Por onde pude andar, no Brasil ou em outros cantos do
mundo, prestei mais atenção nas águas do que nas edificações
urbanas que se debruçam sobre elas pois todos os nossos
assentamentos humanos, na Europa, na Ásia, na África, por todos
os lados, sempre foram atraídos pelos rios. Nas salas de aula, as
crianças escutam que uma das civilizações mais antigas do
mundo nasceu no delta do rio Nilo, no Egito, cujas águas
irrigavam suas margens, propiciando condições para a agricultura
e para sua civilização. Sempre estivemos perto da água, mas
parece que aprendemos muito pouco com a fala dos rios. As
cidades, principalmente as grandes, foram se espalhando por
cima dos corpos dos rios a ponto de não termos quase mais
nenhum respeito por eles. O corpo da Terra não aguenta mais
cidades, pelo menos não essas que se configuram como uma
continuidade das pólis do mundo antigo, com gente protegida por
muros, e o resto do lado de fora — indígenas, quilombolas,
ribeirinhos. Além disso, as metrópoles são um sorvedouro de
energia. Ainda há quem tenha a pachorra de dizer que o Brasil é
vanguarda na produção de energia limpa. Eu não sei que história
é essa, se você botar um filtro de sangue nas hidrelétricas de
Tucuruí, Balbina, Belo Monte, Santo Antônio e Jirau, ele entope.
Ailton Krenak. Futuro ancestral. Companhia das Letras, 2022 (com adaptações).
Considerando as ideias do texto precedente e os diversos assuntos a ele relacionados, julgue o item.
Uma das formas de proteger a qualidade da água e sua
quantidade nas nascentes dos rios, bem como os
ecossistemas associados é o estabelecimento das áreas de
proteção permanente.
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