Questões de Vestibular
Sobre interpretação de textos em português
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QUINO, Mafalda 10. São Paulo: Martins Fontes, 2010. p. 20.
Nos quadrinhos acima, destaca-se a seguinte ideia:
Havia que aprender da vida,
Do inimigo, da escuridão,
Com seus textos,
E ali estava Mao ensinando
E ali estava o partido
Com sua severidade e sua ternura,
E agora rapazes chineses,
Dos campos,
Musa jovem,
Não esqueçamos:
Tudo parece simples
Como a água.
Não é verdade.
A luta não é a água,
É o sangue.
NERUDA, Pablo. Tudo é tão simples. In: As Uvas e o Vento, Porto Alegre: L&PM, 2004. p. 37.
Esse trecho pertence ao poema “Tudo é tão simples”, em que se alude a um momento da história chinesa contemporânea. Considerando as peculiaridades desse momento histórico e os recursos poéticos utilizados, nota-se que o eu lírico retrata a Revolução
Muitas vezes, à mesa, depois de Baco ter bebido, o rosado Amor envolveu-o em seus braços delicados, segurou firme os cornos do deus e quando o vinho tornou pesadas as asas agitadas de Cupido, obrigou-o à imobilidade no lugar que escolheu. Então agita rápido suas asas úmidas, mas as gotas que o Amor esparge fazem seu mau efeito. O vinho dispõe os ânimos e torna-os propícios aos ardores amorosos; as preocupações desaparecem e afogam-se nas múltiplas libações.
OVÍDIO. A Arte de Amar. São Paulo: Martin Claret, 2003. p. 32-33.
No trecho selecionado, o escritor romano Ovídio descreve os benefícios do vinho para as relações amorosas, demonstrando alguns valores cultuados pela sociedade romana e que são destacados em sua literatura. Esses valores são:

ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Egéria, 1978. p. 100-101.
A aproximação entre o título “O velho diálogo de Adão e Eva” e a imagem acima ocorre pela

DEBRET, Jean Baptiste. Início séc. XIX. Disponível em:
. Acesso em: 28 ago. 2010. Durante os nove dias que precediam ao Espírito Santo, ou mesmo não sabemos se antes disso, saía pelas ruas da cidade um rancho de meninos, todos de nove a onze anos, caprichosamente vestidos à pastora: sapatos de cor-de-rosa, meias brancas, calção da cor do sapato, faixas à cintura, camisa branca de longos e caídos colarinhos, chapéus de palha de abas largas, ou forrados de seda, tudo isso enfeitado com grinaldas de flores e com uma quantidade prodigiosa de laços de fita encarnada. Cada um desses meninos levava um instrumento pastoril em que tocavam, pandeiro, machete e tamboril. Caminhavam formando um quadrado, no meio do qual ia o chamado imperador do Divino, acompanhados por uma música de barbeiros, e precedidos e cercados por uma chusma de irmãos de opa levando bandeiras encarnadas e outros emblemas, os quais tiravam esmolas enquanto eles cantavam e tocavam.
ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. São Paulo: Moderna, 1993. p. 66-67.
A relação entre a gravura de Debret e o fragmento ocorre pela descrição
Na tal Fundação Abrigo ao Menor Abandonado havia um campo de futebol bem razoável para os padrões da época, com um gramado regular, traves, redes e tal. Fausto conseguiu de graça o uso do campo para treinos e jogos, com a condição de convocar para seu escrete alguns dos meninos da instituição. Ele aceitou (até porque isso já fazia mesmo parte dos seus planos) e, em breve, estava fundado o glorioso Selefama Esporte Clube.
CARNEIRO, Flávio. Selefama Esporte Clube. In: Passe de letra. Rio de Janeiro: Rocco, 2009. p. 12-13.
Na crônica intitulada “Selefama Esporte Clube”, de que o trecho faz parte, o narrador, então com onze anos,
A gente estava levando agora o Sorôco para a casa dele, de verdade. A gente, com ele, ia até aonde que ia aquela cantiga.
ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, s/d. p. 21.

O grupo “Teia de Aranha”, a partir das obras de Guimarães Rosa, cria representações em bordado. O fragmento acima, extraído do conto “Sorôco, sua mãe, sua filha”, e o bordado, inspirado no mesmo conto,

CATÁLOGO DA MOSTRA DE REDESCOBRIMENTO – Arte Popular. Anos Artes Visuais do Brasil. Fundação Bienal de São Paulo.
Xilogravura de J. Borges. O Presépio. São Paulo, 2000. p. 219.
COMEÇAM A CHEGAR PESSOAS TRAZENDO PRESENTES PARA O RECÉM-NASCIDO
– Minha pobreza tal é
que não trago presente grande:
trago para a mãe caranguejos
pescados por esses mangues;
mamando leite de lama
conservará nosso sangue.
– Minha pobreza tal é
que coisa não posso ofertar:
somente o leite que tenho
para meu filho amamentar;
aqui são todos irmãos,
de leite, de lama, de ar.
– Minha pobreza tal é
que não tenho presente melhor:
trago papel de jornal
para lhe servir de cobertor;
cobrindo-se assim de letras
vai um dia ser doutor.
[...]
NETO, João Cabral de Melo. Morte e vida severina e outros poemas em voz alta. Rio de Janeiro: José Olympio, 1991. p. 105-106.
A gravura e o texto se aproximam ao
– Desde que estou retirando
só a morte vejo ativa,
só a morte deparei
e às vezes até festiva;
só morte tem encontrado
quem pensava encontrar vida,
e o pouco que não foi morte
foi de vida severina
(aquela vida que é menos
vivida que defendida,
e é ainda mais severina
para o homem que retira).
NETO, João Cabral de Melo. Morte e vida severina. Rio de Janeiro: MEDIAfashion, 2008. p. 82.
– Desde que estou retirando
só a morte vejo ativa,
só a morte deparei
e às vezes até festiva;
só morte tem encontrado
quem pensava encontrar vida,
e o pouco que não foi morte
foi de vida severina
(aquela vida que é menos
vivida que defendida,
e é ainda mais severina
para o homem que retira).
NETO, João Cabral de Melo. Morte e vida severina. Rio de Janeiro: MEDIAfashion, 2008. p. 82.

COUTINHO, Laerte. Striptiras 3. Porto Alegre L&PM, 2008. p. 39.
A linguagem presente nos quadrinhos
As eleições seriam mais efetivas se todos conhecessem bem o funcionamento da administração. Mas não é tão fácil conhecer os meandros dos governos. Primeiro, porque a maioria não tem tempo para se informar e adquirir conhecimento sobre todas as partes que compõem a administração pública. Segundo, pela dificuldade óbvia de explicar assunto tão complexo para grupos menos escolarizados. E, terceiro, pela profusão de especialidades que se transforma em obstáculo para quem quer ter uma visão mais sistêmica do Estado. São economistas, cientistas políticos e administradores que muitas vezes apresentam diagnósticos díspares sobre os problemas e dialogam pouco entre si.
[...]
O senso comum diz que o maior problema da política brasileira está na corrupção. É uma visão equivocada. Muito mais do que a roubalheira, o que mais aflige nosso sistema político é o amadorismo e o despreparo de boa parte dos eleitos. O resultado é a ineficiência, que também favorece os corruptos e espertalhões, muitos deles localizados no “outro lado do balcão”: nas empresas, nos sindicatos e nas associações civis.
O pouco conhecimento dos políticos acerca de administração é tanto maior no Poder Legislativo e nos níveis subnacionais, particularmente nos lugares menos desenvolvidos. Uma forma de combater esse mal seria os partidos políticos darem cursos a todos os seus candidatos e filiados sobre políticas públicas. [...]
Tão importante quanto o aperfeiçoamento dos políticos é a pedagogia eleitoral dos cidadãos. Parto da premissa que a realização de eleições regulares, livres e competitivas, como tem ocorrido no Brasil, já é uma forma de instrução cidadã. Daí concluo que os eleitores hoje são melhores do que no passado. Contudo, o voto será sempre mais efetivo quanto mais informado for o eleitor. E o que mais falta ser conhecido pela sociedade é o funcionamento efetivo da administração, inclusive para abandonar a postura meramente demandante em prol da pressão qualificada por mudanças nas políticas públicas. [...].
ABRUCIO, Fernando. Você sabe como funciona o governo? Época. São Paulo, 9 ago. 2010. p. 41. (Adaptado).
As eleições seriam mais efetivas se todos conhecessem bem o funcionamento da administração. Mas não é tão fácil conhecer os meandros dos governos. Primeiro, porque a maioria não tem tempo para se informar e adquirir conhecimento sobre todas as partes que compõem a administração pública. Segundo, pela dificuldade óbvia de explicar assunto tão complexo para grupos menos escolarizados. E, terceiro, pela profusão de especialidades que se transforma em obstáculo para quem quer ter uma visão mais sistêmica do Estado. São economistas, cientistas políticos e administradores que muitas vezes apresentam diagnósticos díspares sobre os problemas e dialogam pouco entre si.
[...]
O senso comum diz que o maior problema da política brasileira está na corrupção. É uma visão equivocada. Muito mais do que a roubalheira, o que mais aflige nosso sistema político é o amadorismo e o despreparo de boa parte dos eleitos. O resultado é a ineficiência, que também favorece os corruptos e espertalhões, muitos deles localizados no “outro lado do balcão”: nas empresas, nos sindicatos e nas associações civis.
O pouco conhecimento dos políticos acerca de administração é tanto maior no Poder Legislativo e nos níveis subnacionais, particularmente nos lugares menos desenvolvidos. Uma forma de combater esse mal seria os partidos políticos darem cursos a todos os seus candidatos e filiados sobre políticas públicas. [...]
Tão importante quanto o aperfeiçoamento dos políticos é a pedagogia eleitoral dos cidadãos. Parto da premissa que a realização de eleições regulares, livres e competitivas, como tem ocorrido no Brasil, já é uma forma de instrução cidadã. Daí concluo que os eleitores hoje são melhores do que no passado. Contudo, o voto será sempre mais efetivo quanto mais informado for o eleitor. E o que mais falta ser conhecido pela sociedade é o funcionamento efetivo da administração, inclusive para abandonar a postura meramente demandante em prol da pressão qualificada por mudanças nas políticas públicas. [...].
ABRUCIO, Fernando. Você sabe como funciona o governo? Época. São Paulo, 9 ago. 2010. p. 41. (Adaptado).

Após a análise do texto acima, é CORRETO afirmar:

