Questões de Vestibular Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q1371731 Português
TEXTO:

As coisas naturais me cercam
e contam-me — analfabetas —
que são minhas irmãs.
A lua é, agora, um objeto
do meu uso pessoal.

Sinto-me tão natural
que faço sol, chovo, anoiteço.
Minha mão é de prata e água.
As moças do lugar me cumprimentam
sem me conhecer;
com isso, me comovem.


RICARDO, Cassiano. Estação de cura. Melhores poemas: Cassiano Ricardo. Seleção Luiza Franco Moreira. São Paulo: Global, 2003. p. 116. (Coleção Melhores Poemas)
O texto sugere
Alternativas
Q1371730 Português
Umas poucas pessoas, gente da Ladeira, espiavam o cadáver quando Vanda chegou. O santeiro informava em voz baixa: — É a filha. Tinha filha, genro, irmãos. Gente distinta. O genro é funcionário, mora em Itapagipe. Casa de primeira... [...] Era um morto pouco apresentável, cadáver de vagabundo falecido ao azar, sem decência na morte, sem respeito, rindo-se cinicamente, rindo-se dela, com certeza de Leonardo, do resto da família. Cadáver para necrotério, para ir no rabecão da polícia servir depois aos alunos da Faculdade de Medicina nas aulas práticas, ser finalmente enterrado em cova rasa, sem cruz e sem inscrição. Era o cadáver de Quincas Berro Dágua, cachaceiro, debochado e jogador, sem família, sem lar, sem flores e sem rezas. Não era Joaquim Soares da Cunha, correto funcionário da Mesa de Rendas Estadual, aposentado após vinte e cinco anos de bons e leais serviços, esposo modelar, a quem todos tiravam o chapéu e apertavam a mão.
AMADO, Jorge. A morte e a morte de Quincas Berro Dágua. 44. ed. Rio de Janeiro: Record, 1979. p. 26-27.

O texto apresenta
Alternativas
Q1371729 Português
I. Pouco a pouco, tinha-se inclinado; fincara os cotovelos no mármore da mesa e metera o rosto entre as mãos espalmadas. Não estando abotoadas, as mangas caíram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muito claros, e menos magros do que se poderiam supor. A vista não era nova para mim, posto também não fosse comum; naquele momento, porém, a impressão que tive foi grande. As veias eram tão azuis, que, apesar da pouca claridade, podia contá-las do meu lugar. A presença de Conceição espertara-me ainda mais que o livro. Continuei a dizer o que pensava das festas da roça e da cidade, e de outras coisas que me iam vindo à boca. Falava emendando os assuntos, sem saber por que, variando deles ou tornando aos primeiros, e rindo para fazê-la sorrir e ver-lhe os dentes que luziam de brancos, todos iguaizinhos.

ASSIS, Machado de. Missa do galo: variações sobre o mesmo tema. São Paulo: Summus, 1977. p. 17.


II. Hoje, sinto-me especialmente bem. Muito alivia-me o Natal quando se avizinha. Mais uma estação vencida galhardamente. Logo depois do almoço apurei-me na colônia, fui bem farto ao passá-la pelo corpo. Encareci a Conceição que se encarregasse pessoalmente de meus trajes. Afinal, um homem é a sua aparência. Como sempre, obedeceu-me. A bem da verdade, ela jamais me desagravou com atitudes hostis. E mesmo quando supôs que da rua eu trazia-lhe algum desgosto, nunca me levantou a voz. E não é feia, a minha Conceição. Ocorre apenas que os mesmos encantos que em outra mulher reluzem firmemente, nela, por mistério que não explico, simplesmente empalidecem. Com esta verdade, já estou bem conformado. Se ao menos Conceição soubesse rir!

PIÑON, Nélida. Missa do galo: variações sobre o mesmo tema. São Paulo: Summus, 1977. p. 26. 
Identifique as afirmativas verdadeiras (V) e as falsas (F).
Considerando-se os trechos I e II, pode-se afirmar:

( ) Em ambos, evidencia-se a mesma imagem de Conceição, precisa em seus detalhes.
( ) Tanto no trecho I quanto no II, acentua-se a subserviência da mulher em relação ao homem.
( ) No trecho I, a figura feminina exerce certo fascínio sobre o narrador; já no II, a mulher em foco é desprovida de atributos sedutores.
( ) No trecho I, Conceição é revelada fisicamente em atributos conhecidos que adquirem novo valor, enquanto no II, o narrador mostra-se íntimo de Conceição e emite juízo de valor a respeito das atitudes dela.

A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
Alternativas
Q1371728 Português
I. Pouco a pouco, tinha-se inclinado; fincara os cotovelos no mármore da mesa e metera o rosto entre as mãos espalmadas. Não estando abotoadas, as mangas caíram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muito claros, e menos magros do que se poderiam supor. A vista não era nova para mim, posto também não fosse comum; naquele momento, porém, a impressão que tive foi grande. As veias eram tão azuis, que, apesar da pouca claridade, podia contá-las do meu lugar. A presença de Conceição espertara-me ainda mais que o livro. Continuei a dizer o que pensava das festas da roça e da cidade, e de outras coisas que me iam vindo à boca. Falava emendando os assuntos, sem saber por que, variando deles ou tornando aos primeiros, e rindo para fazê-la sorrir e ver-lhe os dentes que luziam de brancos, todos iguaizinhos.

ASSIS, Machado de. Missa do galo: variações sobre o mesmo tema. São Paulo: Summus, 1977. p. 17.


II. Hoje, sinto-me especialmente bem. Muito alivia-me o Natal quando se avizinha. Mais uma estação vencida galhardamente. Logo depois do almoço apurei-me na colônia, fui bem farto ao passá-la pelo corpo. Encareci a Conceição que se encarregasse pessoalmente de meus trajes. Afinal, um homem é a sua aparência. Como sempre, obedeceu-me. A bem da verdade, ela jamais me desagravou com atitudes hostis. E mesmo quando supôs que da rua eu trazia-lhe algum desgosto, nunca me levantou a voz. E não é feia, a minha Conceição. Ocorre apenas que os mesmos encantos que em outra mulher reluzem firmemente, nela, por mistério que não explico, simplesmente empalidecem. Com esta verdade, já estou bem conformado. Se ao menos Conceição soubesse rir!

PIÑON, Nélida. Missa do galo: variações sobre o mesmo tema. São Paulo: Summus, 1977. p. 26. 
No trecho I, o personagem narrador revela-se
Alternativas
Q1371727 Português
[...] Mendonça gostava sobretudo da variedade no viver; não tolerava os mesmos prazeres nem os mesmos charutos; para os apreciar tinha necessidade de os alternar freqüentemente. Se fosse possível, era capaz de fazer-se monge durante um mês, antes do carnaval, trocar o hábito por um dominó, e atar as últimas notas das matinas com os prelúdios da contradança. A fidelidade à moda custava-lhe um pouco, quando esta não ia a passo com a impaciência. Em sua opinião, o que distinguia o homem do cão era a faculdade de fazer que uma noite se não parecesse com outra. O Rio de Janeiro não lhe oferecia a mesma variedade de recursos que Paris; tendo o gênio inventivo e fértil, não lhe faltaria meio de fugir à uniformidade dos hábitos.
ASSIS, Machado de. Helena. São Paulo: FTD, 1992. p. 67. (Coleção Grandes Leituras)

O personagem em foco
Alternativas
Q1371725 Português
No poema,
Alternativas
Q1371724 Português
Tem comprovação no texto a ideia expressa na alternativa
Alternativas
Q1371723 Português

Imagem associada para resolução da questão

SANTOS, Francisco de Assis. Cabocla em seu olhar, 1987. 1 original de arte, óleo sobre tela, 100x93cm. In: LIMA, Aldemir Morato de; KAWALL, Luiz Ernesto M. Os 14 dos vale: pintores primitivos/Vale do Parnaíba, São Paulo: Arte Editora Ltda., 1987. p. 33.


Na obra “Cabocla em seu olhar”, de Francisco de Assis Santos, reproduzida em destaque,

Alternativas
Q1371722 Português
No último parágrafo do texto
Alternativas
Q1371721 Português
No fragmento “Tudo é relevante; e nenhuma coisa é automaticamente mais relevante que outra.” (l. 40-42),
Alternativas
Q1371720 Português
Sobre o segundo parágrafo do texto, está correto o que se afirma em
Alternativas
Q1371718 Português
A alternativa em que o termo transcrito é um elemento sequenciador do discurso é
Alternativas
Q1371717 Português
O fragmento transcrito apresenta, na superfície textual, elemento linguístico indicador de tempo em
Alternativas
Q1371715 Português
De acordo com o texto,
Alternativas
Q1371714 Português
Constitui, no texto, um ponto de vista do enunciador a respeito da arte:
Alternativas
Ano: 2009 Banca: UEAP Órgão: UEAP Prova: UEAP - 2009 - UEAP - Vestibular - PROVA OBJETIVA – 1a Fase |
Q1371463 Português

Em saCo de frasES, o narrador questiona-se quanto ao antigo modo de vida da cidade de Macapá e também quanto ao modo de ser de sua gente. De acordo com o trecho do texto que vem a seguir, e a obra a qual ele pertence, este narrador:


“Hoje, quando percorro pelo antigo local da lixeira, sempre espero que o vento deixe pousar na minha frente uma daquelas frases escritas para que eu possa queimá-la, e assim extirpar do universo mais um preconceito que eu não deveria ter dito na caminhada da vida” (saCo de frasES - Fernando Canto)

Alternativas
Ano: 2009 Banca: UEAP Órgão: UEAP Prova: UEAP - 2009 - UEAP - Vestibular - PROVA OBJETIVA – 1a Fase |
Q1371462 Português

Os Estatutos do Homem, de Thiago de Melo aborda uma temática universal, tendo sido traduzido para vários países. Sobre o fragmento Artigo Final, que vem a seguir, marque a alternativa que melhor expressa a idealização da liberdade.


Artigo Final


Fica proibido o uso da palavra liberdade,

a qual será suprimida dos dicionários

e do pântano enganoso das bocas.

A partir deste instante

a liberdade será algo vivo e transparente

como um fogo ou um rio,

e a sua morada será sempre

o coração do homem.


Alternativas
Ano: 2009 Banca: UEAP Órgão: UEAP Prova: UEAP - 2009 - UEAP - Vestibular - PROVA OBJETIVA – 1a Fase |
Q1371460 Português
Sobre o romance O Tronco do Ipê, de José de Alencar, considere as afirmações abaixo:

I. O cenário principal acontece na fazenda de Nossa Senhora do Boqueirão, com a presença constante da casa-grande e da senzala.
II. O tema central é a ascensão e decadência do Barão Joaquim de Freitas, dono da fazenda Nossa Senhora do Boqueirão.
III. É narrado em terceira pessoa, através do personagem pai Benedito, que tudo vê, tudo sabe, tudo presencia.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2009 Banca: UEAP Órgão: UEAP Prova: UEAP - 2009 - UEAP - Vestibular - PROVA OBJETIVA – 1a Fase |
Q1371459 Português
A instabilidade das cousas do mundo

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia? Se é tão formosa a Luz, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza, Na formosura não se dê constância, E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância, E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância.
(Gregório de Matos)
Considere as afirmações sobre o poema:

I. O autor utiliza o Sol, a beleza e a alegria para ilustrar a efemeridade da vida;
II. O poeta afirma que a única coisa firme é o fato de nada ser constante;
III. O autor utiliza um paradoxo na última estrofe, o que não é próprio da estética Barroca;
IV. O acúmulo de antíteses e a estrutura interrogativa são recursos estilísticos utilizados pelo autor para sustentar sua argumentação.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2009 Banca: UEAP Órgão: UEAP Prova: UEAP - 2009 - UEAP - Vestibular - PROVA OBJETIVA – 1a Fase |
Q1371458 Português

Amor sem limite (fragmento)


Quando a gente ama alguém de verdade

Esse amor não se esquece

O tempo passa, tudo passa, mas no peito

O amor permanece

E qualquer minuto longe é demais

A saudade atormenta

Mas qualquer minuto perto é bom demais

O amor só aumenta.


Vivo por ela

Ninguém duvida

Porque ela é tudo

Na minha vida.


(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)


Esta canção de Roberto e Erasmo Carlos situa a mulher num plano superior, de certa forma idealizada, e reserva ao eu-poético masculino a vassalagem amorosa. Desta forma, no cenário da poética medieval da literatura portuguesa, caracterizase a mulher nas cantigas de:

Alternativas
Respostas
6241: E
6242: C
6243: E
6244: E
6245: C
6246: C
6247: D
6248: B
6249: C
6250: C
6251: A
6252: A
6253: E
6254: C
6255: D
6256: A
6257: C
6258: D
6259: E
6260: D