A reportagem e as cartas inseridas nas páginas iniciais do l...

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Ano: 2011 Banca: PUC - SP Órgão: PUC - SP Prova: PUC - SP - 2011 - PUC - SP - Vestibular - Prova 01 |
Q341070 Português
A reportagem e as cartas inseridas nas páginas iniciais do livro Capitães de Areia, de Jorge Amado, criam uma relação entre jornal e literatura e acabam compondo a matéria propriamente dita da obra. Dessa relação, é possível afirmar que:

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O enunciado afirma que a reportagem e as cartas iniciais “acabam compondo a matéria propriamente dita da obra”. Esse dado mostra que elas não têm autonomia jornalística externa: são textos incorporados à composição do romance como pseudo-reportagem ficcional. Por isso, o gabarito é D, que reconhece ambos como produtos do imaginário criado pelo autor.

Tema central: pseudo-reportagem e ficção
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque transforma a relação entre jornal e literatura em equivalência de estatuto discursivo. A base afirma apenas que a obra constrói uma relação entre esses discursos e incorpora a forma jornalística ao romance; não autoriza dizer que ambos mostram a realidade com “igual objetividade e isenção de ânimo”. Isso confunde efeito de realidade com objetividade factual.
B
Errada
Está errada porque toma a matéria jornalística inserida no livro como se tivesse valor de fato “comprovadamente verdadeiro”. Pela base, o foco da questão não é a verdade documental dessa matéria, mas sua função dentro da obra: ela integra a ficção como pseudo-reportagem. A oposição entre jornal verdadeiro e literatura apenas verossímil não resolve o caso apresentado no enunciado.
C
Errada
Está errada porque, embora mencione o efeito de legitimação e verdade, introduz uma afirmação incompatível com o enunciado: “nenhuma pessoa referida nela seja aproveitada como personagem no romance”. Se a reportagem e as cartas “compõem a matéria propriamente dita da obra”, não cabe essa separação excludente entre os textos iniciais e a narrativa. A alternativa cai por causa desse segmento absoluto.
D
Certa
A alternativa D acerta porque reconhece a função composicional dos textos iniciais: a reportagem e as cartas não aparecem como jornalismo real independente, mas como peças ficcionais integradas ao romance para produzir efeito de realidade. Esse é exatamente o critério indicado pela base: a forma jornalística é apropriada pela literatura como estratégia de verossimilhança, e não como registro factual externo à obra.
E
Errada
Está errada por contrariar frontalmente o enunciado. Se a reportagem e as cartas “criam uma relação entre jornal e literatura” e “acabam compondo a matéria propriamente dita da obra”, então não são independentes do romance nem estão sem vínculo com ele. A alternativa nega exatamente o dado textual decisivo da questão.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre aparência jornalística e verdade documental: como os textos iniciais imitam reportagem e cartas, o candidato pode tratá-los como material externo e factual, quando o enunciado deixa claro que eles integram a própria construção ficcional do romance.
Dica para questões semelhantes
  • Observe verbos estruturais do enunciado, como “compõem”: eles indicam se um texto é parte da obra ou documento externo.
  • Não confunda efeito de verdade com verdade factual; pseudo-reportagem pode servir à verossimilhança sem deixar o campo da ficção.
  • Desconfie de alternativas com absolutos como “igual objetividade”, “comprovadamente verdadeiros” ou “nenhuma pessoa”, porque costumam extrapolar o que o enunciado autoriza.

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