Os Estatutos do Homem, de Thiago de Melo aborda uma temática...

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Ano: 2009 Banca: UEAP Órgão: UEAP Prova: UEAP - 2009 - UEAP - Vestibular - PROVA OBJETIVA – 1a Fase |
Q1371462 Português

Os Estatutos do Homem, de Thiago de Melo aborda uma temática universal, tendo sido traduzido para vários países. Sobre o fragmento Artigo Final, que vem a seguir, marque a alternativa que melhor expressa a idealização da liberdade.


Artigo Final


Fica proibido o uso da palavra liberdade,

a qual será suprimida dos dicionários

e do pântano enganoso das bocas.

A partir deste instante

a liberdade será algo vivo e transparente

como um fogo ou um rio,

e a sua morada será sempre

o coração do homem.


Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é semântico-textual: o poema distingue o signo verbal “palavra liberdade” da liberdade como valor humano interior. A supressão recai sobre o uso vazio ou enganoso da palavra, enquanto a liberdade é afirmada como realidade viva, transparente e ligada ao “coração do homem”, o que sustenta a alternativa C.

Tema central: Idealização da liberdade
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque conclui que a supressão da palavra implica sua retirada da vida dos homens. O texto afirma o contrário: após a eliminação do uso verbal, “a liberdade será algo vivo e transparente” e sua morada será “o coração do homem”. Houve confusão entre a palavra e a realidade que ela nomeia.
B
Errada
Está errada porque reduz o sentido do poema à retirada da palavra dos dicionários e de supostos meios de propagação. Isso não expressa a idealização pedida no comando. Além disso, “qualquer outro meio de propagação” não corresponde ao sentido de “pântano enganoso das bocas”, que marca uso falso, vazio ou corrompido da linguagem, não qualquer forma de circulação da palavra.
C
Certa
A alternativa C é a correta porque expressa a ideia de que não será mais necessário o termo para designar a liberdade, já que ela é apresentada como algo intrínseco à natureza humana. Embora a formulação “designar a palavra liberdade” seja semanticamente imprecisa, o item é o único que corresponde ao sentido global do fragmento, em que a liberdade se afirma como experiência interior e autêntica do homem.
D
Errada
Está errada porque contradiz diretamente o texto ao dizer que a palavra não será suprimida do “pântano enganoso das bocas”. O poema afirma exatamente que ela será retirada também daí. Além disso, desloca indevidamente o lugar simbólico da liberdade, que no texto não permanece nesse espaço de fala enganosa, mas tem morada no “coração do homem”.
E
Errada
Está errada porque inverte o sentido central do fragmento. A alternativa afirma que a liberdade é inacessível aos homens, mas o poema diz que ela terá como morada “o coração do homem”, isto é, será íntima, interior e humana. A supressão da palavra não indica ausência da liberdade, e sim sua afirmação mais autêntica.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre “palavra liberdade” e liberdade como experiência humana: quem lê apenas a supressão do vocábulo e ignora a sequência afirmativa do poema erra o sentido central.
Dica para questões semelhantes
  • Separe sempre o termo nomeado da realidade que o texto atribui a esse termo; aqui, o poema ataca o uso da palavra, não a liberdade em si.
  • Quando o comando pedir a ideia central ou a idealização, não fique preso ao primeiro verso: verifique como o texto reorienta o sentido nos versos seguintes.
  • Expressões metafóricas decisivas, como “pântano enganoso das bocas” e “o coração do homem”, não podem ser neutralizadas em paráfrases genéricas sem perda de sentido.

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