01 e 02).
( ) Embora sem nexos explícitos, o texto finaliza (“Só que... casa” linhas 09 a 11) com duas conclusões interrelacionadas: uma referente a morte e outra a desconsolo.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
O texto permite concluir que a narradora
1. valoriza mais as boas lembranças do que as más.
2. chama o que vê na praia de “coisinhas prateadas” porque não conhece ainda a palavra “peixes”.
3. assusta- se com as ondas inquietas e a multidão que invade a praia.
4. passa por uma quebra de expectativa no decorrer do episódio narrado.
5. foi mais de uma vez à beira do mar.
Apenas estão corretas as afirmativas
1. “implacável” ( linha 02)
2. “irrespirável” ( linha 03)
3. “irreciclável” ( linha 16)
4. “biodesagradável” ( linha 16)
Sobre essas palavras, afirma- se:
( ) todas contêm um elemento negativo.
( ) o sufixo – ável denota a ideia de “passível de”, diferentemente de – adas, em “arrasadas” ( linha 08), que denota processo concluído.
( ) nas palavras 1 e 2, um mesmo prefixo assume grafias diversas, em decorrência das letras (“p” e “r”) seguintes.
( ) a palavra 4 apresenta um elemento a mais do que as palavras 1 e 2.
O correto preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
O texto acima, da obra Vidas Secas , de Graciliano Ramos, é uma caracterização de Fabiano, personagem da novela. Indique, nas alternativas abaixo, aquela que também o caracteriza de forma correta.
